<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032</id><updated>2011-07-28T08:54:44.789-07:00</updated><title type='text'>tudoquesobra</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>87</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3865219390959757228</id><published>2010-04-08T12:38:00.000-07:00</published><updated>2010-04-08T12:48:43.139-07:00</updated><title type='text'>Malcolm McLaren is dead</title><content type='html'>Malcolm McLaren, ex-empresário dos New York Dolls e dos Sex Pistols, morreu hoje aos 64 anos, vitimado por um câncer. Eu o entrevistei em 1995, quando trabalhava na revista BIZZ. Era um cara-de-pau? Certamente que sim. Roubou muita gente? Também. Mas era inteligente, sabia criar tendências e farejar sucesso e foi um dos mentores do punk rock. Em homenagem a ele, vou postar aqui a entrevista que fiz com Mr. McLaren&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é Paris?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Paris é um cartão-postal em forma de música. Eu moro lá a alguns anos e sempre quis mostrar a sensação gostosa de viver naquela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que, nos Sex Pistols, você regulava até cerveja?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, porque a banda nunca deu dinheiro! Eu tinha de bancar shows e discos e, se fosse pagar cerveja para eles, iria à falência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que os Sex Pistols acabaram?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No primeiro ano eles não estavam nem aí. No outro, os Pistols queriam virar popstars. O que é muito difícil para uma banda que nunca passou do nº 180 das paradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas vocês receberam uma boa grana da EMI, por quebra de contrato...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, os rapazes compraram belas casas com ela. Mas com o que sobrou, EU não consegui comprar uma casa para mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você costuma ser taxado de picareta, fazendo uso de músicas dos outros para fazer sucesso. Como encara isso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os Rolling Stones chupam riffs de Cruck Berry! Chamam a gente de ladrões porque nunca colocamos nos créditos do disco: "Inspirado por Chuck Berry e Muddy Waters!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que o motivou a sair em carreira solo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu não me sentia diferente em relação a outros artistas que empresariei. Mas tenho uma defesa: vários músicos famosos adoram o que eu faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E as acusações de que você meteu a mão na música africana, em &lt;em&gt;Duck Rock&lt;/em&gt; (83)?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;As músicas existe para ser descobertas. E, depois de mim, Paul Simon compôs com africanos e Peter Gabriel tem um selo de world music.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que você achou de &lt;em&gt;Graceland&lt;/em&gt; (86), o disco africano de Paul Simon?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um dia Paul Simon me perguntou o que eu estava fazendo. E eu: "Você quer que eu diga o que estou fazendo para você copiar depois?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E quanto a Peter Gabriel?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ele disse que me odiava porque eu tratava músicas como gado. Respondi que não é muito diferente do jeito de Alfred Hitchock tratava seus atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em que tipo de música você apostaria hoje?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disco&lt;/em&gt;. Um dia eu estava em casa ouvindo&lt;em&gt; Boogie Oogie Oogie&lt;/em&gt;, do A Taste Of Honey. Que canção maravilhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você já declarou que, da música clássica rock, todo mundo entrou nessa para ganhar mulheres. Você se considera satisfeito sexualmente?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É impressionante a quantidade de meninas e senhoras que compram o meu disco!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3865219390959757228?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3865219390959757228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3865219390959757228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3865219390959757228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3865219390959757228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/04/malcolm-mclaren-is-dead.html' title='Malcolm McLaren is dead'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4175028032904448775</id><published>2010-04-05T06:50:00.000-07:00</published><updated>2010-04-05T06:56:36.486-07:00</updated><title type='text'>Frases antológicas que já escutei parte 2</title><content type='html'>Caros&lt;br /&gt;Vamos a mais alguns festivais de besteiras ditos por editores com que eu trabalhei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chegamos ao fundo do poço. Dar uma banda de pagode na capa é o fim da picada."&lt;br /&gt;(de um ex-diretor de redação da BIZZ ao ver uma capa com o Cidade Negra. Sim, ele confundiu o grupo com o RAÇA Negra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esta sim é uma capa vendedora"&lt;br /&gt;(do mesmo sujeito ao aprovar a capa que trazia uma vaca pintada de verde - era uma "homenagem ao Pink Floyd, que poderia vir ao Brasil. Foi um fracasso de vendas, claro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem é ele?"&lt;br /&gt;(de um ex-companheiro de redação da BIZZ, quando confirmamos uma entrevista com Ray Manzarek, tecladista dos Doors."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que mania você tem de sugerir entrevista com pessoas que ninguém conhece! Por favor, alguém aqui da sala conhece Jimmy Page? Quem é? O que faz?"&lt;br /&gt;(um ex-companheiro meu de redação teve de escutar isso de um ex-chefe. Mas será que alguém realmente conhece Jimmy Page?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4175028032904448775?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4175028032904448775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4175028032904448775' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4175028032904448775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4175028032904448775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/04/frases-antologicas-que-ja-escutei-parte.html' title='Frases antológicas que já escutei parte 2'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3110061706198831833</id><published>2010-03-31T07:58:00.001-07:00</published><updated>2010-03-31T07:58:50.901-07:00</updated><title type='text'>A canção que mudou as canções</title><content type='html'>Os 55 anos de existência do rock são marcados por momentos emblemáticos. As primeiras gravações de Elvis Presley, em meados da década de 50, anunciaram a chegada do rock’n’roll e definiram um padrão de comportamento para a juventude. A aparição dos Beatles no Eddie Sullivan Show, em 1964, mostrou uma nova maneira de fazer música pop e levou bandas inglesas como The Who e Rolling Stones a desembarcar nos Estados Unidos em busca de sucesso. Já Like a Rolling Stone, canção que Bob Dylan lançou em 20 de julho de 1965, transformou a poética do rock. A partir dela, o gênero se libertaria de temas como carros e garotas para mergulhar não só em assuntos sociais e políticos, mas na introspecção: o que dizer, e como dizê-lo, viraria a razão de ser do rock e a sua bandeira revolucionária. O objetivo do crítico Greil Marcus em Like a Rolling Stone – Bob Dylan na Encruzilhada (Companhia das Letras; tradução de Celso Mauro Paciornik; 256 páginas; 42 reais) é mostrar a gênese dessa canção e provar que ela, sozinha, mudou a cultura pop em todo o mundo. Marcus está à altura do que se propõe: ele é não apenas referência obrigatória na crítica musical, como também um especialista em Bob Dylan.&lt;br /&gt;Dylan surgiu no início dos anos 60 como uma versão remoçada do artista folk Woody Guthrie. De violão e gaita empoleirada sobre os ombros, ele compunha canções de protesto como Blowin’ in the Wind (aquela que o senador Eduardo Suplicy se encarrega de estragar toda vez que a "interpreta"). A fórmula durou até Bringing It All Back Home. O disco, lançado em 1965, introduziu a guitarra elétrica no folk e deixou furiosos os fãs de primeira hora. Highway 61 Revisited, de poucos meses depois, causou ainda mais estranheza – a começar pela faixa Like a Rolling Stone. A música nasceu de uma brincadeira de Dylan com La Bamba, de Ritchie Valens. Mas a pancada seca de bateria que anuncia o início da canção (Bruce Springsteen disse que ela soava como se alguém tivesse aberto a porta de sua mente), os solos de guitarra que a costuram e as intervenções do teclado criaram um novo padrão de sonoridade no trabalho do cantor. Os amantes do folk iam às suas apresentações para xingá-lo de Judas e vaiá-lo. O compositor respondia com fúria, gritando o refrão "how does it feel?" como um chamado à guerra.&lt;br /&gt;Like a Rolling Stone revolucionou a maneira de divulgar uma canção no rádio. As músicas, então, podiam durar no máximo três minutos; ela tem o dobro. A CBS (atual Sony Music) pediu que Dylan a cortasse. Ele se recusou, e a faixa foi dividida em duas partes. "Foi assim que conheci a canção. Passei uma hora escutando a primeira parte até conseguir pular para a segunda", disse Marcus a VEJA. O público rejeitou o artifício e exigiu que Like a Rolling Stone fosse tocada na íntegra pelas rádios, formato em que ela chegou ao segundo lugar na parada e se tornou o maior sucesso de Dylan até então.&lt;br /&gt;A letra de Like a Rolling Stone é uma das mais brilhantes da carreira de Dylan. Para contar a história de uma esnobe da alta sociedade que vira indigente, ele emprega metáforas e se vale de uma estrutura narrativa então inédita nas letras de rock – tanto que a canção o colocou não apenas no cânone musical, como no literário. "Trata-se de uma composição capaz de viver no papel, sem a música", diz Marcus. Seu lançamento fez com que os principais compositores do período alterassem seus métodos, não raro com algum desespero – como no caso de Gerry Goffin, um dos mentores do Brill Building, espécie de quartel-general dos principais hitmakers do período. A protagonista da canção também é motivo de debate. Há quem ache que se trata de um decalque de Edie Sedgwick, socialite que era amiga de Andy Warhol e por quem Dylan se apaixonou – e há quem teorize que o cantor está falando de si próprio, metaforicamente. Greil Marcus, entretanto, aposta em outra tese. Para ele, o segredo está nas três palavras iniciais – "Era uma vez". Ou seja, tudo não passa de história e invenção. É um bom mote: com Like a Rolling Stone, Dylan reinventou a música pop. E a história dela nunca mais foi a mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3110061706198831833?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3110061706198831833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3110061706198831833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3110061706198831833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3110061706198831833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/cancao-que-mudou-as-cancoes.html' title='A canção que mudou as canções'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-243479927184369448</id><published>2010-03-31T07:56:00.001-07:00</published><updated>2010-03-31T07:56:37.733-07:00</updated><title type='text'>Meninas super poderosas</title><content type='html'>No último dia 11, a cantora americana Lady Gaga lançou o clipe da canção Telephone. O vídeo, que é coestrelado pela diva Beyoncé, tornou-se uma sensação imediata no YouTube. Em algumas horas, foi visto por 500 000 pessoas. Em uma semana, ultrapassou a casa dos 20 milhões - e contando. Pode-se imaginar que o total estaria progredindo ainda mais rapidamente se, a certa altura, o YouTube não tivesse restringido seu acesso a maiores de idade: demorou, mas a direção do site afinal se deu conta de que Telephone exibe "conteúdo impróprio". Muito impróprio. No filmete de nove minutos e 32 segundos de duração (a música entra só lá pelo terceiro minuto, e é diversas vezes interrompida para que o enredo se desenrole), Lady Gaga, também coautora do roteiro, é levada a uma prisão feminina e violentamente despida por carcereiras lésbicas, que querem conferir os rumores de que a pop star seria hermafrodita (não, não é, concluem, olhando de perto as evidências). Gaga beija langorosamente uma prisioneira com jeito de homem, dança vestindo um exíguo biquíni de couro e enrola o cabelo com latas de um refrigerante diet - um dos dez patrocinadores cujas marcas são muito visíveis no clipe. Quando Beyoncé a liberta da prisão e as duas dividem um bolinho de recheio cremoso, em uma cena que pode e deve ser levada para a maldade, Gaga já deixou claro o manifesto representado por Telephone. Sua concepção do pop é tão extrema, nos dias de hoje, quanto aquela que Madonna propôs na década de 80: desde que o próprio artista esteja no controle de sua imagem, não há limite para sua exploração, transformação em objeto de fetiche e comercialização. Para Gaga, esse é mesmo o tripé sobre o qual se sustenta a cultura pop, assim como seu próprio sucesso sem precedentes. Com Telephone, ela e Beyoncé igualaram o recorde de Mariah Carey, como as únicas artistas a levar um total de seis canções ao topo da parada pop da Billboard (a medição, baseada em execuções no rádio, começou a ser feita em 1992). A diferença é que Mariah Carey realizou seu feito no decorrer de doze anos, entre 1993 e 2005, enquanto Beyoncé o fez ao longo de sete anos, entre 2003 e a semana passada. Lady Gaga, porém, debutou na parada pela primeira vez dezesseis meses atrás. Há menos de um ano e meio, portanto. É a única artista, homem ou mulher, a emplacar seis canções consecutivas no primeiro lugar - e em tão pouco tempo. Deixe-se Mariah Carey, cujo momento já passou, de fora dessa equação. Entre Beyoncé e Lady Gaga, não há dúvida de que a primeira é o talento mais completo: Beyoncé é linda, tem uma voz extraordinária, é uma grande dançarina e uma intérprete capaz de abarcar qualquer gênero. Já vendeu mais de 25 milhões de discos, em meio à crônica e ao que tudo indica irreversível crise da indústria fonográfica, e é indiscutivelmente um ícone. Lady Gaga é sexy, mas não bonita. Dança bem, mas não especialmente bem. Tem uma voz que não é má, mas que, por seus próprios méritos, não a levaria nem perto do ponto a que ela chegou. E é uma compositora extremamente eficaz, mas apenas e tão somente de pancadões superproduzidos e hiperdançáveis (ao menos até aqui). Em Telephone, contudo, é Gaga quem está no comando. Beyoncé, não obstante os mais de 100 milhões de acessos no YouTube ao onipresente vídeo de Single Ladies (isso sem incluir as incontáveis paródias), que a credenciam a figurar como uma das renovadoras desse gênero, está de carona, aprendendo como se faz para desdobrar um conceito até suas últimas possibilidades.  Desde que Lady Gaga se lançou, esta tem sido a engrenagem que a faz acumular tal ímpeto: o videoclipe. Por causa dela, o clipe saiu da estagnação criativa e mercadológica em que se encontrava havia quase duas décadas e promete voltar a ser a peça promocional prioritária da música pop. Ou, seguindo o raciocínio disposto por Gaga em ví-deos como Poker Face, Paparazzi, Bad Romance (este, com 152 milhões de acessos até aqui) e em particular o novo Telephone, a música pop é que passa a existir em função do videoclipe. Telephone inclui um sem-número de referências aos trabalhos do diretor Quentin Tarantino e dos papas do movimento pop, os artistas plásticos Andy Warhol e Roy Lichtenstein: na visão de Gaga, a sua arte é a mesma que a deles - não a música nem o figurino extravagante, mas a manipulação da sua imagem. Lady Gaga, enfim, é o produto que Lady Gaga fabrica a cada aparição sua. É compreensível, assim, que ela deteste ver mencionado seu nome verdadeiro, Stefani Joanne Angelina Germanotta. Seja quem for essa pessoa, ela é isso - uma pessoa real. Não a criação efervescente, excitante e indecifrável que ela inventou e a quem deu o nome de Lady Gaga. E que, desde então, foi incumbida de inventar as mil Gagas diferentes - e contando - vistas até aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-243479927184369448?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/243479927184369448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=243479927184369448' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/243479927184369448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/243479927184369448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/meninas-super-poderosas.html' title='Meninas super poderosas'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8008769376436860090</id><published>2010-03-31T07:54:00.000-07:00</published><updated>2010-03-31T07:56:06.300-07:00</updated><title type='text'>Mahler, o profeta de si próprio</title><content type='html'>No início do século passado, o compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911) lançou uma profecia à soprano alemã Lilli Lehmann: "Daqui a 100 anos, haverá festivais dedicados às minhas sinfonias, e elas serão executadas em enormes salas de concerto". Não se sabe se essa previsão foi feita em tom de bazófia ou de desabafo, mas atualmente poucos compositores são tão executados quanto Mahler. As orquestras e o público o amam (bem, parte do público) por causa da inegável qualidade de suas obras, da forte presença de metais e percussão e da intensidade com que ele expressa temas como paixão e morte. O austríaco também é um favorito dos cineastas, que utilizam sua música para pontuar momentos de dramaticidade. O italiano Luchino Visconti escolheu o Adagietto da Quinta Sinfonia para traduzir a paixão arrebatadora de Gustav von Aschenbach, o compositor de Morte em Veneza. Mahler também é utilizado para o mal: o vilão de The Killer Inside Me, de Michael Winterbottom, espanca e mata mulheres ao som de suas obras e da ópera Norma, de Bellini. O culto às composições de Mahler deverá aumentar nos próximos dois anos, quando serão lembrados os 150 anos de seu nascimento e o centenário de sua morte. No Brasil, pelo menos seis orquestras de grande e médio porte vão tocar suas peças. O projeto mais ambicioso é o da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que vai apresentar todas as sinfonias e ciclos de canções de Mahler. A estreia está marcada para esta quinta-feira, quando a Osesp interpreta a Quarta Sinfonia, regida pelo inglês Justin Brown, com solos da soprano Gabriella Pace. "Foi a primeira sinfonia que regi na vida. Nela, Mahler capturou a visão do paraíso sob os olhos de uma criança e a transformou em música com uma precisão infalível", disse Brown a VEJA. O talento de Mahler não se limitou à composição. Ele foi também um regente do primeiro escalão, tendo assumido a direção artística da Ópera de Viena e da Filarmônica de Nova York. Judeu de nascimento, ele se converteu ao catolicismo para se candidatar ao cargo em Viena (mas não escapou de críticas por parte de antissemitas). No posto, foi temido e respeitado por exigir o máximo dos instrumentistas e por empreender mudanças que até hoje são seguidas à risca pelas casas de ópera. Pedia que a iluminação fosse reduzida durante os espetáculos e proibia a entrada de espectadores após o início da récita. Mahler, o maestro, era também celebrado pelas leituras revolucionárias que fazia das obras de clássicos como Mozart e Beethoven. O fato de conhecer a fundo as engrenagens de uma orquestra fez com que ele criasse novas técnicas de composição: em suas sinfonias, a melodia pode ser dividida de instrumento para instrumento - o tema começa nas cordas, passa para o clarinete e termina no trompete. "Um concerto com obras de Mahler equivale a uma boa peça de teatro. O público assiste ao desenrolar de uma trama, na qual os instrumentos assumem o papel dos atores", escreveu o dramaturgo escocês Armando Iannucci. Mahler não mexeu na estrutura das sinfonias. Mas aumentou sua duração, volume e densidade, e introduziu nelas instrumentos e gêneros musicais alheios ao mundo sinfônico. O terceiro movimento da Primeira Sinfonia traz uma música folclórica judaica. Um martelo gigante é utilizado no momento crucial da Sexta Sinfonia, e a Sétima Sinfonia traz um mandolim. O compositor mudou também uma pequena regra do período clássico. Nela, a sinfonia deveria começar e terminar na mesma tonalidade. Mahler aboliu a convenção. Para um leigo, tais mudanças podem soar pequenas; mas inspirados nelas é que compositores como Schoen-berg, Webern e Berg viriam a criar movimentos como o atonalismo. O compositor austríaco foi banido das salas de concerto durante o nazismo e, a exemplo de outros autores judeus, quase terminou relegado ao esquecimento. A obra de Mahler reviveu quando, na década de 60, o regente americano Leonard Bernstein resgatou suas sinfonias e canções e defendeu sua genialidade em palestras em universidades e nas apresentações especiais que fazia para o público jovem. Hoje, as peças de Mahler são parte indispensável do cânone de qualquer maestro que se dê ao respeito (exigem do regente pulso forte para não perder o ritmo, como lembra o ex-diretor da Osesp John Neschling). Mahler é utilizado também para grandes celebrações. Simon Rattle estreou como diretor artístico da Filarmônica de Berlim, em 2000, com a Quinta Sinfonia; o venezuelano Gustavo Dudamel regeu a Primeira Sinfonia na sua estreia em Los Angeles, em outubro de 2009. A profecia feita pelo austríaco há mais de um século foi, afinal, cumprida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O melhor do melhor&lt;br /&gt;Quais são as gravações mais inspiradas de cada uma das principais obras de Mahler&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Primeira Sinfonia&lt;/em&gt;: Bruno Walter e Columbia Symphony Orchestra Por quê: Walter foi um dos discípulos mais aplicados de Mahler. "Poucas pessoas me entendem tão bem", escreveu o compositor - e esta versão respeita a obra como nenhuma outra&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Segunda Sinfonia&lt;/em&gt;: Simon Rattle, City of Birmingham Symphony Orchestra Por quê: o regente inglês Rattle tira da Birmingham Symphony uma performance visceral. E poucas vezes a soprano Janet Baker brilhou como aqui&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Terceira Sinfonia&lt;/em&gt;: Riccardo Chailly, Royal Concertgebouw Orchestra Por quê: a Concertgebouw nasceu para tocar Mahler. E, nas mãos de um grande regente, como o italiano Chailly, suas versões das obras do compositor são obrigatórias&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Quarta Sinfonia&lt;/em&gt;: Michael Tilson Thomas, Sinfônica de São Francisco Por quê: Thomas entende os flertes com o movimento romântico presentes na sinfonia, ao mesmo tempo em que respeita a modernidade de Mahler&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Quinta Sinfonia&lt;/em&gt;: Leonard Bernstein e Filarmônica de Viena Por quê: o regente americano achava que às vezes a alma de Mahler "baixava" nele. Com essa orquestra, que tantas vezes foi regida pelo próprio compositor, ele atinge uma performance explosiva Sinfoni&lt;br /&gt;&lt;em&gt; Sexta Sinfonia&lt;/em&gt;: Ivan Fischer, Budapest Festival Orchestra Por quê: Mahler estava gravemente doente quando compôs essa sinfonia lúgubre. Sob um regente de mão pesada, ela pode se tornar um enfado - mas o húngaro Fischer confere a ela leveza incomum&lt;br /&gt;&lt;em&gt; Sétima Sinfonia&lt;/em&gt;: Claudio Abbado, Filarmônica de Berlim Por quê: Abbado é um mahleriano de alta patente, e esta aqui é, disparado, a melhor versão da Sétima, já que nela o regente dissipa a densidade excessiva dessa obra dificílima&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Oitava Sinfonia&lt;/em&gt;: Georg Solti e Sinfônica de Chicago Por quê: os metais da orquestra americana estão entre os melhores do mundo e, junto com o brilhantismo com que Solti regia Mahler, fazem toda a diferença&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Nona Sinfonia&lt;/em&gt;: Herbert von Karajan, Filarmônica de Berlim Por quê: Mahler compôs a Nona à morte, e fez nela um retrospecto de sua vida. O austríaco Karajan nunca foi um especialista em Mahler, mas entendeu a mensagem da obra e arrancou de seu conjunto uma interpretação sem rival&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8008769376436860090?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8008769376436860090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8008769376436860090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8008769376436860090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8008769376436860090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/mahler-o-profeta-de-si-proprio.html' title='Mahler, o profeta de si próprio'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-139911001204960990</id><published>2010-03-29T11:17:00.000-07:00</published><updated>2010-03-29T11:35:27.618-07:00</updated><title type='text'>Os metaleiros também choram</title><content type='html'>Steve Kudlow e Robb Reiner são dois canadenses fracassados. Kudlow, mais conhecido pelo apelido de Lips, é entregador de merenda escolar e Reiner faz pequenos consertos. A única alegria de Lips e Reiner é sua banda, Anvil, que nos anos 80 foi candidada ao primeiro escalão do heavy metal. O pouco conforto dos dois cinquentões é tocar em qualquer buraco que lhes seja oferecido, no sonho de poder, ao menos, transformar a música em ganha-pão. As memórias, as aventuras e, acima de tudo, as decepções da dupla fazem de &lt;em&gt;The Story of An&lt;/em&gt;vil (Estados Unidos, 2008) imperdível. A produção, que foi exibida nos dias 19 e 28 em São Paulo, foi o principal destaque do In-Edit Brasil, que apresenta documentários musicais. Apesar do Anvil ser uma banda de heavy metal, o filme dirigido por Sacha Gervasi não é uma produção sobre o gênero. É uma história sobre amizade, persistência e a dificuldade de aceitar o próprio fracasso.&lt;br /&gt;Onde quer que seja exibido, &lt;em&gt;The Story of Anvil&lt;/em&gt; provoca reações emocionadas. O ator Dustin Hoffman, por exemplo, chorou e pendurou-se no pescoço do baterista Reiner após assistir à produção. "É o cara do filme &lt;em&gt;Papillon&lt;/em&gt;?", perguntou em seguida o baterista (pois é, a única referência de Dustin Hoffman é de um filme lançado há 37 anos: Lips e Reiner são o estereótipo do metaleiro desconectado da realidade). O choro de Hoffman tem razão de ser. Em uma hora e meia de documentário, a dupla do Anvil vive todo tipo de humilhação. A família os aconselha a largar o sonho de viver de rock; a empresária é uma italiana que mal sabe balbuciar uma frase completa em inglês e não faz reservas de trem e avião (o resultado são horas de espera em estações e aeroportos); numa apresentação na cidade de Praga, o contratante quer pagar o cachê em goulash; e Lips vai trabalhar como atendente de telemarketing para bancar a gravação de um novo CD. Sucesso, para eles, é tocar no Japão, de tarde, para uma plateia minguada.&lt;br /&gt;O cineasta Gervasi é um velho amigo da banda. Nos anos 80, trabalhou como assistente de palco do Anvil (e, segundo confissão do próprio, perdeu a virgindade com um fã do grupo); Gervasi tocou bateria em grupos de rock pesado e grunge, mas só tomou rumo na vida quando foi estudar cinema na Universidade da Califórnia. Anos mais tarde, tornou-se roteirista de &lt;em&gt;O Terminal&lt;/em&gt;, produção dirigida por Steven Spielberg. Em 2004, Gervasi retomou contato com os amigos do Anvil. "Eu sabia que eles não tinham feito sucesso, mas desconhecia a situação desesperadora na qual se encontravam", diz ele. Decidido a fazer um documentário sobre seus amigos de adolescência, Gervasi convidou Lips para jantar com a produção Rebecca Yeldham. Ela se convenceu a bancar o projeto depois de Lips dizer à dupla que jamais havia entrado naquele restaurante pela porta da frente - mas trabalhara como entregador para o estabelecimento, apanhando as sacolas na porta dos fundos.&lt;br /&gt;Gervasi acompanhou o Anvil por dois anos. Ele teve o bom senso de não maquiar os piores momentos da banda e captou, com rara sensibilidade, a indivisível amizade de Lips e Reiner (durante uma briga, Lips, com o rosto empapado de lágrimas, diz um "eu te amo" capaz de emocionar até o pior detrator do heavy metal). A repercussão de Story of Anvil rendeu frutos ao cineasta. Ele vai dirigir dos projetos, sendo que um deles, &lt;em&gt;My Dinner With Hervé&lt;/em&gt;, fala do jantar "felliniano" (as aspas são de Gervasi) que teve com Hervé Villechaize, o Tattoo do seriado &lt;em&gt;A Ilha da Fantasia&lt;/em&gt;. Já o Anvil... Bem, eles continuam tentando. Em 2009, abriram os shows da turnê do AC/DC nos Estados Unidos. "Recentemente, passei duas horas em Nova York e fui cumprimentado por 27 pessoas!", diz Lips. Mas nada é garantido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-139911001204960990?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/139911001204960990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=139911001204960990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/139911001204960990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/139911001204960990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/os-metaleiros-tambem-choram.html' title='Os metaleiros também choram'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5150018595689722369</id><published>2010-03-29T08:43:00.000-07:00</published><updated>2010-03-29T09:05:43.829-07:00</updated><title type='text'>Touro sentado</title><content type='html'>O guitarrista americano B.B. King tem 84 anos, sofre de diabetes há mais de duas décadas, é hipertenso e odeia ginástica. Nos últimos anos, o excesso de peso lhe trouxe problemas nos dois joelhos, que o obrigam a tocar sentado. Mas a saúde claudicante não lhe tirou o prazer de subir ao palco. Ele "reduziu o ritmo", ainda que faça mais de 100 apresentações por ano. Na segunda quinzena de março, desembarca no Brasil para shows no Rio, São Paulo e Brasília. "Há uma atividade física que não abandono, andar de um saguão do aeroporto para outro", diz. São apresentações imperdíveis. Ele criou um estilo próprio, com staccati e vibratos delicados, que nos anos 50 foram assimilados por artistas de rock. Sua música atravessou o oceano e influenciou artistas como Keith Richard e Eric Clapton, que na década seguinte invadiram as paradas de sucesso americanas. B.B. King é o último pioneiro vivo do blues.&lt;br /&gt;Riley B. King nasceu nos arredores de Indianola, cidade do estado americano de Mississippi, em 16 de setembro de 1925. Quando King completou quatro anos, seus pais se separaram. Ele foi morar com a mãe e a avó e, aos dez anos, já trabalhava nos campos de algodão. Ganhava 35 centavos de dólar por dia. Nas plantações, ouvia os cantos entoados pelos catadores, que estão na raiz do blues. Uma de suas tias possuía um fonógrafo. Sua maior diversão passou a ser escutar os discos de Blind Lemon Jefferson e Mississippi John Hurt. Ele comprou sua primeira guitarra aos doze anos. "Era acústica porque não havia eletricidade na minha casa", diz. Em 1946, mudou-se para Memphis decidido a se tornar músico e, três anos depois, já era um artista em ascensão. Adotou o nome artístico de B. B. King: o B.B. quer dizer Blues Boy.&lt;br /&gt;De todos os gêneros de música negra que floresceram no começo do século XX nos Estados Unidos, o blues foi o mais marcado pela memória da escravidão. O jazz tinha um espírito de liberdade e desafio (traduzido na improvisação), o rhythm'n'blues exaltava a sexualidade e o soul era celebratório. Mas o blues - palavra que em inglês quer dizer "tristeza" - remetia à vida nas senzalas ou à miséria dos negros no período posterior à abolição. Não por acaso, quando o movimento dos direitos civis ganhou força nos Estados Unidos, em meados do século XX, os jovens negros passaram a rejeitar esse tipo de música. "King então se voltou para a América branca. Ele apresentou o blues a esse público", explica Peter Guralnick, historiador e crítico musical. O fato de tocar para brancos lhe rendeu apelidos como Pai Tomás (em alusão à figura do negro dócil, eternizado no livro da escritora Harriet Beecher Stowe). "Os insultos me machucaram, mas não me destruíram. Para mim, o racismo não se combate com violência, mas com trabalho e educação", diz ele. O preconceito racial é um tema central na autobiografia de King. Ele o aborda com indignação, mas sem raiva. Lembra do bisavô escravo e de ter de caminha nove quilômetros, todos os dias, para chegar a uma escola que aceitava negros. Diz que as imagens de um linchamento que presenciou na infância o perseguem até hoje. E fala do período que passou no Exército, aos dezoito anos. "Os soldados brancos preferiam senta-se ao lado dos prisioneiros alemãs a ficar conosco. Sentiam-se mais à vontade com pessoas que poucos dias antes estavam matando americanos."&lt;br /&gt;King tem quinze filhos com quinze mulheres (mas só se casou duas vezes) e atualmente está solteiro. É dono de uma rede de restaurantes - a B.B. King Blues &amp;amp; Grill -, mas a música é seu principal negócio: estima-se que ele tenha vendido mais de 40 milhões de discos ao redor do mundo. Nesta década, lançou álbuns importantes como Riding with the King, parceria com o discípulo Eric Clapton. Seu CD mais recente chama-se One Kind Favor e foi lançado em 2008. "Existe a história do bluesman que vende a alma ao diabo para tocar melhor. Talvez eu tenha topado com ela, mas nunca o reconheci", diz. "E não é necessário ser triste  pobre para tocar blues. Sou bluesman. E sou feliz."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5150018595689722369?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5150018595689722369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5150018595689722369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5150018595689722369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5150018595689722369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/touro-sentado.html' title='Touro sentado'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3461885816556716183</id><published>2010-03-29T08:01:00.000-07:00</published><updated>2010-03-29T08:43:30.472-07:00</updated><title type='text'>O Império dos Coxinhas</title><content type='html'>Chris Martin é um sujeito exemplar. Vocalista e líder do Coldplay, que desembarca essa semana no país para apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo, ele não perde a chance de ajudar os mais necessitados. No fim de 2009, leiloou antigos instrumentos pela internet para arrecadar fundos para uma instituição que cuida de menores carentes. No mês passado, fez o mesmo com uma jaqueta autografada, para auxiliar as vítimas do terremoto no Haiti. Martin raramente fala mal de outros artistasm mesmo quando é provocado - e quando o faz, arrepende-se. Nas letras do Coldplay, o amor é lindo (ou amarelo, como prega &lt;em&gt;Yellow&lt;/em&gt;, um de seus maiores sucessos). "Não sou bonzinho. Quando terminar a entrevista, irei para a rua e darei um soco na primeira velhinha que vir pela frente", disse Martin, em entrevista à VEJA. Nem precisa dizer que era brincadeirinha. Melódico, o Coldplay é a melhor banda a fazer essa linha "macho delicado". Já a choradeira do cantor James Blunt e de grupos como Keane e Travis com frequência ultrapassa a linha do suportável. Díspares no talento musical, esses artistas pertencem todos à mesma família espiritual: são os coxinhas. Muito empregado em sites de música e cultura pop, o termo designa o roqueiro bom moço (&lt;em&gt;veja exemplos abaixo&lt;/em&gt;), cuja música se livrou de qualquer traço da agressividade que em priscas eras fazia do rock um gênero musical temido por pais de adolescentes.&lt;br /&gt;O pop nunca viveu sem coxinhas - até os Beatles, nos primeiros anos de sucesso, tiveram sua fase coxinha, entoando "she loves you yeah yeah yeah" com terninhos aprumados. Anos atrás, a revista americana &lt;em&gt;Blender&lt;/em&gt; traçou a genealogia do pop &lt;em&gt;wussy&lt;/em&gt; - palavra que literalmente se traduz como "maricas" mas que, com alguma liberdade, pode ser equivalente a "coxinha". O pioneiro, na década de 50, foi o cantor Pat Boone, que consagrou o estilo "roqueiro para casar". Nos anos 70, o cantor James Taylor foi o coxinha-mor, com suas baladas suaves (ainda que os temas fossem pesados: Taylor falava de seu vício em drogas). No pós punk dos anos 80, a melancolia queixosa de Robert Smith, líder do grupo The Cure, e a correção política militante de Bono, do U2, deitaram as fundações para o atual império dos coxinhas.&lt;br /&gt;Os tempos de hoje favorecem o modo de vida coxinha. A rebeldia roqueira desgastou-se, e público nenhum aguenta ser insultado por bandas cuja apresentação no palco é claudicante (foi por isso, aliás, que o Oasis, que nos anos 90 se anunciava como a nova onda britânica, não conquistou o mercado americano como o Coldplay fez). O pop, além disso, acomodou-se à correção política (e sexual). A ostenteção priápica de um Mick Jagger, de de canções que marcaram os anos 70 como Whole Lotta Love, do Led Zeppelin, não têm lugar no rock atual, que ficou um tanto emasculado. O músico coxinha, aliás, quase nunca fala abertamente em sexo. Uma exceção é a recente entrevista do guitarrista John Mayer à &lt;em&gt;Playboy&lt;/em&gt; americana. Praticamente de um pop com um pé no blues e outro na água com açúçar, Mayer tenta sacudir sua fama de bom moço - mas o faz de modo ainda hesitante. De um lado, admitiu gostar de pornografia ("antes do café da manhã") e falou de sua relação com a cantora Jessica Simpson ("sexo com ela era como crack: viciante"). Mas ele também se declarou ainda apaixonado por outra ex-namorada, a atriz Jennifer Aniston (celebrizada por &lt;em&gt;Friends&lt;/em&gt;, outro seriado coxinha). Mayer disse que hoje prefere a masturbação ao sexo. E, como todo bom coxinha, já se arrependeu do que falou. Pediu desculpas por ter emprego, na revista, a palavra &lt;em&gt;nigger&lt;/em&gt;, considerada racista.&lt;br /&gt;A manifestação mais extrema desse fenômeno é a onda emo, com suas bandas tristonhas e afetadas. A mais notória é a Fall Out Boy, que recentemente eviscerou &lt;em&gt;Beat It&lt;/em&gt;, de Michael Jackson, em uma cover sem alma na qual John Mayer toca guitarra. Os emos, porém, são uma tribo, um nicho do pop. O domínio coxinha é mais amplo. Com 40 milhões de discos vendidos no mundo (550 000 no Brasil), o Coldplay puxa o cordão dessas criaturas ternas. É por causa do sucesso, aliás, que Chris Martin se sente obrigado a participar de campanhas de caridade. "A vida sorriu tanto para nós, e por isso sentimentos vontade de ajudar outras pessoas", diz o cantor. Fofo - e oleoso - feito uma coxinha..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEM PIMENTA E SEM GRAÇA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Coxinha e suas características&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Evita falar mal de outros músicos - e, quando o faz, se arrepende&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depois de responder ironicamente a uma crítica de Liam Gallagher, líder do Oasis, Chris Martin, do Coldplay, passou uma noite inteira evitando encontrar-se com o desafeto em uma festa de premiação inglesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faz a linha "homem sensível" - ou seja, é um chorão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Canções como &lt;em&gt;You're Beautiful&lt;/em&gt;, de James Blunt, falam de amor com muito melado e pouca pimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer ser reconhecido como "artista" e protesta quando os fãs o chamam de "bonitinho"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O guitarrista John Mayer gostaria de ser o novo Eric Clapton, mas está mais para o irmão mais velho dos Jonas Brothers&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está sempre envolvido em causas politicamente corretas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O trio Keane aderiu ao &lt;em&gt;War Child&lt;/em&gt;, projeto que cuida de órfãos da guerra]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3461885816556716183?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/virei-bonzinho-diz-lider-coldplay-chris-martin-534600.shtml' title='O Império dos Coxinhas'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3461885816556716183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3461885816556716183' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3461885816556716183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3461885816556716183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/o-imperio-dos-coxinhas.html' title='O Império dos Coxinhas'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-6045643303877238412</id><published>2010-03-29T05:37:00.000-07:00</published><updated>2010-03-29T05:46:35.896-07:00</updated><title type='text'>Bobagens que escutei</title><content type='html'>Em vinte anos de jornalismo, escutei muitas bobagens vindas de editores, repórteres e críticos de música. Vamos a algumas delas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E por acaso o nosso público gosta de heavy metal?"&lt;br /&gt;(de uma antiga editora minha do Notícias Populares, quando apresentei uma pauta sobre o Sepultura. Foi uma das matérias mais lidas e comentadas da edição e motivou a criação de uma coluna sobre heavy metal, assinada pelo Ivan Miziara).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nosso público é preto, feio e pobre. Não quer ver pretos feios e pobres como abre de matéria."&lt;br /&gt;(de outro editor do NP, quando sugeri uma capa dos Racionais MC's. Eu tinha assistido o grupo se apresentar mais para de 6 000 pessoas na quadra da Rosas de Ouro. Era lançamento do disco Raio X Brasil, o melhor deles).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cara, eles se vestem de Chapolim! Desse jeito, não vão a lugar algum!"&lt;br /&gt;(de um companheiro meu de trabalho na BIZZ, após assistir ao Mamonas Assassinas. No ano seguinte, ele apostou que o grande sucesso da temporada seria o Maria do Relento. Como todos sabem, ninguém conhece o Mamonas e o Maria do Relento vendeu milhões de cópias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Olha, acho que já demos rap demais."&lt;br /&gt;(de outro ex-editor, quando sugeri uma matéria sobre Smokey Robinson. Cinco minutos depois, acertei a minha saída de onde eu trabalhava).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-6045643303877238412?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/6045643303877238412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=6045643303877238412' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/6045643303877238412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/6045643303877238412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/03/bobagens-que-escutei.html' title='Bobagens que escutei'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8983996631693911870</id><published>2010-02-08T06:36:00.001-08:00</published><updated>2010-02-08T06:36:31.582-08:00</updated><title type='text'>Mau gosto não se discute</title><content type='html'>"Escovo meus dentes com uma garrafa de Jack", diz a cantora americana Ke$ha, de 22 anos, em Tik Tok, single que a elevou ao topo da parada de discos americana. Jack, bem entendido, é o uísque Jack Daniel’s. A moça deve ter um hálito deleitável. Sua música é igualmente doce: embalada por um pancadão eletrônico (uma espécie de rap sem molejo), Ke$ha canta sobre noitadas, homens e bebedeiras. O clip de Tik Tok não é sutil na sua tradução visual da letra: Ke$ha acorda, toda amarfanhada, dentro de uma banheira, esfrega-se com um sujeito de bigodão asqueroso, é algemada por um policial, passa a madrugada pulando em uma casa noturna – e, no fim triunfal da jornada, capota mais uma vez dentro da banheira. As demais canções de Animal, disco que já vendeu 152 000 cópias nos Estados Unidos na primeira semana de lançamento, não são diferentes: relatos de baladas, com muito álcool e sexo. A escandalosa Amy Winehouse – que, ao contrário de Ke$ha, sabe cantar – pelo menos mostra uma certa ironia quando exalta seu jeito intoxicado de ser em Rehab. Ex-backing vocal de Britney Spears, Ke$ha não saberia ser irônica. Sua música é tão vulgar quanto o cifrão que ela pôs no meio do nome. Democrática, relativista, a cultura moderna diluiu as categorias tradicionais do gosto. E no entanto ainda há casos como o de Tik Tok, do qual se pode dizer de forma inequívoca: que negócio de mau gosto.&lt;br /&gt;Em alguns casos, o mau gosto restringe-se ao campo mais ou menos inócuo do estilo. Tome-se, como ilustração, essa frase de O Símbolo Perdido, best-seller de Dan Brown: "Seu massivo órgão sexual trazia os símbolos tatuados de seu destino". Risível de tão ruim – mas não chega a ofender a dignidade de ninguém. O mesmo vale para a tocante cafonice da escocesa Susan Boyle, cujo disco I Dreamed a Dream foi desbancado do topo das paradas por Animal. Mas Ke$ha ultrapassa a barreira da baixaria pela maneira aviltante como representa sua personagem – o pop, afinal, é não só música, mas "atitude". Em entrevistas, a cantora atribui a suas canções um certo espírito de revanche feminista: "As pessoas se chocam com as minhas letras, mas não reclamariam se elas fossem do Van Halen ou do Guns N’ Roses. Estava na hora de os homens provarem um pouco de seu próprio remédio", declarou ao jornal inglês The Guardian. O argumento poderia valer para a Madonna dos bons tempos – a mulher sexy mas dominadora, que faz o que quer dos homens que a desejam. Mas a personagem de Tik Tok não é uma dominatrix – é, nos termos do funk carioca (outro estilo bem plantado no terreno da baixaria), uma cachorra. Essa figura despontou na música graças ao chamado gangsta rap do fim dos anos 80 – um gênero que glamourizava o crime e o machismo.&lt;br /&gt;Também machistas, mas menos agressivas, as comédias estudantis americanas param bem perto da fronteira da baixaria (e até da pornografia). O gênero eclodiu com o sucesso do primeiro Porky’s, em 1982, e desde então nunca parou de dar dinheiro. Essa sexualidade adolescente, vulgar e incontrolável, que se vê, por exemplo, em American Pie estendeu-se a personagens adultos em Quem Vai Ficar com Mary?, dos irmãos Farrelly, e, mais recentemente, O Virgem de 40 Anos, de Judd Apatow. São filmes marcados por uma escatologia meio infantil, com piadas nojentas envolvendo vômito, urina e outras secreções – mas também são românticos, ternos quase, se comparados a Porky’s. Os filmes de terror B como Madrugada dos Mortos costumavam ocupar a mesma zona cinzenta do mau gosto inegável mas divertido. Sua sangueira podia até revoltar estômagos mais sensíveis, mas não aviltava o senso moral do espectador. A palavra inglesa "trash" – literalmente, lixo – designa bem esse tipo de produção. Recentemente, porém, um novo gênero de terror rompeu a fronteira que separa o trash da baixaria e da pura apelação: trata-se do "torture porn" (pornô de tortura). O apelo de séries cinematográficas como Jogos Mortais e O Albergue não é o terror, mas o sofrimento, infligido com métodos elaborados a belas jovens (o público desses filmes é majoritariamente masculino).&lt;br /&gt;Sangue, sujeira, secreções – esses materiais baixos não rompem, por si mesmos, os limites do bom gosto. Há cenas escatológicas em clássicos literários de Rabelais ou Cervantes, e certas telas de Caravaggio têm mais sangue do que um filme de zumbi de George Romero. Uma certa cultura da provocação e do escândalo, de outro lado, valoriza excessivamente o material mais repulsivo, como os bichos embalsamados que o artista inglês Damien Hirst vende por dezenas de milhões de dólares. Mau gosto? O ricaço incauto que comprou um tubarão morto dirá que não, que Hirst está ironizando os cânones da grande arte etc. Esse clima de vale-tudo na arte contemporânea, em que ironia e impostura se confundem, sugere um mundo no qual a distinção entre bom e mau gosto perdeu o sentido. Outra linha crítica relativista, mais ligada à esquerda, tende a interpretar o gosto como um mero mecanismo de dominação – o bom gosto seria estabelecido pelos ricos como um meio simbólico de se distinguirem da ralé (o sociólogo francês Pierre Bourdieu sustentou um argumento dessa ordem em A Distinção, livro de 1979).&lt;br /&gt;Os limites entre o belo e o feio, o vulgar e o refinado, o sutil e o grosseiro de fato são sempre imprecisos. Estão sujeitos aos caprichos de cada época – ou, no caso da moda, de cada temporada: a estampa de oncinha, que já foi o nadir do mau gosto, hoje está reabilitada (com parcimônia, claro: a calça de Ke$ha na foto que ilustra este texto ainda é lamentável). Mas será bobagem insistir na desgastada máxima segundo a qual "gosto não se discute" – até porque as mesas de bar seriam bem menos animadas sem essas discussões. "O gosto não possui um sistema e não possui provas. Mas existe uma espécie de lógica do gosto", dizia a escritora e crítica americana Susan Sontag em um ensaio dos anos 60. O gosto, afirma ainda a ensaísta, não se limita aos julgamentos artísticos: há gosto na emoção, na moral, e até a inteligência seria uma espécie de "gosto pelas ideias". Relativismos à parte, ainda existem algumas linhas claras para separar ironia de porcaria, luxo de lixo. Não são necessariamente elitistas aqueles que criticam o artista por ultrapassar as fronteiras do impróprio, da baixaria, da vulgaridade. Pelo contrário: sustentar a importância do gosto pode ser um exercício de liberdade do homem comum contra aqueles que têm cifrões na conta ou no nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8983996631693911870?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8983996631693911870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8983996631693911870' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8983996631693911870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8983996631693911870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/02/mau-gosto-nao-se-discute.html' title='Mau gosto não se discute'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1782829737843331888</id><published>2010-02-02T10:42:00.001-08:00</published><updated>2010-02-02T10:42:40.558-08:00</updated><title type='text'>Beyoncé, a poderosa</title><content type='html'>A revista Billboard, especializada em música pop, elegeu Beyoncé Knowles, de 28 anos, a mulher de 2009. Com mais de 25 milhões de discos vendidos em seis anos como artista-solo - aos quais se somam os 50 milhões de cópias do Destiny¿s Child, grupo em que começou a carreira -, a americana é de fato um colosso do showbiz. Na lista das 100 celebridades mais poderosas do mundo (seja lá o que isso for), publicada no ano passado pela revista Forbes, ela aparece em quarto lugar, atrás da atriz Angelina Jolie, da apresentadora Oprah Winfrey - e de outra cantora, Madonna, que, aos 51 anos, ainda bate na conta bancária a concorrente bem mais jovem. De acordo com a revista, Beyoncé tem ganhos anuais de 87 milhões de dólares, contra 110 milhões de Madonna. Na música pop, porém, o momento conta mais do que a história - e este é o momento de Beyoncé. Seu último disco, I Am... Sasha Fierce, vendeu 2,7 milhões de cópias nos Estados Unidos, enquanto Hard Candy, o mais recente de Madonna, ficou em 1 milhão. Beyoncé - que desembarca no Brasil no início de fevereiro para shows em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador - é a voz mais ouvida nos iPods da moçada (e também está no aparelho do presidente Barack Obama, segundo declarou o próprio). Sua balada Halo foi a música mais executada nas rádios brasileiras em 2009. Ela embolsa 20 milhões de dólares anuais emprestando o rosto e todo o resto a marcas como L¿Oreal e Diamonds, perfume da grife Giorgio Armani. Mais do que a cantora do ano, Beyoncé é, até agora, a mulher do século no mundo pop. Os shows do I Am... Tour, que os fãs brasileiros poderão ver em breve, trazem aquele gigantismo característico das grandes estrelas da música americana: duas horas e meia de duração, com muita coreografia, telões e efeitos especiais - em certo momento, a cantora voa sobre a plateia, suspensa por cabos. O repertório alterna baladas chorosas como Halo com canções dançantes que misturam as batidas do hip-hop à soul music das décadas de 60 e 70. Beyoncé equilibra esses elementos com mais energia e carisma do que concorrentes como Rihanna ou Alicia Keys. Seus singles são o padrão-ouro do pop: fazem download instantâneo na cabeça de quem os ouve. Mesmo quando tratam de ciúme e desilusão amorosa, as canções de Beyoncé dão voz a personagens femininas poderosas, como a tal Sasha Fierce (o sobrenome, em inglês, quer dizer feroz, bravia) que dá título a seu mais recente disco. Mas ela divide as feministas. As mais radicais consideraram seu hit Single Ladies um retrocesso para a causa. Trata-se, afinal de contas, de uma mulher declarando que deseja uma aliança de casamento. Beyoncé, a propósito, é casada com o rapper Jay-Z. O maridão tem seu passado barra-pesada (já esfaqueou um desafeto), mas parece ter se aprumado. Ao contrário de divas barraqueiras como Britney Spears e Mariah Carey, Beyoncé é boa moça até prova em contrário. Mantém uma fundação, a Survivor, que presta assistência a pobres e a vítimas de catástrofes como a destruição de Nova Orleans pelo furacão Katrina, em 2005. Seu cachê no filme Cadillac Records, no qual interpretou a cantora Etta James, foi revertido para associações que cuidam de viciados em drogas. Na eleição presidencial de 2008, esteve engajada na campanha de Obama - até cancelou shows na Europa para fazer corpo a corpo (no caso, corpão a corpo) com eleitores na Virgínia e na Flórida. Valeu a pena: Obama convidou-a para fazer o show de seu baile inaugural na Presidência. O histórico de correção política da cantora foi arranhado no réveillon, quando fez um show particular, em uma ilha do Caribe, para Mutasim-Billah, filho do ditador líbio Muamar Kadafi. E o cachê até que foi baixo: 2 milhões de dólares. Provocativa, mas nunca vulgar, a música de Beyoncé alcança o público adolescente sem ofender os pais. Com seu ritmo fácil e repetitivo, Single Ladies até virou hit entre os bebês. O vídeo de um menino de fralda dançando em frente a uma TV que exibe o clipe da canção já foi visto mais de 7 milhões de vezes no YouTube. O pai do garoto até criou um site, a fim de arrecadar dinheiro para a futura educação universitária do pequeno dançarino. Esse apelo infantil, porém, é acidental: Beyoncé, com suas formas exuberantes (há especulações sobre implantes nos seios), é a estrela mais sexy da música atual. Com tendência a engordar, ela às vezes recorre a esquisitas dietas líquidas para vencer a balança. Também tem uma discretíssima celulite. Homens de verdade não fazem a mínima ideia do que seja celulite. Mas sabem que Beyoncé tem poder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1782829737843331888?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1782829737843331888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1782829737843331888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1782829737843331888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1782829737843331888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/02/beyonce-poderosa.html' title='Beyoncé, a poderosa'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-2012761623182301066</id><published>2010-01-21T04:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T04:18:46.919-08:00</updated><title type='text'>A guerra dos clones</title><content type='html'>O grupo jamaicano The Wailers Band, que acompanhou o astro do reggae Bob Marley (1945-1981) por mais de uma década, se apresenta nesta semana no Rio e em São Paulo. O show inclui hits do cantor e compositor jamaicano, como No Woman, No Cry e I Shot the Sheriff. The Original Wailers iniciou sua turnê por dezoito cidades brasileiras na semana passada. Nos shows, toca hits de Bob Marley, como No Wo-man, No Cry e I Shot the Sheriff. Não, você não leu errado: existem dois The Wailers fazendo shows no Brasil. The Wailers Band tem à frente o baixista Aston Barrett, que tocou de fato com Marley. The Original Wailers é uma dissidência do grupo de Barrett, liderada pelos vocalistas e guitarristas Al Anderson e Junior Marvin. Eles tocaram menos tempo com Bob Marley, mas contam com a bênção de sua viúva, Rita (que assim se vingou do processo de décadas que Barrett moveu contra ela, sem sucesso, alegando ser coautor de várias canções de Bob Marley). "Nós somos os Wailers originais. O outro não passa de um tributo", diz Barrett. "Aston não liga para qualidade, só quer saber de dinheiro", devolve Marvin (como se as apresentações de seu grupo fossem de graça). Os dois Wailers juntos não valem meio Bob Marley. Como outras bandas históricas que se dividiram e multiplicaram, vivem de explorar o saudosismo dos fãs. O nome de uma banda de sucesso é uma marca forte, um patrimônio que seus integrantes costumam disputar. Uma das brigas mais conhecidas se deu em torno da banda inglesa Pink Floyd, expoente do rock progressivo dos anos 70. Seu líder, o baixista Roger Waters, anunciou o fim da banda em 1983 - mas os outros três integrantes voltaram à estrada, com um disco novo, quatro anos depois. Roger Waters foi aos tribunais para reivindicar os direitos sobre o nome - e perdeu. O repertório de um show do Pink Floyd, porém, costuma ser quase indiscernível daquele que se ouve nas apresentações de seu ex-baixista. Waters especializou-se nos discos históricos de sua antiga banda: já fez um show baseado em The Dark Side of the Moon e neste ano deve apresentar a íntegra de The Wall no Brasil.  A proliferação de bandas replicantes tem seu extremo cômico (ou melancólico, dependendo da perspectiva) em The Platters, conhecida por sucessos dos anos 50 como Only You e The Great Pretender. Já houve até quatro Platters, só dois com integrantes da melhor fase da banda, os cantores Sonny Turner e Herb Reed (que ganhou judicialmente o direito exclusivo de usar o nome). Os Beach Boys, dos anos 60, também passaram pelo milagre da replicação - sua surf music hoje é repisada cansativamente pela banda do cantor Mike Love, detentor do nome Beach Boys, pelo grupo de Brian Wilson, que compôs o grosso do repertório, e por uma contrafação montada pelo guitarrista Al Jardine e duas filhas de Wilson. Essa última estreou com o nome Beach Boys, Family &amp;amp; Friends, mas foi rebatizada como Al Jardine, Family &amp;amp; Friends depois que Mike Love ganhou um processo reivindicando o nome. Nenhum desses monstros da nostalgia apresenta o poder criativo das bandas originais. No mercado da nostalgia, o melhor que podem oferecer é o nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-2012761623182301066?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/2012761623182301066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=2012761623182301066' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2012761623182301066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2012761623182301066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/01/guerra-dos-clones.html' title='A guerra dos clones'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8563725394284046393</id><published>2010-01-18T03:05:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T03:10:08.534-08:00</updated><title type='text'>As filiais do rock</title><content type='html'>Onze anos depois de ter anunciado sua dissolução, o Faith No More - cujo híbrido de funk e rock pesado exerceu grande influência, nos anos 90, sobre outras bandas, como Korn e System of a Down - voltou a se reunir no ano passado para uma série de shows, inclusive no Brasil. Mas será temerário afirmar que o grupo está mesmo de volta à ativa: o vocalista Mike Patton se dedica a tantos projetos simultâneos que se torna difícil (até para ele) apontar qual o principal. "Sou um artista que gosta de variar", declarou Patton a VEJA. É dizer pouco: o cantor é integrante do Fantômas, que recria temas de filmes de horror e quadrinhos, do Tomahawk, que faz uma mescla meio experimental de rock e soul, e neste ano vai lançar o trabalho de estreia do Mondo Cane, no qual interpreta canções pop italianas (ele foi casado com uma artista italiana e morou em Bolonha por sete anos). No Brasil, acaba de sair o disco do Peeping Tom, projeto de Patton que combina música eletrônica e hip-hop, com participações das cantoras Bebel Gilberto e Norah Jones. Embora poucos sejam tão ecléticos quanto Patton, muitos roqueiros investem em projetos paralelos aos grupos que constituíram sua fama. É uma estratégia segura para o músico que está desgastado ou entediado em sua banda original. A oportunidade de trabalhar com um amigão do peito é um grande motivador para que os músicos montem suas filiais. O Little Joy nasceu da amizade do baterista do grupo americano Strokes, Fabrizio Moretti, e do guitarrista e vocalista do brasileiro Los Hermanos, Rodrigo Amarante, que se conheceram durante a gravação do disco de um amigo em comum, o cantor Devendra Banhart. O Raconteurs define-se como uma banda de "amigos de longa data" - no caso, os guitarristas Brendan Benson e Jack White, este do White Stripes. Com a colaboração de mais músicos, a banda permite que Jack se exercite fora do enquadramento minimalista do White Stripes, formado apenas por ele e pela (péssima) baterista Meg White. Jack participa ainda de uma terceira banda, o Dead Weather, e tem planos para um disco-solo - mas, prudente, não anunciou o fim do White Stripes. O desgaste natural de tocar anos ao lado das mesmas pessoas é o fator mais premente para novas experiências. Cantor, guitarrista e líder do Foo Fighters, Dave Grohl teve uma crise durante as gravações de um disco do quarteto, em 2002. Largou as sessões no meio para tocar bateria com o Queens of the Stone Age e para criar o Probot, um grupo de heavy metal. Grohl voltou ao Foo Fighters - mas, no fim do ano passado, embarcou no seu mais ambicioso projeto paralelo, como baterista do Them Crooked Vultures, ao lado do guitarrista Josh Homme (Queens of the Stone Age) e do baixista John Paul Jones (ex-Led Zeppelin). Em todas essas frentes, Grohl faz sempre rock. Outros músicos desviam-se de suas formações originais para tentar novos gêneros. Uma banda, afinal, acaba por se tornar uma marca, uma empresa que não pode ignorar as expectativas que criou. O Blur ajudou a definir, nos anos 90, o som que se tornou conhecido como britpop, reciclando os timbres de guitarras roqueiras dos anos 60. Associando-se ao amigo cartunista Jamie Hewlett, Damon Albarn, cantor do Blur, criou uma banda fictícia muito diferente: o Gorillaz, integrado por personagens de desenho animado, tem mais elementos do hip-hop do que do rock. Albarn - que mantém outra banda paralela, The Good, The Bad &amp;amp; The Queen - deve lançar o terceiro disco do Gorillaz em março. O Blur fez uma turnê no ano passado, registrada no filme No Distance Left do Run - mas, por ora, está em compasso de espera, sem planos de novos trabalhos. Uma brincadeira que deu certo (vende mais que o Blur), o Gorillaz talvez seja o caso mais exemplar de projeto paralelo. Descompromissadas, as filiais muitas vezes se mostram mais criativas do que a casa matriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costurando para fora&lt;br /&gt;Os projetos paralelos de alguns grandes nomes do rock quase sempre resultam melhores do que suas bandas originais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;THEM CROOKED VULTURES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o que se costuma chamar de "superbanda", integrada por estrelas de grupos famosos: Dave Grohl (foto), do Foo Fighters, Josh Homme, do Queens of the Stone Age, e John Paul Jones, ex-Led Zeppelin&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor que os originais?&lt;/strong&gt; - Sim e não. O CD de estreia supera os lançamentos mais recentes de Foo Fighters e Queens of the Stone Age. Mas não chega perto do Led Zeppelin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PEEPING TOM&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um dos vários traballhos de Mike Patton (à dir. na foto), ex-vocalista do Faith No More, a banda toca música eletrônica e hip-hop, com participações de cantoras suaves como Norah Jones e Bebel Gilberto - é o oposto do som pesado do grupo que consagrou o cantor&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor que o original?&lt;/strong&gt; - Em termos. Faz boa música para dançar, mas faltam a agressividade e o humor do Faith No More&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;GORILLAZ &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Brincadeira de Damon Albarn, vocalista e líder do quarteto inglês Blur, o Gorillaz é um grupo integrado por personagens de desenho animado&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor que o original?&lt;/strong&gt; - Sim. Com canções pop mais acessíveis, seu primeiro CD vendeu, nos Estados Unidos, mais do que todos os sete discos do Blur juntos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;THE RACONTEURS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Projeto do guitarrista Jack White, do White Stripes (que também atua - como baterista - na banda Dead Weather), faz um rock de garagem com levada pop&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor que o original?&lt;/strong&gt; - Sim. Jack White faz o que sabe - toca guitarra - sem as limitações musicais da sua banda de origem (leia-se: sem a batucada medíocre de Meg White, baterista do White Stripes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;THE LAST SHADOW PUPPETS &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dois jovens músicos de bandas badaladas do rock inglês - Alex Turner, guitarrista e vocalista dos Arctic Monkeys, e Miles Kane, guitarrista dos Rascals - fazem um tributo ao pop mais melódico dos anos 60 e 70&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor que o original?&lt;/strong&gt; - Sim. No lugar das manjadas guitarras distorcidas, Turner e Kane valeram-se de bons arranjos orquestrais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8563725394284046393?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8563725394284046393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8563725394284046393' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8563725394284046393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8563725394284046393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2010/01/as-filiais-do-rock.html' title='As filiais do rock'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4849496543978240993</id><published>2009-12-23T05:35:00.000-08:00</published><updated>2009-12-23T05:38:58.699-08:00</updated><title type='text'>O pai de todos</title><content type='html'>Jorge Ben Jor é o artista mais importante da música popular brasileira da segunda metade do século XX. Contemporâneo de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Chico Buarque, o cantor e compositor supera seus companheiros de geração na conjunção de dois quesitos: popularidade e influência. Seus quase cinquenta anos de carreira registram altos e baixos, mas ele nunca deixou de vender discos e lotar shows - hoje, aos 70 anos (presumidos: ele esconde a idade), mantém uma média de oito apresentações mensais. Sua influência sobre as gerações mais novas é inestimável: dos anos 70 em diante, virtualmente todo músico que misturou MPB com rock, soul e pop deve algo a Jorge Ben Jor. Seu período mais criativo, de 1963 a 1976, acaba de ser reunido na caixa Salve, Jorge!, com treze discos mais um álbum duplo repleto de raridades. A audição desses CDs mostra por que Jorge Ben (como foi conhecido até 1989) é a referência maior para os nomes mais interessantes da música atual (veja o quadro na página 200). Os artistas influenciados por Chico ou Caetano raramente desgrudam do molde original. Tornam-se epígonos aborrecidos, como Chico César, carbono de Caetano. A música de Jorge, ao contrário, fertilizou bandas e movimentos com personalidade. Tamanha influência se explica pelo pioneirismo de Jorge Ben Jor em dois fronts. Ele foi dos primeiros a compor letras que falavam da negritude e da vida bandida no morro (caso de Charles Anjo 45, de 1969). Grupos de reggae como O Rappa e Cidade Negra e rappers como Racionais MC¿s levaram esse discurso adiante (com mais agressividade). Mano Brown, líder dos Racionais, até batizou o filho de Jorge, em homenagem ao compositor de África Brasil. Mas é no campo estritamente musical que a importância de Jorge Ben Jor se revela superlativa. Ele criou uma batida única para tocar, no violão, o samba com andamento de rock: com uma mão direita rápida, batia nas cordas do instrumento em vez de dedilhá-lo. É o segredo de seu celebrado suingue. "Minha formação vem de Jorge. Comecei imitando o jeito com que ele tocava", diz o cantor e guitarrista Lucas Santtana, que neste ano lançou Sem Nostalgia, CD no qual samples do violão de Jorge são misturados a batidas eletrônicas. "Jorge Ben Jor é um inovador. Está no mesmo nível de James Brown e Bob Marley", diz o cantor e guitarrista Max de Castro. Nos anos 70, o suingue do músico carioca inspirou o samba-rock de Bebeto e do Trio Mocotó. Bandas de rock dos anos 80 e 90 buscaram a lição de Jorge para "abrasileirar" seu som - foi o caso do Paralamas do Sucesso e do Skank. "A sonoridade do Skank deve muito a Ben Jor", diz o tecladista do grupo mineiro, Henrique Portugal. Com suas letras astrológicas e seus arranjos esquisitos, A Tábua de Esmeralda, de 1974, foi o disco de cabeceira de artistas do manguebit, movimento musical surgido no Recife no início dos anos 90. No ano que vem, os Sebosos Postizos, banda paralela integrada por membros da Nação Zumbi, expoente maior do manguebit, e por Bactéria, ex-tecladista da mundo livre s/a, vão lançar um disco com covers de Jorge Ben Jor. "A gente faz uma leitura mais densa das obras dele", diz o vocalista Jorge Du Peixe. A "densidade", no caso, fica por conta de elementos do dub jamaicano que os músicos pernambucanos acrescentam às canções do compositor carioca - um híbrido muito fiel ao espírito de Jorge Ben Jor. Leitor dedicado, Jorge participa semanalmente de um sarau literário no Rio. Ultimamente, anda frequentando as obras de dois xarás: o argentino Jorge Luis Borges e o brasileiro Jorge de Lima. Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum), seu mais recente CD de material inédito, de 2004, não traz nada que se compare em vitalidade a qualquer dos discos da caixa Salve, Jorge!. Seu ímpeto criativo não é o mesmo do passado. Ainda assim, o futuro da música brasileira fatalmente passa por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                      &lt;strong&gt;Artistas contemporâneos influenciados por Jorge Ben&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LUCAS SANTTANA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Sem Nostalgia&lt;/em&gt;, o cantor e compositor baiano misturou samples de violão (inclusive de Jorge Ben Jor) com ritmos eletrônicos. Foi muito influenciado pelo suingue com que Jorge mistura samba, rock e soul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CURUMIN&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; O multi-instrumentista dá continuidade à mistura em que Jorge Ben Jor foi pioneiro: samba, soul e rock&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MAX DE CASTRO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Filho de Wilson Simonal, o cantor e compositor carioca é, musicalmente, o cruzamento de Jorge Ben Jor com Prince&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LOS SEBOSOS POSTIZOS &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esse projeto paralelo da banda Nação Zumbi recria - de maneira meio bagunçada - o balanço das canções de Jorge Ben Jor nos anos 60 e 70&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4849496543978240993?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4849496543978240993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4849496543978240993' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4849496543978240993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4849496543978240993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-pai-de-todos.html' title='O pai de todos'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1282808206921818621</id><published>2009-12-11T13:55:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:56:51.564-08:00</updated><title type='text'>Hora da revanche</title><content type='html'>A extravagante Lady Gaga vem fazendo sucesso com suas performances esquisitas - apareceu lambuzada de sangue falso em uma premiação da MTV - e com seu visual de Madonna atropelada por um caminhão. Tornou-se a primeira artista a emplacar quatro singles em um CD de estreia - The Fame - na parada pop americana. Seu novo disco, The Fame Monster, que chega às lojas brasileiras nesta semana, traz o mesmo repertório do trabalho anterior, acrescido de oito músicas. Entre as canções novas, está Alejandro, uma mistura de ritmos latinos com batidas eletrônicas cuja letra é dedicada a escorraçar um ex-namorado: "Não diga meu nome, Alejandro / Eu não sou sua garota / Não quero beijar você, não quero tocar você / Só quero fumar meu cigarro e ficar quieta". Por mais que se pretenda inovadora, Lady Gaga chegou tarde: nos últimos tempos, várias cantoras vêm promovendo acertos de contas com seus ex. Os termos com que elas falam dos relacionamentos que naufragaram não são mais os lugares-comuns da mágoa e da dor de cotovelo. A mensagem básica é algo na linha "não preciso mais de você, seu palhaço". Em Rated R, seu disco mais recente, Rihanna exorciza o relacionamento com o rapper Chris Brown (que a espancou). Diz que foi estúpida ao amá-lo, mas garante que agora está mais "durona". Até as muito jovens Taylor Swift e Miley Cyrus, de 19 e 17 anos, acusaram, veja só, a imaturidade dos namorados. "Falei algo que te fez correr como um coelhinho assustado?", pergunta Taylor. A pioneira do confronto direto e franco com o ex talvez seja a cantora de blues Bessie Smith (1894-1937). Bissexual e chegada a um amor bandido, ela certa vez flagrou outra cantora agarrada ao marido e não deixou por menos: estapeou a sirigaita e atirou no homem. Em Foolish Man Blues, ela define o caráter de um ex-amante em termos pitorescos: "sinuoso feito um saca-rolhas e perverso feito uma cobra". As divas do jazz das gerações seguintes, porém, não eram de chutar a canela (nem partes mais sensíveis) de seus homens. Certas canções de Billie Holiday chegam a ser masoquistas, declarando amor incondicional a amantes que a maltratavam. A tristeza e o desamparo, e não a vingança, dão o tom mais corriqueiro às canções sobre separação. Até mesmo Carly Simon, já nos feministas anos 70, ao acusar a ridícula megalomania de um ex-namorado (o ator Warren Beatty) em You¿re So Vain, acaba lamentando a maneira como ele costuma deixar para trás as coisas que ama - inclusive ela própria. Na mesma década, uma das canções mais populares da disco, I Will Survive, cantada por Gloria Gaynor, falava de uma pessoa abandonada que dava a volta por cima. Ela se consagrou como um hino de liberação sexual, das mulheres e principalmente dos gays - e o despeito pelo ex ficou em segundo plano.  A revanche ganha tons estridentes nos anos 90, com You Oughta Know, da canadense Alanis Morissette. "Você pensa em mim quando está com ela na cama?", a cantora perguntava, ensandecida, ao homem que a deixou. Especulou-se muito sobre quem teria inspirado a canção - Matt LeBlanc, ator da série Friends, foi um dos nomes cogitados -, mas Alanis nunca abriu o jogo. Hoje, uma Lily Allen consegue ser até mais cáustica do que Alanis - e com mais graça. "Você não é esperto / Não, você não é bem-dotado, meu caro", canta ela em Not Big. O deboche não tirou completamente a dor nem o sofrimento de campo - mas não há dúvida de que, mesmo quando machucadas, as mulheres se mostram mais assertivas. Em uma música do recente disco The Fall (A Queda), sobre o fim de um romance com o músico Lee Alexander, Norah Jones diz: "Você acabou comigo". Em outra faixa, porém, ela recupera a autossuficiência: vai para casa sozinha e despluga o telefone. Miley Cyrus, estrela da série adolescente Hannah Montana, também evita o telefone - no caso dela, o celular: "Se você mandar um torpedo, eu vou deletar", avisa ao ex na música 7 Things. E ainda desmerece a turma dele: "Seus amigos são uns imbecis". É bom que os namorados de artistas (ou seus fãs) andem na linha: a revanche pode ser humilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                Como as cantoras falam de relacionamentos que deram errado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amor cafajeste&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As divas do jazz nos anos 30 e 40 eram meio masoquistas: sabiam que a relação ia acabar mal, mas entravam nela de cabeça. Em Fine and Mellow, Billie Holiday cantava: "Meu homem não me ama / Me trata tão mal... / Mas quando ele começa a me amar / Ele é tão bom e doce"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fossa profunda &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A música romântica dos anos 50 e 60 trazia uma visão mais idealizada do amado - e o rompimento era mais exagerado. Julie London chorava rios de lágrimas no sucesso Cry Me a River e Dionne Warwick, em Walk On By, dizia ao ex: "Me deixe sofrer sozinha". As duas músicas, aliás, foram compostas por homens&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Feminismo magoado &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Do fim dos anos 60 em diante, as cantoras começam a se colocar em pé de igualdade com os homens. Carly Simon ataca a vaidade do ex em You¿re So Vain - mas ainda sofre pacas: "Você desistiu das coisas que mais amava, e eu era uma delas"&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancor roqueiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na esteira do grunge, o rock raivoso de Seattle, a canadense Alanis Morissette compôs um marco da quebradeira de pratos em You Oughta Know, de 1995. "Você pensa em mim quando está com ela na cama?", pergunta a cantora (e, no original, os termos não são tão elegantes)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ressentidas, mas com graça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A safra mais recente de cantoras, como Lady Gaga e Taylor Swift, faz músicas para constranger os antigos namorados. "Você não é grande / Você não é esperto / Não, você não é bem-dotado, meu caro", debocha Lily Allen em Not Big&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1282808206921818621?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1282808206921818621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1282808206921818621' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1282808206921818621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1282808206921818621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/hora-da-revanche.html' title='Hora da revanche'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5429636478151067179</id><published>2009-12-11T13:54:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:54:46.202-08:00</updated><title type='text'>A prima-dona e os castrati</title><content type='html'>Os castrati representam um episódio fascinante, porém lamentável, da história da música. Do italiano para "castrados", a palavra designa os cantores que, na infância, tinham os testículos removidos, para barrar as mudanças hormonais que tornam a voz grossa. O auge dessa prática bárbara se deu na Itália, na segunda metade do século XVIII - calcula-se que, nesse tempo, mutilavam-se 4 000 meninos por ano. Os castrati engrossavam os corais de igreja em uma época na qual interdições religiosas impediam as mulheres de cantar. Nas óperas, desempenhavam tanto os personagens masculinos quanto os femininos. Expoentes da música barroca valeram-se desses cantores. Nicola Porpora (1686-1768), professor de Haydn, foi instrutor de castrati. O alemão George Handel (1685-1759) escreveu o papel-título de sua ópera Giulio Cesare para o castrato Senesino. Em 1870, a Igreja Católica proibiu a castração para fins artísticos, e oito anos depois o papa Leão XIII baniu os castrati dos coros das igrejas - embora Alessandro Moreschi, tido como o último castrato, tenha permanecido no coro da Capela Sistina até 1913. O repertório desses cantores de potência única acaba de ser revisado - por uma mulher. Sacrificium, disco da meio-soprano italiana Cecilia Bartoli, de 43 anos, que chega nesta semana às lojas brasileiras, é inteiramente dedicado aos castrati. "Foi chocante saber do sofrimento desses meninos e encontrar forças para interpretar essas canções", disse Cecilia a VEJA. A cantora vê alguns paralelos desse tipo de sacrifício no século XX. Com certo exagero, compara a mutilação dos castrati à anorexia das modelos. E lembra ainda o caso de Michael Jackson: "Ele também se mutilou, com todas aquelas plásticas que desfiguraram seu rosto". O projeto Sacrificium nasceu durante as gravações de um dos últimos discos da cantora, Opera Proibita, que trazia canções religiosas proibidas para mulheres. Cecilia resolveu pesquisar a vida dos jovens castrados que interpretavam essas peças. A edição de luxo de Sacrificium - infelizmente, não disponível no mercado brasileiro - vem acompanhada de um CD-bônus e de um livro com a biografia dos principais castrati. No conjunto, é uma história estarrecedora. Boa parte dos castrati é originária de Nápoles, no sul da Itália. Em geral, os meninos vinham da rua ou de famílias pobres. Eram enviados para conservatórios mantidos pela Igreja, nos quais tinham aulas de canto, música e literatura. O mais famoso entre os castrati foi Carlo Broschi (1705-1782), também conhecido como Farinelli. Aluno de Porpora, cantou para monarcas como Luís XV, da França, e Felipe V, da Espanha. O rei espanhol, aliás, recorreu aos serviços de Farinelli para tratar sua depressão crônica. O castrato cantou para Felipe todas as noites, durante dez anos. Mas foram poucos os que chegaram às cortes. Um cantor competente poderia arranjar emprego nos corais de igreja e nas casas de ópera da Europa. Muitos, porém, não vingavam na carreira musical e acabavam ganhando a vida na prostituição. A voz de um castrato combinava versatilidade e potência. Os compositores do período exploraram essas possibilidades em peças virtuosísticas, que apresentam dificuldades para uma cantora. Cecilia não tem o que se poderia chamar de um vozeirão. "Deus me deu uma voz maravilhosa, que eu uso com sabedoria. Jamais cantaria uma ópera de Wagner, porque sei que não tenho tanto alcance", ela mesma diz. No entanto, Cecilia dá plena conta dos desafios do repertório dos castrati, como se pode constatar nas árias Cadrò, Ma Qual Si Mira, de Francesco Araia, ou Usignolo Sventurato, de Porpora, na qual ela imita o canto de um rouxinol. Lançado pela gravadora Decca nos Estados Unidos e na Europa há pouco mais de um mês, Sacrificium tornou-se um sucesso - estima-se que já tenha passado a marca de 500 000 cópias vendidas. Um êxito inimaginável para os pobres mutilados do século XVIII.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5429636478151067179?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5429636478151067179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5429636478151067179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5429636478151067179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5429636478151067179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/prima-dona-e-os-castrati.html' title='A prima-dona e os castrati'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3954415234580816662</id><published>2009-12-11T13:50:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:53:58.740-08:00</updated><title type='text'>O soul deu samba</title><content type='html'>Halo é hoje a canção mais executada nas rádios brasileiras. Baladão derramado, cuja letra fala de uma moçoila que compara o amado a um anjo, a música ficou dezenove semanas em primeiro lugar nas paradas nacionais e tocou 20 000 vezes nas emissoras de todo o país, segundo levantamento da Crowley Broadcast Analysis do Brasil, que mede a audiência das rádios. A música catapultou as vendas de sua intérprete, a americana Beyoncé. I Am... Sasha Fierce, seu último disco, vendeu 130 000 cópias no Brasil, número superior ao dos últimos lançamentos de estrelas nativas como Ivete Sangalo e Ana Carolina. Halo é um R&amp;amp;B - um derivado do soul, a principal vertente da música negra americana - e seu êxito mostra uma mudança no gosto dos ouvintes brasileiros. Há dez anos, seus gêneros prediletos eram o sertanejo, a axé music, o samba e o rock. Os três primeiros ainda reinam, mas o rock foi substituído, com folga, pelo R&amp;amp;B. Beyoncé tem outras duas músicas entre as mais tocadas - If I Were a Boy e Single Ladies -, e seus companheiros de parada são os artistas de música negra como Rihanna, Mariah Carey e Chris Brown. Mesmo cantoras de axé como Ivete e Claudia Leitte estão fazendo canções calcadas na batida dolente do soul contemporâneo. As branquelas inglesas Joss Stone e Amy Winehouse, estrelas do neo-soul, gênero saudosista que busca reconstituir a sonoridade da música negra dos anos 60, não tocam tanto nas rádios, mas vendem muitos discos no Brasil. Joss, que na semana passada fez show no Rio, em São Paulo e Curitiba para promover o recém-lançado Colour Me Free, já vendeu 152 000 cópias de seus três discos anteriores. Os dois álbuns de Amy, cuja canção Rehab foi uma das mais tocadas de 2008, estão na marca de 505 000 unidades vendidas. É uma quantidade superior à dos dois últimos discos de Marisa Monte, a maior artista de MPB contemporânea. A soul music deu samba - e dos bons. "Soul" traduz-se literalmente como "alma". Mas o vocábulo ficou associado à cultura negra americana (além da música, existe também uma culinária soul). A soul music começou a surgir em meados dos anos 50, da mistura do blues e da música gospel. A princípio, foi batizada como rhythm¿n¿blues e suas letras tinham conotação sexual. Assimilado (e sanitizado) por artistas brancos como Elvis Presley, o rhythm¿n¿blues virou o rock¿n¿roll. Em uma evolução paralela do gênero (veja os quadros: A alma do negócio e A evolução do embalo), os artistas negros carregaram ainda mais na influência da música gospel - em especial o "canto e resposta" dos pastores e os malabarismos vocais - e suavizaram as letras. Nascia a soul music. Nos anos 60, a novidade foi capitaneada pela Motown, gravadora criada pelo ex-boxeador Berry Gordy Jr. O empresário estabeleceu regras rígidas para garantir a comercialização eficiente de suas produções. As canções não podiam ter mais do que três minutos, para facilitar a execução nas rádios. Temas políticos e raciais eram proibidos, para não espantar o público branco. Com esses parâmetros e um bocado de ritmo, a Motown impulsionou astros como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Diana Ross e Michael Jackson e se tornou a cara da música pop dos Estados Unidos. Com o tempo, a soul music desdobrou-se em numerosos estilos e vertentes, como o funk, o disco, o rap e o hip hop soul. Atualmente, predominam duas escolas, o R&amp;amp;B e o neo-soul, ambas surgidas em meados dos anos 90. O R&amp;amp;B combina o ritmo da Motown com batidas eletrônicas do rap, mantendo os vocais agudos que fizeram a fama de divas como Diana Ross (Mariah Carey e Whitney Houston estão entre as cantoras mais exageradas do gênero). As letras são melosas ou carregadas de insinuações sexuais. Ex-vocalista do grupo Destiny¿s Child que começou sua carreira-solo em 2003, Beyoncé é hoje a grande estrela do R&amp;amp;B. Seu disco de estreia, Dangerously in Love, calhou de sair em um período no qual Mariah e Whitney passavam por infernos profissionais e pessoais. Beyoncé combinou essa sorte com um bom planejamento de mercado. Assessorada pelo pai e casada com o rapper Jay-Z, ela não é o tipo de artista que se arrisca. Seus três discos trazem sempre o mesmo híbrido seguro de soul e batidas de rap. Sasha Fierce foi anunciado como a versão "selvagem" de Beyoncé. Balela: soa exatamente igual aos seus trabalhos anteriores.  Com menos ritmos eletrônicos e mais instrumentos antigões - órgãos Hammond e guitarras com pedal de efeito wah wah -, o neo-soul retomou a música negra dos anos 60. Seus primeiros representantes foram os cantores Maxwell, D¿Angelo e Jill Scott. Mas, como no R&amp;amp;B, foram as mulheres que consagraram o gênero nas paradas. Em 2003, o mesmo ano em que Beyoncé lançava seu primeiro disco-solo, a inglesa Joss Stone estreava com The Soul Sessions. Ela tinha 16 anos e impressionou a crítica e o público ao gravar um álbum com canções dos anos 60 e 70. "Eu impulsionei o mercado de neo-soul", vangloria-se Joss. O sucesso dela foi seguido pelo aparecimento de diversas artistas inspiradas pela sonoridade clássica da soul music - caso de Amy Winehouse, Sharon Jones e Adele, as duas últimas ainda inéditas no Brasil.  No Brasil, a soul music viveu seus períodos de maior sucesso com Roberto Carlos (que se dedicou ao gênero em seus discos gravados no fim dos anos 60 e início dos 70) e Tim Maia. Mas a atual popularidade do gênero tem pouco a ver com essa tradição. O soul brasileiro tomou caminhos enviesados: circulou pelos grupos de samba de São Paulo e pela música evangélica. O que os críticos, nos anos 90, batizaram derrisoriamente de "pagode mauricinho" nada mais era que uma tentativa de adaptar o R&amp;amp;B americano para o mundo do samba. "A gente ouvia Cartola, mas também era fã de Michael Jackson", diz Péricles Faria, vocalista do Exaltasamba, um dos mais populares grupos de samba do país. O figurino colorido, a dança coreografada, as baladas românticas e a interpretação derramada dos pagodeiros foram características decalcadas do novo soul americano. Nem sempre a mistura é feliz: a choradeira de um Alexandre Pires ou de um Netinho (ex-Negritude Junior e atual vereador por São Paulo) configura um duplo insulto - ao samba e ao soul. Já as igrejas evangélicas brasileiras mantinham contato com os selos de música gospel americanos. Estes, por seu turno, tinham em seu cast muitos artistas de música negra que se lançaram no mercado religioso - caso de Philip Bailey, cantor do grupo funk Earth, Wind &amp;amp; Fire. Não é de admirar, portanto, que a cantora Vanessa Jackson (que ganhou a primeira edição do Fama, programa da Rede Globo) e o cantor gospel Sérgio Saas tenham sido influenciados pelo R&amp;amp;B. É mais um questão de fé do que de influência artística. Hoje, entre os poucos cultores brasileiros do soul mais, digamos, "de raiz" está um sobrinho de Tim Maia, o cantor Ed Motta. Seu disco de estreia, Ed Motta e Conexão Japeri, de 1988, ainda é a bíblia para os artistas brasileiros de soul music. "Para quem, como eu, não gosta do funk eletrônico, o surgimento do Ed foi um oásis", diz o cantor e produtor Silvio Silva, o Silvera. Motta, no entanto, alternou discos dançantes com trabalhos que flertavam com o jazz e o samba. Em Piquenique, que chega nesta semana às lojas, ele faz as pazes com as pistas de dança. Produzido por Silvera, é um álbum calcado na soul music, no funk e na disco. "Fazia tempo que eu devia um disco como esse aos meus fãs", diz Motta, que, por um certo período, até deixou de cantar nos shows seus sucessos mais embalados, como Manuel. Essa volta ao soul não poderia vir em época mais apropriada, como confirmam as paradas brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  &lt;strong&gt;                   Alma do negócio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dez anos, entre as 50 canções mais executadas em rádio no país o soul multiplicou sua participação em mais de 7 vezes&lt;br /&gt;2009 - 15 canções&lt;br /&gt;1999 - 2 canções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O NÚMERO DE CÓPIAS VENDIDAS NO BRASIL POR GRANDES NOMES DO SOUL &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AMY WINEHOUSE (dois discos)&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;- 505 000 cópias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A vendagem é superior à de Infinito Particular e Universo ao Meu Redor, os dois últimos discos de Marisa Monte, com 460 000 cópias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BEYONCÉ (três discos) 360 000 cópias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seu lançamento mais recente, I Am... Sasha Fierce, vendeu 130 000 unidades - quase a mesma quantidade que Dois Quartos ao Vivo, de Ana Carolina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RIHANNA (dois discos) 330 000 cópias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pouco menos do que Borboletas, o disco mais vendido da dupla sertaneja Victor &amp;amp; Leo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JOSS STONE (três discos) 152 000 cópias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seu penúltimo trabalho, Introducing... Joss Stone, vendeu 30 000 cópias. Pode Entrar, o mais recente lançamento de Ivete Sangalo, está em 50 000 unidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                           &lt;strong&gt;A evolução do embalo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;HIP HOP SOUL&lt;/strong&gt; - Anos 90 É a mistura das melodias românticas da soul music original com as batidas do rap. Mary J. Blige é o grande expoente&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;R&amp;amp;B&lt;/strong&gt; - Segunda metade dos anos 90 Artistas de sucesso como Beyoncé continuam a explorar a batida do rap, mas com uma instrumentação ainda mais próxima da soul music dos anos 60 e 70&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RAP&lt;/strong&gt; - Anos 80 Grupos como Public Enemy aproveitam a batida e os temas instrumentais da disco e improvisam rimas em cima dessas bases&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DISCO&lt;/strong&gt; - Segunda metade dos anos 70 O funk cai no gosto dos DJs, que passam a produzir artistas feitas para a pista de dança, como Donna Summer&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SOUL MUSIC&lt;/strong&gt; - Anos 60 É a versão mais urbana e branda do rhythm¿n¿blues. Foi dominada pela Motown, gravadora que revelou Stevie Wonder&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FUNK&lt;/strong&gt; - Anos 70 Artistas dançantes como James Brown aceleram o rhythm¿n¿blues e o misturam com rock&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RHYTHM¿N¿BLUES&lt;/strong&gt; - Período áureo: década de 50 É a união de duas vertentes da música negra americana: a música gospel, cantada nas igrejas, e o blues, melancólico e "profano". Ray Charles (que também seria um dos criadores do soul) foi o grande expoente do gênero&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3954415234580816662?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3954415234580816662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3954415234580816662' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3954415234580816662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3954415234580816662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-soul-deu-samba.html' title='O soul deu samba'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1611578802208453420</id><published>2009-12-11T13:45:00.004-08:00</published><updated>2009-12-11T13:49:59.636-08:00</updated><title type='text'>Molto agitato</title><content type='html'>Em Otello, ópera de Giuseppe Verdi baseada na tragédia de William Shakespeare, protagonista ciumento mata a mulher, Desdêmona, e, depois de reconhecer seu equívoco, crava um punhal no próprio peito. Momentos antes do suicídio, ele diz: "Otello fu" ("Otello é passado"). Pois o maestro carioca John Neschling, de 62 anos, parafraseia essa passagem dramática para falar de sua relação atual com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que ele dirigiu por doze anos. "Para mim, ela faz parte do passado. Osesp fu", diz Neschling, em entrevista a VEJA. O grupo sinfônico, no entanto, desperta no maestro a mesma paixão e ciúme que Otello sentia pela amada Desdêmona. Na próxima semana, John Neschling lança Música Mundana (Rocco; 190 páginas; 29,50 reais), livro em que conta as principais passagens de sua vida pessoal e profissional - a Osesp, claro, preenche boa parte da narrativa. Neschling foi o grande responsável pela reestruturação da Osesp, que transformou num conjunto respeitável, com uma sala de concertos (a Sala São Paulo) invejada por maestros do primeiro escalão, instrumentistas de padrão internacional e salários acima da média brasileira. Seu estilo centralizador, contudo, deu ensejo a polêmicas que o foram desgastando. Neschling foi demitido em janeiro, quando estava em férias, e substituído interinamente pelo francês Yan Pascal Tortelier. O maestro brasileiro guarda a frustração de não ter conduzido a transição da orquestra para uma nova fase, com um novo diretor artístico. Música Mundana esclarece alguns pontos da crise que precipitou a sua demissão, mas é um livro discreto, econômico em nomes e detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que tipo de autoridade um maestro tem de exercer sobre a orquestra?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na arte, as hierarquias são tão importantes quanto no Exército. Não tem como colocar 100 pessoas tocando a mesma coisa, do jeito que cada uma quer. Tem de haver uma liderança. Reger uma orquestra é trabalho psicológico da mais alta precisão. Não é uma coisa fácil você trabalhar com 100 pessoas diferentes, todas elas sensíveis, todas elas artistas, muitas frustradas por estarem na última estante para o resto da vida. Na arte, não existe democratismo. Não se pode deixar a música na mão do coletivo, porque ele tende à mediocridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os músicos não buscam a excelência por si sós?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os músicos defendem a média. Não querem sobressair porque, permanecendo na média, estão seguros. Imagino que no jornalismo, na medicina, na publicidade seja a mesma coisa. Ao longo do tempo, a média ganha sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As correntes musicais modernas mais extremas, como o atonalismo, afugentam o público?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O atonalismo em si, não. Mas o racionalismo da música do século XX afugentou, sim. O maestro e compositor Leonard Bernstein falava da física na música: há uma escala harmônica, em que cada som que você ouve tem um centro tonal. Se você se afasta conscientemente desse centro, acaba afastando as pessoas da música, porque elas querem sentir a fisicalidade da melodia. Eu entendo isso. O público gostava de ouvir compositores modernos como Schoenberg quando eu os fazia na Osesp. Não havia uma rejeição. Outro dia, encontrei um ouvinte na rua que lembrou da 13ª Sinfonia do Shostakovich. Ele disse: "Pô, maestro, depois que eu ouvi aquilo, fui tomar um chope. É muito dramático". Perguntei se ele compraria um disco com aquela sinfonia, e ele disse que não. Eu respondi: "Foi por isso que programei aquela música: para você ouvir aquilo que não ouviria em casa". A obrigação de uma orquestra paga pelo governo é mostrar coisas que as pessoas não conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em 1984, quando era diretor artístico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o senhor se recusou a reger um concerto estrelado pela cantora Clementina de Jesus. Por quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O concerto com Clementina era uma proposta do Darcy Ribeiro, então vice-governador do Rio de Janeiro. Não sou populista, cada lugar tem sua linguagem. Você não precisa fazer partido-alto no Teatro Municipal, como também não precisa levar ópera para o partido-alto. Não acho que se deva "deselitizar" o Teatro Municipal. E, quando falo de elite, não estou falando de pessoas que têm dinheiro: elite é quem quer ouvir aquela linguagem, que exige mais concentração e mais estudo. Não fui contra a Clementina de Jesus, fui contra essa deturpação da linguagem. E disse que o Darcy era um antiantropólogo, porque queria impingir ao Teatro Municipal um tipo de público que não conhecia o local, nem sua linguagem, e não tinha interesse pela música tocada no teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seus pais foram judeus austríacos que aportaram no Brasil fugindo do nazismo. Em Música Mundana, o senhor diz que hoje tem orgulho de não ter nacionalidade austríaca. Por quê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou uma consequência da cultura austríaca, mas não sou um grande fã da Áustria como caráter nacional. Ela foi um dos poucos países que receberam o nazismo de braços abertos, feliz da vida, e depois da guerra foi um dos primeiros países a se declarar vítima absoluta da invasão nazista. Há uma desfaçatez austríaca nessa facilidade com que eles expulsaram toda uma geração que contribuiu de forma tão fantástica para a cultura do país. Estudei na Áustria e morei lá muito tempo. Pedi um passaporte austríaco, que foi negado. Trabalhava então na Ópera de Viena, e seria mais fácil fazer contratos como austríaco. Recusaram o meu passaporte por razões ridículas. Fiquei com uma certa vaidade de terem negado. Até hoje eu me orgulho de não ser austríaco. O antissemitismo na Áustria, além disso, é uma coisa muito entranhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No livro, o senhor chama atenção para o paradoxo da música de Richard Wagner, um antissemita que teve e tem grandes regentes judeus.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os melhores regentes de Wagner são judeus. O primeiro foi Hermann Levy, que era filho de um rabino. Eu não tenho problemas em reger Wagner. Mas não concordo com aqueles, como James Levine ou Daniel Barenboim, que vão a Bayreuth (cidade alemã, sede de um grande festival dedicado às óperas de Wagner). Lá ainda é um centro de ideologia nazista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No tempo em que foi casado com a atriz Lucélia Santos, o senhor tomou o santo-daime. Por que buscou essa experiência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui extremamente curioso nos assuntos espirituais. Nunca consegui ser agnóstico e nunca consegui ser crente. O daime foi uma dessas buscas. Daime, mescalina, essas experiências extrassensoriais de que o Aldous Huxley falava já me interessaram. Mas há muito tempo não bebo nem fumo nada. Foi na caretice que eu cheguei mais perto do gnosticismo. Encontrei no judaísmo muitas respostas para o que eu estava procurando nessa época: uma compreensão da bondade no ser humano, e não necessariamente a busca das dádivas lá de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que acarretou sua saída da Osesp?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi uma decisão ideológica do conselho da Fundação Osesp, que entrou em um caminho que não considero correto, um caminho tipicamente americano - tanto que um dos consultores é o Henry Fogel, que foi presidente da League of the American Orchestras. Ele é o papa de uma nova linha de administração, na qual o diretor artístico deve ser diminuído em relação ao diretor executivo, e na qual uma orquestra tem de se sustentar exclusivamente com o aporte financeiro da sociedade. Isso nos Estados Unidos é possível. No Brasil, ainda não. O governo é responsável por grande parte do orçamento da Osesp. A primeira consequência dessa nova linha foi o aumento no preço dos ingressos e das assinaturas. Eu insisto na ideia de que a orquestra precisava de ingressos baratos. Uma das grandes vantagens de uma orquestra do estado é que ela pode educar um público, como eu eduquei durante doze anos, com peças novas. Na programação da Osesp no ano que vem, as únicas peças brasileiras são as que eu já tinha encomendado. Quanto à tese de que foram meus problemas pessoais com o governador José Serra que acarretaram a saída, eu não a endosso. O governador evidentemente não simpatizava comigo, e hoje eu posso dizer claramente que não simpatizo com ele. Mas Serra tinha mais que fazer do que ficar pensando em mim. E eu também tinha mais que fazer do que ficar pensando nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu contrato ia até 2010. Seria o fim de seu ciclo ou o senhor queria ficar mais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi necessidade da eternidade no poder. Acho perigoso, inclusive, uma pessoa ficar tempo demais. É normalíssimo que as orquestras continuem depois de perder o maestro. Só que há orquestras mais estruturadas e menos estruturadas. E há formas e formas de fazer a sucessão. Eu me propunha a ficar algum tempo mais, sair de cena gradualmente. Queria fazer a transição aos poucos, para manter a orquestra com a mesma glória, com o mesmo espírito que ela tinha antes. Isso não foi possível, e eu lamento muito. Já está provado que não será possível achar um maestro até 2012. Como uma filha, eu queria entregar a Osesp ao noivo - e não que ela fugisse de casa. Não foi assim. Agora, minha questão é continuar vivendo como músico digno. A Osesp é passado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1611578802208453420?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1611578802208453420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1611578802208453420' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1611578802208453420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1611578802208453420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/molto-agitato.html' title='Molto agitato'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1422460033525518664</id><published>2009-12-11T13:45:00.003-08:00</published><updated>2009-12-11T13:45:53.718-08:00</updated><title type='text'>Crepúsculo do astro</title><content type='html'>This Is It (Estados Unidos, 2009) foi feito para os fãs de Michael Jackson. É o que diz um letreiro logo no início do filme, que estreou mundialmente na última quarta-feira, arrecadando 20 milhões de dólares no mundo só no primeiro dia (Joe Jackson, o asqueroso pai do ídolo, afirmou que seu filho vale mais morto do que vivo). É preciso ler nas entrelinhas: "feito para os fãs" quer dizer algo como "vamos mostrar o músico excepcional, não a celebridade esquisitona". O documentário traz os ensaios daqueles que seriam os últimos shows, programados em Londres, do astro morto em junho. Não faz nenhuma menção às dívidas que chegavam a 500 milhões de dólares (e que Michael pretendia saldar com o lucro das apresentações) ou às dores lancinantes que o cantor dizia sentir, a ponto de se viciar em analgésicos como Demerol. Mas This Is It acaba sendo mais revelador do que muitos tabloides e sites de fofoca. Mostra como o artista vivia em um mundo paralelo, no qual era o centro absoluto.  O diretor Kenny Ortega, que já trabalhou em produções como High School Musical, apresenta um músico no topo de sua forma física e artística. Há uma profusão de cenas em que Jackson ensaia seus passos de dança característicos (embora haja suspeitas de que tenha sido usado um dublê) e interpreta seus maiores sucessos (boa parte com playback). O show incluiria inserções em vídeo, que aparecem no documentário - em Smooth Criminal, por exemplo, Jackson "contracena" com antigos figurões de Hollywood, como Rita Hayworth e Humphrey Bogart. Quando o próprio Michael Jackson sobe ao palco dos ensaios, porém, sua fragilidade fica evidente. Desconectado da realidade, ele erra feio nos figurinos (um crítico do jornal inglês The Guardian comparou-o ao Esqueleto, vilão do desenho He-Man). Fala e age sempre com afetação - em determinado momento, diz para Ortega que a-do-ra o gestual das aeromoças quando dão instruções de segurança. Para orientar a guitarrista Orianthi Panagaris, dá gritinhos e pede que ela os reproduza com o instrumento. As referências de Smooth Criminal aos clássicos de Hollywood abrem a porta para uma comparação: o Michael Jackson de This Is It parece a diva decadente que Gloria Swanson encarnou em Crepúsculo dos Deuses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1422460033525518664?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1422460033525518664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1422460033525518664' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1422460033525518664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1422460033525518664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/crepusculo-do-astro.html' title='Crepúsculo do astro'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-712517093540002307</id><published>2009-12-11T13:45:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:45:26.052-08:00</updated><title type='text'>O compositor do Império</title><content type='html'>O ator Tom Hanks e o produtor Quincy Jones, entre outras personalidades do showbiz, desfilaram no tapete vermelho da Walt Disney Concert Hall para assistir à Noite de Gala da Filarmônica de Los Angeles, no início do mês. O evento marcou a estreia do jovem e badalado Gustavo Dudamel como diretor artístico da orquestra. O maestro venezuelano de 28 anos regeu a Primeira Sinfonia de Gustav Mahler e foi aplaudido de pé por doze minutos. Mas Mahler já está consagrado no repertório das grandes orquestras. O maior desafio de Dudamel foi a obra que abriu o programa, City Noir, de John Adams, que neste ano se tornou compositor oficial da Filarmônica de Los Angeles. Com 35 minutos de duração, a sinfonia faz parte de uma trilogia sobre a Califórnia - as outras obras são El Dorado e The Dharma at Big Sur - e homenageia o climão sombrio dos filmes policiais dos anos 40 e 50. Embora certas passagens soem áridas ao ouvinte não adepto da produção contemporânea, City Noir é altamente palatável. Também foi longamente aplaudida, e Dudamel chamou o compositor ao palco para sua merecida parcela de glória. Adams, de 62 anos, é um compositor raro, que se mantém inovador sem espantar o público. "Ingressos de concertos custam caro. Ninguém paga para ouvir algo que vai deixá-lo incomodado", disse o compositor a VEJA.  City Noir representa bem a variedade de estilos e o caráter profundamente americano da música de Adams (trechos de suas principais composições encontram-se em &lt;a href="http://www.earbox.com/listofworks.html"&gt;www.earbox.com/listofworks.html&lt;/a&gt;). "Pode-se dizer que é um jazz sinfônico", define o compositor. Um dos principais músicos eruditos surgidos na segunda metade do século XX, o americano começou a carreira, nos anos 70, associado ao minimalismo. Em Shaker Loops, empregou os princípios de repetição e progressão harmônica que caracterizam esse movimento - mas sem o automatismo tedioso que tantas vezes se ouve na obra de minimalistas mais ortodoxos, como Philip Glass. Adams já compôs inspirado pelo romantismo do alemão Richard Wagner e até pelo atonalismo do austríaco Arnold Schoenberg, por quem hoje não professa simpatia. Ele cita o velho Mozart como um modelo na conjugação de ousadia com apelo popular: "Sua música também tinha dissonância. Mas cada passagem complicada era seguida por uma melodia agradável. Em compensação, quinze minutos da música de Schoenberg me deixam completamente fatigado". A história americana é uma fixação da obra de Adams. "Mussorgsky compôs sobre a grande Rússia, e Wagner se inspirou na mitologia germânica. Faço música sobre temas americanos porque somos o equivalente atual do que foi o Império Romano na Antiguidade", diz. Em suas produções para a ópera - gênero no qual Adams obteve seus resultados mais expressivos -, temas da história recente são encenados: Nixon in China, de 1987, trata do encontro entre o presidente americano Richard Nixon e o ditador chinês Mao Tsé-tung, e Doctor Atomic, de 2005, é sobre o físico Robert Oppenheimer e a equipe do Projeto Manhattan, que criou a primeira bomba atômica. Por encomenda da Filarmônica de Nova York, Adams compôs sobre o evento mais marcante do século XXI - os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O resultado foi On the Transmigration of Souls, obra que pede orquestra, coro adulto e infantil e samples com depoimentos de pessoas que perderam parentes no atentado às torres gêmeas. A peça estreou em 19 de setembro de 2002. "Na plateia, havia pessoas que presenciaram o atentado. O público aplaudiu, mas em seguida houve um silêncio perturbador", lembra o maestro brasileiro Roberto Minczuk, que na ocasião era regente associado da orquestra de Nova York.  Prestigiado pelos melhores grupos sinfônicos da Europa e dos Estados Unidos, Adams - que mora em Berkeley, na Califórnia, com a mulher, dois filhos e um cachorro - está começando uma parceria promissora com a Filarmônica de Los Angeles. Ele goza de uma boa sintonia com a presidente da instituição, Deborah Borda (City Noir, aliás, é dedicada a Deborah). É fã declarado do antigo diretor artístico da orquestra, o maestro e também compositor finlandês Esa-Pekka Salonen, recentemente substituído por Dudamel. A orquestra é uma das poucas instituições do gênero que não sofreram os efeitos da crise econômica mundial: tem um orçamento anual de 100 milhões de dólares e suas récitas estão sempre lotadas. Adams já marcou presença num momento crucial de sua história: a inauguração da Walt Disney Concert Hall, em 2003, uma das melhores casas de concerto do mundo e que passou a servir de sede para a Filarmônica. Na ocasião, foi executada The Dharma at Big Sur, composição para orquestra e violino elétrico. Com programas desse tipo, a orquestra conseguiu formar um público de música erudita interessado na produção moderna. Para a era Dudamel, preparou-se uma grande campanha de publicidade - que inclui até um jogo que pode ser acessado pelo computador ou baixado no iPhone e desafia a pessoa a "reger" uma obra do repertório do maestro. Vibrante, inovadora, americana sem provincianismo, a Filarmônica de Los Angeles é o lar perfeito para John Adams.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-712517093540002307?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/712517093540002307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=712517093540002307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/712517093540002307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/712517093540002307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-compositor-do-imperio.html' title='O compositor do Império'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3506110233506372801</id><published>2009-12-11T13:44:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:45:01.937-08:00</updated><title type='text'>Uma tremenda farra</title><content type='html'>Os parceiros musicais Roberto e Erasmo Carlos já declararam sua afeição mútua na antológica canção Amigo. Na vida privada, as proclamações de amizade são menos convencionais. Nos anos 80, em um restaurante de Los Angeles, Roberto repreendeu Erasmo por sua suposta falta de asseio: o Tremendão - como é conhecido desde os tempos da jovem guarda, movimento que lançou o rock nacional nos anos 60 - não havia lavado as mãos antes de ir ao banheiro. Hipocondríaco, conhecido por suas estranhas manias, Roberto tentou convencer o parceiro de que o órgão sexual masculino é uma peça frágil, suscetível a todo tipo de infecção - tocá-lo com mãos sujas indicaria descuido com o próprio corpo. Para provar sua sintonia com o corpo, Erasmo embarcou em uma candente defesa do próprio instrumento (não musical, bem entendido). "Ele me obedece, me entende, está sempre pronto para a guerra. É meu melhor amigo", disse. "Ele já te emprestou dinheiro?", perguntou Roberto. E, diante da negativa de Erasmo, concluiu: "Então eu sou o seu melhor amigo". Esse diálogo esquisitão é uma das muitas anedotas incluídas por Erasmo em Minha Fama de Mau (Objetiva; 360 páginas; 44,90 reais), que chega a partir de sexta-feira às livrarias. Despretensioso e muito bem-humorado, o livro, com texto final do jornalista Leonardo Lichote, não é uma autobiografia minuciosa do cantor - trata-se antes de uma espécie de álbum de memórias, uma reunião de casos vividos por Erasmo em cinquenta anos de carreira, com flagrantes impagáveis da música brasileira do período. Como é costumeiro nas memórias de artistas, o livro começa narrando a vida dura que o personagem levou antes de chegar ao sucesso. Nascido no Rio de Janeiro em 1941, Erasmo Esteves foi criado pela mãe e praticamente não conheceu o pai. Minha Fama de Mau fala dos tempos de penúria com humor. Erasmo conta da ocasião em que saiu para jantar fora com a mãe e o padrasto - evento especialíssimo para a família pobre - e cortou seu bife com tanto entusiasmo que ele foi parar em cima da mesa vizinha. A numerologia ainda não estava em voga na época, mas Erasmo Esteves alega razões místicas para o nome artístico que adotou no início dos anos 60: leu, em um almanaque, que os ocultistas atribuíam propriedades mágicas ao sobrenome Carlos. A porta de entrada de Erasmo para o showbiz foi humilde: começou como secretário do empresário, compositor e jornalista Carlos Imperial, em 1962. Entre suas responsabilidades, estavam a programação de um show de rádio e a redação de uma coluna de fofocas. Também devia zelar para que o copo de refrigerante de Imperial estivesse sempre cheio. Em 1964, com o sucesso de Festa de Arromba, Erasmo já estava emancipado dessas atividades. Mas as armações do empresário dariam uma providencial ajuda na publicidade do cantor. Para promover a canção Vem Quente que Eu Estou Fervendo, de 1967, Imperial criou uma querela fajuta com Erasmo. Os dois até trocaram tabefes num programa da Rádio Bandeirantes - Roberto Carlos, que não sabia da farsa, tentou apartar a briga. Erasmo aproveitava o refrão para mandar recados públicos para Imperial: "Diga para ele vir quente que estou fervendo". A canção, claro, foi um sucesso.  O memorialista Erasmo Carlos dedica várias páginas à crônica sexual da jovem guarda, cujos astros eram muito assediados pelas fãs. "Éramos terríveis. Uma vez, eu e o cantor Antonio Marcos passamos três dias e três noites com diversas mulheres", disse ele a VEJA. Entre essas aventuras, há um episódio sombrio: Erasmo e o cantor Eduardo Araújo levaram umas adolescentes para o apartamento de Imperial, em 1967. Acabaram todos acusados de corrupção de menores. No livro, Erasmo garante que deixou a festa cedo, sem ter tocado nas garotas. A justificativa que Imperial deu ao juiz foi mais cafajeste: "Vossa Excelência me desculpe, mas quando conheço uma mulher não peço a carteira de identidade dela". Foram todos inocentados. O episódio ainda suscita polêmica: há dois anos, um dos motivos alegados por Roberto Carlos, na sua sanha execrável de censor, para tirar de circulação a biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo Cesar de Araújo, foi sua suposta vinculação a essa festinha (embora o livro de Araújo deixe bem claro que Roberto não esteve presente). Ao lado do caviloso Carlos Imperial, o extravagante Tim Maia é outro personagem fundamental de Minha Fama de Mau. A amizade entre Tim e Erasmo vem da adolescência, quando o primeiro ganhava uns trocos entregando marmitas. Certo dia, Erasmo pegou Tim comendo da marmita que era destinada à sua família. Os dois brigaram feio. Tempos depois, converteram-se em amigões. Debochado, Tim gostava de fazer pouco das canções de Erasmo e criava boatos sobre o amigo - chegou a atrapalhar um negócio imobiliário ao espalhar que Erasmo estava endividado. "Eu compreendia que esse era seu jeito de demonstrar amizade", diz Erasmo, saudoso do companheiro morto em 1998. Apesar de sua longa parceria com o autor, Roberto Carlos é um personagem pálido no livro, se comparado a Tim Maia. Erasmo revela algumas excentricidades de Roberto - como o receio que ele tinha, nos anos 80, de pegar aids "pelo ar". Erasmo diz que não mostrou o livro para Roberto e que o contato com o antigo parceiro anda esporádico: "Hoje, vejo mais a Marisa Monte do que o Roberto". Minha Fama de Mau encerra-se nos anos 90. Não fala do suicídio da mulher de Erasmo, Narinha, em 1995, nem da morte de sua mãe, Maria Diva Esteves, em 2005. "Quis fazer um livro feliz", diz Erasmo. Conseguiu.&lt;br /&gt; O cafajeste não vê idade "Em meio aos carrões, às festas e às brincadeiras, houve em 1967 um equivocado processo de corrupção de menores, que quase acabou com a nossa vida. Eu e Eduardo Araújo encontramos, por acaso, umas meninas que conhecíamos de São Paulo e as levamos para a casa do (Carlos) Imperial, que ficava em frente. Cheguei, peguei a letra de uma música que ia gravar (O Carango) e fui embora. Mais tarde, a polícia pegou as meninas, que eram menores, andando sozinhas em Copacabana. Elas disseram que estavam na casa do Imperial, comigo e com o Eduar-do, numa festinha regada a álcool e sexo. Nasceu daí o processo. (...) Numa das acareações exigidas no decorrer desse processo, ficaria imortalizada mais uma das famosas frases de Imperial, quando frente a frente com o juiz disse: ¿Vossa Excelência me desculpe, mas quando conheço uma mulher não peço a carteira de identidade dela¿." Trecho de Minha Fama de Mau&lt;br /&gt; Sons do amor "Tim Maia não tinha limites. Cansei de receber ligações dele que começavam com sua gravação de Descobridor dos Sete Mares em volume altíssimo, enquanto sua voz berrava: ¿Tá ouvindo? Isso é que é som, vê se aprende a fazer!¿. E meia hora depois: ¿Agora, Erasmo Carlos, você vai ouvir o som do amor que as gatinhas estão fazendo comigo¿. E vinha o flaft, floft, flaft, floft." Trecho de Minha Fama de Mau&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3506110233506372801?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3506110233506372801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3506110233506372801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3506110233506372801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3506110233506372801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/uma-tremenda-farra.html' title='Uma tremenda farra'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7704251663911648065</id><published>2009-12-11T13:42:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:44:12.631-08:00</updated><title type='text'>O poder do sussurro</title><content type='html'>Se pudesse ter escolhido, Fernanda Takai gostaria de cantar com a força de Clara Nunes. A natureza, no entanto, lhe deu uma voz miudinha - e a obrigou a procurar outras referências. No começo da carreira, Fernanda encontrou inspiração na inglesa Tracey Thorn, do duo Everything But the Girl, e na americana Suzanne Vega. Nos shows, era com esforço que ela dava conta das músicas mais barulhentas. Mesmo assim, seu vocal suave se impôs e se tornou uma marca de sua banda, o Pato Fu. Em seu primeiro disco-solo, lançado no fim de 2007, Fernanda, hoje à vontade com seus dotes, homenageou outra cantora de voz pequena: Nara Leão (1942-1989), uma das maiores intérpretes da bossa nova. Onde Brilhem os Olhos Seus vendeu 55 000 unidades, número expressivo no combalido mercado fonográfico, e agora se desdobrou em um CD e DVD ao vivo, Luz Negra. Escutar a interpretação delicada de Fernanda para músicas como Ben, do repertório de Michael Jackson, pode ser uma experiência renovadora: descobre-se que não é preciso se esgoe&amp;shy;lar como um calouro do American Idol para transmitir emoção. Pode-se dizer o mesmo do canto contido e delicado da paulista Tiê, em seu recente disco de estreia, Sweet Jardim. E o estilo deliciosamente inconsequente de algumas cantoras do pop britânico, como Lily Allen (que faz show no Rio e em São Paulo em setembro) e Kate Nash, deve muito ao jeitinho meio infantil com que elas cantam. As cantoras de voz pequena têm algo a dizer no cenário pop atual - e o dizem bem. No canto lírico, o termo "voz pequena" refere-se aos artistas de menor volume e potência sonoros. O que não significa menor qualidade técnica: a meio-soprano italiana Cecilia Bartoli, por exemplo, tem uma voz diminuta, porém infinitamente expressiva. Se a voz poderosa deixou de ser uma exigência absoluta da ópera, em que o canto tem de se sobrepor à orquestra, isso é tanto mais verdade em outros gêneros. Ao longo do século XX, microfones e mesas de som permitiram que cantores que não conseguiam cha&amp;shy;coalhar as vidraças ao soltar a voz pudessem se expressar sem ser soterrados pelos instrumentos. Abriu-se o campo para gêneros que valorizaram a voz mínima, como a bossa nova e, na França, a chanson (tradição hoje encampada pelos sussurros sensuais da primeira-dama Carla Bruni). O tamanho da voz tornou-se um valor relativo, sujeito a modas e estilos. A americana Billie Holiday, com seus registros agudos e longos, soa como uma grande voz comparada às cantoras atuais (incluindo imitadoras como Madeleine Peyroux). Mas, em seu tempo, era considerada uma voz pequena - as contemporâneas Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald tinham alcance bem maior. "Billie Holiday anasalava muito, mas imprimia uma dramaticidade sem igual às canções", diz a professora de canto Vera do Canto e Mello. Existem artistas que têm voz pequena - são fisicamente incapazes de aumentar o volume -, e outros que limitam os recursos vocais porque acreditam na eficiência de uma interpretação econômica. Fernanda Takai e Nara Leão enquadram-se na primeira categoria; João Gilberto, cantor de grande extensão vocal, na segunda. Para o ouvinte, porém, a distinção acaba sendo irrelevante: o que importa é o que o artista consegue fazer com os dons que tem. Os superagudos de uma Whitney Houston ou de uma Celine Dion distorcem as letras e banalizam o sentimento. A voz contida, porém, tem maleabilidade para dar às palavras seu significado emocional preciso (veja o quadro abaixo). Menos é mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                       &lt;strong&gt;Quatro expoentes do canto minúsculo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FERNANDA TAKAI &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde aprendeu a cantar: &lt;/strong&gt;com os intérpretes contidos da bossa nova - em particular, com Nara Leão - e artistas pop de vocais delicados como Tracey Thorn, do duo Everything But the Girl, e Suzanne Vega&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O maior acerto:&lt;/strong&gt; canções tristes e sofridas - como Luz Negra, de Nelson Cavaquinho - ganham uma pungência sem melodrama na sua interpretação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CARLA BRUNI&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde aprendeu a cantar:&lt;/strong&gt; italiana de nascimento, a primeira-dama da França é fiel aos artistas franceses de chanson, de voz discreta, quase falada, como Serge Gainsbourg&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O maior acerto:&lt;/strong&gt; seus sussurros sublinham a sensualidade de letras como Tu Es Ma Came, na qual compara a paixão por um homem ao vício em heroína&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LILY ALLEN &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde aprendeu a cantar: &lt;/strong&gt;suas principais escolas musicais são os artistas de ska inglês, surgidos no fim dos anos 80, e o canto falado do rap&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O maior acerto:&lt;/strong&gt; seu canto não é propriamente pequeno - é infantilizado. Esse tom de menininha dengosa torna mais debochadas canções como Smile e Not Fair, em que ela reclama dos ex-namorados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MADELEINE PEYROUX&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde aprendeu a cantar&lt;/strong&gt;: a cantora americana é imitadora de Billie Holiday, cuja voz tem um alcance menor do que a de outras divas do jazz&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O maior acerto:&lt;/strong&gt; emulando o modo preguiçoso e dolente de Billie Holiday, Madeleine encontrou o tom certo para clássicos do country e do blues como Weary Blues from Waitin¿, de Hank Williams, e Careless Love, de W.C. Handy&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7704251663911648065?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7704251663911648065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7704251663911648065' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7704251663911648065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7704251663911648065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-poder-do-sussurro.html' title='O poder do sussurro'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4960176898215165971</id><published>2009-12-11T13:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:41:48.179-08:00</updated><title type='text'>Zubin Mehta: Um tesouro nacional</title><content type='html'>O maestro Zubin Mehta é uma espécie de patrimônio nacional israelense. À frente da Filarmônica de Israel desde 1969, o regente, hoje com 73 anos, transformou a orquestra em referência mundial, famosa por seu impecável naipe de cordas. Ao longo desses quarenta anos - o seu cargo, de diretor artístico, é vitalício -, o indiano já provou sua lealdade ao país que o adotou. No auge da primeira Guerra do Golfo, entre Estados Unidos e Iraque, em 1991, cancelou um concerto em Nova York. Temia-se que o ditador iraquiano, Saddam Hussein, fosse retaliar a investida americana com mísseis contra Israel. Mehta fez questão de tocar com sua filarmônica em Tel-Aviv - por precaução, a plateia assistiu ao concerto portando máscaras contra gás. O músico invoca sua própria condição étnica para explicar a solidariedade ao povo judaico: ele é parsi, etnia que segue a antiga religião zoroastriana na Índia de maioria hindu. "Também somos uma minoria perseguida. Somos os judeus da Índia", disse Mehta, em entrevista a VEJA. O maestro e a Filarmônica de Israel estão no Brasil para uma série de concertos que começa neste fim de semana e se estende até o dia 17, passando por São Paulo, Paulínia, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Curitiba. Um dos mais carismáticos regentes contemporâneos, Mehta é amado pelos músicos. "Com ele, não existe aquele tédio que tantas vezes se instala quando os músicos já tocaram a mesma obra dezenas de vezes. Somos todos moleques no palco", diz o oboísta Alex Klein, que foi regido pelo indiano quando tocava na Orquestra de Chicago. Alguns críticos, porém, têm reservas ao maestro. Alex Ross, autor de O Resto É Ruído, uma bela história da música do século XX, considera Mehta um regente sem personalidade, que não confere sonoridade própria aos conjuntos que comanda. A avaliação não é inteiramente justa: Mehta conferiu, sim, uma marca própria à Filarmônica de Israel, especialmente na interpretação de Beethoven e Mahler. O problema de Mehta é a irregularidade: alterna momentos passionais com apresentações em que se mostra dispersivo - ou de franca má vontade, como em um concerto no Brasil, em 2001, no qual a batuta voou de sua mão e foi parar no meio dos violinistas. Menos perdoáveis do que esses lapsos são algumas escolhas discográficas: em 1990, Mehta foi um dos artífices do projeto Os Três Tenores, que reuniu Plácido Domingo, Luciano Pavarotti e José Carreras na interpretação de árias de ópera e canções populares. Também já gravou com o cafoníssimo tenor italiano Andrea Bocelli. Filho de Mehli Mehta, fundador da Sinfônica de Bombaim, e irmão mais velho de Zarin Mehta, atual diretor executivo da Filarmônica de Nova York, Zubin Mehta iniciou seus estudos musicais em Viena, na década de 50, onde aprendeu regência com o austríaco Hans Swarowsky (que também foi mestre de Claudio Abbado e Giuseppe Sinopoli). Na capital austríaca, conheceu o pianista e maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, até hoje seu melhor amigo. Em 1962, depois de ter passado pela Royal Philharmonic, de Londres, e pela Sinfônica de Montreal, Mehta assumiu a direção artística da Filarmônica de Los Angeles, cargo que o consagrou entre os melhores do mundo. No mesmo ano, começou sua colaboração com a Filarmônica de Israel, cuja direção artística assumiria em 1969. Em uma de suas estadas em Jerusalém, em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Mehta foi acordado por um zumbido no seu quarto de hotel. Na manhã seguinte, descobriu uma bala alojada na parede acima da cama. "Escapei da morte por alguns centímetros", disse em sua autobiografia, The Score of My Life (A Partitura da Minha Vida). Em Israel, Mehta se abstém de reger um dos seus compositores favoritos: o alemão Richard Wagner, que foi antissemita fervoroso. "Enquanto houver sobreviventes do holocausto em Israel, não iremos tocá-lo", diz Mehta, lembrando que a música de Wagner chegou a ser executada em campos de concentração nazistas. Barenboim - que é crítico acerbo das políticas de Israel em relação aos palestinos - já afrontou o tabu, executando trechos da ópera Tristão e Isolda em Jerusalém. Mehta não concorda com as atitudes políticas do amigo. "Respeito as opiniões que Barenboim tem sobre o Oriente Médio, mas duvido que ele pudesse expressá-las num país árabe", diz. "Israel ainda é a única democracia da região."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                             &lt;strong&gt;O contrabaixo veio da favela&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em uma visita anterior ao Brasil, em 2005, o maestro Zubin Mehta entusiasmou-se com a Quinta Sinfonia de Beetho-ven que ouviu em Heliópolis, favela de São Paulo. "A princípio, ele iria apenas ouvir. Mas depois se empolgou, tirou o paletó e saiu regendo", lembra o contrabaixista Adriano Costa Chaves, de 21 anos, que então fazia parte da orquestra que o Instituto Baccarelli mantém na favela. Chaves impressionou o maestro indiano (que, aliás, é contrabaixista por formação): Mehta ofereceu-lhe um estágio com a Filarmônica de Israel. Antes de embarcar para Israel, Chaves fez um curso de preparação, para aprender hebraico e se familiarizar com os costumes judaicos. "Lá não existe carne de porco. Para um fã de bacon e feijoada como eu, foi duro me acostumar", diz. Na orquestra, Chaves teve a oportunidade de trabalhar mais de perto com Mehta ¿ e com outros maestros de fama internacional. "Kurt Masur é mais seco no trato com os músicos e tem interpretações completamente di-ferentes das de Mehta", diz. Hoje, o brasileiro volta ao país natal na condição de integrante da Filarmônica de Israel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4960176898215165971?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4960176898215165971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4960176898215165971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4960176898215165971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4960176898215165971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/zubin-mehta-um-tesouro-nacional.html' title='Zubin Mehta: Um tesouro nacional'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7361059550366128671</id><published>2009-12-11T13:37:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:40:36.442-08:00</updated><title type='text'>Notas fora de lugar</title><content type='html'>Na Europa, efemérides dos grandes compositores eruditos costumam ser celebradas até com certo exagero. Os 250 anos de nascimento do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e os 250 da morte do alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750) ensejaram incontáveis concertos, gravações, homenagens. No dia 17 de novembro, completam-se cinquenta anos da morte do maior compositor que o Brasil já teve, Heitor Villa-Lobos (1887-1959). A data não está passando em branco - as Bachianas Brasileiras estão no programa das principais orquestras do país. Mas as celebrações são modestas. As iniciativas do Ministério da Cultura, por exemplo, resumem-se a uma reedição, a cargo da Funarte, do Guia Prático, livro de canções folclóricas escrito por Villa-Lobos na década de 30, e a uma homenagem na entrega da Ordem do Mérito Cultural (a medalha é dada às pessoas que se destacaram no mundo das artes). Poderia ser aceitável - se não houvesse tanto a fazer. Os fundamentos para uma boa divulgação - e uma boa compreensão - da exuberante produção musical de Villa-Lobos ainda não foram lançados: não existem edições confiáveis de suas mais de 1 000 composições, nem sequer de algumas das mais conhecidas. Passados cinquenta anos de sua morte, o necessário trabalho de revisão de sua obra mal começou.  O carioca Villa-Lobos está para o Brasil assim como Sergei Prokofiev (1891-1953) está para a Rússia ou Aaron Copland (1900-1990) para os Estados Unidos. Os três eram bem versados no cânone da música clássica - e buscaram aproximá-la das fontes folclóricas e populares. Villa-Lobos participou da famosa Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, e era um representante ortodoxo do nacionalismo da primeira geração modernista. Criou, de fato, uma linguagem musical de acentuado sabor brasileiro, como se pode notar nos Choros e especialmente nas Bachianas, ciclo de nove obras dedicadas a Johann Sebastian Bach que trazem elementos de seresta e de música folclórica. "Villa-Lobos não é um compositor brasileiro, ele é o próprio Brasil musical", diz John Neschling, ex-diretor artístico da Orquestra Sinfônica de São Paulo, à frente da qual gravou a integral dos Choros. Falastrão, Villa-Lobos gostava de cultivar mitos sobre si mesmo. Dizia que fora perseguido por canibais quando fazia pesquisas sobre música indígena. Jactava-se de haver escrito mais de 1 000 obras - e, nesse caso, não há exagero: embora sua produção nunca tenha sido devidamente catalogada, músicos e estudiosos costumam ter como certo que ele ultrapassou esse limiar. Bailados, concertos, obras corais, quartetos: Villa-Lobos exercitou-se em quase todos os gêneros, nem sempre com o mesmo acerto - suas óperas, por exemplo, são em geral medíocres, e suas sinfonias, embora tenham momentos de brilho, não se comparam em originalidade às Bachianas nem aos Choros.  O descuido com a precisão das partituras começou com o próprio Villa-Lobos. Prolífico, ele escrevia em qualquer tempo ou lugar. Gostava de compor enquanto ouvia radionovelas. A pianista Lucília Guimarães, sua primeira mulher, costumava revisar seus escritos, mas o casamento acabou em 1936, quando o músico, em viagem pela Europa, decidiu romper com ela - por carta. Os lapsos são comuns em seus manuscritos. Há partituras em que ele simplesmente se esquece de completar a parte de um instrumento. Outras exigem correções de articulação, dinâmica e intensidade. "Em alguns momentos, a escrita de Villa-Lobos pede para que todos os músicos toquem forte, ao longo da peça inteira. O regente tem de corrigir isso", diz Roberto Minczuk, diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, que já gravou as Bachianas Brasileiras com a Osesp.  Agravando a bagunça inata do compositor, sua editora internacional, a francesa Max Eschig, foi desleixada no tratamento de sua obra. Já existe um projeto de revisão da música de Villa-Lobos, sob responsabilidade do maestro Roberto Duarte, respeitado especialista no legado do compositor carioca, e da Academia Brasileira de Música (instituição fundada pelo próprio Villa-Lobos, em 1945). A ABM fez um acordo com a Max Eschig: entregaria à editora francesa, sem custos, versões corrigidas das partituras e, em troca, ficaria com os direitos autorais para a América Latina. Até agora, Duarte já recuperou dezesseis obras de Villa-Lobos, entre as quais Rudepoema (escrito em homenagem ao pianista polonês Arthur Rubinstein), os Choros 6, 7 e 10, três concertos e três danças - mas a Max Eschig ainda não lançou as partituras revisadas. Mal começado, o projeto já parou por dificuldades financeiras: o patrocinador da revisão freou os investimentos. Aliás, uma das homenagens mais vistosas previstas para o aniversário da morte do músico também esbarra na falta de patrocínio: a exposição Viva Villa!, prevista para começar no dia 12 de outubro, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, quer mostrar fotos de arquivo, filmes caseiros, partituras e músicas do compositor, dispostas em cinco vagões de trem - alusão ao Trem do Caipira, movimento da Bachiana 2. A Clã Design, empresa que está organizando a mostra - com acervo do Museu Villa-Lobos (fundado em 1960 por Mindinha, a segunda mulher do músico), entre outras instituições -, foi autorizada a captar 1,2 milhão de reais por incentivos da Lei Rouanet, mas ainda faltam patrocinadores para completar a cifra. A edição defeituosa da obra de Villa-Lobos dificulta sua execução, sobretudo no exterior. Maestros estrangeiros, menos familiarizados com as referências musicais do compositor brasileiro, têm dificuldade em fazer as emendas necessárias. "Em 1987, o maestro Kurt Masur deixou de realizar um concerto inteiramente dedicado a Villa-Lobos porque se cansou de consertar os problemas da partitura", relata Vasco Mariz, biógrafo do compositor. Neste ano de efeméride, as récitas de Villa-Lobos no exterior estão a cargo de brasileiros. Roberto Minczuk vai reger a integral das Bachianas em Tóquio, em agosto. Em outubro, o regente João Carlos Martins apresenta a Bachiana 7 no Carnegie Hall, em Nova York. E, no fim do ano, o violoncelista Antonio Meneses e a pianista Cristina Ortiz farão recitais no Japão, na China e em Paris. Paradoxalmente, o ouvinte brasileiro que deseja incluir as obras fundamentais de Villa-Lobos em sua discoteca tem de recorrer a discos importados, nem sempre fáceis de encontrar. A integral das Bachianas pela Osesp, com regência de Minczuk, só saiu por um selo sueco, o Bis. Os Choros são mais acessíveis: também pela Osesp, com o maestro John Neschling, foram lançados no Brasil pela Biscoito Fino. Politicamente, Villa-Lobos não foi exceção em sua época: como tantos intelectuais seus contemporâneos, foi cooptado pelo governo de Getúlio Vargas. Assumiu a Superintendência de Educação Musical e Artística em 1932 e estabeleceu um razoavelmente bem-sucedido programa de ensino de canto orfeônico nas escolas. O compositor sonhava com um país de formação musical mais sólida. Sua criatividade merecia ser honrada com maior respeito por sua música, em vez de com medalhinhas.&lt;br /&gt;                                                                   &lt;strong&gt; Prolífico e bagunçado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Heitor Villa-Lobos foi o compositor de mais de  obras. Mas não se preocupou em organizar sua produção, que até hoje carece de uma catalogação exaustiva. Eis suas peças mais importantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;CHOROS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de peças:&lt;/strong&gt; 14 Escritos nos anos 20 e inspirados em fontes populares como a seresta e o Carnaval carioca, estão entre as obras de mais difícil execução&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; em uma das poucas novidades discográficas do ano, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) acaba de lançar a integral dos choros, pela Biscoito Fino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;BACHIANAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de peças:&lt;/strong&gt; 9 Mesclando a música de Bach e o folclore brasileiro, essas são as músicas mais conhecidas de Villa-Lobos&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; há duas boas gravações integrais - ambas em discos importados: do maestro americano Kenneth Schermerhorn, com a Sinfônica de Nashville (Naxos), e do brasileiro Roberto Minczuk, com a Osesp (Bis)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;OBRAS PARA PIANO SOLO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de peças:&lt;/strong&gt; mais de 200 Embora não fosse bom pianista, Villa-Lobos criou para o instrumento música infantil, melodias folclóricas e peças virtuosísticas como Rudepoema&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; os melhores registros são dos pianistas Nelson Freire (Warner), Arthur Rubinstein (Sony/BMG) e Sonia Rubinsky (Naxos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MÚSICA DE CÂMARA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de peças:&lt;/strong&gt; mais de 20 São 17 quartetos de cordas, três trios para violino, violoncelo e piano e várias outras músicas para duetos instrumentais&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; há uma boa gravação integral dos quartetos a cargo do Quarteto Bessler-Reis (Kuarup). Também há um bom disco de duetos com Antonio Meneses e Cristina Ortiz (Independente)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SINFONIAS &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de peças&lt;/strong&gt;: 12 As primeiras têm certa inspiração romântica. As mais maduras investem em experiências com a dissonância moderna. Em geral, não estão entre as melhores produções do autor&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; a melhor é do maestro americano Carl St. Clair e a Orquestra Sinfônica de Stuttgart, pelo selo CPO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ÓPERA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de peças: &lt;/strong&gt;10 A maioria delas nunca foi encenada. Yerma, baseada em poema do espanhol García Lorca, e Magdalena foram montadas nos Estados Unidos. Em setembro, o Palácio das Artes, em Belo Horizonte, vai encenar Menina das Nuvens&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; não há&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;OBRAS PARA VIOLÃO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de obras:&lt;/strong&gt; mais de 20 São choros, serestas, estudos, concertos e prelúdios que fazem de Villa-Lobos um compositor canônico para os violonistas clássicos&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gravações:&lt;/strong&gt; as mais indicadas estão a cargo de dois especialistas - Turíbio Santos (Kuarup), diretor do Museu Villa-Lobos, e o paulista Fabio Zanon (MHS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7361059550366128671?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7361059550366128671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7361059550366128671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7361059550366128671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7361059550366128671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/notas-fora-de-lugar.html' title='Notas fora de lugar'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4918887560027995416</id><published>2009-12-11T13:35:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:37:01.666-08:00</updated><title type='text'>O milagre venezuelano</title><content type='html'>Luz Ramirez, de 11 anos, e Genesis da Silva, de 14, vivem em bairros pobres e assolados pelo crime em Caracas, a capital mais violenta da América do Sul: segundo as estatísticas oficiais, provavelmente maquiadas, há 130 assassinatos para cada 100 000 pessoas (o índice no Rio de Janeiro, por exemplo, é de 34 para cada 100 000). Luz é da favela de Antimano, e Genesis mora em Sarría, bairro onde imperam os traficantes. Ambas falam em seguir carreira na música. No subúrbio latino-americano típico, esse seria apenas um sonho irreal. Para Luz e Genesis, porém, trata-se de um plano factível. Elas são revelações de um projeto social que, há mais de trinta anos, vem arrancando jovens da pobreza com o auxílio de Bach, Beethoven e Mozart. Atendidas pelo Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela - mais conhecido simplesmente como El Sistema -, as duas garotas estão bem avançadas no aprendizado de seus instrumentos. Luz é primeiro-violino de uma orquestra do Centro Acadêmico Infantil de Montalbán. Genesis toca clarinete no Núcleo Infantil de Sarría, e seu talento despertou a atenção do clarinetista venezuelano Jorge Montilla - que, radicado nos Estados Unidos, visita seu país natal periodicamente para dar aulas a alunos que considera promissores. Criado em 1975 pelo maestro e economista José Antonio Abreu, o Sistema conta hoje com 250 000 estudantes em toda a Venezuela, 90% deles vindos de comunidades carentes. Seus objetivos são sociais - a música serve para ajudar crianças e adolescentes em situação precária -, mas o projeto também alcançou um notável sucesso artístico, formando artistas que tocam nas melhores orquestras do mundo - o celebrado maestro Gustavo Dudamel é seu mais reluzente garoto-propaganda. Na Venezuela cada vez mais caótica e autoritária de Hugo Chávez, o Sistema é uma rara instituição que merece ser copiada em outros países. "É o maior acontecimento da música clássica no mundo inteiro", já disse o maestro inglês Simon Rattle, diretor artístico da Filarmônica de Berlim. O projeto atravessou incólume sete presidências venezuelanas. O governo Chávez, para o qual é indispensável manter a popularidade nas periferias pobres, tem sido generoso com o Sistema, destinando-lhe 29 milhões de dólares anuais, que são complementados por mais 5 milhões de patrocinadores e doadores privados. Em troca, Chávez tenta usar a imagem do projeto a seu favor. Em 2007, o governo fechou a RCTV, emissora de oposição, e a substituiu temporariamente por um canal oficial. As transmissões de propaganda chavista começaram com uma gravação da Orquestra Jovem Simon Bolívar, que congrega os melhores músicos do Sistema, executando o Hino Nacional, com regência de Dudamel. "Fui xingado de chavista e velhos amigos me insultaram na rua. Mas somos financiados pelo estado. Se o estado nos pede algo, temos de aceitar", diz o advogado e violinista diletante Eduardo Mendéz, diretor executivo do Sistema. Ele garante, porém, que o Sistema não tem cor política ou ideológica: "Temos unidades em locais como Chacao, que faz oposição a Chávez". As crianças podem ingressar no Sistema já aos 2 anos de idade. Os instrumentos são emprestados a elas, com o compromisso de serem bem-cuidados. É imperativo que elas frequentem a escola e tenham boas notas. De segunda a sábado, elas estudam música das 14 às 18 horas, e ainda praticam em casa. "Toco com tanta intensidade que deixo os meus pais malucos", diz a entusiasmada Genesis. O Centro Acadêmico Infantil de Montalbán - visitado na semana passada por VEJA - é exemplar do Sistema: fica ao lado de Antimano, que, com seus casebres coloridos plantados sobre um morro, lembra uma favela carioca. Ali têm aulas 1 500 alunos, entre 2 e 16 anos. Tudo é muito limpo e conservado: não há pichações nas paredes nem papéis no chão. No pátio, ouve-se a algazarra típica da hora do recreio nas escolas, com crianças correndo e gritando. No interior do prédio, os sons são outros: em uma sala, pequenos violinistas repetem a mesma escala, até conseguirem reproduzi-la a contento do instrutor. Mais adiante, podem-se ouvir os alunos mais avançados praticando peças inteiras, como 1812, de Tchaikovsky. Esses jovens são convidados a ensinar os novos estudantes dos núcleos - e, a longo prazo, isso representa uma possibilidade de emprego: "Meu sonho é ser violinista profissional. Se isso não acontecer, serei professora", diz Luz Ramirez, aluna de Montalbán. Ao contrário do que se poderia imaginar, nem sempre os pais aprovam a educação musical gratuita oferecida a seus filhos. "Muitos nos odeiam porque gostariam de ver seus filhos trabalhando, e não tocando música clássica", diz o trompetista Rafael Elster, diretor do Núcleo de Sarría - que já foi até ameaçado por uma mãe armada de um taco de beisebol. Elster resume bem a filosofia ao mesmo tempo democrática e disciplinadora do Sistema: "Não perguntamos sobre a origem dos alunos. Não importa que os pais deles sejam presos ou criminosos. Mas não admitimos que eles descontem seus problemas nas aulas nem toleramos um linguajar chulo ou repleto de gírias".  A grande vitrine do Sistema é a Simon Bolívar, uma orquestra jovem, enérgica, que já lançou quatro belos discos pela Deutsche Grammophon, a principal gravadora do mercado de música erudita, sob regência do carismático Gustavo Dudamel, talento de 28 anos celebrado por figurões da regência como Daniel Barenboim e Claudio Abbado. Dudamel não é um aluno típico do Sistema - veio de uma família de classe média (seu pai foi trombonista de orquestras de salsa e hoje trabalha no Sistema). Em outubro, o venezuelano assume o posto de regente titular da Filarmônica de Los Angeles. Graças ao Sistema, a Venezuela está se transformando em uma grande exportadora de talentos da música erudita - como o contrabaixista Edicson Ruiz, hoje com 23 anos, e que aos 17 se tornou o músico mais jovem a entrar para a tradicionalíssima Filarmônica de Berlim. O Sistema também exporta sua valiosa experiência de ensino - realiza intercâmbios com dois projetos similares no Brasil: o Neojibá, na Bahia, e o Instituto Baccarelli, que mantém uma orquestra jovem na favela de Heliópolis, em São Paulo. Projetos de música erudita para comunidades carentes inspirados no Sistema estão sendo implantados na Escócia e em três cidades americanas - Nova York, Los Angeles e Chicago. É realmente uma fórmula que merece ser copiada. Não será exagero dizer que, em alguns casos, o Sistema salva vidas. Dez anos atrás, Lennor Acosta, 27, era um caso perdido. Criado em Carapita, um dos bairros mais violentos de Caracas, ele havia sido preso nove vezes, era usuário de crack, maconha e cocaína. Em 1999, Acosta foi enviado a Los Chorros, uma instituição para recuperação de menores. Lá, conheceu o Sistema, adotou a clarineta e hoje se divide entre as apresentações da Orquestra Jovem Simon Bolívar e a coordenação musical do Núcleo Los Chorros - que deixou de ser um reformatório para se tornar um núcleo do Sistema. "Segurar uma clarineta é melhor do que segurar uma arma", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                          &lt;strong&gt;As dimensões de El Sistema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Orçamento anual de 34 milhões de dólares - 29 milhões do governo e o restante de patrocinadores e doações privadas&lt;br /&gt;250 000 alunos atendidos por 15 000 professores&lt;br /&gt;Mantém 30 orquestras profissionais e 125 orquestras juvenis ¿ 600 alunos trabalham em uma escola que fabrica instrumentos como violoncelo e oboé&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4918887560027995416?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4918887560027995416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4918887560027995416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4918887560027995416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4918887560027995416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-milagre-venezuelano.html' title='O milagre venezuelano'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5528825601565766930</id><published>2009-12-11T13:34:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:35:24.600-08:00</updated><title type='text'>O show não pode parar</title><content type='html'>Desde sua morte, no último dia 25, o cantor Michael Jackson recobrou rapidamente a condição de ídolo. Fãs de todo o mundo buscam seus discos com avidez e o celebram como grande artista. Em meio às homenagens, a família destoa. A figura mais deplorável é o pai de Michael, Joseph Jackson. Ele tem dito que o filho ficaria "orgulhoso" com a comoção dos fãs - comoção que ele próprio, todo sorrisos nas aparições públicas, é incapaz de demonstrar. Joseph anunciou a criação de uma gravadora, a Ranch Records, pela qual lançará novos nomes da música negra. Resta saber quem gostaria de gravar com o carrasco que, nos anos 60 e 70, conduzia os ensaios dos filhos - a banda Jackson Five - com o cinto na mão. Compungida em público, a mãe do cantor, Katherine Jackson, parece ser bastante pragmática em privado. Um dia depois da morte de Jackson, ela teria ligado para a ex-babá dos filhos do cantor, Grace Rwaramba, perguntando onde o filho "escondia dinheiro". E assim, com a colaboração decisiva de amigos e parentes - e da imprensa sensacionalista -, o lado perturbado e perturbador da vida do cantor de Thriller continua em pauta. Na semana passada, veio à tona que Michael Jackson deixou um testamento, redigido em 2002. O documento aponta a mãe do cantor como guardiã de seus três filhos, Prince Michael e Paris Katherine, nascidos da união com a enfermeira Debbie Rowe, e Prince Michael II, cuja mãe nunca teve a identidade revelada. No caso de Katherine morrer, a responsabilidade será entregue à cantora Diana Ross, amiga íntima do cantor. Debbie Rowe, porém, vem ameaçando lutar pela guarda de seus dois filhos (seu advogado disse à imprensa que ela ainda não decidira que ação tomar). Essa devotada senhora já declarou que Michael não era pai biológico das crianças. Suspeita-se que ela tampouco seja a mãe de fato - teria apenas servido de barriga de aluguel. A origem dos filhos é o tópico que mais tem provocado especulações bizarras (se bem que, em se tratando de Michael Jackson, a teoria maluca às vezes é a mais plausível). Alguns tabloides afirmaram que o dermatologista Arnold Klein, suspeito de fornecer medicamentos perigosos a Michael, é o verdadeiro pai. Mesmo que não peça a guarda dos filhos, Debbie Rowe deve contestar outro ponto do testamento: a divisão dos bens, na qual ela não está contemplada. A partilha está estabelecida nos seguintes termos: a mãe do cantor fica com 40%; outros 40% vão para os filhos, e os 20% restantes são doados a instituições de caridade. Michael, como se vê, excluiu o pai tirano do testamento - mas preservou a mãe, a quem sempre foi mais ligado, talvez até pelo sofrimento: ela também apanhava de Joseph. Estimativas apontam que Michael teria acumulado uma dívida de 500 milhões de dólares, enquanto seus bens somariam 567 milhões. A maior fonte de renda do cantor são os royalties das vendas de seus discos e os direitos sobre 251 canções dos Beatles, cujos lucros são divididos com a editora Sony/ATV. Suspeita-se, porém, que Michael tenha dado os direitos das canções como garantia para abater suas dívidas, o que comprometeria parte da herança. É certo que Katherine e os netos não ficarão desprovidos: os discos de Michael, afinal, voltaram às paradas, e centenas de milhares de cópias estão sendo vendidas por semana. O resultado da autópsia do cantor só será conhecido em cerca de um mês. É bem provável que o uso indiscriminado de remédios tenha precipitado a parada cardíaca que possivelmente o matou. Na sexta-feira passada, o site de fofocas TMZ (veja o quadro), que tem mantido a dianteira na revelação de fatos sobre o cantor, anunciava que Michael era viciado em anestésicos. De acordo com o site, ele corria às clínicas de cirurgia cosmética de Los Angeles para ganhar injeções de Botox e colágeno - e exigia anestesia, embora esta não seja necessária nesses procedimentos. A lista de medicamentos supostamente tomados pelo artista todos os dias (veja o quadro) é impressionante. Uma ex-enfermeira de Michael, Cherilyn Lee, declarou que, cinco dias antes de sua morte, o cantor implorou a ela, chorando, que lhe aplicasse uma injeção de Diprivan, anestésico forte usado em cirurgias. Nas buscas que fez na casa de Michael Jackson, a polícia de Los Angeles encontrou Diprivan e lidocaína - e o DEA (departamento antidrogas) foi convocado para tratar do caso. Com tantas revelações escabrosas, o caviloso cardiologista Conrad Murray - que andou sumido nos primeiros dias depois da morte de seu paciente célebre - não é mais o centro das atenções dos tabloides. Havia suspeitas de que Murray teria dado uma injeção de demerol em Michael, provocando o ataque cardíaco. Ele negou tudo em depoimento à polícia.  A dependência de Michael em relação a remédios seria tão acentuada que até a AEG, a agência que promoveria, nos próximos meses, cinquenta shows dele em Londres, teria contratado um seguro contra overdose. Ou, pelo menos, é o que um porta-voz da empresa disse: uma fonte da seguradora colocou em dúvida essa informação. Os fatos em torno de Michael Jackson parecem esfumaçados ou exagerados. A AEG, pelo menos, providenciou um momento de clareza na semana passada: divulgou um trecho, em vídeo, dos ensaios para os shows. Dois dias antes de morrer, lá está Michael Jackson, dançando e cantando - "impecável", segundo os produtores da AEG, que devem lançar um CD e um DVD neste ano. O ginásio Staples Center, local dos ensaios, em Los Angeles, deverá abrigar o último encontro do astro com as multidões: 11 000 bilhetes serão distribuídos para que os fãs assistam a uma homenagem póstuma, na terça-feira (não se confirmou se o corpo estará lá). Até sexta-feira passada, a família ainda não decidira onde Michael Jackson seria enterrado (parece certo que não será em Neverland, como ele queria). Não se sabe, portanto, onde ele vai finalmente descansar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5528825601565766930?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5528825601565766930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5528825601565766930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5528825601565766930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5528825601565766930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-show-nao-pode-parar.html' title='O show não pode parar'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7377337423325249321</id><published>2009-12-11T13:30:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:34:44.633-08:00</updated><title type='text'>Michael Jackson: Uma lenda envolta em mistério, dentro de um enigma</title><content type='html'>A música popular americana deu origem a três ídolos incontestáveis no século passado. Frank Sinatra foi... Frank Sinatra. Elvis Presley foi a cintura e o topete do rock. Michael Jackson, o terceiro, inventou a música pop - e não há exagero nessa afirmação. Ele derrubou uma das últimas barreiras que restavam entre brancos e negros nos Estados Unidos, desde o movimento dos direitos civis nos anos 60. Em vez de música para brancos e música para negros, agora havia sua fusão revolucionária de duas tradições. Jackson elevou formas de dança das ruas à categoria de arte. Assombrou com seu estilo extravagante de se vestir, que definia, afinal, o que é um ícone pop: alguém que vive em um mundo em que as únicas regras a seguir são as próprias regras. Vendeu 750 milhões de discos, 100 milhões deles de Thriller, o álbum de maior sucesso da história da discografia mundial. Na quinta-feira passada, Michael Jackson morreu, aos 50 anos, depois que seu médico e os paramédicos de Los Angeles falharam em ressuscitá-lo de uma parada cardíaca. Estava longe dos palcos havia anos. Era visto como a personificação das deformações que a fama é capaz de imprimir, até mesmo fisicamente, em quem vive dela. Numa paráfrase da frase célebre de Winston Churchill, Jackson continuará sendo uma lenda envolta em mistério, dentro de um enigma. No momento de sua morte, contudo, voltou a ser o que foi na maior parte da vida: um ícone. O cantor foi socorrido na mansão alugada onde vivia em Los Angeles por volta das 12h20 da quinta-feira. Jackson havia recebido os primeiros cuidados de seu médico particular, Conrad Murray (figura que logo se tornou uma incógnita: ele teve seu carro apreendido pela polícia, que queria interrogá-lo mas não o encontrava; em seguida, veio à tona que onze dias atrás o médico havia anunciado seu desligamento da profissão). Paramédicos o encontraram sem respiração e sem pulso. Levaram-no, em estado de coma, para o hospital da Universidade da Califórnia, a poucas quadras. Mal haviam chegado e a notícia de sua morte iminente - finalmente declarada às 14h26 - já causava comoção global. O tráfego do serviço de microblogs Twitter dobrou. O Google entrou em pane, tantas as buscas. O serviço de mensagens instantâneas da AOL também sofreu um colapso nos Estados Unidos. O iTunes e a Amazon, as maiores lojas virtuais de música do mundo, registraram um aumento extraordinário nas vendas de discos e canções de Jackson. No caso da Amazon, o volume de vendas cresceu incríveis 700 vezes.  A causa exata da morte só deverá ser conhecida em quatro a seis semanas, quando serão divulgados os resultados de sua autópsia. Mas informações vindas de parentes e amigos do cantor sugerem que Jackson vinha abusando de analgésicos potentes. Segundo aventou na sexta-feira o canal de fofocas TMZ, entre eles estaria o demerol, um opiáceo sintético de ação similar à da morfina. Jackson teria tomado uma injeção poucas horas antes da parada cardíaca. Na classe dos opiáceos, só a heroína causa mais dependência que a meperidina, como é chamado o princípio ativo do demerol. Nas primeiras doses, o efeito dura de seis a oito horas. "Se ele for consumido todos os dias, bastam duas semanas para o efeito do medicamento durar a metade disso", diz Irimar de Paula Posso, anestesiologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. A parada respiratória ocorre porque o medicamento diminui a sensibilidade das células do sistema nervoso central que regulam a respiração - a qual vai diminuindo, até causar sonolência. A falta de oxigênio, então, pode culminar em colapso do coração. O cantor começou a usar remédios para a dor em meados dos anos 80. Desde então, teria se tornado dependente deles. Nos últimos tempos, Jackson os estaria tomando em razão de uma lesão numa vértebra e de dores nas pernas produzidas pelo excesso de ensaios: depois de vários anos sem fazer shows e da longa reclusão que se impôs desde que foi absolvido da acusação de abuso sexual de um garoto, em 2005, o cantor estava prestes a retornar ao palco. No próximo dia 13, daria início a uma temporada de cinquenta apresentações em Londres. No início da década de 80, momento de explosão de Jackson, nem nos confins do planeta se encontraria um adolescente que não tivesse se arriscado a imitar o quase impossível moonwalk, a dança que ele inventou ao fundir a suavidade dos passos de Fred Astaire à agressividade dos dançarinos de break, ou suas coreografias sensacionais, profundamente estilizadas - como aquela mão na virilha que era, ao mesmo tempo, erótica e uma paródia do erotismo. Hoje, não se encontra em lugar nenhum artista pop que não dance no palco à maneira de Jackson: como uma declaração criativa que avança por territórios e sentidos aos quais a letra e a melodia não chegam. Mas essa foi apenas uma das revoluções de Jackson.  As imagens de Thriller, catorze minutos que sempre pareciam curtos demais, cravaram o videoclipe como a forma essencial de veicular uma música e ajudaram a tornar a MTV uma força decisiva entre o público jovem. E o público jovem (com a ajuda decisiva de Walter Yetnikoff, então presidente da CBS, que ameaçou tirar todos os artistas da companhia da MTV caso ela não exibisse Thriller) obrigou a emissora, que antes torcia o nariz para artistas de música negra, a abrir sua programação para eles. Hoje, o rap e o rhythm¿n¿blues (R&amp;amp;B) são os estilos hegemônicos na emissora.  Jackson desenhou ainda o mapa de comportamento do ícone pop para as décadas seguintes: o artista inacessível que, com suas esquisitices e demandas, causa frenesi entre os paparazzi, aumenta a circulação dos tabloides e leva seus assessores e contratantes à loucura. Pop star que se preze, hoje - e a lista vai de astros "normais" como Madonna, Justin Timberlake e Mary J. Blige a "excêntricos" do quilate de Mariah Carey e Britney Spears -, reza pela cartilha escrita por Jackson. Em uma reflexão que só pode ser feita a posteriori, Jackson foi ainda um exemplo definitivo do soft power, ou a tração que um país exerce por meio de conceitos e ideias. Na primeira parte da década de 80, a economia americana estava às voltas com um dado novo e desconcertante: a ascensão esmagadora do Japão como potência industrial - e dono de uma indústria não mais imitadora, como antes, mas criadora. A Sony japonesa lançou, nesse período, um ícone cultural tão poderoso quanto o próprio Thriller: o walkman, acessório que inaugurou a era da portabilidade da música. Mas os Estados Unidos, se não inventaram o aparelho, tinham a música que se ouvia nele - a de Michael Jackson. E aí, claro, está a questão crucial para entender Jackson ou qualquer outro artista capaz de alcançar a longevidade na carreira: a música, o epicentro do qual irradiam todos esses tremores culturais e comportamentais. Em razão do aparato industrial e mercadológico que cerca os pop stars, é comum que se pinte com tintas ideológicas a sua existência, acusando-os de serem fabricações. Alguns o são. Outros trazem para o cenário artístico um talento verdadeiro e uma capacidade real de inovação. Descartar Madonna ou Justin Timberlake como "produtos" é só uma forma de não compreendê-los, nem ao mundo em que vivemos; categorizar Jackson como uma fabricação seria um equívoco ainda mais completo. Ele de fato criou o pop. Até a década de 70, a música jovem se dividia em dois nichos distintos. Havia o rock e suas variações, consumidos principalmente por adolescentes brancos e de classe média. E havia a música negra - soul, funk, disco, rhythm¿n¿blues -, que era ouvida por negros. Jackson quebrou essa barreira em discos como Off the Wall, de 1979, e Thriller, de 1982, e borrou para sempre a linha que separava os dois universos. Nesses discos, o cantor talhou as linhas de baixo e bateria na medida para as pistas de dança; mas associou-as à vibração característica do rock¿n¿roll. Até mesmo as origens de um fenômeno social notável entre os jovens americanos, o dos adolescentes brancos que querem falar, dançar e agir como negros, podem ser traçadas diretamente à sua influência. Descontado Stevie Wonder, que lançou o primeiro disco aos 12 anos, mas cujo apelo nunca residiu no magnetismo ou na dança, Michael Jackson foi o primeiro grande ídolo mirim da música. Nascido em 29 de agosto de 1958 em Gary, no estado de Indiana, desde cedo ele mostrou talento para o canto e a dança. Seu pai, Joseph, que havia tentado a carreira num grupo de rhythm¿n¿blues, percebeu logo o talento de Michael, bem como de seus outros filhos. Transformou-os no Jackson Five, que ensaiava exaustivamente. Em 1968, o grupo foi contratado pela gravadora Motown, a referência mítica da música negra. A audição do Jackson Five para Berry Gordy Jr., fundador e presidente da Motown, deixa claro que a estrela ali era Michael. No vídeo remanescente do teste, ele canta I Got the Feelin¿, de James Brown, e encarna todos os trejeitos do astro do funk - mas com graça própria.  Ao se lançar como artista-solo, em 1971, Jackson já havia aprendido muito sobre composição e produção musical. Teve a sagacidade de, pouco depois, aliar-se ao produtor Quincy Jones, que havia feito carreira no mundo do jazz. Eles colaboraram nos álbuns Off the Wall, Thriller e Bad. Jackson não era ainda o recluso das últimas décadas, mas um artista curioso e vivo. Muitos dos ritmos presentes nesses trabalhos nasceram de suas idas às discotecas, e suas letras vinham repletas das angústias de um rapaz da sua idade. Até 1996, ano em que foi ao Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, e ao Pelourinho, em Salvador, para gravar o clipe de They Don¿t Care about Us, Jackson ainda vivia no mundo real. Cada vez mais, porém, ia sendo dominado pelo lado obscuramente infantilizado de sua personalidade, que o levaria, a certa altura, a se isolar em sua bizarra propriedade de Neverland - ou Terra do Nunca, em referência ao lugar em que vivia Peter Pan, o garoto que não queria crescer. Esse Jackson aberrante e patético encobriu o totem da revolução pop. Mas, com a sua morte, ele renasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                              &lt;strong&gt;Por que ele foi grande&lt;br /&gt; MÚSICA&lt;/strong&gt; Com ele, a música negra tornou-se a força dominante no pop. O artista mais bem-sucedido de hoje - Justin Timberlake, um branco - ainda bebe de sua fonte&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; MODA E ESTILO&lt;/strong&gt; Seu visual foi moda nos anos 80. Depois disso, o que sobressaiu foi sua excentricidade. Mas os brilhantes e o ouro de suas luvas e casacos tornaram-se parte do vocabulário da alta-costura - até mesmo em desfiles deste ano, de grifes como Louis Vuitton&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; DANÇA&lt;/strong&gt; Depois de Michael Jackson, ser um bom dançarino tornou-se imperativo para qualquer astro masculino da música pop. Inspirando-se no break, uma dança de rua, ele inventou seu próprio estilo no começo dos anos 80 - o moonwalk. O uso que Jackson fez de mocassins pretos com meias brancas - em tese, um pecado fashion - era uma homenagem ao uniforme dos bailarinos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         &lt;strong&gt;Os altos e baixos de Michael (em número de cópias vendidas)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;BEN (1972) &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;20 milhões&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo disco do cantor, ficou marcado pela música-título - a primeira de sua carreira-solo a alcançar o topo nas paradas americanas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; OFF THE WALL (1979) 1 milhão &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É o momento em que ele se descola dos irmãos e da imagem de artista juvenil. Em sintonia com os tempos da discoteca, é um álbum adulto e dançante&lt;strong&gt;  &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;THRILLER (1982) 100 MILHÕES &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É o auge de Michael. Com hits como Billie Jean e Beat It - além, claro, da faixa título -, o albúm deu início à "Jacksonmania": todos queriam dançar e se vestir como ele&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; BAD - 1987 - 30 milhões&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Coincide com os primeiros sinais de plásticas e descoloração da pele. A partir de seu lançamento, as pessoas começam a prestar mais atenção no personagem Michael que em sua música&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;DANGEROUS (1991) 32 milhões&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Apesar de saudado como "rei do pop", ele tem dificuldade em acompanhar as novas tendências da música negra, trazidas pelo rap e pelo hip hop &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; INVINCIBLE (2001) 10 milhões&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Com custo de 30 milhões de dólares, foi o disco mais caro produzido até então. Levou seis anos para ficar pronto - e foi uma decepção &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; HIStory: PAST, PRESENT AND FUTURE (1995) 20 milhões&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; A coletânea é uma tentativa desesperada do cantor de demonstrar que ainda tem alguma relevância musical. Imerso em esquisitices, manda espalhar estátuas suas pelos quatro cantos do mundo&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7377337423325249321?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7377337423325249321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7377337423325249321' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7377337423325249321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7377337423325249321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/michael-jackson-uma-lenda-envolta-em.html' title='Michael Jackson: Uma lenda envolta em mistério, dentro de um enigma'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7706714295685335805</id><published>2009-12-11T13:26:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:30:06.042-08:00</updated><title type='text'>A pré-história dos teens</title><content type='html'>Frank Sinatra costuma ser lembrado como o senhor de voz impecável e olhos azuis que fez gravações definitivas de My Way e Strangers in the Night - standards que dificilmente se encontram no iPod da garotada. Nos anos 40, porém, o jovem Sinatra foi um ídolo adolescente no molde dos Jonas Brothers. Arrancava gritos histéricos das fãs (as mais ousadas até jogavam calcinhas no palco). Sua ascensão ao estrelato ocupa o capítulo final de A Criação da Juventude (tradução de Talita M. Rodrigues; Rocco; 560 páginas; 84 reais), do crítico inglês Jon Savage. Na visão do autor, Sinatra e suas plateias de garotos eram a síntese exata de um novo espírito americano, hedonista e autoconfiante, que emergia da vitória na II Guerra Mundial. Mais importante, o sucesso do cantor consolidaria a ideia de uma cultura especificamente jovem, que nas décadas seguintes - a era do rock e do pop - seria o motor da indústria do entretenimento. A gestação desses valores juvenis foi longa e acidentada, como o livro de Savage demonstra exemplarmente. Contrariando o lugar-comum que atribui ao rock dos anos 50 e 60 a primazia das revoltas juvenis, o crítico desvela uma tradição esquecida de movimentos sociais, políticos e artísticos que no século XX levantaram, para o bem e para o mal, a bandeira da rebeldia.  Hoje com 55 anos, Savage é autor de uma história do grupo Sex Pistols - England¿s Dreaming, de 1991, obra definitiva sobre o movimento punk na Inglaterra. A Criação da Juventude é um livro mais ambicioso, mas tem lacunas sérias: a crítica cultural Camille Paglia, em uma resenha no jornal The New York Times, observou que o repertório literário de Savage é meio frouxo. O movimento romântico, pioneiro na valorização da angústia juvenil, aparece muito de passagem no seu livro. É na cultura popular que Savage está em casa. Seu ensaio histórico traz retratos vigorosos das tribos urbanas formadas pelos jovens a partir do século XIX. "Para a minha surpresa, muitos desses grupos tinham ideais e comportamentos semelhantes aos dos punks", disse Savage a VEJA. O cinismo anárquico dos punks já aparecia quase um século antes entre gangues nas periferias das grandes cidades. Tal foi o caso dos delinquentes juvenis que, na Paris do fim do século XIX e início do XX, ficariam conhecidos como "apaches" (o nome surgiu de um artigo no Le Matin, forçando uma analogia com os nativos "selvagens" dos Estados Unidos). Dedicados às brigas de rua e aos pequenos furtos, os Apaches também davam importância ao estilo de suas roupas e danças. Essa afirmação da identidade através da vestimenta seria comum a todas as tribos juvenis.  A necessidade de pertencimento a um grupo, tão própria da psicologia adolescente, seria manipulada politicamente pelos movimentos fascistas da primeira metade do século XX. A Juventude Hitlerista, con-jugando fervor racista e truculência hormonal, teve papel importante na ascensão do nazismo. "Os filhos dos meus adversários me pertencem", disse Adolf Hitler, em uma de suas longas perorações ao povo alemão. O contraponto aos nazistas mirins eram os swing kids, garotos alemães que adoravam música americana e arriscavam-se a ouvir jazz e programas da rádio inglesa BBC, o que era proibido pelo regime nazista. Minoritários na Alemanha, os fãs do swing eram multidão nos Estados Unidos, onde o gênero musical começou a romper, já nos anos 30, as barreiras da segregação racial. Jovens brancos rendiam-se a um ritmo negro (ainda que interpretado por band leaders brancos, como Tommy Dorsey e Glenn Miller). E em alguns bailes até se viam brancos e negros dançando juntos.  O sucesso do swing foi decisivo para que a indústria do entretenimento despertasse de vez para o potencial da juventude como público consumidor. Nos anos 40, são lançadas as primeiras revistas dedicadas exclusivamente ao leitor jovem. Na mesma época, consagra-se a palavra teenager para definir o período que vai dos 13 ou 14 até os 19 anos. O vocábulo faz sua primeira aparição na imprensa em uma espécie de manifesto publicado em 1945 pelo New York Times - uma "Carta dos Direitos dos Adolescentes". Depois viriam os beats, os hippies, os punks, os metaleiros - mas isso já extrapola os limites do livro, que se encerra em 1945, com as bombas atômicas sobre o Japão e o som de Frank Sinatra. O final de A Criação da Juventude peca pela reprovação moralista ao "consumismo" da cultura jovem - pendor que Savage confirmou na entrevista: "A rebeldia adolescente foi banalizada pela indústria", disse. Esse purismo mal-humorado ganha mais graça quando se volta contra os quarentões que ganham a vida fazendo pose de adolescente. Savage tem ódio visceral pela obra de Nick Hornby, o escritor pop de Alta Fidelidade. "É um autor mediano, que inventou um personagem que existe apenas na sua imaginação - o tiozinho que vive como se fosse um adolescente", ataca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                          Alguns dos movimentos - ideológicos, sociais, artísticos - que congregaram os jovens no último século&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APACHES Virada do século XIX para o XX &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem eram:&lt;/strong&gt; delinquentes juvenis dos subúrbios de Paris&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que queriam: &lt;/strong&gt;foram definidos como anarquistas, mas não tinham programa político - viviam de pequenos furtos e adoravam a vida parisiense&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se vestiam:&lt;/strong&gt; paletós pretos, camisas coloridas e calças de feltro com bolsos largos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JUVENTUDE HITLERISTA Décadas de 30 e 40&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem era&lt;/strong&gt;: a ala adolescente do partido nazista&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que queria:&lt;/strong&gt; propagar o antissemitismo, recrutar novos adeptos e reprimir violentamente os opositores&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se vestia:&lt;/strong&gt; roupa militar - camisa marrom, braçadeira com a suástica, calção preto, sapatos pretos e boné&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWINGERS Décadas de 30 e 40 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem eram:&lt;/strong&gt; grupos de adolescentes americanos que dançavam ao som de big bands como as de Benny Goodman&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que queriam:&lt;/strong&gt; dançar, dançar, dançar, não importava com quem: o swing foi dos primeiros movimentos musicais americanos a integrar brancos e negros&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se vestiam:&lt;/strong&gt; os homens usavam calças largas, paletós compridos, correntes penduradas no cinto e chapéus de abas reviradas. As meninas trajavam blusas, suéteres, sapatos sem salto, soquetes e vestidos pregueados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BEATS Décadas de 50 e 60 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem eram:&lt;/strong&gt; jovens intelectuais americanos - como Allen Ginsberg e Jack Kerouac - desiludidos com o período pós-guerra, que se entregaram ao jazz, ao sexo e ao consumo de drogas&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que queriam:&lt;/strong&gt; contestar o establishment com recitais de poesia&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se vestiam:&lt;/strong&gt; camisas sem gravata, boinas e eventuais óculos escuros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PUNKS Década de 70 &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem eram:&lt;/strong&gt; jovens de Londres, que tiveram o azar de crescer em meio a uma das piores crises econômicas da Inglaterra. Era um movimento plural: reunia adolescentes do subúrbio e jovens de classe média alta&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que queriam:&lt;/strong&gt; o movimento tinha certo viés anarquista&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se vestiam:&lt;/strong&gt; roupas de couro, alfinetes pregados no rosto, cabelos tingidos de cores extravagantes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7706714295685335805?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7706714295685335805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7706714295685335805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7706714295685335805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7706714295685335805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/pre-historia-dos-teens.html' title='A pré-história dos teens'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4681284690503442030</id><published>2009-12-11T13:23:00.002-08:00</published><updated>2009-12-11T13:25:58.434-08:00</updated><title type='text'>A geopolítica do pop</title><content type='html'>A fama internacional da cantora inglesa de ascendência singalesa M.I.A. se deve ao seu mix festeiro de reggae, música eletrônica e até funk carioca, mas trouxe também um curioso efeito colateral: jovens que de outro modo jamais prestariam atenção às perturbações políticas do obscuro Sri Lanka subitamente tomaram conhecimento das reivindicações da duplamente obscura etnia tâmil por uma nação independente. M.I.A. é filha de um líder dos Tigres da Libertação, violenta organização terrorista que há 26 anos instiga a guerra civil naquele país (e que teria sido finalmente esmagada no mês passado, segundo o governo do Sri Lanka). O apoio de M.I.A. à causa do pai - com quem há muito não tem contato, pois ela voltou ainda criança para a Inglaterra - se dá de forma sutil, como o tigre que rosna no vídeo da canção Bird Flu. Mas isso basta para fazer a informação circular entre ouvintes e fãs. E o caso de M.I.A. não é único. Aberto a artistas de todas as partes do mundo, o pop às vezes chama atenção para conflitos renhidos, mesmo quando as letras não trazem nem sombra de discurseira política ou espírito "engajado". Uma demonstração disso está no mapa que ilustra esta reportagem.  O aspecto, digamos, geopolítico do pop emerge com frequência da biografia de músicos apanhados pelas tempestades da história. É o caso do jazzista Ray Lema, que fez shows no Brasil há duas semanas. Em 1979, o compositor congolês escrevia uma ópera sobre a África quando recebeu uma proposta que classificou de indecorosa. O governo "pedia" que a peça fosse convertida em uma ode ao ditador Mobutu Sese Seko, que governou o Zaire (hoje República Democrática do Congo) entre 1965 e 1997. Lema não topou. "Nunca aceitei dinheiro para louvar os feitos dos governantes", disse a VEJA. A recusa custou caro: o músico foi demitido do cargo de diretor artístico do Balé Nacional do Zaire, seus bens foram confiscados e ele foi proibido de fazer shows por cinco anos. Mas não esperou pelo fim do degredo artístico: aproveitou uma turnê pelos Estados Unidos para se despedir em definitivo da terra natal. "Havia recebido uma licença para ficar três meses fora do país. Estou longe de casa há trinta anos", diz o músico, hoje radicado em Paris. Na Geórgia, o grupo pop Stephane &amp;amp; 3G marcou seu protesto contra a invasão do país pela Rússia, em agosto de 2008, sem fazer propriamente uma canção de protesto. A banda foi proibida de participar do Eurovision, tradicional concurso musical europeu (que neste ano calhou de ser apresentado em Moscou), porque o regulamento proíbe letras de conteúdo político. A crítica estava disfarçada em um trocadilho da música, cantada em inglês: a frase We Don¿t Wanna Put In pode ser interpretada como Não Queremos Putin, ou seja, como ataque direto a Vladimir Putin, o todo-poderoso ex-presidente da Rússia. A banda punk cubana Porno Para Ricardo é igualmente bem-humorada, mas mais explícita, em suas estocadas contra a tirania dos irmãos Fidel e Raúl Castro. Seu maior sucesso, El Comandante, também se vale de um trocadilho para satirizar a decrepitude de Fidel: no modo como é berrado pelo guitarrista Gorki Águila, o título revolucionário "Comandante" se desdobra em "Coma Andante". A polícia comunista retaliou: Gorki foi preso em 2008, acusado de "periculosidade social". Acabou liberado, por pressão internacional - mas os shows de sua banda em Havana são eventos clandestinos. "O regime cubano não tolera nenhuma manifestação artística que contrarie sua ideologia. E não aceita o rock, música típica dos Estados Unidos", diz Gorki. A mesma desconfiança de um governo totalitário em relação às origens americanas do rock assombrou a carreira do Acrassicauda, banda que cometeu a temeridade de fazer thrash metal - vertente mais rápida e pesada do heavy metal - no Iraque de Saddam Hussein. O trio começou suas atividades em 2001, em Bagdá, mas nos dois anos seguintes só conseguiu fazer três apresentações. A invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003, não foi exatamente auspiciosa para a banda: o único lugar que tinha para ensaiar acabou bombardeado. O grupo migrou para Istambul, na Turquia, e virou tema do documentário Heavy Metal em Bagdá, exibido em 2007. Mais recentemente, mudou-se para os Estados Unidos - onde está finalmente gravando seu primeiro disco. Na vizinha Síria, o grupo instrumental Hewar vem fazendo sua mistura de ritmos árabes e orientais sem ser incomodado pela ditadura. O nome do conjunto quer dizer "diálogo", palavra que resume sua proposta generosa (e ingênua) para as tensões do Oriente Médio. Não por acaso, Kinan Azmeh, clarinetista do Hewar, também participa da Orquestra West-Eastern Divan, regida pelo israelense-argentino Daniel Barenboim, que integra músicos árabes e judeus. "O diálogo é a melhor saída para esses dois povos", entoa Azmeh. Viajar com o suspeito passaporte sírio tem trazido problemas para o músico, que é detido e interrogado nos aeroportos dos Estados Unidos sempre que desembarca para shows no país. O incômodo até virou tema de uma canção, Airports. Mais dramática é a situação de Souad Massi, pop star da Argélia que foi amea-çada pelos fundamentalistas islâmicos apenas porque ousava cantar música romântica e se mostrar como uma mulher independente. Em 1999, ela emigrou para Paris. "Meu país agora é o palco", declarou. Treze anos antes, o cantor de rai (uma espécie de blues argelino) Cheb Khaled também tomou o caminho da França. Fugiu da Argélia depois que seu produtor e outros artistas de rai foram assassinados por grupos fanáticos. A experiência do exílio, como se vê, é comum no colorido mundo do pop. Ray Lema guarda a esperança do retorno. Depois de trinta anos sem pisar no país natal, pretende voltar ao Congo no ano que vem. Mas tomou suas precauções: recrutou um grupo de jornalistas para acompanhá-lo nessa cruzada. "No meu país, quem fica parado vira comida de leão. Eu aprendi como não ser comido", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               &lt;strong&gt;Os músicos envolvidos em conflitos em todo o mundo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ARGÉLIA - Fundamentalismo  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O país vive acossado pelo fundamentalismo islâmico. O cantor Cheb Khaled e a cantora Souad Massi exilaram-se para escapar às ameaças dos fanáticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SÍRIA - Conflitos internacionais&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;O grupo Hewar vem propondo um diálogo musical entre sírios e israelenses, o que não é bem-visto pelo governo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;GEÓRGIA - Conflitos internacionais&lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;A banda pop Stephane &amp;amp; 3G faz músicas contra a intervenção russa no país - e contra Putin, o primeiro-ministro da Rússia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CUBA - Perseguição por ditadura&lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;O grupo de punk rock Porno Para Ricardo faz músicas irreverentes contra a ditadura de Fidel Castro&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; IRAQUE - Conflitos internacionais&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; O grupo de heavy metal Acrassicauda foi opositor do governo de Saddam Hussein. Hoje está estabelecido nos Estados Unidos  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;REP. DEM. DO CONGO - Perseguição por ditadura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O cantor e compositor Ray Lema fugiu do país (então ainda chamado de Zaire) em 1979, por se recusar a compor uma ópera para o ditador Mobutu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SRI LANKA - Conflitos étnicos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O grupo terrorista Tigres da Libertação reivindica a criação de um estado próprio para sua etnia. A cantora M.I.A. é filha de um dos líderes do grupo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4681284690503442030?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4681284690503442030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4681284690503442030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4681284690503442030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4681284690503442030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/geopolitica-do-pop.html' title='A geopolítica do pop'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-9204383791085894981</id><published>2009-12-11T13:23:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:23:39.901-08:00</updated><title type='text'>A lenda do roqueiro louco</title><content type='html'>No dia 31 de dezembro de 1981, o músico Arnaldo Baptista jogou-se de uma janela do hospital psiquiá-trico onde fora internado para tratar de problemas decorrentes do uso de alucinógenos. Feriu-se gravemente - chegou até a perder massa encefálica -, mas sobreviveu. Recuperado, isolou-se com a mulher em uma fazenda em Juiz de Fora, Minas Gerais, e converteu-se em pintor diletante. Só em 2004, depois de mais de vinte anos afastado dos estúdios, lançou o disco Let It Bed. Dois anos depois, juntou-se ao irmão guitarrista Sérgio Dias e ao baterista Dinho Leme para ressuscitar a banda que, no fim dos anos 60, o tornou uma figura legendária no rock brasileiro: os Mutantes (a cantora Rita Lee, que integrou a formação original do grupo, foi substituída por Zélia Duncan). Os shows da banda na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil contribuíram para alimentar o culto aos Mutantes - e em particular a Arnaldo, considerado o motor criativo da banda. Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, o documentário Loki - Arnaldo Baptista (Brasil, 2009), que estreia nesta sexta-feira, reforça esse culto, mas também traça um belo retrato do roqueiro paulistano.  Hoje com 60 anos, Arnaldo nasceu numa família de músicos - seu pai era cantor lírico e a mãe, pianista. Ao lado do irmão Sérgio e da primeira namorada (mais tarde primeira mulher), Rita Lee, criou os Mutantes em 1966. O trio promoveu uma mistura original de rock psicodélico e música brasileira, mas Rita Lee deixou o grupo (e o casamento) em 1972. O rompimento parece ter sido traumático para Arnaldo. Abalou seu estado mental, já conturbado pelo consumo de LSD. Em um dos depoimentos do filme, o artista plástico Antonio Peticov, amigo e empresário dos Mutantes, conta que certa vez Arnaldo o convidou para ser o capitão da nave espacial que estaria construindo. O documentário perde ímpeto quando mostra os shows dos Mutantes em 2006. Mas, antes disso, Loki traz maravilhosas cenas de arquivo, com entrevistas e shows dos Mutantes originais e cenas raras da Patrulha do Espaço, banda que Arnaldo montou nos anos 70. O filme investe na lenda de Arnaldo como "louco genial" - mas o que se vê de fato na tela é um músico talentoso, prejudicado pela loucura quimicamente induzida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-9204383791085894981?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/9204383791085894981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=9204383791085894981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/9204383791085894981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/9204383791085894981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/lenda-do-roqueiro-louco.html' title='A lenda do roqueiro louco'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5665498114525211230</id><published>2009-12-11T13:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:23:15.718-08:00</updated><title type='text'>O homem que calculava</title><content type='html'>Em 1975, Renato Manfredini Jr., então com 15 anos, foi diagnosticado com uma condição que o imobilizaria na cama pelos dois anos seguintes. Sofria de epifisiólise - um desgaste dos ossos e cartilagens que faz a cabeça do fêmur se descolar da bacia. Nesse período de sofrimento e tédio, dedicou-se a criar uma banda de rock imaginária, a 42nd Street Band, na qual assumiria a persona do baixista e vocalista Eric Russell. Encheu cadernos e cadernos - em inglês - com a história da banda. Aos 19, já recuperado, o jovem dava os primeiros passos para realizar os projetos que esmiuçara nos seus rascunhos, como cantor e baixista do grupo punk Aborto Elétrico. Já adotara então o nome artístico com o qual ficaria conhecido: Renato Russo. Em 1985, ao lado do baterista Marcelo Bonfá, do guitarrista Dado Villa-Lobos e do baixista Renato Rocha, ele lançou o primeiro disco do Legião Urbana. Foi como letrista e vocalista dessa banda que Renato Russo se tornou o maior nome da história do rock brasileiro. Os treze discos do grupo e os quatro álbuns-solo do cantor somam 14 milhões de cópias vendidas - 300 000 unidades só no ano passado. Essa história de obstinação é narrada no saboroso Renato Russo: o Filho da Revolução (Agir; 416 páginas; 59,90 reais), do jornalista Carlos Marcelo, 39 anos, editor executivo do jornal Correio Braziliense. O livro não pretende ser uma biografia completa e abrangente. É antes um ensaio biográfico, centrado na tormentosa relação de Renato Russo com Brasília, cidade com a qual o Legião Urbana sempre seria identificado. O tumultuado show da banda no estádio Mané Garrincha, em 1988 - em que Renato Russo brigou com o público e interrompeu a apresentação com menos de uma hora de performance -, ganha um lugar central na narrativa de Marcelo. As relações amorosas de Renato Russo - com meninas e meninos, como dizia uma de suas letras -, as drogas e a morte em consequência da aids, em 1996, são tratadas de modo mais sucinto. Mesmo com essas lacunas deliberadas, O Filho da Revolução é um retrato mais profundo do músico do que O Trovador Solitário, biografia reverencial do jornalista Arthur Dapieve. Também é mais rico em documentos inéditos - fotos e fac-símiles de letras e notas do compositor, que farão a delícia do fã mais fetichista.  O novo livro mapeia as relações familiares dos roqueiros de Brasília com o governo, ao tempo da ditadura militar. O jovem Renato Russo - filho de um funcionário graduado do Banco do Brasil - quis muito conhecer o garoto que tinha uma guitarra Gibson, item raríssimo na década de 70, quando as barreiras alfandegárias eram rigorosas. O proprietário da guitarra tinha um canal seguro para importar instrumentos: seu pai, que viajava ao exterior como piloto do presidente Ernesto Geisel. O nome do garoto: Herbert Vianna, futuro líder dos Paralamas do Sucesso. No círculo dos jovens roqueiros, apareciam também futuros políticos. Renato Russo foi colega de aula do atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Gordinho, Vieira Lima foi maldosamente apelidado de "Suíno" pela turma do músico, que não tinha simpatia por ele. "Geddel é in-su-por-tá-vel", o roqueiro dizia aos amigos. O próprio Renato Russo sabia ser bem insuportável. Era o chato do gênero "cabeça". Metido a cinéfilo, certa vez se irritou com o enredo convencional de Brubaker, filme estrelado por Robert Redford - e se levantou no meio do cinema para insultar, aos gritos, a plateia "burra" que apreciava aquele lixo de Hollywood.  A excentricidade contribuiu para consolidar a aura de santo pop que cercaria Renato Russo em seus últimos anos. Mas nunca o impediu de conduzir a carreira de modo inteligente e calculado. Sua escolha dos integrantes do Legião Urbana é um bom exemplo. Cada um deles corporificava um "conceito" fundamental para a imagem da banda: Bonfá era o garoto bonito, Villa-Lobos tinha ares de menino-prodígio e Rocha, que era negro (e deixaria o Legião em 1988), conferia diversidade étnica ao conjunto. É claro que todo esse calculismo não teria adiantado nada se Renato Russo não fosse, além de obstinado, talentoso. Era habilidoso nas letras longas e complicadas que mesmo assim se prestavam à memorização fácil dos fãs - como Tempo Perdido e Faroeste Caboclo. De certo modo, o roqueiro de Brasília conseguiu encarnar o espírito de sua época. A juventude que se viu meio perdida entre o fim da ditadura militar e os primeiros anos de redemocratização deu voz à sua revolta sem objeto em canções como Geração Coca-Cola e Que País É Este. Renato Russo e o Legião Urbana acabaram sendo bem maiores do que Eric Russell e a 42nd Street Band.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5665498114525211230?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5665498114525211230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5665498114525211230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5665498114525211230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5665498114525211230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-homem-que-calculava.html' title='O homem que calculava'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-66468825763139994</id><published>2009-12-11T13:19:00.002-08:00</published><updated>2009-12-11T13:22:31.485-08:00</updated><title type='text'>Aperitivos musicais</title><content type='html'>No início de 2007, o violinista americano Joshua Bell - que faz concertos neste mês no Rio e em São Paulo - tocou peças de Bach e Beethoven, entre outros clássicos, por quase uma hora em uma estação de metrô de Washington. Alguns passantes depositaram trocados na caixa do violino (pouco mais de 32 dólares, na soma final), mas não se detiveram para ouvir o músico que, três dias antes, lotara uma das principais salas de concerto de Boston, com ingressos a uma média de 100 dólares. Bell não tirou grandes lições do episódio. "Foi só uma brincadeira", disse a VEJA. Mas seu experimento demonstra a importância do contexto para a apreciação da música erudita: feita para a formalidade ritual das salas de concerto, ela se perde no burburinho do metrô. A tentativa de expandir seu círculo restrito de aficionados é sempre arriscada. Discos de clássicos "populares" - como os realizados pelo violoncelista sino-americano Yo-Yo Ma e pelo próprio Bell - esbarram em uma contradição: alcançam um público maior, ao custo de entregar a esses ouvintes uma sombra das composições originais. Como tantos outros instrumentistas do mundo erudito, Bell, hoje com 41 anos, foi um menino-prodígio. Estreou como concertista aos 14, com a Orquestra da Filadélfia, regida então pelo irascível (porém genial) maestro Riccardo Muti. Na década de 90, o violinista foi contratado pela Sony Music. Assim como Yo-Yo Ma, abraçou as propostas do então diretor artístico, Peter Gelb, para incrementar as vendas do combalido mercado erudito. Talentoso e boa-pinta, Bell tem trabalhos bem reputados pela crítica - há pouco tempo, lançou uma interpretação revigorante de As Quatro Estações, de Vivaldi. Mas também faz discos com trechos de concertos e sonatas, trilhas de cinema e adaptações de peças sinfônicas. Seu álbum Romance of the Violin, com arranjos sentimentais de obras como O Cisne, de Camille Saint-Saëns, foi definido por um crítico da revista Gramophone como "um banho de melado". "Gravadoras vivem de lucro, e seria hipocrisia negar que eu atendo a esses interesses. Mas, para cada disco dessa categoria, recuso outras dez propostas", diz. (No Brasil, ele vai maneirar no melado: tocará uma composição do ultrarromântico Bruch, mas também peças mais sóbrias de Brahms ou Franck.) Compilações como Romance of the Violin - ou Simply Baroque, de Yo-Yo Ma - desconsideram, por definição, a integridade das composições eruditas. Esses discos trazem só o movimento mais "assobiável" de cada sinfonia ou concerto. Até meados do século XIX, as récitas orquestrais seguiam o mesmo procedimento, levando ao público excertos de músicas variadas. Mas as gerações de Brahms e Mendelssohn consolidaram o respeito pela totalidade da obra - que só veio a ser posto em xeque novamente no fim do século XX. Nos anos 90, quando era diretor artístico da Filarmônica de Berlim, o maestro italiano Claudio Abbado melindrou-se ao descobrir que a gravadora Deutsche Grammophon pretendia lançar uma coletânea de adágios regidos por ele. "Isso não é um disco, é um minestrone", esbravejou.  A audição integral de uma sinfonia exige certa disposição de espírito. Pesquisas do compositor e teórico musical americano Robert Jourdain mostraram que pessoas de ouvido menos treinado só escutam em torno de quatro minutos de uma composição sinfônica - depois disso, a atenção se dispersa. Nessa perspectiva, a condenação de Abbado ao "minestrone" revela um purismo sufocante. Há muitos caminhos para a apreciação da grande música. Os discos ligeiros de Yo-Yo Ma ou Joshua Bell não dão ao ouvinte uma refeição completa de Bach ou Beethoven, mas oferecem aperitivos agradáveis. Na verdade, o pecado capital dos "popularizadores" não está em retalhar obras longas, mas em impingir-lhes arranjos que querem passar por arte elevada. Nesse campo, ninguém supera o violinista holandês André Rieu ou o tenor italiano Andrea Bocelli, que convertem melodias de Beethoven e árias de Verdi em hinos da cafonice. Músicos de formação extraordinária como Bell e Yo-Yo Ma nunca são tão vulgares - mas há, sim, um certo elemento kitsch nas suas adaptações do repertório erudito (confira a escala do kitsch). Na definição do ensaísta italiano Umberto Eco, o kitsch é aquela obra que "se vende como arte", mas busca apenas provocar efeitos sentimentais pré-fabricados. O problema nem é tanto que as músicas de Bach em Simply Baroque, de Yo-Yo Ma, soem "muito pouco bachianas", como disse um crítico. O problema é que discos desse tipo são menos honestos do que aquelas coletâneas que já dizem de cara: "Clássicos para relaxar" ou "Clássicos para se emocionar". Neles, o ouvinte pode ser malandramente enganado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                    &lt;strong&gt; Clássicos diluídos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Andrea Bocelli&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O tenor italiano dispersa árias de ópera no meio de discos de música cafona e canções napolitanas. Suas poucas gravações de peças líricas na íntegra - como o Réquiem de Verdi - são um fiasco técnico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Três Tenores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Plácido Domingo, Luciano Pavarotti e José Carreras incrementaram a fortuna misturando árias e canções populares interpretadas com vozeirão indigesto. Antecessores de Bocelli, inauguraram a moda dos discos de ópera aos pedaços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lang Lang&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O jovem prodígio chinês  já anda empenhado em projetos populistas, como uma parceria com Andrea Bocelli. Sua apresentação em um piano branco foi o momento brega na abertura da Olimpíada de Pequim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Joshua Bell&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O violinista americano lança discos temáticos, nos quais adapta cantatas como Carmina Burana e árias como O Mio Babbino Caro (de Gianni Schicchi) para a linguagem do violino. Apesar da execução impecável, essas músicas carregam no açúcar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Yo-Yo Ma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O reputado violoncelista adapta o repertório erudito em versões do tipo "ouça-para-relaxar". Na cerimônia de posse do presidente Barack Obama, fez uma pequena vigarice: dublou sua própria apresentação ao cello&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-66468825763139994?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/66468825763139994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=66468825763139994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/66468825763139994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/66468825763139994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/aperitivos-musicais.html' title='Aperitivos musicais'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-264893864539392020</id><published>2009-12-11T13:19:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:19:39.685-08:00</updated><title type='text'>Salve Simonal!</title><content type='html'>Wilson Simonal de Castro foi um dos maiores ídolos de massa que o Brasil já teve. Nos anos 60, só Roberto Carlos competia com ele em popularidade. Simonal popularizou bordões como "alegria, alegria" (que Caetano Veloso reaproveitou como título de música) e "vou deixar cair". Seus shows eram celebrações, com a participação entusiasmada dos espectadores - ele chegou a "reger" um público de 30.000 pessoas no Maracanãzinho, no Rio. A partir de 1971, porém, Simonal foi condenado a um degredo artístico: não era mais convidado para programas de televisão, não conseguia mais gravar discos nem se apresentar ao vivo. Outros músicos recusavam-se a dividir o palco com ele. Em pleno governo Médici, período de intensa polarização ideológica, o cantor ganhou a fama infausta de colaborador do Dops, a polícia política da ditadura. A história da ascensão fulgurante e da queda espetacular de Simonal é esmiuçada no documentário Ninguém Sabe o Duro que Dei (Brasil, 2007), em cartaz nos cinemas desde sexta-feira. Dirigido por Claudio Manoel (do Casseta &amp;amp; Planeta), Micael Langer e Calvito Leal, o filme também reavalia a importância artística do cantor: para além de seus supostos equívocos políticos, Simonal dominava o palco como poucos já o fizeram no Brasil. Filho de empregada doméstica que abandonou a carreira militar - era cabo do Exército - para se tornar cantor, Simonal começou como intérprete de bossa nova. Adicionou um suingue inédito ao gênero no disco A Nova Dimensão do Samba, de 1964. A consagração popular chegou com a chamada "pilantragem", rótulo inventado por ele e seu mentor Carlos Imperial para designar suas músicas dançantes e malandras - como o grande sucesso Meu Limão, Meu Limoeiro, canção de domínio público que Simonal transformou em sua marca registrada. O cantor ficou rico e assinou contrato de publicidade com a Shell. O filme dá amplas mostras de seu talento - como o maravilhoso dueto com Sarah Vaughan, uma das grandes damas do jazz americano. A derrocada veio com um episódio vergonhoso: em 1971, desconfiado de que fora roubado pelo contador Raphael Viviani, Simonal solicitou ajuda a dois seguranças, um deles agente do Dops, o famigerado órgão de repressão da ditadura, para resolver o caso. Viviani foi raptado, torturado e obrigado a assinar um documento no qual confessava ter desfalcado o cantor. A mulher do contador deu queixa à polícia. Simonal foi chamado a depor e tentou se esquivar das acusações da pior maneira possível: gabou-se de suas pretensas conexões com a ditadura. Entre os depoimentos mais fortes do filme, está o de Viviani. Em sua primeira entrevista sobre o caso, o contador relata como teria sido torturado pelos gorilas do Dops, a mando de Simonal. O episódio é estarrecedor, mas não foi isso que determinou o ostracismo de Simonal. Nunca comprovada, a acusação de que ele seria um informante das forças da repressão pode ter nascido de suas bravatas, mas foi incendiada pela sede de justiçamento moral da esquerda de então. Embora nunca se tenha sabido de um só preso político denunciado por Simonal, a pecha de dedo-duro colou-se ao cantor. Foi muito repisada pelo jornal alternativo O Pasquim. Isolado, deprimido, Simonal acabou se entregando ao alcoolismo. Morreu de problemas no fígado, aos 61 anos, em 2000. Seu nome ainda hoje está envolto em boatos fantasiosos. Claudio Manoel lembra o absurdo que ouviu de um empresário a quem pediu patrocínio para o filme. "Ele me perguntou por que eu queria fazer um documentário sobre o cara que torturou Caetano Veloso", disse Manoel a VEJA. (Caetano, a propósito, nunca foi torturado.) O Brasil de hoje conhece muitos patrulheiros da correção política, mas, assim como não se concebe mais a censura às artes e à imprensa, não existe mais clima para tamanho linchamento político. Foi a atmosfera de radicalização ideológica da ditadura que permitiu o enterro em vida imposto a Simonal. Mas isso só não explica inteiramente o caso. Outros artistas e intelectuais, como Nelson Rodrigues e Gilberto Freyre, apoiaram publicamente a ditadura. Foram atacados por isso, com toda a razão, mas não silenciados como Simonal foi. Negro de origem pobre, ele gostava de ostentar sua riqueza, com roupas extravagantes e carros de luxo - e ainda tinha o desplante de namorar mulheres brancas. Um certo componente de preconceito social e racial contribuiu para a desgraça do cantor. E é por isso que, em retrospecto, ganha um sabor tão amargo a imagem, recuperada pelo filme, em que Simonal finge ouvir de seu anjo da guarda o seguinte alerta: "Simona, ou você vai ser alguém na vida, ou vai morrer crioulo mesmo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-264893864539392020?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/264893864539392020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=264893864539392020' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/264893864539392020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/264893864539392020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/salve-simonal.html' title='Salve Simonal!'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8620158330150357435</id><published>2009-12-11T13:18:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:18:58.061-08:00</updated><title type='text'>O Beatle esquecido</title><content type='html'>Em 1965, o baterista Pete Best tentou se matar. Trancou-se em sua casa em Liverpool e abriu o registro de gás. Estava deprimido porque sua ex-banda havia se transformado num fenômeno mundial. Ela era formada por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr (o novo baterista). Chamava-se The Beatles. Best foi salvo da morte por sua mãe e afastou-se por duas décadas da carreira artística. Trabalhou como padeiro e como funcionário público, mas acabou voltando aos palcos. Na semana passada, visitou o Brasil para um show em Porto Alegre ao lado do The Beats, um grupo de argentinos gabolas que vivem de reinterpretar as canções dos Beatles. "Estou casado há quarenta anos, tenho duas filhas e quatro netos. Posso não ser o mais bem-sucedido dos Beatles, mas sou o mais feliz", disse ele a VEJA. Uma coisa é certa: Pete Best desenvolveu um ótimo senso de humor, em geral autodepreciativo. Sua apresentação foi hilária. O ponto alto foi uma minientrevista, conduzida pelos colegas de palco, na qual ele falou sobre o passado. "Brian Epstein? Ele era gayyyyy", afirmou, quando lhe perguntaram sobre o ex-empresário dos Beatles. "John Lennon? Um gênio. Paul McCartney? Gênio. George Harrison? Gênio. Ringo Starr? Baterista." Depois das brincadeiras, Best sentou-se para tocar dois números musicais que fazia ao lado da ex-banda - um deles, My Bonnie, foi uma das primeiras canções gravadas pelos Beatles.  Best tocou por dois anos com Lennon, McCartney e Harrison. Começou em 1960, quando o trio se apresentava regularmente no Casbah, uma casa noturna de Liverpool. A mãe de Best era dona do lugar, ele estava sempre por perto e foi chamado a assumir as baquetas. Em junho de 1962, após receberem um banho de água fria de um executivo do selo Decca (segundo o qual ninguém estava interessado em música com guitarras), os Beatles foram incorporados ao elenco de outra gravadora, a EMI. Esse foi, a rigor, o momento decisivo para a banda. E, dois meses depois, Best foi demitido. Há diversas teorias sobre o episódio, desde a que afirma que Harrison e McCartney se sentiam incomodados porque Best era mais bonito até a que atribui a decisão a George Martin, lendário produtor da EMI e de quase todos os discos dos Beatles. "Falei com Martin anos atrás e perguntei sobre isso. Ele disse que apenas sugeriu a contratação de um baterista de estúdio para economizar tempo nas gravações. Creio que somente Paul e Ringo poderiam dar uma resposta definitiva", diz Best. Em 1988, o baterista formou a Pete Best Band. Seus companheiros são músicos veteranos de Liverpool. No ano passado, eles lançaram Haymans Green, seu último disco. Durante o show no Brasil, Best fez propaganda do CD. "Quando o disco sair aqui, por favor, comprem", disse. Mas depois, como quem se lembra de que a vida nem sempre é fácil, arrematou: "Ah, sim. Se o disco não for lançado aqui, importem!".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8620158330150357435?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8620158330150357435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8620158330150357435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8620158330150357435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8620158330150357435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-beatle-esquecido.html' title='O Beatle esquecido'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4522585022695989529</id><published>2009-12-11T13:12:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:18:18.417-08:00</updated><title type='text'>100 anos de dissonância</title><content type='html'>De todas as grandes manifestações artísticas do século XX, a música erudita se provou a mais difícil e hostil ao homem comum. Ao abandonarem as regras da harmonia e abraçarem a dissonância e o ruído, seus praticantes mais extremos não afrontaram apenas convenções culturais vigentes havia séculos, mas também a própria biologia: o ouvido humano é um órgão programado para interpretar como agressão e aspereza tudo o que fuja a uma certa zona de conforto. Por isso, mais ainda do que apreciar poemas ou pinturas vanguardistas, ouvir a música de Arnold Schoenberg, Pierre Boulez ou John Adams, para citar compositores nascidos em diferentes décadas e países, é um hábito que só se adquire com algum esforço. O Resto É Ruído (Companhia das Letras; tradução de Claudio Carina e Ivan Weisz Kuck; 646 páginas; 64 reais), do jornalista americano Alex Ross, certamente não converterá as massas à música dodecafônica ou minimalista. Mas, ao desvendar os segredos técnicos das grandes composições e retratar dezenas de artistas contra um pano de fundo de guerras, ditaduras e agitação social, este belo livro tem um mérito indiscutível: transforma a história da música no século XX numa grande aventura.  O Resto É Ruído começa em 1906, com a apresentação da ópera Salomé, do compositor alemão Richard Strauss, na cidade austríaca de Graz. Termina com uma visita ao americano John Adams em 2000, enquanto ele trabalha na composição do oratório El Niño. Na visão de Ross, são dois momentos emblemáticos. Strauss, que começou a carreira como autor romântico, decretou o fim desse movimento ao apresentar aquela obra surpreendente, marcada pela cacofonia. Gustav Mahler e Arnold Schoenberg assistiram à récita de Graz. Para Ross, a presença deles é também ela uma tradução simbólica da guinada precipitada por Salomé. Mahler, assim como Strauss, era representante do romantismo e das sinfonias formais - o passado que ali se encerrava, enfim. Schoenberg, por seu turno, viria a ser o novo - o atonalismo, para o qual o empurraram tanto a ópera de Strauss como a morte de seu professor Mahler, em 1911. No outro extremo, situado mais de nove décadas após aquele instante catalisador, está o americano Adams, o maior compositor de sua geração, por ser uma espécie de síntese viva dessa longa trajetória: o artista que combinou o formato sinfônico com a música minimalista.  Se existe um aspecto em O Resto É Ruído que pode ser definido como brilhante é a forma pela qual Ross mostra como a arte tantas vezes serviu a propósitos políticos. Richard Strauss, que aderiu ao nazismo porque Adolf Hitler supostamente era admirador de suas obras, virou um joguete. Ao final da guerra, alegou que sua adesão ao Partido Nazista fora um estratagema para proteger sua nora judia. Os russos Sergei Prokofiev e Dmitri Shostakovich viveram momentos de terror sob o jugo do ditador soviético Josef Stalin, que detestava o atonalismo por ser uma suposta expressão da "decadente" arte ocidental. As composições de Prokofiev eram criticadas pelo Partido Comunista, e Shostakovich irritou o ditador com a ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk. Para escapar do exílio ou mesmo da execução, teve de se retratar criando exaltações ao regime soviético - as "sinfonias da guerra", da Quarta à Nona. Curiosa também é a cooptação da obra do americano Aaron Copland pelo governo do presidente Franklin Delano Roosevelt: durante a depressão econômica que abalou os Estados Unidos nos anos 30, o esquerdista e crítico severo do estilo de vida americano Copland se tornou o símbolo dos valores nacionais em razão de obras alvissareiras como Appalachian Spring. Os trabalhos desses autores e sua adesão - ainda que forçada - a regimes e governos diversos ajudaram, no pós-guerra, a manter vivo o espírito da vanguarda. Numa inversão curiosa, foi a música convencional que se tornou moralmente duvidosa. Theodor Adorno, uma das autoridades intelectuais do século XX, pregava que uma composição que preservasse a tonalidade traía uma mente fascista. Os artistas da geração que despontou nos anos 50 e 60, entre os quais se destacam John Cage, Pierre Boulez e Karlheinz Stockhausen, fariam o que Ross definiu como "arte da destruição". São obras iconoclastas - há desde um quarteto para helicópteros até uma peça em que o pianista não toca nada e espera pela reação da plateia -, mas também, com frequência, de concepção um tanto árida, que exige muito boa vontade por parte do ouvinte. Outro acerto de Ross é demonstrar a influência, muitas vezes insuspeita, da música erudita contemporânea sobre a composição popular do século XX. O mesmo atonalismo que afugentou a plateia das salas de concerto encontrou guarida no cinema. Stanley Kubrick fez uso das composições do húngaro György Ligeti em 2001 - Uma Odisseia no Espaço e De Olhos Bem Fechados, enquanto os acordes sinistros do polonês Krzysztof Penderecki assinalam os momentos mais aterrorizantes de O Exorcista. O jazz se apoiou tanto nas melodias formais quanto nas dissonâncias da música contemporânea. A abertura de A Love Supreme, obra-prima do saxofonista John Coltrane, foi influenciada pelas sinfonias do finlandês Jean Sibelius. O rock bebeu da fonte da vanguarda e do minimalismo. Ross conta que Ligeti ficou surpreso ao escutar uma nova composição de Stockhausen - na verdade, estava ouvindo A Day in the Life, dos Beatles, que utilizaram a técnica de colagens do autor alemão. A cantora Björk e o quinteto inglês Radiohead abraçaram as experimentações de Stockhausen, de Arvo Pärt e de Penderecki. Em O Resto É Ruído, Ross reconstitui cenas fundamentais da música do século XX com tanta riqueza de detalhes que se tem a impressão de estar presente no momento em que elas aconteceram. Ler sobre a estreia de Salomé ou a Conferência Científica e Cultural para a Paz no Mundo, que ocorreu nos Estados Unidos em 1949 (na qual uma multidão cercou o compositor Shostakovich e exigiu sua deserção), não é apenas saber o que aconteceu naqueles locais. É também perceber a excitação que marcou tais momentos. E, quando descreve uma obra musical, Ross evita abusar de termos técnicos. Mostra o detalhe e a função de cada instrumento, e passa ao leitor a impressão de estar ouvindo a obra in loco. O Resto É Ruído é básico para quem deseja entender o que instigou os artistas do século passado a criar composições tão estranhas para o ouvido humano - e mais ainda para compreender como a música, qualquer que seja ela, é algo vivo, que responde não só às aspirações de seus autores, mas ao tempo e ao lugar em que eles existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                  &lt;strong&gt;Para entender a música do século XX&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O MINIMALISTA - JOHN ADAMS (1947)  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; maior compositor americano vivo, combina a linguagem minimalista à grandiosidade das orquestrações clássicas&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; usa com frequência os acontecimentos políticos como tema de suas composições. Nixon in China trata da primeira visita de um presidente americano à China comunista; Death of a Klinghoffer fala da morte de um judeu por um palestino; e On the Transmigration of Souls é um réquiem para as vítimas do 11 de Setembro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ÚLTIMO ROMÂNTICO - RICHARD STRAUSS (1864-1949) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; na ópera Salomé, fez uso de ruídos e dissonâncias, antecipando o atonalismo e desferindo o golpe de misericórdia no movimento romântico&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; ilustrou a atitude ambígua de alguns artistas em relação ao nazismo. Deixou-se cooptar - mas, ao fim da II Guerra, foi perdoado, sob a alegação de que só aderira ao regime para proteger a nora judia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O POPULISTA - AARON COPLAND (1900-1990) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; um dos pioneiros no casamento entre o erudito e o popular, foi o grande compositor americano de massa e um dos primeiros a fazer sucesso nas rádios&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; pela coloração e pelo espírito inconfundivelmente americanos de suas composições, tornou-se símbolo do New Deal, a série de medidas que o presidente Franklin Delano Roosevelt tomou para aplacar a crise econômica causada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ESCRAVO DO PARTIDO - DMITRI SHOSTAKOVICH (1906-1975) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; sobrepôs linguagens musicais distintas - e não raro conflitantes -, como na ópera Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; sua vida ilustra o dilema a que foram submetidos os artistas soviéticos: curvar-se ao partido (e ao seu ideário estético) ou ser lançado no esquecimento - quando não na cova. Shostakovich oscilou entre os dois extremos, ora tendo sua obra banida, ora ganhando condecorações do Soviete Supremo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O RITMISTA - IGOR STRAVINSKY (1882-1971)  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; revolucionou a música erudita ao dar nela papel preponderante ao ritmo. Não por acaso, sua composição mais célebre, A Sagração da Primavera, foi transformada em um balé igualmente transgressivo pelo bailarino, também russo, Vaslav Nijinsky&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; foi o artista modernista por excelência: circulou entre inúmeras das personalidades culturais de vanguarda do seu tempo, como os poetas W.H. Auden e Dylan Thomas, o escritor Aldous Huxley, o pintor Pablo Picasso, o coreógrafo George Balanchine e a estilista Coco Chanel, de quem se acredita ter sido amante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ATONALISTA - ARNOLD SCHOENBERG (1874-1951)  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; decretou a "morte" da música tonal e criou o dodecafonismo, que abandona o sistema de composição vigente há séculos na música ocidental&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; criado como católico, ele abraçou, nos anos 20, sua raízes judaicas. Esteve entre os artistas e pensadores que mais cedo entenderam o que a ascensão do nazismo implicaria. Em 1933, mudou-se para os Estados Unidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O HERÓI NACIONAL - JEAN SIBELIUS (1865-1957) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; foi um tradicionalista, tido como uma versão moderna de Beethoven. Imprimia voz própria às fórmulas sinfônicas &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; é considerado o grande compositor nacional da Finlândia e exemplifica a sempre forte corrente nacionalista da música erudita - inspirou-se em suas raízes e as preservou, tornando-se um herói simbólico da luta do país para se libertar do domínio russo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O VANGUARDISTA - JOHN CAGE (1912-1992) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O músico:&lt;/strong&gt; suas obras exploravam o acaso (compunha jogando dados, por exemplo) e o silêncio (como em 4¿33¿¿, em que um músico sobe ao palco e não toca nada)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem e seu tempo:&lt;/strong&gt; no pós-guerra, levou adiante a bandeira de experimentação dos vanguardistas do começo do século XX. Procurou traduzir o clima de tensão do período da Guerra Fria. "Vou em direção à violência, e não à ternura, ao inferno, e não ao paraíso", dizia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4522585022695989529?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4522585022695989529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4522585022695989529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4522585022695989529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4522585022695989529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/100-anos-de-dissonancia.html' title='100 anos de dissonância'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1642090516662848796</id><published>2009-12-11T13:10:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:12:41.862-08:00</updated><title type='text'>Uma batuta mais leve</title><content type='html'>No mês passado, a demissão do maestro John Neschling levantou dúvidas sobre o futuro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Apesar de suas trombadas com o conselho da Fundação Osesp e com os músicos, não há como negar que Neschling, em seus doze anos à frente da orquestra, consolidou-a como o mais respeitável grupo sinfônico brasileiro. Os partidários do maestro sugeriam que, com a saída de Neschling, a qualidade da orquestra poderia se perder. Tudo indica que não será assim. A orquestra não se resume ao seu diretor artístico: é formada por bons músicos, que deram prova de talento sob o comando de outros regentes. E o francês Yan Pascal Tortelier, substituto de Neschling, deve trazer a ela um atributo fundamental: leveza. A Osesp é conhecida por tocar forte, com vigor às vezes excessivo. Esse recurso até funciona na execução de compositores como Beethoven e Mahler, mas é péssimo para peças de Debussy ou Ravel, que requerem mais suavidade. Tortelier tem a sensibilidade exigida pelo repertório francês, uma de suas especialidades. Nas duas semanas em que esteve à frente da Osesp como regente convidado, em 2008, fez com que a orquestra flutuasse. "Com John Neschling, soávamos pesados. Tortelier nos deixou graciosos", diz um integrante da orquestra. O contrato de Neschling vigoraria até o fim de 2010, mas o maestro brasileiro caiu em desgraça após várias declarações públicas infelizes, nas quais desancou músicos, desafetos - e até aliados. No início de janeiro, dez dias antes da demissão oficial de Neschling, Tortelier foi convidado por membros do conselho da Osesp a ser o novo regente titular - pelo menos pelas próximas duas temporadas. Aceitou a oferta prontamente. "Fui seduzido pela qualidade dos músicos e pela oportunidade de dirigir uma orquestra latino-americana pela primeira vez em minha vida", disse, em entrevista a VEJA. Na reformulação geral que se seguiu, o chileno Victor Hugo Toro, que atuava como regente assistente, também foi demitido, e Tortelier mudou o repertório da temporada 2009, que começa nesta quinta-feira. O maestro francês vai reger oito concertos neste ano - o restante da programação será preenchido por convidados (veja quadro). Os músicos da Osesp ficaram contentes com a mudança. Neschling seguia a tradição do maestro-ditador, que distribui carraspanas nos ensaios. Essa figura do maestro divino, que teve o seu exemplo mais acabado no austríaco Herbert von Karajan, já não encontra tanto espaço no cenário musical, dominado por regentes mais "democráticos", como o inglês Simon Rattle e o holandês Bernard Haitink. Tortelier tem um estilo afável. Isso não quer dizer que não seja um regente enérgico. "O maestro tem de passar confiança para a orquestra. É claro que muitas vezes tive de brigar com músicos para mostrar minha vontade. Porém, jamais elevo o tom de voz", diz. A Osesp é a orquestra mais rica do país. Tem um orçamento anual próximo a 68 milhões de reais (43 milhões do governo do estado e 25 milhões provenientes de assinaturas, vendas de bilhetes e patrocinadores). Yan Pascal Tortelier não é um regente do primeiríssimo escalão, mas é certamente um nome respeitado. É filho de Paul Tortelier, violoncelista que ficou conhecido pelo virtuosismo e pelas convicções políticas: nos anos 60, recusou-se a tocar nos Estados Unidos, em protesto contra a Guerra do Vietnã. Yan Pascal começou seus estudos musicais aos 4 anos e uma década depois se tornou um violinista de renome. "Gravei discos, mas me sentia frustrado. Nunca me satisfiz apenas com o violino", diz. Suas primeiras experiências na regência se deram na Orquestra de Toulouse, como assistente do maestro Michel Plasson. Em 1992, assumiu a direção artística da Filarmônica da BBC, de Manchester, cargo que manteve até 2003. Divorciado, pai de dois filhos, Tortelier também foi diretor artístico da Sinfônica de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e regeu grandes orquestras, como a Sinfônica de Londres e a Royal Concertgebouw, de Amsterdã. "É um maestro competente, culto e de um carisma impressionante", diz o crítico musical Norman Lebrecht. Mais importante, Tortelier reúne qualidades para fazer a Osesp avançar - com leveza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maestro:&lt;/strong&gt; Yan Pascal Tortelier, francês, 61 anos&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Currículo:&lt;/strong&gt; foi diretor artístico da Filarmônica da BBC, de Manchester, e da Sinfônica de Pittsburgh, nos Estados Unidos&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Especialidade:&lt;/strong&gt; o repertório francês, especialmente Henri Dutilleux e César Franck&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que pode acrescentar à Osesp:&lt;/strong&gt; além de um repertório mais variado, pode conferir mais sutileza à orquestra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                          &lt;strong&gt;O preferido dos músicos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas atrás, o paulistano Fabio Mechetti deu início à sua segunda temporada como diretor artístico da Filarmônica de Minas Gerais, com peças de Dvorak, Katchaturian e Rimsky Korsakov. O concerto da filarmônica desperta atenção por dois motivos. Primeiro, porque desde a sua criação, em 2007, a orquestra tem mostrado uma considerável evolução - e boa parte dos méritos se deve ao diretor artístico, que contratou bons músicos (e demitiu os que não conseguiram provar competência). Segundo, Mechetti é provavelmente o único brasileiro com chance de assumir o comando da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) depois de 2010, quando se encerrará o contrato de Yan Pascal Tortelier (nada impede que o maestro francês renove o contrato). "Minha prioridade é construir uma grande orquestra em Minas Gerais", desconversa Mechetti. Seu contrato com a filarmônica vai até 2011. Fabio Mechetti possui um respeitável currículo internacional. Na década de 80, estudou na prestigiada Escola Juilliard, em Nova York. Esses primeiros anos nos Estados Unidos renderam uma gafe: durante uma aula de regência no Festival de Tanglewood, em Massachusetts, Mechetti chamou o fagotista da orquestra de "fagot". O maestro Leonard Bernstein, seu professor, puxou Mechetti de lado para explicar que fagote em inglês era "bassoon" - e que "fagot" era um feio palavrão. Anos depois, já familiarizado com o inglês, Fabio Mechetti comandou a Sinfônica de Spokane, em Washington, e foi assistente do celista e maestro Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington. Atualmente, além de comandar a Filarmônica de Minas Gerais, Mechetti é diretor artístico da Orquestra de Jacksonville, na Flórida. Regente versátil, que vai do clássico ao contemporâneo, é também um especialista em ópera. Apresentou recentemente uma récita de Turandot, de Puccini, com a Orquestra de Jacksonville. Neste ano, será - como Isaac Karabtchevsky e a portuguesa Joana Carneiro - um dos regentes convidados da Osesp. Seu cartaz com os integrantes da orquestra está alto: foram os músicos que sugeriram seu nome como possível regente titular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maestro:&lt;/strong&gt; Fabio Mechetti, brasileiro, 51 anos&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Currículo:&lt;/strong&gt; foi assistente do Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Dirige a Sinfônica de Jacksonville, na Flórida, e a Filarmônica de Minas Gerais&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Especialidades:&lt;/strong&gt; os cânones da música erudita (Bach, Beethoven, Brahms) e o repertório clássico americano (Bernstein, Copland, Gershwin)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que pode acrescentar à Osesp:&lt;/strong&gt; a versatilidade comum aos grupos sinfônicos americanos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1642090516662848796?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1642090516662848796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1642090516662848796' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1642090516662848796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1642090516662848796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/uma-batuta-mais-leve.html' title='Uma batuta mais leve'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-2677168896949105716</id><published>2009-12-11T13:09:00.003-08:00</published><updated>2009-12-11T13:09:58.819-08:00</updated><title type='text'>O balanço do vovô</title><content type='html'>Em abril, um dos músicos mais sexy dos Estados Unidos - segundo a revista de celebridades People desembarca no Brasil. Errou quem pensou em Justin Timberlake ou qualquer outro garotão do pop. O símbolo sexual em questão é o maestro e compositor Burt Bacharach, de 80 anos. "Fico lisonjeado ao saber que sou desejado, mas prefiro ser reconhecido pelo meu talento musical", disse Bacharach em entrevista a VEJA. (Puro jogo de cena: numa reportagem recente do jornal inglês The Times, ele fez questão de conversar com o repórter na piscina de sua mansão de 8 milhões de dólares, besuntado de protetor solar e trajando uma sunga diminuta.) O compositor vai se apresentar em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. O repertório dos shows será calcado no disco Live at The Sydney Opera House, lançado no fim de 2008. Bacharach tem formação clássica. Foi aluno do compositor francês Darius Milhaud na década de 40. "Milhaud me ensinou duas coisas: não ter vergonha de criar melodias que as pessoas possam assobiar e apreciar a comida mexicana", diz ele. Melodista de primeira categoria, Bacharach dominou a parada americana na década de 60 com sucessos como I Say a Little Prayer, Walk on By e The Look of Love (as duas primeiras, interpretadas por Dionne Warwick; a outra, cantada magistralmente pela inglesa Dusty Springfield). Começou a perder fôlego na segunda metade dos anos 70 e nas décadas seguintes virou sinônimo de música para elevadores e salas de espera. Sua obsessão pelo flugehorn, um instrumento de sopro que marca presença em 90% dos seus arranjos, só reforçava a aura de artista ultrapassado. Em 1997, contudo, Bacharach foi tirado desse limbo. Cruzou a linha que separa o cafona do cult. Apareceu na comédia Austin Powers e suas canções embalaram O Casamento do Meu Melhor Amigo, estrelado por Julia Roberts. No ano seguinte, uniu-se ao roqueiro inglês Elvis Costello para lançar o disco Painted from Memory. Desde então, seu trabalho foi revisitado por roqueiros de várias vertentes - de Noel Gallagher, do Oasis, ao duo The White Stripes. "Esses meninos mostraram que as boas canções não envelhecem", diz Bacharach, que atualmente compõe com outro "menino" (sob o seu ponto de vista): Brian Wilson, dos lendários Beach Boys, hoje com 66 anos.  Retornos como o de Bacharach são um fenômeno relativamente raro na indústria musical. Não têm a ver propriamente com nostalgia, uma vez que o público que passa a reverenciar o veterano é jovem demais para se lembrar de quando ele estava no auge. São, antes, explorações da pré-história do pop e do rock. Por isso costuma haver um patrono do ressurgimento - alguém de idade intermediária, com autoridade para reapresentar ao mundo o "gênio esquecido". Elvis Costello desempenhou esse papel em relação a Burt Bacharach. Em 1993, Bono, do U2, fez o mesmo com Johnny Cash, que estava relegado ao mercado country. No caso de Tony Bennett, coube à MTV realizar a mágica do rejuvenescimento: em 1994, o canal de televisão convidou o jazzista a gravar um de seus especiais acústicos.  Conhecido pela voz mansa e por seu sorriso largo, Bacharach é um homem charmoso. Embora ele próprio nunca tenha confirmado, reza a lenda que namorou ninguém menos do que a atriz alemã Marlene Dietrich na juventude (com a qual chegou a visitar o Brasil nos anos 50, quando ainda era um rapagão). Casado pela quarta vez, com Jane - professora de esqui que conheceu nas pistas de Aspen, nos Estados Unidos -, Bacharach é pai de um casal de adolescentes de 13 e 16 anos. Há dois anos, perdeu de forma trágica sua primogênita. Fruto de seu casamento com a atriz Angie Dickinson (uma espécie de Pamela Anderson dos anos 70), a filha Nikki sofria de um transtorno semelhante ao autismo. Mas nem seu suicídio, aos 40 anos, tirou de Bacharach o prazer de rodar o mundo com sua música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-2677168896949105716?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/2677168896949105716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=2677168896949105716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2677168896949105716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2677168896949105716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-balanco-do-vovo.html' title='O balanço do vovô'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-6370056215181831659</id><published>2009-12-11T13:09:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:09:18.323-08:00</updated><title type='text'>Concerto encerrado</title><content type='html'>Depois de doze anos de trabalho, o ciclo do maestro John Neschling à frente da principal orquestra brasileira, a Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), chegou ao fim. Na quarta-feira passada, ele foi demitido pelo conselho que administra a instituição. Seu substituto para as temporadas de 2009 e 2010 deverá ser o francês Yan Pascal Tortelier, que esteve à frente da Filarmônica da BBC, na Inglaterra, e causou excelente impressão entre os músicos da Osesp no ano passado, ao conduzi-los numa série de concertos. Estuda-se a contratação de um regente brasileiro para dividir as datas com Tortelier. Um novo diretor artístico ¿ cargo que Neschling acumulava ¿ só deverá ser empossado em 2011. Um comitê formado por músicos, conselheiros da orquestra e dois consultores internacionais foi criado para chegar ao nome.  O contrato de Neschling com a Osesp terminaria em 2010. Em junho do ano passado ele anunciou que, naquela data, deixaria de fato a orquestra. Foi uma cartada política ¿ uma tentativa de angariar apoios que o levassem a um "dia do fico". A administração da orquestra, contudo, começou realmente a programar sua saída. Concluiu que, depois de uma gestão brilhante, Neschling estava desgastado politicamente e, mesmo no âmbito do trabalho artístico, já não contava com o apoio incondicional dos músicos. A gota-d¿água para que o demitissem foi uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na qual o maestro criticou o conselho da orquestra e o plano para substituí-lo. As declarações o deixaram isolado. Sua demissão foi assinada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que encabeça o conselho da Osesp e foi, por muito tempo, seu principal apoiador. "Estou em conferência com meus advogados para decidir o que faremos em seguida", disse Neschling a VEJA na semana passada.  O processo de reestruturação da Osesp é ambicioso, a começar pela escolha dos consultores internacionais. Henry Fogel, ex-presidente da Liga das Orquestras Americanas, e Timothy Walker, diretor artístico da Filarmônica de Londres, gozam de grande respeito no mundo erudito. O diagnóstico inicial da dupla foi que a Osesp, no atual estágio de seu desenvolvimento, deveria trocar de diretor artístico a cada quatro anos, em média. A rotatividade faria com que o grupo ganhasse versatilidade. Os músicos também procuram influir no processo de renovação. Produziram uma lista de maestros-visitantes que, em anos recentes, brilharam à frente da Osesp. Entre os nomes brasileiros, destaca-se apenas o de Fabio Mechetti, atual diretor musical da Filarmônica de Minas Gerais. Mechetti, hoje com 51 anos, estava cotado para assumir a Osesp em 1996 ¿ quando o cargo foi entregue a Neschling.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-6370056215181831659?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/6370056215181831659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=6370056215181831659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/6370056215181831659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/6370056215181831659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/concerto-encerrado.html' title='Concerto encerrado'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3154198685191542744</id><published>2009-12-11T13:08:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T13:08:53.107-08:00</updated><title type='text'>A melhor expressão do jazz</title><content type='html'>Em 1958, o baterista Jimmy Cobb estava em sua casa em Nova York quando recebeu um telefonema de Miles Davis. "Você quer fazer parte do meu grupo? Estamos em Boston e tocamos daqui a três horas", perguntou o trompetista. Cobb bem que tentou explicar que Boston ficava a 350 quilômetros de distância de Nova York e que ele gastaria mais de três horas só para chegar ao local da apresentação. Mas, diante da ordem de Davis, preferiu jogar sua bateria dentro do táxi, rumar para o aeroporto e chegar a tempo de tocar Round Midnight, a canção que abria o show. Integrado ao conjunto de Davis, um ano mais tarde ele participaria das gravações de Kind of Blue, o disco mais célebre da história do jazz ¿ e um dos mais sublimes da música popular. É de Cobb, aliás, a frase que melhor define a atmosfera do álbum, para gerações de leigos e especialistas igualmente apaixo-nados: "Ele foi feito no céu". O baterista, que completou 80 anos na semana passada, é o último remanescente do grupo que gravou Kind of Blue. Nos dias 14 e 15 de maio, ele e os integrantes da So What Band, formada por discípulos de Davis, deverão tocar em São Paulo o repertório que, em 2009, completa cinquenta anos. Antes disso, edições comemorativas do álbum chegarão às lojas brasileiras. "As composições de Kind of Blue são de um momento especial, quando cada um de nós queria mudar os rumos da música", disse o baterista em entrevista a VEJA. Gravado nos dias 2 de março e 22 de abril de 1959 em Nova York, numa antiga igreja armênia transformada em estúdio, Kind of Blue é para muitos a melhor expressão do jazz ¿ pois nele se unem melodia e improvisação. Pouco antes, o jazz havia sido chacoalhado pela ventania do bebop, um estilo que buscava ousados saltos de oitavas e notas inesperadas. Pouco mais tarde, com o advento do free jazz, os músicos abraçariam a cacofonia. Kind of Blue foi um exercício de "jazz modal", no qual os solistas improvisavam sem jamais perder de vista a linha melódica e a harmonia. Além de Davis e Cobb, participaram da gravação os pianistas Bill Evans e Wynton Kelly, os saxofonistas John Coltrane e Julian "Cannonball" Adderley e o baixista Paul Chambers, todos supremamente entrosados. Quase todas as músicas foram gravadas numa única tomada. "Miles adorava quando improvisávamos. A única ordem que ele me deu foi para que fizesse a bateria flutuar em Blue in Green", diz Cobb.  Estima-se que Kind of Blue já tenha vendido 5 milhões de unidades no mundo inteiro. Mais importante que a vendagem, contudo, é a sua influência. Tornou-se a bíblia de grandes nomes do jazz, como o maestro Quincy Jones, que certa vez declarou: "Eu ouço Kind of Blue todo dia. É o suco de laranja do meu café-da-manhã". No rock, Carlos Santana e Duane Allman, dois gênios da guitarra, desenvolveram seu estilo de improvisação graças às composições de Davis, e Rick Wright, tecladista do Pink Floyd, "surrupiou" temas desse disco clássico em The Dark Side of the Moon. Talvez a melhor definição do impacto causado pelo disco seja a de Herbie Hancock, outro pupilo de Davis: "Quem é tocado por essa música muda para sempre. E se torna melhor do que é".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3154198685191542744?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3154198685191542744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3154198685191542744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3154198685191542744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3154198685191542744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/melhor-expressao-do-jazz.html' title='A melhor expressão do jazz'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-2334266669174782478</id><published>2009-12-11T12:59:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T13:08:01.003-08:00</updated><title type='text'>"Eu me sentia rejeitado"</title><content type='html'>Na sexta-feira passada, a Rede Globo exibiu o último capítulo da minissérie Maysa ¿ Quando Fala o Coração. Biografia romanceada da cantora carioca Maysa (1936-1977), ela obteve a excelente média de audiência de 29 pontos ¿ mas foi também uma vitória pessoal de seu idealizador, o diretor Jayme Monjardim. Filho de Maysa com o industrial André Matarazzo, Monjardim nasceu em maio de 1956 na cidade de São Paulo. No ano seguinte, seus pais se separaram. Com a morte de Matarazzo, em 1964, Maysa colocou Jayme num colégio interno na Espanha. A decisão deixou profundas marcas no filho. Jayme se sentiu rejeitado e passou anos sem falar com a mãe. Ele e Maysa se reconciliaram em 1975, dois anos antes da morte da cantora. No fim dos anos 70, ele ingressou no mundo artístico. De seu currículo constam sucessos de audiência como Pantanal, na extinta Rede Manchete, e O Clone, na Rede Globo. Cinco anos atrás, fez sua estreia no cinema com o filme Olga, que teve mais de 3 milhões de espectadores. Monjardim falou com a reportagem de VEJA em sua casa no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois da morte de seu pai, sua mãe o deixou num internato na Espanha. O senhor ficou lá dos 7 aos 17 anos. Qual foi o peso dessa experiência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em quase dez anos, minha mãe nunca me visitou e me mandou apenas duas cartas. Nas vezes em que saí do colégio para encontrá-la, fui incorporado à equipe que a acompanhava em seus shows. Fiquei noites intermináveis sentado em banquinhos, esperando o fim de uma apresentação. Ou então trancado num quarto de hotel. Lembro de dizerem: "Fechem a porta para o Jayminho não fugir". Foi um período terrível, de muita angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sua mãe chegou a lhe explicar a razão de um afastamento tão prolongado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No fim da vida de minha mãe, toquei nesse assunto. Ela não soube responder. Disse que já não lembrava o motivo de me deixar na Espanha, longe da família e do Brasil. Ela mesma, quando criança, foi para um colégio interno ¿ mas por apenas dois anos. Gosto de pensar que entre as motivações, fossem quais fossem, houve algumas positivas. Minha mãe queria que eu tivesse uma cultura europeia para, quem sabe, assumir a administração dos negócios deixados por meu pai. Suponho que também quis, de alguma forma, me preservar de seus próprios problemas ¿ com álcool, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor chegou a odiar sua mãe?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ódio é uma palavra forte demais. Houve um período na infância em que o sentimento dominante foi de rejeição. Eu me perguntava cotidianamente o que havia feito de errado para ser esquecido tão longe, num colégio interno em outro país. Depois veio a revolta. A gota d¿água se deu em 1970, quando voltei ao Brasil ¿ e ela não foi me buscar no aeroporto. Fui para a casa dela e tivemos uma briga homérica. Tempos depois, fui morar em São Paulo com os meus tios. Nosso afastamento parecia irremediável. Mas então, cerca de dois anos antes de sua morte, fui visitá-la em sua casa em Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, e criamos um novo laço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que aconteceu nesse reencontro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu estava partindo para uma viagem quando senti o impulso de visitar minha mãe. De repente, eu me dei conta de que ela tinha se tornado uma mulher muito solitária ¿ e eu nem sequer falava com ela. Tivemos uma linda conversa e segui viagem. Quando voltei, retomei o contato. Em um ano e meio, recuperamos dezoito anos de estranhamento. Viajamos juntos, rimos e sofremos juntos. A partir daquele encontro, eu passei a defender minha mãe na imprensa e briguei com inúmeras pessoas que insistiam em lhe oferecer bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor viu sua mãe alcoolizada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, sim. Nada é mais desagradável do que ver seu pai ou sua mãe tendo uma crise de alcoolismo. Eles perdem a razão e às vezes tomam atitudes para as quais você não está preparado ¿ por exemplo, pular de um carro em movimento. Até hoje me lembro em detalhes de alguns desses momentos terríveis. Os cheiros, os sons estão marcados a fogo na minha cabeça. Havia duas Maysas. A primeira era uma pessoa alegre, amorosa e descontraída. A segunda era a Maysa que bebia e ficava agressiva e temperamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há um momento da infância que o senhor relembre com carinho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A melhor lembrança que tenho é de quando ela cantava para mim. Eu estava ali, sentado na coxia de um teatro, e de repente minha mãe saía do palco e cantava A Noite do Meu Bem olhando para mim. Ela me encarava de tal maneira que eu ficava numa confusão de sentimentos. Muito emocionado ¿ a tal ponto que, às vezes, chegava a sentir medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que sua iniciação sexual ocorreu com a ajuda de sua mãe?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A escola em que estudei era extremamente rigorosa. Era simpática ao ditador espanhol Franco e os professores nos batiam por qualquer motivo. Nesse ambiente repressor, era difícil até olhar para uma mulher. Para dar uma ideia da situação, nós íamos à loucura ao ver os joelhos das meninas que arrumavam nossos quartos e limpavam nossos sapatos antes da hora de dormir. Então, aos 13 anos, eu fiz uma das minhas visitas ao Brasil. Numa conversa, minha mãe me perguntou se eu já tinha tido alguma espécie de contato com uma mulher. Eu disse que não. Ela então me disse: "Tenho uma amiga que quer te levar para passear, conhecer os lugares bonitos do Rio". Saí com essa mulher e aconteceu. Não foi uma relação profissional. E também não foi uma atitude constrangedora por parte de minha mãe. Foi uma das boas coisas que ela fez por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Sua mãe foi uma transgressora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim. E essa foi uma das características de sua história que me motivaram a fazer a minissérie. Maysa foi transgressora porque ousou viver com prazer e sofreu profundamente. Muitas pessoas sonham em ser como ela, mas lhes falta coragem para isso. Minha mãe falava o que pensava, nunca teve meias palavras e foi intensa em todos os sentidos. Isso é raro. Todo mundo se esconde atrás de uma máscara. Maysa, não. Nunca teve vergonha de assumir o que era e sabia que despertava nas pessoas à sua volta uma sensação de preocupação e medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a importância musical de Maysa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela representou a transição do período das cantoras do rádio para a bossa nova. Começou como uma mulher que, ousadamente, despejava seus sentimentos na canção. Quando a bossa surgiu, aderiu ao novo gênero. O disco Barquinho, de 1961, foi um dos primeiros lançamentos de uma grande cantora a trazer compositores de bossa nova. Ela também foi a primeira artista a levar a bossa nova para os palcos internacionais. No exterior, era acompanhada pelo Tamba Trio. O escândalo é que os artistas de bossa nova mal tocam no nome da minha mãe. Somente o Roberto Menescal lhe dá o devido valor. A maioria se refere a ela como "a cantora que namorou o Ronaldo Bôscoli". Ninguém diz que Barquinho teve uma repercussão maior do que a de qualquer outro disco de bossa nova lançado naquele momento, muito menos que foi ela quem levou João Gilberto para cantar na televisão pela primeira vez. Minha mãe foi injustiçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A série transmite a ideia de que o grande amor de Maysa foi seu pai, André Matarazzo. Foi isso mesmo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvida de que ela morreu apaixonada pelo meu pai. Ela estabelece isso muito bem em seu diário. No dia em que conheceu meu pai, escreveu: "Hoje eu encontrei o homem da minha vida". Minha mãe era obcecada pela ideia de ser muito feliz, de se relacionar com um homem que a aceitasse como ela era. E se sentiu muito frustrada em não poder realizar essa ideia com o André. Durante muitos anos, procurou em outros homens uma relação de amor como ela encontrara com meu pai. Para mim, ela morreu amando meu pai. E o Manoel Carlos, que escreveu a minissérie, também acha isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que o senhor aboliu o sobrenome Matarazzo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque quando eu comecei a trabalhar como cineasta as pessoas implicavam com o sobrenome Matarazzo. Eu ia pedir patrocínio para fazer meus filmes e tinha de ouvir as pessoas falando: "O cara é Matarazzo, não precisa de dinheiro para nada e vem se meter a fazer cinema?". Elas achavam que o patrocínio só era válido para os cineastas que tinham nascido pobres e ralavam na vida. Eu comecei a me sentir discriminado porque me chamava Matarazzo e não podia fazer cinema. Passei a assinar Jayme Monjardim porque as pessoas iam falar que, sendo filho de artista, eu podia ter mais chances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De que maneira esses sentimentos de filho interferiram em seu trabalho ao dirigir Maysa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando Manoel Carlos aceitou escrever o roteiro da série, teve essa exata preocupação. Insistiu que eu teria de esquecer os vínculos pessoais, caso contrário o trabalho seria impossível. Eu sabia que era capaz de alcançar o distanciamento necessário, não apenas porque tenho 52 anos e sou um profissional maduro, mas também porque já sofri tudo o que tinha de sofrer e já expiei tudo o que havia para expiar no que diz respeito à relação com minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houve momentos da gravação em que o senhor deixou esse distanciamento de lado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, houve alguns momentos em que fiquei emocionado. Como na cena do acidente de carro que tirou sua vida ou na cena em que a gente se despede. Mas eu tinha um compromisso com o elenco. Não podia simplesmente cancelar a gravação e dizer: "Gente, hoje não vamos gravar porque estou emocionado". Eu fazia as cenas e depois ia chorar no meu canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como a minissérie vai se refletir em sua carreira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer tranquilamente que minha trajetória se divide em a.M. e d.M. ¿ antes e depois de Maysa. A série é muito rica em detalhes. Tive a oportunidade de me esmerar na direção de arte, de trabalhar a luz de cada cena, de usar um elenco de atores pouco conhecidos e burilar cada personagem, de editar com tempo e carinho. A minissérie foi um enorme passo à frente para mim. Além de todo o significado pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual sua ambição como diretor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quero fazer filmes populares, para a massa. Em vez de ser o Antonioni, quero ser o Fellini. Em vez de ser o François Truffaut, quero ser o Steven Spielberg. E decidi que não vou mais me importar com certos preconceitos do meio artístico brasileiro. Em outros países, a classe artística reverencia quem está indo bem. Aqui, você faz um filme com mais de 3 milhões de espectadores, como foi meu caso com Olga, e seus colegas ficam com raiva. Nenhum deles liga, nem que seja para lhe dizer: "Olha, eu não gostei do filme, mas o sucesso contribui para o cinema brasileiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Duas mulheres com quem o senhor foi casado tiveram papel de destaque em suas novelas. Em Maysa, o senhor empregou dois filhos. Isso não é nepotismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Anos atrás, era comum deparar com grandes diretores da Globo casados com estrelas. Era o Paulo Ubiratan casado com a Natália do Vale, o Roberto Talma casado com a Maria Zilda. Por conta disso, virou comum achar que determinada atriz tem um papel de destaque porque está casada com o diretor de novela. Nada disso. Ingra Liberato e Daniela Escobar, pessoas com quem eu tive um relacionamento e por acaso tive a felicidade de dirigir, são grandes atrizes. Não posso negar à minha mulher um trabalho que ela mereça fazer. Com Jayminho e André, que aparecem em Maysa, aconteceu a mesma coisa. O Manoel Carlos pediu para eles fazerem um teste. Na hora, eu fiquei apreensivo porque era uma exposição muito grande. Mas o Jayminho fez o teste e conquistou o papel graças a seu talento. Já dei oportunidade a tanta gente nova, por que negaria uma chance a minhas mulheres e meus filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor se considera um bom pai?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tive uma dificuldade imensa em ser pai. Como eu poderia dar afeto e atenção se não sabia o que era isso? Jayminho e Maria, meus filhos mais velhos, sofreram muito. Não dei 20% do que um bom pai poderia dar. Eu era ausente, e me escondia atrás do trabalho. Com meu filho mais novo, André, creio que cheguei aos 80%. Espero que alcance a marca de 100% caso tenha outro filho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-2334266669174782478?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/2334266669174782478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=2334266669174782478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2334266669174782478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2334266669174782478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/eu-me-sentia-rejeitado.html' title='&quot;Eu me sentia rejeitado&quot;'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4089002222108646156</id><published>2009-12-11T12:58:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T12:58:23.203-08:00</updated><title type='text'>Um erudito à brasileira</title><content type='html'>A menção aos artistas viajantes do século XIX faz pensar em pintores como Debret e Rugendas, europeus cujas obras constituem documentos essenciais para quem deseja conhecer o Brasil daquele tempo. Muito menos lembrada é a existência de um "músico viajante", o austríaco Sigismund Neukomm (1778-1858), que desembarcou no Brasil em 1816, ao lado de um emissário do rei francês Luís XVIII. Ele viveu no Rio por cinco anos e aqui compôs 45 obras – algumas inspiradas em ritmos folclóricos. O CD Neukomm no Brasil, que chega nesta semana às lojas, traz seis peças que nunca haviam sido gravadas em disco e é um registro singular da passagem desse discípulo de Haydn pelo país. Não apenas discípulo: Neukomm se orgulhava de ter sido o "aluno predileto" de Joseph Haydn, um dos nomes centrais da música erudita, responsável, entre muitos outros feitos, pelo desenvolvimento do formato sinfônico. Em 1809, após perambular pelas cortes de São Petersburgo e Viena, Neukomm se mudou para Paris e caiu nas graças do príncipe Talleyrand. Esse grande vulto da política francesa do século XVIII o tornou uma espécie de compositor oficial e depois incluiu seu nome na missão enviada ao Brasil.  Quando Neukomm chegou ao Rio, num período de efervescência depois da mudança da família real portuguesa para a colônia, encontrou dois compositores de prestígio – o padre José Maurício Nunes Garcia e Marcos Portugal. Com sua formação esmerada, não tardou em reinar. Compôs a Grande Missa da Aclamação, escrita em 1818 para homenagear a rainha Maria I, e, um ano depois, apresentou um movimento final para o célebre Réquiem que Mozart deixara inacabado ao morrer, em 1791. A maior contribuição de Neukomm, contudo, foi trazer a música de câmara ao Brasil. Nunes Garcia e Portugal faziam composições para ser mostradas no Real Teatro ou na Capela Real. Neukomm criou peças virtuosísticas, tocadas por ele e pelo flautista Pierre Laforge nos salões da nobreza. É esse gênero que se faz presente em Neukomm no Brasil, em interpretações de Rosana Lanzelotte (pianoforte) e Ricardo Kanji (flauta), instrumentistas com trânsito livre pelas principais salas de concerto do mundo. Se pintores como Rugendas permitiram que o mundo conhecesse as paisagens e os costumes brasileiros, Neukomm, apesar de demonstrar algum interesse pelo folclore local, foi mais importante por trazer ao país a música européia. Contemporâneo de gênios como Beethoven e Schubert, ele acabou eclipsado, apesar de sua copiosa produção de 1.800 obras. Mas não merece o esquecimento, por seu papel de agente da cultura entre a elite brasileira do século XIX.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4089002222108646156?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4089002222108646156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4089002222108646156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4089002222108646156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4089002222108646156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/um-erudito-brasileira.html' title='Um erudito à brasileira'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3331266766615379231</id><published>2009-12-11T12:56:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T12:57:43.057-08:00</updated><title type='text'>No palco com Madonna</title><content type='html'>Na quinta-feira passada, em Buenos Aires, Madonna lançou mão de uma única frase em espanhol ao falar com os 60 000 fãs argentinos que assistiram à sua apresentação no estádio de futebol do River Plate. "Estoy linda?", gritou ela à multidão. Nem todos concordarão com a escolha da palavra. O que não se pode negar é que, com seu corpo diminuto esvaziado de qualquer gordura e mais musculoso que nunca, Madonna conquistou uma extraordinária presença física. Algo que os brasileiros também poderão comprovar entre os dias 14 e 20, quando a cantora americana sobe ao palco no Rio de Janeiro e em São Paulo, quinze anos depois de sua única passagem anterior pelo país. Mais do que sobre transgressão, sexo ou espiritualidade, temas constantes em sua carreira, o show Sticky &amp;amp; Sweet (Grudento &amp;amp; Doce) é uma celebração do corpo – e do corpo de Madonna especialmente, seu vigor e tenacidade aos 50 anos. Ela se contorce em coreo-grafias variadas, caminha incessantemente por uma plataforma de 17 metros e até mesmo pula corda, numa demonstração cabal de condicionamento aeróbico, durante quatro minutos da canção Into the Groove. Embora o show dure exata uma hora e meia, ninguém duvida quando Madonna afirma, num dos versos da canção Heartbeat, que "é capaz de se manter acesa a noite inteira".  A impressionante forma física que permite que Madonna, aos 50 anos, continue a estrelar o tipo de megaespetáculo que burilou em mais de duas décadas de carreira, é um trunfo particularmente importante no atual momento da indústria musical. Em anos recentes, a internet demoliu o modelo tradicional de negócio das grandes gravadoras. A venda de discos caiu e os shows ganharam relevância inaudita como fonte de receita para os artistas. Em outubro do ano passado, Madonna deixou sua gravadora de longa data, a Warner, e ligou-se à Live Nation, uma das principais promotoras de shows dos Estados Unidos. "Se o paradigma mudou, eu, como artista e mulher de negócios, também tenho de mudar", declarou a cantora ao assinar o contrato que lhe rendeu 120 milhões de dólares (25 dos quais em ações da companhia). A turnê Sticky &amp;amp; Sweet foi o primeiro fruto da parceria. Estima-se que vá render a soma recorde de 280 milhões de dólares (a marca anterior também era de Madonna: 193 milhões de dólares com Confessions Tour, de 2006). O contrato com a Live Nation estende-se por dez anos. Será mesmo que Madonna espera manter esse pique aos 60? Alguém dirá que Mick Jagger faz exatamente isso – mas ninguém sabe se a mesma boa vontade reservada pelo público a um "dinossauro do rock" vai se estender a uma diva do pop. Dada sua proverbial capacidade de se reinventar, não é improvável que a cantora desenvolva no futuro uma nova fórmula de apresentação. Por enquanto, continua fazendo o que se pede dela, com a excelência que astros mais jovens de seu segmento não conseguem alcançar. Vários desses astros, aliás, pagam tributo a Madonna em Sticky &amp;amp; Sweet. O palco, que leva cinco dias para ser montado, conta com diversos telões de alta definição, nos quais Justin Timberlake, Kayne West, Pharrell Williams e Britney Spears aparecem para dialogar com a cantora (no meio de tanta dança e agitação, esses são, aliás, os únicos momentos em que ela pára para respirar). Embora quase tudo no show seja coreografado e cronometrado, deixando pouco espaço para improvisações, pequenas mudanças vêm sendo feitas no decorrer da turnê. Em suas primeiras apresentações, por exemplo, Madonna dedicava a canção Miles Away aos "emocionalmente retardados" – uma referência ao cineasta inglês Guy Ritchie, com quem discutia os termos de um divórcio. Recentemente, o casal chegou a um acordo. Ritchie desistiu de embolsar uma parcela da fortuna da cantora, estimada em cerca de 400 milhões de dólares. Divergências sobre a maneira de educar os filhos também parecem ter sido superadas. A farpa dirigida ao ex-marido desapareceu do show. (E, como o tema é vida amorosa, sites e colunas de fofoca dão por certo que o jogador de beisebol Alex Rodriguez, com quem Madonna estaria tendo um caso, virá se juntar a ela nesta semana, no Brasil.)  Outro elemento deixado de fora é um trecho do vídeo que acompanha a interpretação de Get Stupid. Nesse vídeo estapafúrdio, há imagens de líderes e celebridades "malvadas" e "benignas". Durante a campanha presidencial americana, o candidato republicano John McCain foi incluído no primeiro time, ao lado de carniceiros como Hitler e Pol Pot, enquanto o candidato democrata Barack Obama aparecia na companhia do Dalai-Lama e de Madre Teresa de Calcutá. Definida a vitória de Obama, Madonna, a magnânima, condescendeu em retirar McCain do rol dos monstros. Em sua passagem pela América do Sul, contudo, a cantora não abriu mão de uma agenda política. Na Argentina, encontrou-se com a presidente Christina Kirchner e com Ingrid Bentancourt, a política colombiana que passou seis anos como prisioneira das Farc. No Brasil, deve encontrar-se com o presidente Lula. E daí? E daí nada. Como disse o jornal britânico The Guardian, o verdadeiro gênio de Madonna está em seu corpo. Todo o resto é mera distração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3331266766615379231?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3331266766615379231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3331266766615379231' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3331266766615379231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3331266766615379231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/no-palco-com-madonna.html' title='No palco com Madonna'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-9120936964679194399</id><published>2009-12-11T12:54:00.002-08:00</published><updated>2009-12-11T12:56:34.837-08:00</updated><title type='text'>O fiasco do roqueiro</title><content type='html'>Em meados da década de 90, quando o Guns N’ Roses se desmilingüiu, o vocalista Axl Rose herdou o nome do grupo e a aura de ser o maior responsável por seu sucesso estrondoso, traduzido em vendas de 90 milhões de discos. Dali em diante, ele nutriu os fãs com a promessa de que seu próximo trabalho seria histórico. Passaram-se catorze anos e, agora, a espera acabou. Chinese Democracy, o novo disco do Guns N’ Roses, chega às lojas no dia 25. "Você já imaginou alguém dizendo para Michelangelo correr com a Capela Sistina? Não se apressa uma obra de arte", disse o empresário Andy Gould para justificar a demora (desde já, uma das frases mais estúpidas da história do rock). O veredicto? Chinese Democracy, de fato, garante um lugar na história para Axl Rose – mas apenas como um megalomaníaco que gastou 15 milhões de dólares, um valor recorde, num disco ruim, muito ruim. Melhor seria ter mantido o silêncio e o mistério.  Há um punhado de histórias ruins sobre Axl Rose, hoje com 46 anos. Nos primórdios do Guns N’ Roses, ele nocauteou com uma garrafa de vinho uma vizinha que ousou reclamar do som alto. Mais tarde, foi acusado de bater em namoradas e estuprar uma fã. Uma de suas canções, One in a Million, destila preconceito contra negros, imigrantes e homossexuais. Axl disse certa vez que na infância sofreu abuso sexual do pai e do padrasto. Viriam daí a sua raiva mal contida, o abuso de bebida e drogas e a sua misantropia, que redundou no desejo de isolar-se. Desde 1996, quando sua mãe morreu de câncer, ele raramente é visto fora de sua mansão em Malibu, na Califórnia. Se vai fazer algo para divulgar o novo disco, ninguém sabe.  Em sua fase áurea, o Guns N’ Roses tinha o guitarrista Slash, co-autor de sucessos como Welcome to the Jungle e Sweet Child O’ Mine, o baixista Duff McKagan e o baterista Matt Sorum. Axl brigou com todos, e mostrou-lhes o cartão vermelho. Começou então a saga para encontrar substitutos. Cada novo instrumentista que se apresentava era submetido a um "teste psicológico" ministrado pelo guru do vocalista. É sugestivo que um dos músicos de Chinese Democracy seja o guitarrista Buckethead, que sobe ao palco com um balde da rede de fast-food Kentucky Fried Chicken enfiado na cabeça e uma máscara de Jason, o maníaco da série cinematográfica Sexta-Feira 13. No total, cinco produtores desistiram de trabalhar no disco após terem sido submetidos aos métodos insanos de gravação de Axl. Como exemplo, ele gastou 300 000 dólares para ajustar o som de um único instrumento – o bumbo da bateria.  Em Chinese Democracy, o hard rock do Guns N’ Roses original cedeu lugar a uma mistura de rock pesado e música eletrônica. Faixas como Catcher N’ the Rye, uma balada, talvez até toquem nas rádios, mas serão esquecidas em bem menos que catorze anos. Axl diz que o novo álbum é o primeiro de uma trilogia. A depender de sua presteza, os dois outros discos poderão ser a trilha sonora da próxima era glacial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que enfim&lt;br /&gt;As gravações mais sofridas da história da música pop&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álbum – Chinese Democracy&lt;br /&gt;Artista – Guns N’ Roses&lt;br /&gt;Quanto tempo demorou – Catorze anos (de 1994 a 2008)&lt;br /&gt; Razão do atraso – A maluquice disfarçada de perfeccionista do cantor Axl Rose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Álbum – Third&lt;br /&gt;Artista – Portishead&lt;br /&gt;Quanto tempo demorou – Dez anos (de 1998 a 2008)&lt;br /&gt;Razão do atraso – Geoff Barrow, o líder do grupo, se desiludiu com a musica e mudou-se para a Austrália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álbum – Smile&lt;br /&gt;Artista – Brian Wilson&lt;br /&gt;Quanto tempo demorou – 37 anos (de 1967 a 2004)&lt;br /&gt;Razão do atraso – Wilson entrou em depressão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Álbum – St. Anger&lt;br /&gt;Artista – Metallica&lt;br /&gt;Quanto tempo demorou – Dois anos (de 2001 a 2003)&lt;br /&gt;Razão do atraso – As brigas do grupo e os problemas do cantor James Hetfield com o álcool&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-9120936964679194399?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/9120936964679194399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=9120936964679194399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/9120936964679194399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/9120936964679194399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-fiasco-do-roqueiro.html' title='O fiasco do roqueiro'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-57021653662513525</id><published>2009-12-11T12:54:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T12:54:20.050-08:00</updated><title type='text'>Boas de jazz, mas discriminadas</title><content type='html'>A cantora e compositora americana Esperanza Spalding foi um dos destaques de um festival de jazz e pop realizado no fim de outubro em São Paulo e no Rio de Janeiro. Esperanza interpretou canções de sua autoria e fez uma releitura de Ponta de Areia, de Milton Nascimento e Fernando Brant; alternou-se entre o baixo elétrico e o acústico e se esmerou no scat, aquele improviso vocal celebrizado por Ella Fitzgerald. Mas um detalhe chamou tanta atenção quanto seu incontestável talento: a jazzista comandou uma banda de quatro instrumentistas, todos homens. No mundo do jazz, isso ainda é raridade. "Há músicos que pensam duas vezes antes de admitir que sou uma boa baixista. Convencê-los das minhas qualidades como líder de banda é ainda mais complicado", disse Esperanza a VEJA. Vanguarda musical por definição, os jazzistas são um bocado antiquados no que toca à presença feminina em seu meio. Cantoras sempre foram bem-vindas, e cantoras-pianistas também são toleradas, em especial quando fazem o gênero sexy – regra bem ilustrada pelo sucesso da canadense Diana Krall, que até a semana passada vinha se apresentando no Brasil. Mas a mulher que se arrisca a trabalhar como instrumentista corre o risco de ser rechaçada. O argumento mais comum – e tacanho – é que as moças não têm a mesma "pegada". A tese cai por terra quando se revê a história. Nos anos 30, já havia bandas de sopro femininas que tocavam com a mesma assiduidade e força que as masculinas. As mulheres também contribuíram para a evolução do gênero. Tome-se como exemplo a compositora e arranjadora Mary Lou Williams (1910-1981), autora de clássicos do repertório das orquestras de Benny Goodman e Tommy Dorsey, entre outros mestres do suingue. Aliás, hoje em dia, as mulheres são as grandes inovadoras do jazz. Entre elas, a regente e compositora Maria Schneider, que recentemente musicou os poemas de Carlos Drummond de Andrade; a trompetista Ingrid Jensen, que mistura jazz e música eletrônica; e a própria Esperanza, que combina soul music e MPB. Mas os comentários que elas ouvem continuam velhíssimos. Quando têm um bom desempenho, seus colegas dizem que até que tocaram bem para uma mulher. Já numa noite ruim, o veredicto é que, claro, tinha de ser uma mulher a estragar a apresentação. Muitas jazzistas driblam esse machismo falando grosso e desafiando os companheiros de banda. Diana Krall é conhecida pela ferocidade com que cobra empenho dos seus músicos. No ano passado, num festival de jazz em Ouro Preto, Ingrid deu um nó em um naipe de trompetistas. "Ela estava ali como convidada. Ainda assim, ficou nos sabatinando para ver se estávamos no mesmo nível dela", diz o trompetista Junior Galante. Outras, como Maria, recorrem ao estilo maternal, persuadindo seus músicos com fala mansa e termos suaves – e arranjos intrincados. A desvantagem é que a moça banca a mãe deles também fora dos ensaios. "Tenho de lembrá-los das coisas mais banais, como levar o passaporte em uma viagem internacional", diz ela. Esperanza alterna estilos conforme a ocasião. Como líder, faz a linha durona e trabalha o dobro do que qualquer um de seus músicos. No palco, a atitude de general da banda dá lugar à de menina sorridente, sensual e companheira dos músicos. "Meu desejo é que as pessoas reconheçam meu trabalho, independentemente de eu ser mulher", diz. Pelo que mostrou na turnê brasileira, ela está longe de ficar só na vontade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-57021653662513525?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/57021653662513525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=57021653662513525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/57021653662513525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/57021653662513525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/boas-de-jazz-mas-discriminadas.html' title='Boas de jazz, mas discriminadas'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7529575230219553124</id><published>2009-12-11T12:53:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T12:53:50.452-08:00</updated><title type='text'>A longa vida do tango</title><content type='html'>Em 1931, Aníbal Arias tinha 9 anos e estudava violão erudito quando pregou uma peça em seu professor: trocou as escalas de um concerto de Beethoven por um tango que escutara a caminho da escola. "Toque outra nota dessa canção degenerada e eu nunca mais darei aulas a você", rosnou o mestre. O tango, então, acabara de passar por uma de suas primeiras mutações. As letras pornográficas, que limitavam sua execução às casas de má fama de Buenos Aires, haviam dado lugar a letras sobre desilusões amorosas. Mas os músicos ainda não se convenciam de sua qualidade. A ironia é que, hoje, poucos gêneros são tão representativos do espírito de um país quanto o tango o é da Argentina. Sua influência está presente na literatura (o ritmo já foi abordado por escritores como Jorge Luis Borges e Tomás Eloy Martínez) e na maneira como os platinos encaram a vida. "O tango é a cultura da vítima e a única ocasião em que nós, argentinos, somos intensos", disse o escritor Alan Pauls. O tango nunca morreu, mas ganhou um novo fôlego com o lançamento, em 2005, de Café de los Maestros, disco duplo em que os produtores Gustavo Santaolalla e Gustavo Mozzi levaram de volta ao estúdio de gravação artistas dos anos 30, 40 e 50. Do disco passou-se a um livro e agora também a um documentário, que foi visto por mais de 50 000 pessoas em Buenos Aires e deve estrear no Brasil ainda neste ano. Os planos incluem ainda uma turnê. "É a prova de que o tango é a música clássica da Argentina", diz Arias, que, a despeito das carraspanas do professor, se tornou músico e arranjador de orquestras – de tango, claro. As origens do tango são nebulosas. Ele teria surgido no fim do século XIX da mistura de gêneros como candombe, habanera e milonga. O nome "tango" seria uma corruptela de "tambo", ou "batuque". O tom melancólico (não existe tango alegre) teria sido uma colaboração dos imigrantes italianos, saudosos de sua terra natal. De início, o novo estilo não escapava dos cabarés, onde era dançado por homens. A partir dos anos 20, porém, quando Carlos Gardel popularizou o tango-canção, ele sofreu seguidas revoluções. Na década de 40, os intérpretes passaram a cantar acompanhados por uma orquestra (e muitas delas dispensaram a figura do cantor); nos anos 60, Astor Piazzolla o levou para as salas de concerto. O gênero passou por um período de baixa na década de 70, quando foi associado ao regime militar (Piazzolla teve o desplante de jantar com o general Jorge Videla) e tachado de machista. "As letras de fato retratavam a mulher como uma figura fútil", diz o co-produtor Mozzi. "Anos depois, no entanto, percebi a riqueza dos arranjos daquelas canções." No início desta década, o gênero ganhou até uma vertente eletrônica. Mas é nas orquestras típicas, formadas por jovens cabeludos que empunham bandoneons e violinos, que o tango dá suas mostras mais nítidas de vigor. "Existe uma nova geração de meninos talentosos, que cria seu próprio material em vez de imitar os antigos artistas. São o futuro do tango", diz o bandoneonista Leopoldo Federico. Café de los Maestros, a despeito das aparências, não é um projeto de inspiração saudosista. Melhor dizer que ele é museológico. Apresenta quatro "escolas" do tango pré-Piazzolla (as iniciadas por Aníbal Troilo, Carlos Di Sarli, Juan D’Arienzo e Osvaldo Pugliese), em alguns casos com interpretação dos artistas originais. O trabalho incluiu a recuperação das partituras. Como muitas se haviam perdido, coube aos maestros escutar os discos e tirar nota por nota. O projeto também não deve ser confundido com Buena Vista Social Club, trabalho em que o guitarrista americano Ry Cooder recuperou a arte de músicos e cantores cubanos que havia muito tinham trocado a vida artística por subempregos. Os maestros tinham uma agenda agitada antes de aceitar o convite de Santaolalla e Mozzi. O bandoneonista Federico, de 81 anos, tem seu próprio grupo e é presidente da Associação Argentina de Intérpretes. "Comecei aos 8 anos e toquei com todos os mestres. Sou da época áurea do gênero, quando a Rua Corrientes era repleta de confeitarias. E todas elas tinham orquestras de tango em sua programação." Os cantores Virginia Luque e Juan Carlos Godoy também se mantêm na ativa. Virginia, de 81 anos, fez sucesso como atriz de cinema na década de 40. É uma cantora talentosa e uma das raras intérpretes do sexo feminino (afinal, a maioria das letras de tango fala de mulheres ingratas e interesseiras). "Certa vez, me vesti de compadrito e cantei um desses tangos apenas para mostrar que também compreendia o sofrimento dos homens", diz. Hoje, Virginia é uma das atrações do El Viejo Almacén, no bairro de San Telmo. Ali, em meio a fotos da mãe, da filha e figuras de santos, ela teoriza sobre a importância do tango. "É uma música especial porque traz o melhor de cada povo: o batuque negro, o bandoneon dos alemães, o canto da França...", enumera, fazendo menção à suposta nacionalidade francesa de Carlos Gardel (que muitos historiadores afirmam ter sido uruguaio). Virginia também é um dos poucos motivos para enfrentar o Viejo Almacén, casa de espetáculos para turistas. Ela canta duas músicas, nas quais derrama dramaticidade. Na primeira, encarna uma mulher desprezada. Depois, interpreta La Canción de Buenos Aires, sucesso de Azucena Maizani, sua madrinha artística. Juan Carlos Godoy é responsável por um dos momentos mais divertidos do documentário Café de los Maestros. Depois de ser filmado no hipódromo de Buenos Aires, ele confessa que gastou toda a sua fortuna nos cavalos. "Dinheiro vai, dinheiro vem", diz. "Tenho 86 anos bem vividos e não me arrependo de nada." Godoy é outro que começou na infância, cantando tangos em bares portenhos por alguns vinténs. Na adolescência, chegou a trabalhar na prefeitura de Buenos Aires, mas largou o emprego porque o salário ia mesmo parar inteiro no jogo. Godoy cantou nas principais orquestras do país e fez sucesso na Colômbia, onde, jura ele, vendeu 3 milhões de discos. Também excursionou pelos Estados Unidos. "Fui catorze vezes a Nova York. É uma cidade linda, mas nada se compara àquele hipódromo", diz. Godoy, atualmente, não apenas canta nos bares de Buenos Aires como faz recitais especiais – sem brincadeira – para cavalos. "Um tango bem cantado por mim é vitória na certa." O caçula de Café de los Maestros é o violinista Fernando Suárez Paz, de 68 anos, que teve seu período mais produtivo quando integrou o grupo de Astor Piazzolla, de 1978 a 1988. "Ele era um gênio, mas tinha temperamento difícil e era odiado pelos concorrentes, que tinham ciúme de seu talento", diz. Suárez Paz mantém um quinteto com o qual cumpre aquela que considera sua missão – "levar adiante a obra de Piaz-zolla" –, mas acha tempo para excursionar com o violoncelista sino-americano Yo-Yo Ma. "Sou o professor de tango dele", orgulha-se. O momento mais emocionante do documentário Café de Los Maestros se dá quando os músicos se apresentam no Teatro Colón, em Buenos Aires, numa das raras vezes em que esse santuário da música erudita abriu espaço para um gênero popular. "Para mim, foi a consagração do tango", diz Federico. Pelo êxito da récita, é provável que outras salas clássicas sigam o exemplo. "Meu filho, neste período tão difícil em que estamos vivendo, é natural que as pessoas queiram cada vez mais ouvir tango", encerra Virginia. Não é só Gardel que canta cada vez mejor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7529575230219553124?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7529575230219553124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7529575230219553124' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7529575230219553124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7529575230219553124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/longa-vida-do-tango.html' title='A longa vida do tango'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8783940760233553848</id><published>2009-12-11T12:52:00.002-08:00</published><updated>2009-12-11T12:53:15.227-08:00</updated><title type='text'>Quando elas querem ser abusadas</title><content type='html'>A canção mais picante do pop atual foi escrita por uma ex-artista gospel. Katy Perry, que nos tempos de moça carola atendia pelo nome de Katy Hudson, é autora de I Kissed a Girl, que traz os versos: “Eu beijei uma garota e gostei/ Do gosto do seu brilho de cereja/ Eu espero que meu namorado não fique cha-tea&amp;shy;do”. A música ficou dois meses no topo da parada dos Estados Unidos — e ganhou inimigos. Os moralistas a odeiam porque estaria levando as moças para o mau caminho. A comunidade gay torce o nariz porque Katy a teria composto para faturar alguns trocados, e não em nome da causa lésbica (o que ela não é). As reações mostram que a canção é provocante, ainda que de maneira bem pouco arriscada. O jeito de cantar de Katy Perry não força na sensualidade e o videoclipe de I Kissed a Girl é de uma pureza ímpar — em nenhum momento a cantora chega a realizar sua fantasia. A ousadia das mulheres cantoras, contudo, cobre um espectro bem mais amplo ao longo da história. Muitas vezes, elas se viram de fato em apuros apenas por interpretar uma canção.  O quadro que ilustra esta reportagem propõe uma forma de medir o grau de ousadia dessas músicas. Há uma diferença entre interpretar uma canção provocadora ou escandalosa. No primeiro grupo, incluem-se aquelas que tocam em temas espinhosos, mas de forma leve — as armas são quase sempre a ironia e a sensualidade marota. Aí cabe I Kissed a Girl. E ainda Smile, lançada pela inglesa Lily Allen em 2006 — a letra descreve sua vingança contra um ex-namorado que a trocou por outra. O máximo de provocação que Lily se permite é incluir um palavrão na letra. Já as canções escandalosas são agressivas — investem contra os tabus de maneira incendiária e muitas vezes vêm recheadas de termos chulos. I’m a Slave 4 U, em que a até então comportada Britney Spears assume seu lado vadia, é um exemplo. You Oughta Know, de Alanis Morissette, também se encaixa aí: trata-se de um rock raivoso em que ela destila ódio por um ex-namorado. Nessa escala da ousadia feminina, há ainda outro parâmetro para levar em conta: quanto uma música oferece de risco para sua intérprete. Os sucessos de Katy Perry e Lily Allen podem até lhes render alguma bronca. Embora mais contundentes, as canções de Britney e Alanis também só provocaram um efeito de choque providencial para as vendagens das artistas. Mas a história da música popular americana também registra exemplos mais duros. Strange Fruit, clássico que Billie Holiday lançou em 1939, aborda um assunto doloroso — o linchamento de dois homens negros no sul dos Estados Unidos. A platéia debandava quando Billie a cantava — e a companhia pela qual ela gravava seus discos se recusou a lançá-la. Love for Sale, composta por Cole Porter em 1930 e famosa na voz de Ella Fitzgerald nos anos 50, também causava esse tipo de mal-estar. Narrada sob o ponto de vista de uma prostituta, a letra misturava libertinagem com alusão às drogas: “Quem vai comprar/ Sentir um gostinho do meu produto/ Quem está disposto a pagar o preço/ Por uma viagem ao paraíso”. Também uma clara apologia das substâncias ilícitas, Rehab (2006), de Amy Winehouse, é outra viagem arriscada — inclusive para a saúde da intérprete, como se verifica pelo seu histórico de internações.   Madonna é das raras artistas que sabem ser tanto provocadoras quanto escandalosas. Material Girl, sucesso de 1985 que fala de uma garota que só sai com rapazes cheios da grana, era uma provocação água-com-açúcar. Pouco depois, contudo, ela causou escândalo real com Papa Don’t Preach, canção em que oferece uma visão incômoda da gravidez na adolescência. Madonna, aliás, é uma referência inescapável quando o assunto é a ousadia no pop. Antes de seu surgimento, no começo dos anos 80, eram raras as cantoras brancas que falavam de sexo de maneira explícita. Até então, as artistas brancas assumiam dois tipos de figurino: havia moças castas como Karen Carpenter, do duo Carpenters, e as que apostavam em letras existenciais e feministas, a exemplo de Carole King e Carly Simon. “Madonna pavimentou o caminho para minha geração”, derreteu-se Katy Perry em entrevista a VEJA. “Por meio de suas músicas, eu me senti segura para criar letras sob o ponto de vista da mulher.” A ex-carola aprendeu ainda outra lição com seu ídolo. Provocação e escândalo anabolizam a carreira de uma cantora — desde que usados em doses seguras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8783940760233553848?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8783940760233553848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8783940760233553848' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8783940760233553848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8783940760233553848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/quando-elas-querem-ser-abusadas.html' title='Quando elas querem ser abusadas'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-652205394593998382</id><published>2009-12-11T12:52:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T12:52:53.214-08:00</updated><title type='text'>O mandarim do piano</title><content type='html'>O pianista Lang Lang, de 26 anos, foi um dos grandes vencedores da Olimpíada de Pequim. Lang, claro, não participou das competições, mas firmou-se no papel de ícone da nova China. Na cerimônia de abertura, tocou num horrendo piano branco (sugestão do cineasta e diretor do espetáculo, Zhang Yimou, para quem a cor branca simbolizaria o futuro do país). Durante a festa de encerramento, atuou como comentarista para várias emissoras de TV do exterior. Lang destacou-se em meio a 1,3 bilhão de chineses tocando música erudita, um gênero que nos tempos de Mao Tsé-tung era tido como "decadente". Faz cerca de 120 concertos por ano a um cachê médio de 50 000 dólares (quantia que pode aumentar até cinco vezes, dependendo de quem o contrata). Mora em Nova York, tem uma coleção de carros de luxo e atua como garoto-propaganda de celulares, canetas e carros esporte. Ainda assim, é um orgulho da China comunista. "Estamos em meio a outra revolução cultural. Mas uma revolução cultural do bem", diz o pianista, em entrevista exclusiva a VEJA. Nascido na cidade de Shenyang, Lang descobriu o piano aos 3 anos de idade, assistindo a um desenho de Tom e Jerry que tinha como trilha sonora a Rapsódia Húngara Nº 2, do compositor Franz Liszt. Dois anos mais tarde, ganhou seu primeiro concurso no instrumento. Seu pai, Lang Guoren, um ex-violinista que, durante a Revolução Cultural, foi forçado a trabalhar numa fábrica de peças para bicicleta, viu no filho a oportunidade para escapar de uma vida cinzenta. Os dois migraram para Pequim, onde viveram sob condições miseráveis. Moravam num cortiço infestado de ratos e sem rede de esgoto. Os exercícios diários de Lang ao piano eram o terror dos vizinhos. "Imagine um garoto tocar Beethoven e Schumann para pessoas acostumadas à música folclórica chinesa. Elas batiam na parede, faziam ameaças." Lang Guoren exercia sobre o filho uma pressão brutal. Quando o menino tinha 9 anos, seu pai suspeitou que ele havia cabulado uma sessão de estudos e deu a isso a dimensão de uma tragédia: "Tudo está acabado. Você é um preguiçoso, um mentiroso e não merece viver". Guoren deu ao filho um vidro de remédios e ordenou que ele engolisse trinta cápsulas. Depois, mandou que ele saltasse do alto do edifício. Lang, desesperado, esmurrou as paredes até que suas mãos começassem a sangrar. Foi quando seu pai caiu em si: "Eu não quero que você morra. Só quero que você pratique!".  Em 1997, Lang Lang mudou-se para os Estados Unidos, para aprimorar sua técnica. Dois anos depois, atendeu a um chamado de última hora para substituir o pianista André Watts num recital. Tocou o Concerto para Piano, de Tchaikovsky, ao lado da Sinfônica de Chicago. Desde então, tem se apresentado com as principais orquestras do mundo. O pianista passa a falsa impressão de que determinadas obras eruditas são fáceis de ser tocadas (no YouTube, existe um vídeo em que ele interpreta uma peça de Chopin deslizando uma laranja sobre as teclas do piano). Por outro lado, sofre do defeito que acomete jovens concertistas: muitas de suas interpretações são exercícios de técnica desprovidos de sensibilidade. Mas Lang Lang trabalha para corrigir essa limitação. Hoje, estuda com Daniel Barenboim, outro ex-menino prodígio que se tornou um instrumentista e um maestro de alto gabarito. "Daniel ajuda a focar minha atenção na música." Outras mudanças de estilo chegam com a vivência. Nesta semana, as lojas da Europa e dos Estados Unidos recebem o disco em que Lang Lang interpreta os Concertos para Piano, do compositor polonês Frédéric Chopin. Escudado pela Filarmônica de Viena e pelo regente indiano Zubin Mehta, Lang relê uma obra que gravou pela primeira vez aos 13 anos de idade. "Na época, a única mulher em que podia pensar era minha mãe. Agora, sou capaz de compreender a sensualidade e o amor presentes na música de Chopin. Meu toque, meu fraseado e minha emoção denunciam isso." Com seu estilo flamboyant e cabelo espetado de roqueiro, Lang Lang diz que representa o povo chinês, mas não os seus governantes. De sua fala, contudo, transborda um nacionalismo exultante que certamente soa como música aos ouvidos dos dirigentes do Partido Comunista chinês. "Em vinte anos, a China será referência da música erudita mundial." Lang Lang já está na vanguarda dessa revolução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-652205394593998382?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/652205394593998382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=652205394593998382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/652205394593998382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/652205394593998382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/o-mandarim-do-piano.html' title='O mandarim do piano'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5111075102786029104</id><published>2009-12-11T12:51:00.001-08:00</published><updated>2009-12-11T12:51:45.379-08:00</updated><title type='text'>A bossa obscura</title><content type='html'>As comemorações dos cinqüenta anos da bossa nova renderam exposições, shows e um filme - OsDesafinados. Mas o gênero ainda guarda segredos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cartaz nos cinemas desde sexta-feira, Os Desafinados (Brasil, 2008) narra a trajetória de Joaquim (Rodrigo Santoro), Davi (Ângelo Paes Leme), Geraldo (Jair de Oliveira) e PC (André Moraes), músicos que em 1962, período de maior ebulição da bossa nova, vão para Nova York em busca de fama e fortuna. O filme deixa claro que o quarteto jamais conseguiu realizar esse sonho – e o personagem Joaquim é inspirado no pianista Tenório Jr., que, durante uma excursão por Buenos Aires, nos anos 70, saiu para comprar cigarros e desapareceu, seqüestrado por oficiais do Exército argentino. Os Desafinados faz parte do festival de comemorações em torno do cinqüentenário da bossa nova, que neste ano ganhou duas exposições em São Paulo, shows de João Donato, João Gilberto e da dupla formada por Caetano Veloso e Roberto Carlos (numa homenagem a Tom Jobim) e relançamentos em CD. Filme desigual, que alterna passagens enfadonhas com outras bem costuradas, ele tem o mérito de relembrar que a bossa nova não se limitou a João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes: houve diversos Joaquins, Davis, PCs e Geraldos, muitos merecedores de reconhecimento. Existem "desafinados" de dois tipos. Houve aqueles que influenciaram os nomes centrais da bossa nova, mas por motivos diversos ficaram de fora do panteão. Tito Madi, intérprete de canto suave, era um dos prediletos de João Gilberto e Roberto Carlos. O mesmo se pode dizer de Marisa Gata Mansa, ex-namorada de Gilberto e uma das primeiras a gravar suas composições. Em vez de adotar o rótulo "bossa nova", eles preferiram se definir como artistas de samba-canção. Madi ainda rompeu com João Gilberto, depois de receber uma violonada na cabeça, durante uma discussão. Sylvia Telles, por seu turno, foi a primeira cantora a gravar uma canção de Carlos Lyra – Menino, em 1955 – e a primeira a gravar uma parceria de Tom Jobim com Newton Mendonça (Foi a Noite, de 1956, tida como um dos marcos da bossa nova). Sylvia morreu num acidente de carro em 1966. Outros ficaram de fora por um capricho geográfico. Johnny Alf era reverenciado pelos músicos cariocas quando se apresentava na boate Plaza, em meados da década de 50. Canções como Rapaz de Bem anteciparam o que viria a ser a bossa nova – um estilo musical elegante, calcado no cool jazz americano, com vocais sussurrantes no lugar do estilo "estoura-peito" dos cantores de bolero e de samba-canção que apinhavam as rádios brasileiras. Anos depois, quando a bossa nova finalmente ganhou os holofotes, Alf morava e tocava em São Paulo – e desfrutou muito pouco a popularidade colossal alcançada pelo gênero. "É uma pena, porque suas harmonias são tão ricas quanto as de Tom Jobim", diz Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio, um dos principais grupos de samba-jazz (outra vertente da bossa). Outra categoria de "desafinado" é formada por bossa-novistas que lançaram discos significativos, mas que foram ofuscados pela tríade formada por Vinicius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto. Fazem parte dessa turma compositores do quilate de Carlos Lyra e Roberto Menescal e instrumentistas que ultrapassaram os limites da bossa nova – caso de João Donato e Marcos Valle. Lyra foi parceiro de Tom Jobim, de Vinicius de Moraes e de Ronaldo Bôscoli. Em 1961, passou a cobrar letras politicamente engajadas da turma da bossa nova e flertou com os sambistas dos morros cariocas. Passou ainda temporadas longe do país – primeiro no México, depois nos Estados Unidos – e hoje em dia goza de um prestígio infinitamente inferior ao seu talento. O pecado de Donato e Valle foi combinar a batida da bossa nova com outros gêneros musicais, como o funk. Essa ousadia lhes rendeu narizes torcidos entre os críticos da época e fez com que ficassem à margem do "cânone" (ainda que hoje sejam bastante reverenciados por DJs e produtores do exterior).  A bossa nova foi uma das últimas revoluções da música brasileira. "Ela abriu as portas para a MPB atual", diz o pesquisador Jairo Severiano. É também um dos gêneros musicais mais copiados em todo o mundo: astros da música pop internacional tentaram, em vão, copiar sua batida, DJs cruzaram o violão e o batuque da bossa com ritmos eletrônicos (o popular drum’n’bossa) e surgiram projetos de gosto duvidoso, como versões bossa para sucessos dos Beatles, dos Rolling Stones e até dos Ramones. A bossa virou fórmula e ganhou um rótulo de "música para relaxar". Daí o interesse de redescobrir os "desafinados" para o grande público e ampliar a história do gênero para além do que já virou clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os esquecidos&lt;br /&gt;Quem ficou de fora do panteão da bossa nova&lt;br /&gt; Tito Madi O que fez: foi um dos primeiros artistas a interpretar samba-canção de maneira delicada, quando era o canto "estoura-peito" que predominava. Esse modo de cantar influenciou João Gilberto e Roberto Carlos Por que ficou para trás: por causa de problemas de relacionamento (João Gilberto quebrou um violão em sua cabeça) e porque se dedicou mais à carreira de cantor da noite do que de intérprete de bossa nova  Johnny Alf O que fez: suas harmonias e improvisos jazzísticos ao piano atraíam fãs como Tom Jobim e João Gilberto. Para muitos críticos e artistas, foi o primeiro a burilar a linguagem da bossa nova, ainda no início dos anos 50 Por que ficou para trás: quando a bossa nova estourou, no Rio de Janeiro, ele já se havia mudado para São Paulo – e perdeu o bonde da história. De comportamento tímido, deixou passar várias oportunidades de mostrar seu trabalho no exterior  Carlos Lyra O que fez: foi um dos articuladores da bossa nova, ao lado de Tom Jobim e João Gilberto. É um melodista de primeira linha, com um repertório que vai da valsa e do samba-canção a composições calcadas em música clássica Por que ficou para trás: rompeu com a turma da bossa nova em 1961 e pediu letras mais engajadas. Em 1966, partiu para um auto-exílio no México, que durou cinco anos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5111075102786029104?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5111075102786029104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5111075102786029104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5111075102786029104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5111075102786029104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/bossa-obscura.html' title='A bossa obscura'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3696208009192573227</id><published>2009-12-11T12:38:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T12:47:44.123-08:00</updated><title type='text'>Chris Martin: O Deus tímido do rock</title><content type='html'>Alguns o odeiam. Milhões o amam. O que o cantor inglês Chris Martin, líder do fenômeno Coldplay, pensa da crítica, da fama - e até do comércio entre as nações&lt;br /&gt;Sérgio Martins, de San Jose&lt;br /&gt;Na semana passada, o roqueiro inglês Chris Martin cumpriu mais uma etapa da turnê de lançamento do novo álbum de sua banda, o Coldplay. Ao fim da passagem de som para a apresentação no HP Pavillion, na cidade americana de San Jose, na Califórnia, Martin concedeu uma entrevista exclusiva a VEJA. Com o mesmo fardão militar estilizado que enverga nas apresentações, ele se sentou no chão e abraçou as pernas. Uma pose que resume bem o personagem: Martin, de 31 anos, é um tímido que pratica o vegetarianismo e se engaja em causas como a da organização Fairtrade, que defende benefícios aos países pobres no comércio mundial. O mesmo Martin é líder da maior banda de rock da atualidade. Os três primeiros discos do Coldplay venderam mais de 30 milhões de cópias. Viva la Vida or Death and All His Friends amplia esse número já vistoso. Lançado no início do mês, está em primeiro lugar nas paradas de 36 países. Só nos Estados Unidos foram 700 000 cópias comercializadas na semana de lançamento (no Brasil, as vendas de 34 000 unidades já representam um disco de ouro). Na apresentação em San Jose, poucas horas depois da entrevista, o Coldplay mostrou por que galvaniza uma massa de ouvintes que vai dos adolescentes aos quarentões. A banda executou com brilho as canções do novo CD (produzido por Brian Eno, o homem por trás de alguns dos maiores sucessos dos irlandeses do U2, Viva la Vida traz um Coldplay que flerta com ritmos indianos e africanos). E Martin mostrou seu carisma: durante uma hora e meia, hipnotizou 15 000 pessoas com seu gestual desengonçado, suas brincadeiras e seu jeito peculiar de socar as teclas de seus pianos. Ele ironizou ainda a legião de pessoas que odeiam sua banda. "Gostaria que todos os críticos que falam mal de nós estivessem aqui vendo vocês cantarem essa música comigo", discursou antes de interpretar o sucesso Yellow (que, recentemente, virou caso de polícia em Seattle, nos Estados Unidos: farta de ouvir a música, a freqüentadora de um karaokê partiu para cima de um incauto que a interpretava). Martin só perde o jeitão tranqüilo quando tem a intimidade de sua família invadida pelos paparazzi ¿ ele é casado com a atriz americana Gwyneth Paltrow, com quem tem os filhos Apple e Moses, de 4 e 2 anos. O cantor falou sobre o assunto na conversa com VEJA ¿ e anunciou que o Coldplay deverá se apresentar no Brasil em março de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Viva la Vida estreou em primeiro lugar em 36 países. O Coldplay é a maior banda de rock da atualidade? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, somos os maiores do rock atual, mas num sentido bem limitado. Só porque o U2 e o Green Day não lançaram discos neste ano. É como vencer um torneio de golfe de que (o golfista americano) Tiger Woods não participou. Diria que estamos entre as dez melhores bandas. Mas você sabe que não ouço os discos do Coldplay? Eles me fazem ter pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por quê? São discos ruins? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Trabalho duro em cada disco que faço. Mas, quando os escuto, sempre penso que poderia ter feito melhor. No fundo, isso não é defeito, é a busca pela perfeição. Um dia prometo que vou escutar os discos do Coldplay. Quando estiver com 90 anos e não tiver nada melhor para fazer, quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Coldplay desperta reações extremas. Muitos os endeusam, outros os odeiam. Como encara isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu me assusto com o ódio. Sempre acreditei que formamos uma banda autêntica, pela química que há entre os integrantes. Somos quatro almas que se completam e temos um trabalho em que botamos fé. Não entendo a causa de tanta animosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As críticas o ferem? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Procuro simplesmente não lê-las. Só presto atenção quando alguém me alerta sobre uma observação pertinente. Nas críticas aos shows da nova turnê, jornalistas apontaram alguns exageros no palco, o que nos levou a mudar nossa atuação. Agora, se as pessoas odeiam a banda por nada, paciência. Tem gente que precisa destilar seu ódio. Se me escolhem como saco de pancadas, que assim seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você colabora com a organização Fairtrade, que prega a derrubada das barreiras comerciais entre países ricos e pobres. Como se envolve no projeto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já tive participação mais ativa. Deixei a Fairtrade de lado para me dedicar ao novo disco do Coldplay. Ou seja, hoje sou só um entusiasta silencioso da organização. Continuo acreditando que esse projeto pode reduzir a miséria em vários países, inclusive no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é contraditório seu apoio ao democrata Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos? Ele defende políticas protecionistas para certos setores da economia americana, o que vai de encontro às teses da Fairtrade.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apóio Obama porque sou inteligente. Na última frase de sua autobiografia, ele escreve: "Meu coração está cheio de amor pelo meu país". Isso soa nacionalista demais ¿ mas Obama está tentando ser eleito presidente de um país cujo nacionalismo é exacerbado. Ao ler o restante do livro, nota-se que ele tem uma visão de mundo mais aberta que a do republicano John McCain. Por mais que se diga protecionista, vai pensar nos outros países. Podem me acusar de ingenuidade, mas acredito que os políticos de hoje são melhores que os de ontem. E serão cada vez melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando você descobriu que queria ser músico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou da cidade de Devon, no sul da Inglaterra. Talvez o leite daquela região tenha algo especial, pois produziu outros artistas interessantes, como Joss Stone. Minha descoberta musical se deu na escola. Ela era bem tradicional em relação à música, no máximo abria espaço para corais e pequenas orquestras ¿ que têm seu valor, mas podem ser aborrecidos para um adolescente. Certo dia, um novo professor apareceu com vários teclados. Eles estavam um tanto gastos, mas ainda funcionavam. Foram uma revelação para mim. Comecei a cantar bem mais tarde. Estava na Tunísia com um amigo e havia um bar na cidade que promovia concursos de karaokê. O vencedor ganhava uma garrafa de uísque. Ganhei várias. E nem bebia na época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Canções como Clocks denotam certa influência da música clássica. Você aprecia o gênero? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como todo pianista, adoro ouvir Chopin. Mas ainda não consegui tocar nada dele, porque é rápido demais. Também gosto de Beethoven. Aliás, li recentemente que Because, dos Beatles, é a sonata Moonlight tocada ao contrário. Estou doido para checar se é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O assédio aos popstars pode ser brutal. O que você faz para se livrar dos fãs indesejados?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não faço nada, pois raramente sou reconhecido nas ruas. Muitos que vêm falar comigo acham que sou James Blunt, que fez um sucesso enorme com a canção You're Beautiful.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não dá para negar que você é perseguido pelos paparazzi... &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho "perseguido" uma expressão forte demais. O máximo de chateação é não poder fazer compras com minha mulher (a atriz Gwyneth Paltrow), que também é famosa. Nem eu nem ela encorajamos esse tipo de assédio. Mas não é o fim do mundo. Se for o preço a pagar para dar uma vida confortável à minha família, tudo bem. Outras pessoas sofrem mais com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como suas colegas de profissão Britney Spears e Amy Winehouse? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se existe uma pessoa cuja vida foi arruinada por essa gente é Britney. Eu me considero um sujeito de sorte porque pertenço a uma banda e sou homem (eles costumam perseguir mais as mulheres). Britney tem de lidar com esses pilantras diariamente. O caso de Amy também é triste. Jonny, nosso guitarrista, é vizinho dela e todos os dias depara com um batalhão de paparazzi. Amy é um anjo. Odeio saber que causam mal a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que você costuma falar de si próprio com humor depreciativo? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque sou honesto. E também há um quê de Woody Allen nisso: ele é meu cineasta predileto e está sempre fazendo piadas sobre si mesmo. Muitas letras do Coldplay são inspiradas pelas visões de Woody sobre sexo, vida e amizade. Só uma piada do filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa já renderia um disco inteiro do Coldplay. Duas senhoras estão num restaurante e uma delas diz: "A comida aqui é horrível". A outra responde: "Horrível e vem em pequenas porções". Com isso, Woody quis dizer que a vida é dolorosa ¿ e também que passa rápido demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você é inseguro? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando estou com a banda, nunca. Quando estou sozinho, eu me questiono continuamente. Para ser sincero, acho que a única pessoa no mundo que não é insegura é (o presidente americano) George W. Bush. Ele é tão maluco que não tem tempo para isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3696208009192573227?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3696208009192573227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3696208009192573227' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3696208009192573227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3696208009192573227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2009/12/chris-martino-deus-timido-do-rock.html' title='Chris Martin: O Deus tímido do rock'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1591689997165609788</id><published>2008-07-09T12:59:00.001-07:00</published><updated>2008-07-09T12:59:58.311-07:00</updated><title type='text'>Doutora em MPB</title><content type='html'>No mês passado, a Berklee College of Music, uma das principais instituições culturais americanas, concedeu o título de "doutor" a algumas personalidades do meio musical. Entre os agraciados estavam o compositor canadense Howard Shore, Oscar de melhor trilha sonora de 2001 e 2003 pelos temas de O Senhor dos Anéis; Philip Bailey e Maurice White, integrantes do grupo Earth Wind &amp;amp; Fire; e a cantora baiana Rosa Passos. Rosa, que está lançando o disco Romance, é uma das raras intérpretes brasileiras que de fato fazem sucesso no exterior. "Meus discos são fonte de pesquisa dos estudantes e professores de Berklee", diz. O sucesso dessa artista de 56 anos não se resume ao campus. Ela coleciona elogios de astros do primeiro escalão, como o baixista de jazz Ron Carter e o violoncelista erudito Yo-Yo Ma ("Rosa tem a voz mais linda que ouvi", diz). O jornal The New York Times e a revista The New Yorker elogiam seus trabalhos, rotulando-a como "João Gilberto de saias". "Gosto do título, mas meu trabalho não se resume a cantar músicas de João."  O sucesso de Rosa no exterior ainda não se refletiu no mercado brasileiro. Ela sempre lançou discos por selos pequenos. Além disso, trabalha na fronteira entre dois gêneros envelhecidos – a MPB clássica e o jazz. Mas é preciso prestar atenção quando alguém revisita o repertório tradicional com tanta personalidade, inteligência e força. Rosa não é uma daquelas cantoras que fazem música para estrangeiro ouvir nem uma artista que buscou pateticamente "o sucesso lá fora". Simplesmente, canta bem. Romance é um disco em que técnica e emoção convivem harmoniosamente. E, por mais que as canções tenham sido gravadas por outros autores, ela sempre dá um jeito de adaptá-las ao seu universo. É o que acontece com Atrás da Porta. Para muitos, a versão definitiva da canção de Francis Hime é aquela gravada em 1972 por Elis Regina, cujo canto desesperado foi imitado por outras intérpretes. Rosa a transforma numa outra canção. Sua Atrás da Porta é mais contida, porém não menos sofrida. "Eu torturo a banda, quebro a cabeça. Mas não aceito copiar uma fórmula."  Rosa despontou em 1972, quando foi vencedora de um festival de música. Em 1979, lançou o primeiro disco. E então passou doze anos sem pisar no estúdio, cantando esporadicamente. Dedicou-se a criar os filhos em Brasília, para onde se mudou com o marido, Paulo Sérgio Passos, funcionário público de carreira que se tornou ministro dos Transportes nos meses finais do primeiro mandato do presidente Lula. "Meu marido é um sujeito honesto e trabalhador. Isso é o máximo que falo sobre política", diz a cantora. Rosa educou os filhos e sobreviveu à aridez de Brasília. Em 1993, gravou o CD Festa – que começou a espalhar seu nome pelo mundo. Romance está nas primeiras posições da parada de jazz dos Estados Unidos. Espera-se que essa cantora singular finalmente seja reconhecida no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1591689997165609788?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1591689997165609788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1591689997165609788' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1591689997165609788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1591689997165609788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/07/doutora-em-mpb_09.html' title='Doutora em MPB'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-2230639977478142339</id><published>2008-07-09T12:57:00.000-07:00</published><updated>2008-07-09T12:58:48.855-07:00</updated><title type='text'>Doutora em MPB</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-2230639977478142339?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/2230639977478142339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=2230639977478142339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2230639977478142339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2230639977478142339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/07/doutora-em-mpb.html' title='Doutora em MPB'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8571941544339573342</id><published>2008-06-26T07:49:00.001-07:00</published><updated>2008-06-26T07:49:29.962-07:00</updated><title type='text'>Do jeito que o diabo gosta</title><content type='html'>Recentemente, o pastor Al Green, de 62 anos, pregava na igreja Full Gospel Tabernacle, em Memphis, Estados Unidos. Momentos depois de descer do púlpito, foi abordado por um casal de meia-idade, que afirmou que ele era o responsável por sua felicidade conjugal. Mas o sermão de Green, por melhor que seja – e é –, não tem nada a ver com aquilo. Na verdade, marido e mulher foram influenciados pelo alto teor de romantismo e sexualidade presentes em Let’s Stay Together, Love and Happiness e Tired of Being Alone, músicas que ele gravou na década de 70 e que lhe renderam o epíteto de “fazedor de bebês”. “Não sei como nunca conheci alguém chamado Let’s Stay Together da Silva”, diz Green. O cantor está lançando Lay it Down, seu quinto álbum de material secular depois de se dedicar por treze anos ao mercado gospel. É seu melhor lançamento desde então: Green trabalhou ao lado de astros como a cantora Corinne Bailey e o baterista Ahmir ?uestlove Thompson e compôs onze ritos de acasalamento, à altura de sua produção da década de 70. “Descobri que é isto o que o Senhor quer de mim”, confessa.&lt;br /&gt;Na música negra norte-americana, existe uma tênue divisão entre religião e sexo. Os maiores artistas desse gênero surgiram em igrejas, cantando músicas para o senhor. Com o passar do tempo, eles descobriram que a mesma devoção utilizada para arrebanhar fiéis poderia ser também usada para conquistar fãs – principalmente do sexo feminino. O caso mais emblemático é o de Sam Cooke, ex-artista gospel que se tornou ícone da soul music. O pioneirismo de Cooke não se restringiu ao modo de cantar. Sua postura de palco, que variava do romântico ao libidinoso, também foi adotada pelos artistas de gerações posteriores – Marvin Gaye e Al Green são herdeiros do gestual do cantor. Mas existe um elemento trágico na história de cada artista que muda seu objeto de devoção. Cooke foi assassinado em 1963, num mal explicado caso de estupro. Gaye se arrependeu tanto de ter trocado Deus pelo sexo que se transformou num artista amargo e viciado em drogas e que morreu abatido a tiros pelo próprio pai, em 1984 – que era pastor mas adorava sair às ruas vestido de mulher. O lado anedótico fica por conta do roqueiro Little Richard. Extravagante ao extremo e homossexual não assumido, Richard virou pastor depois de sobreviver a um acidente de avião em 1957 (caso sobrevivesse, ele prometeu que abandonaria o showbiz). Richard quebrou a promessa cinco anos depois – e até agora passou incólume pela ira divina.&lt;br /&gt;Nascido no estado americano de Arkansas, Green também começou a carreira como artista gospel. Aos nove anos de idade ele formou, ao lado dos seus irmãos, o conjunto vocal Green Brothers. Sete anos depois, o cantor descobriu o rhythm’n’blues. Green foi um dos artistas de música negra mais bem-sucedidos da década de 70. Os vocais em falsete e as letras eróticas são algumas das marcas registradas desse período. Mas em 1974, uma tragédia fez com que Green repensasse sua vida. A ex-namorada do cantor jogou um balde de minguau quente em suas costas e matou-se logo em seguida. Green evita falar do assunto nas entrevistas que concede à imprensa, porém não economizou detalhes na sua autobiografia, lançada há oito anos. “Eu passava as mãos nas minhas costas e arrancava pedaços da minha pele. Foi uma dor indescritível”, confessa. Para Green, o acidente foi um sinal divino. Ele comprou uma igreja na cidade de Memphis e aos poucos foi se afastando do mundo do entretenimento.&lt;br /&gt;A volta aos palcos, segundo Green, também se deu por vontade divina. “O Senhor sabe que eu sempre cantei o amor. E seu eu posso falar do amor que sinto por Ele em minhas canções por que não haveria de cantar o amor entre um homem e uma mulher?”, diz. O fato de Thompson, baterista e produtor de Lay it Down, ser um artista ligado ao hip hop, não o incomodou. “Eu usei um método pouco religioso, mas eficaz”, brinca. “Usei meu relógio e o hipnotizei. Dizia: ‘você vai deixar aquela batida de hip hop de lado e fazer um disco igual aos meus trabalhos da década de 70...’ Funcionou!” Por mais que careça de boas letras – Nate Chinen, crítico do New York Times, observou que a palavra life (vida) sempre rima com wife (esposa) –, o disco é uma bela viagem à soul music da década de 70. Além disso, os duetos de Green com Corinne Bailey Rae (em Take Your Time) e Anthony Hamilton (em You’ve Got the Love I Need) são mostras de como Green foi uma influência presente na nova geração de artistas da música negra - que tenta, em vão, emular seus preciosos falsetes. “O disco irá unir novos casais e criar novos bebês, pode estar certo. Quem sabe daqui a alguns anos iremos conhecer um Lay it Down da Silva”...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8571941544339573342?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8571941544339573342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8571941544339573342' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8571941544339573342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8571941544339573342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/06/do-jeito-que-o-diabo-gosta.html' title='Do jeito que o diabo gosta'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5550748672944219885</id><published>2008-06-09T10:59:00.000-07:00</published><updated>2008-06-09T11:00:10.428-07:00</updated><title type='text'>Um gosto a adquirir</title><content type='html'>A música de Anton Bruckner (1824-1896) é um gosto que se adquire com algum esforço. Compositor do período romântico, ele não surge nas salas de concerto com a mesma freqüência que o alemão Brahms ou o russo Tchaikovsky – para ficar em dois de seus contemporâneos. São raras as orquestras que programam suas sinfonias e mais raros ainda os grupos sinfônicos que excursionam com um repertório baseado nele. Aqueles que se convertem à sua obra, contudo, expressam devoção. "Virei maestro para poder reger Bruckner", diz Daniel Barenboim. À frente da Staatskapelle Berlin, o regente argentino comandará um evento inédito no cenário erudito brasileiro (e raro, como se disse, em qualquer outro lugar): uma "semana Bruckner". De 25 a 27 de maio, a orquestra alemã vai executar a Sétima, a Oitava e a Nona sinfonias do compositor austríaco (as récitas trarão ainda trechos de duas óperas de Wagner e duas obras de Schoenberg). Coube à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) cuidar do prato de entrada: de quinta a sábado, ela vai apresentar a Sétima Sinfonia (no domingo, toca a mesma peça no Rio de Janeiro). "Será um banquete", afirma Barenboim.&lt;br /&gt; As sinfonias de Bruckner são longas, densas, lineares – o que por vezes torna extenuante a sua audição. Tome-se o caso da Nona Sinfonia. Seus três movimentos (o autor morreu antes de completar o quarto e derradeiro movimento) duram mais de uma hora. "Todos devem ter o direito de ir e vir durante a execução de uma obra de Bruckner", ironizou certa vez o crítico americano Alan Rich, concedendo um habeas corpus ao ouvinte. Em compensação, quem dá tempo a essa música cheia de camadas e detalhes alcança uma experiência ímpar. "Nas mãos de um bom regente, as sinfonias são belas e repletas de religiosidade, como uma catedral gótica", diz o crítico inglês Norman Lebrecht. De fato, poucos momentos na música são tão solenes e belos como o adágio da Sétima Sinfonia (dedicada a Richard Wagner, grande ídolo de Bruckner, e infelizmente utilizada pelos nazistas para anunciar a morte de Hitler) ou as trompas do primeiro movimento da Oitava Sinfonia. &lt;br /&gt; Para as orquestras, o desafio de tocar Bruckner não está em complicações rítmicas nem em passagens rápidas. Está na altíssima exigência de entrosamento e maturidade. Os naipes têm de possuir um pensamento único em relação às dinâmicas, expressões e cores. "Uma apresentação imperfeita cria caos no palco e na platéia", diz o oboísta e maestro Alex Klein, que cansou de tocar Bruckner na Sinfônica de Chicago sob o comando de Barenboim. Esse, por seu turno, aponta outro tipo de dificuldade na execução das obras do austríaco. "Ele é um artista intrigante. A Quinta e a Oitava sinfonias, por exemplo, possuem harmonias típicas do século XIX, uma estrutura do período barroco e uma atmosfera de música medieval", afirma. &lt;br /&gt; Por muitas décadas, Bruckner foi uma espécie de segredo dos austríacos e alemães. Só começou a ser assimilado pelas platéias do resto do mundo durante a II Guerra. Nesse período, regentes como Bruno Walter e Otto Klemperer fugiram do nazismo e levaram o repertório do compositor na bagagem. Barenboim pertence ao quadro dos brucknerianos de alta patente, que não são muitos. Por duas vezes, ele gravou as nove sinfonias do autor. A primeira foi entre as décadas de 70 e 80, com a Sinfônica de Chicago. A segunda, nos anos 90, com a Filarmônica de Berlim. Mas a Staatskapelle Berlin, diz Barenboim, propicia uma nova visão do trabalho do austríaco. "Como eles estão acostumados a tocar ópera, ressaltam de maneira incomum similaridades e pontos de contato com a música de Wagner", explica. "Em certas passagens da Nona Sinfonia, eu me sinto como se estivesse em Bayreuth, o grande centro do wagnerismo, regendo Parsifal." O ouvinte, tomara, estará no paraíso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5550748672944219885?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5550748672944219885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5550748672944219885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5550748672944219885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5550748672944219885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/06/um-gosto-adquirir.html' title='Um gosto a adquirir'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3204022771904576367</id><published>2008-06-09T10:54:00.000-07:00</published><updated>2008-06-09T10:58:11.013-07:00</updated><title type='text'>Glad to Be gay</title><content type='html'>Confesso que não achei lá essas coisas a apresentação do cantor e compositor canadense Rufus Wainwright em São Paulo. Shows de voz e piano exigem um exímio instrumentista e um cantor acima da média - Wainwright não é uma coisa nem outra. Sim, é muito engraçado, faz piadas o tempo todo, o que nos faz lembrar os entertainers do showbiz americano. Mas depois de meia-hora, esse excesso de piadas dá sinais de cansaço. A entrevista, porém, foi uma das mais engraçadas eu que já fiz. Ei-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – A cantora canadense Diana Krall declarou recentemente que o senhor é um dos últimos bastiões da música popular americana. O que o senhor acha dessa responsabilidade?&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, Diana Krall é uma fofa. Amei o que ela disse. Creio que a minha missão é recuperar a qualidade da música americana, que nas últimas décadas andava muito estagnada. Sou um compositor moderno, mas as minhas inspirações datam do final do século passando, quando artistas como Cole Porter e Irving Berlin davam as cartas no cenário musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – No final do ano passado, o senhor lançou um disco em que recriou uma apresentação da cantora Judy Garland de 1956. O álbum faz parte dessa tentativa de recuperar a música americana?&lt;br /&gt;Sempre fui fã de Judy Garland. Nos meus melhores dias, sonhava em ser a Dorothy de O Mágico de Oz. Nos piores, queria mesmo ser a Bruxa Má do Oeste. O que me encanta naquele disco, além do repertório é que Judy estava completamente drogada quando gravou o disco – ou seja, é um milagre que tenha saído tão bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Na época houve boatos que Liza Minelli, filha de Judy, participaria da apresentação – o que acabou não acontecendo? Por que ela desistiu?&lt;br /&gt;Liza Minelli é bastante sensível a tudo que envolve a mãe. Mesmo porque existia uma competição entre elas. Liza soube do projeto, ficou horrorizada e evitou qualquer contato comigo. O que foi ótimo, sabia? Vai que ela topasse participar, desse um piti e saísse no meio da apresentação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Em suas apresentações, o senhor costuma encarnar como poucos a figura do entertainer – canta, toca, dança, conversa com o público. Concorda que é uma arte que anda em falta no cenário pop?&lt;br /&gt;Sim, claro. Mas veja bem, meu querido, venho de uma família de músicos. Minhas refeições, roupas, meu estilo de vida, dependiam do que eles conseguiam trazer para casa. Posso afirmar que as apresentações deles valiam cada centavo gasto pelo público. As minhas também, apesar de cometer alguns erros de vez em quando. Mesmo assim, o público me adora. Talvez o erro me torne mais humano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – O senhor preparou algo especial para as suas apresentações no Brasil?&lt;br /&gt;Desde que eu disse “sim” para o Brasil, tenho feito um curso sobre o país. Conversei com Bebel Gilberto e Paula Lavigne, duas grandes amigas minhas, e tenho estudado música brasileira. Mas nada irá se comparar com a emoção de ver os brasileiros ao vivo e em cores. Vocês são tão bonitos, tão gentis... tão perigosos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Tudo bem, mas o senhor poderia dizer algo sobre o repertório?&lt;br /&gt;Vou tocar piano e serei acompanhado pela minha irmã, a cantora e compositora Martha Wainwright, e minha mãe, a cantora Kate McGarrigle. O repertório será baseado nos meus discos, releituras, e algumas coisas do meu próximo CD, que será gravado na base de piano e voz. Seria algo como Rufus Wainwright nu e cru. Pensando bem, acho que irei tocar sem roupa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – O senhor já declarou que sente inveja do talento de sua irmã, Martha Wainwright. Por que então está trazendo ela ao Brasil?&lt;br /&gt;Porque ela é muito talentosa! Dentro de mim, existe um ser mesquinho e egomaníaco, que tem inveja do que ela escreve, do talento dela como cantora... Por outro lado, dentro de mim existe um ser generoso que torce pela irmã. Foi minha personalidade boazinha que a convidou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – Como anda o seu projeto de escrever uma ópera?&lt;br /&gt;Está a todo vapor. Ela irá se chamar Prima Donna e irá contar um dia na vida de uma diva do canto. Mas não, querido, eu não irei interpretar a prima dona. Penso em cantoras mais experientes, como a finlandesa Karita Matilla e a americana Deborah Voight. Estou cuidando de tudo – da partitura ao libreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja – O senhor está mostrando uma empolgação incomum com o povo brasileiro. Por acaso irá trazer o seu namorado?&lt;br /&gt;Ele não virá. Graças a Deus! Mas que maldade, eu sou um menino bonzinho e apaixonado. E prometi me comportar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3204022771904576367?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3204022771904576367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3204022771904576367' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3204022771904576367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3204022771904576367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/06/glad-to-be-gay.html' title='Glad to Be gay'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4836864066437011216</id><published>2008-04-28T08:54:00.002-07:00</published><updated>2008-04-28T08:55:15.212-07:00</updated><title type='text'>A ópera do roqueiro</title><content type='html'>Às 14 horas da terça-feira passada, o músico inglês Roger Waters chegou ao Teatro Amazonas, em Manaus, com um bom repertório de vivências "típicas" da região. Ele havia pescado tucunarés. Havia feito passeios de barco para nadar com botos e avistar macacos. E também tinha apreciado um pôr-do-sol no Rio Negro, com um copo de gim-tônica nas mãos. Faltava descobrir o peculiar senso de tempo dos amazonenses, assim descrito pelo romancista Milton Hatoum, nativo do estado: "O fluxo do tempo é tão lento que a vida pode se arrastar sem pressa". Ansioso para conferir detalhes da montagem de sua ópera Ça Ira, Waters não encontrou ninguém no teatro. Só depois de vinte minutos, pontuados por bufos e imprecações ("Bastards!"), ele pôde se enfurnar numa sala ao lado do palco, de onde testou uma série de efeitos sonoros. Bem mais ao seu gosto foi a pontualidade com que, naquela noite, aconteceu a estréia do espetáculo. Às 20 horas, o músico subiu ao palco e agradeceu às autoridades do estado, em português, pela iniciativa de produzir Ça Ira. Estava aberto oficialmente o 12º Festival Amazonas de Ópera. A esta altura, o leitor talvez esteja perguntando: Roger Waters? Sim, é ele mesmo, o baixista do Pink Floyd, uma das bandas de rock mais cultuadas de todos os tempos. Ça Ira (algo como "agora vai") é uma parceria de Waters com os compositores franceses Étienne e Nadine Roda-Gil. Em 1988, eles apresentaram ao roqueiro um libreto que mostrava a história da Revolução Francesa contada por uma trupe de circo. De acordo com Waters, o presidente francês François Mitterrand teria adorado a idéia e queria apresentá-la na Ópera da Bastilha no ano seguinte, durante as comemorações do bicentenário da revolução. Uma série de problemas impediu que isso acontecesse, mas Waters não desistiu. Sete anos depois, retomou a idéia. Como não sabia escrever para orquestra, lançou mão de um programa de computador que lhe permitia simular o toque de cada instrumento. Depois, chamou o maestro inglês Rick Wentworth para dar forma final a suas idéias musicais. "Rick dizia: ‘O solo de oboé é lindíssimo, mas o instrumento não pode soar tão alto, caso contrário o oboísta estaria com os lábios sangrando depois de tocá-lo’.", conta Waters. O Festival Amazonas de Ópera já se consagrou como um dos principais eventos do mundo erudito brasileiro. Traz espetáculos de excelente nível, comandados pelo maestro Luiz Fernando Malheiro e pela Amazonas Filarmônica. Entre as óperas já apresentadas em seu palco, e antes inéditas no Brasil, contam-se, por exemplo, a tetralogia O Anel dos Nibelungos, do alemão Richard Wagner, e Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, do russo Shostakovich. Em novembro passado uma produtora de São Paulo procurou o diretor Caetano Vilela. Disse que tinha adquirido os direitos de Ça Ira e gostaria que ele ajudasse a montar o espetáculo no Brasil. Vilela, que há dez anos trabalha no festival de Manaus, resolveu aproveitar a oportunidade para dar um toque "pop" ao evento.  O objetivo foi cumprido. Fãs do ex-grupo de Waters compareceram em peso. A paranaense Elzira Miotto, de 61 anos, gastou 1 600 reais e viajou por nove horas para assistir ao espetáculo do seu ídolo. "Pink Floyd foi a minha redenção. Eu tinha um casamento infeliz e fui salva pelos temas de The Wall", diz ela, que assistiu às montagens de Ça Ira em Roma e na cidade polonesa de Poznan, e ainda pretende vê-la em Amsterdã. Mas, como observou o colunista Rogério Pina no jornal A Crítica, de Manaus, a audiência era bem mais variada – "um eclético mix que ia de senhorinhas tradicionais a roqueiros curiosos pelo novo trabalho do pink floyd Roger Waters e muitos gays, público chegado a um espetáculo do tipo". Quando informaram a Luiz Fernando Malheiro que deveria reger uma ópera de Roger Waters, ele não entendeu quem era o compositor. A menção à antiga banda de rock do compositor não ajudou muito. "Pink Floyd? Acho que meu irmão tem discos deles", disse a um dos organizadores do evento. Ao descrever Ça Ira, contudo, Malheiros foi diplomático: afirmou que se trata de "uma obra fácil de conduzir". Alguns integrantes da Amazonas Filarmônica foram bem menos condescendentes. De fato, é uma licença descrever Ça Ira como ópera. O espetáculo está mais para um musical da Broadway – gênero que Waters afirma detestar. Não por acaso, os destaques do espetáculo são artistas que tinham certa experiência em musicais. É o caso do barítono brasiliense Leonardo Neiva, que trabalhou numa montagem de Les Misérables no Brasil e no México, e da soprano belenense Carmen Monarcha, parceira do holandês André Rieu (uma espécie de Kenny G do violino). Faltam à peça de Waters uma melodia mais bem estruturada e árias marcantes (a exceção é The Letter, defendida com galhardia por Leonardo Pace). Algumas seqüências são esdrúxulas – a boa cantora Gabriella Pace, por exemplo, passa dois atos inteiros a dar gargalhadas na pele de Maria Antonieta. Só é redimida na cena final, quando pode mostrar sua bela voz. Os amantes do Pink Floyd podem até gostar de Ça Ira, que terá novas récitas na terça e na quinta-feira. Mas os fãs de ópera certamente jamais se interessarão por Pink Floyd se forem submetidos à obra de Roger Waters.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os críticos até foram bonzinhos"&lt;br /&gt; Como começou seu namoro com a música erudita? Sempre gostei de música erudita. Puccini é um dos meus autores prediletos, adoro a maneira como ele expõe o drama de seus personagens. Porém, só comecei a entrar definitivamente nesse mundo em meados da década passada, quando passei a freqüentar as salas de ópera em Londres. Um dos meus amigos era patrocinador de espetáculos e me fazia sentar bem no centro da orquestra. Dali pude observar os músicos e os detalhes de cada composição.&lt;br /&gt; Os críticos de música erudita geralmente não aceitam as incursões de artistas do rock e do pop nesse gênero musical. Como o senhor reage a essas críticas? Os críticos de ópera até que foram bonzinhos. Uns disseram que as melodias eram muito óbvias. Outros criticaram o fato de eu compor uma ópera do período romântico, quando deveria criar algo mais contemporâneo. Mas o que eu posso fazer? Sinceramente, não me emociono com a música de um compositor como Harrison Birtwistle, que cria obras com precisão matemática. Jamais faria algo desse tipo. Agora, todo mundo tem o direito de escrever o que quiser. Só não me peçam para acatar as sugestões.&lt;br /&gt; O senhor espera que os fãs do Pink Floyd comecem a ouvir ópera por causa de Ça Ira? Sei lá. Talvez dez ou doze pessoas comecem a pesquisar música erudita depois de experimentar a minha obra.&lt;br /&gt; Já foi dito que o tema principal de O Fantasma da Ópera, de Andrew Lloyd Webber, foi roubado de Echoes, canção do Pink Floyd. O senhor vê alguma semelhança entre as canções? Com certeza. Aliás, fui processado por causa disso. Odeio a música de Andrew Lloyd Webber, nunca tive um disco dele em casa. Mas certa vez aluguei uma casa de veraneio e o antigo locatário havia deixado a trilha de O Fantasma da Ópera no local. Quando escutei, tomei um susto porque o tema principal é muito parecido – para não dizer outra coisa – com Echoes. Um dia, fiz a besteira de declarar isso a um jornal inglês e fui processado por Webber! Ele alegou ter-se "inspirado" num compositor erudito já falecido e não no Pink Floyd. Eu fiz uma retratação e nunca mais toquei nesse assunto. Até você perguntar...&lt;br /&gt; O senhor vive em Manhattan. Tem algum candidato para as eleições americanas? Sou um grande fã de Barack Obama. É um sujeito especial. Você consegue encará-lo e acreditar em cada palavra que ele diz. Não acredito em nada do que a Hillary Clinton diz, acho que ela é uma maluca e faminta de poder. Não existem diferenças entre ela e o candidato republicano John McCain, ambos querem bombardear o Irã. Barack Obama, para mim, é mais que uma falsa promessa.&lt;br /&gt; A história do Pink Floyd renderia um bom libreto de ópera? Sinceramente, essa história não me interessa. Se alguém quiser contar, pode seguir em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4836864066437011216?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4836864066437011216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4836864066437011216' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4836864066437011216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4836864066437011216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/pera-do-roqueiro.html' title='A ópera do roqueiro'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-696251667183073478</id><published>2008-04-28T08:54:00.001-07:00</published><updated>2008-04-28T08:54:38.439-07:00</updated><title type='text'>Elas ficam caidinhas</title><content type='html'>Como conquistador, o jornalista americano Neil Strauss era um grande crítico de música. Trabalhava na redação do jornal The New York Times, colaborava com a revista Rolling Stone e tinha projetos paralelos como uma biografia apimentada do cavernoso cantor Marilyn Manson. Sua vida amorosa, no entanto, era um desastre completo. As mulheres o viam como amigo, nunca como amante em potencial. A gota d’água aconteceu quando Strauss acompanhava uma excursão do Mötley Crüe, grupo que promovia orgias capazes de enrubescer Calígula, e o máximo que recebeu foi um beijo... dado pelo baterista da banda. Ele decidiu então gastar 500 dólares no curso ministrado por um tal de Mystery (cujo site pode ser encontrado na internet) para aprender como seduzir o sexo oposto. O resultado da experiência é narrado em detalhes – e com doses certamente altas de ficção – em O Jogo (tradução de Mauro Pinheiro; Best Seller; 488 páginas; 49,90 reais), que chega às livrarias nesta sexta. O Jogo é um misto de autobiografia, romance e livro de auto-ajuda. Strauss conta como se transformou em Style, garanhão que conquistou mais de 100 mulheres, contra as sete de sua encarnação anterior. Para atingir seu objetivo, ele raspou a cabeça, tomou um banho de loja, clareou os dentes e mentiu sobre sua profissão – "são raras as mulheres que saem com jornalistas", alega (e tem toda a razão). Além disso, aprendeu a se aproximar das moças com a cantada perfeita (veja a fórmula no quadro abaixo). A melhor delas é o que ele chama de neg, que consiste em ignorar ou depreciar a pessoa desejada – é uma espécie de esnobada com estilo. "Funciona no mundo inteiro, pode testar", disse, em entrevista a VEJA, com uma convicção de guru de auto-ajuda. Style narra as caçadas dele e de seus companheiros – que ganharam apelidos esdrúxulos como Herbal, Papa e Playboy – pelas noites de Los Angeles, e descreve cenas de sexo com precisão científica.  Perto do fim, O Jogo cede ao bom-mocismo. Style percebe que seus amigos são, no fundo, pessoas carentes e que tudo o que ele mais queria era uma namorada fiel. Porém, antes de chegar a essa conclusão, Style, ou melhor, Strauss, revela histórias de bastidores com personalidades como o ator Tom Cruise. Ele quis ser entrevistado pelo jornalista depois de ler um de seus artigos sobre sedução. No fundo, o que Cruise queria era levar mais um adepto para a cientologia. "Rezamos por igrejas diferentes", afirma Strauss.  O sucesso de O Jogo transformou Neil Strauss em uma celebridade. Ele já lançou mais um livro sobre sedução e vendeu os direitos de O Jogo para o cinema. Recentemente, os seriados Ugly Betty e CSI: Miami criaram personagens baseados em Style. Tanta técnica, no entanto, não o livrou de alguns reveses. De acordo com alguns sites de fofoca, a moça que ele tinha como amor de sua vida o trocou pelo cantor Robbie Williams. "Tudo bem, tenho outra namorada", diz o escritor. No mundo de O Jogo, o que importa é faturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhe todas&lt;br /&gt;As táticas do neogaranhão, segundo Neil Strauss&lt;br /&gt; 1. Nunca a encare. Faça como Robert Redford no filme O Encantador de Cavalos – chegue de lado e suavemente 2. Se tiver de encará-la, nunca o faça por mais de três segundos. Senão, vai perder a coragem 3. Sempre comece a conversa com frases tolas como "Você viu aquelas duas meninas brigando?" ou "Você acredita em mágica?". Isso vai quebrar o gelo 4. Use o neg. É uma tática que consiste em esnobar o objeto de desejo, de modo a reduzir sua auto-estima. Diga frases do tipo: "Que unhas bonitas! São de verdade?" 5. Sempre use o sorriso do macho alfa – aquele que causa a impressão de que, além de divertido, você é alguém na vida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-696251667183073478?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/696251667183073478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=696251667183073478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/696251667183073478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/696251667183073478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/elas-ficam-caidinhas.html' title='Elas ficam caidinhas'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3941068809795179234</id><published>2008-04-28T08:53:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T08:54:06.325-07:00</updated><title type='text'>Na trilha de Carmen Miranda</title><content type='html'>Desde 1939, quando Carmen Miranda estrelou a revista musical Streets of Paris com a dupla de comediantes Abbott &amp;amp; Costello (de quem logo roubaria a cena), nenhum brasileiro alcançou o feito do barítono Paulo Szot num palco da Broadway, em Nova York. Desde o início do mês, o cantor paulista de 38 anos é o protagonista da nova versão de South Pacific, da dupla Rodgers &amp;amp; Hammerstein. A versão original do musical ficou em cartaz de 1949 a 1954 – e tornou-se um dos shows mais celebrados na história da Broadway. A crítica reservou elogios especiais a Szot. Ben Brantley, do The New York Times, definiu o barítono como "charmoso" e chamou atenção para a "química intensa" entre Szot e Kelli O’Hara, sua parceira de cena. South Pacific fala do romance entre um fazendeiro francês, Emile de Becque, e uma enfermeira americana numa ilha da Polinésia. O romance desanda quando vem à tona que Emile tem filhos mestiços, nascidos do relacionamento com uma nativa. Szot tem um currículo respeitável como artista de ópera. Nascido em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, mudou-se para a Polônia aos 18 anos a fim de estudar canto. Trabalhou quatro anos na Companhia Estatal de Canto Slask, do Grande Teatro de Varsóvia. "Peguei o final do comunismo. Tinha de entrar numa fila imensa para ganhar tíquetes que valiam sabão e comida", lembra-se. De volta ao Brasil, foi protagonista de produções como Don Giovanni, de Mozart, e O Barbeiro de Sevilha, de Rossini. Szot tem uma carreira internacional ascendente. Em Nova York, já trabalhou em cinco grandes produções, com destaque para Carmen, de Bizet. Em abril do ano passado, Szot recebeu uma ligação de seu agente, perguntando se não estaria interessado em fazer testes para South Pacific. Foi um convite inesperado. A Broadway não é muito receptiva a cantores estrangeiros. Além disso, há desconfiança recíproca entre o mundo erudito e o dos musicais populares.  Szot conta que muitos de seus colegas torceram o nariz ao saber que ele ia tomar parte nos testes para South Pacific. "Sim, claro que South Pacific é música popular. Mas da melhor qualidade, e foi isso que levei em conta", diz o barítono. Ele também teve de enfrentar o ceticismo dos profissionais da Broadway, que costumam fazer pouco das habilidades cênicas dos cantores líricos. Ao fim, Szot não apenas venceu as provas de canto e interpretação como também testou as candidatas a Nellie Forbush, par romântico de seu personagem. Todas as atrizes que fizeram o teste ao seu lado choraram depois de ouvi-lo cantar Some Enchanted Evening, ária do musical que se tornou um standard do cancioneiro americano. Ou, ao menos, é essa a história que se conta nos bastidores. No momento, a maior preocupação de Szot é agüentar o ritmo das apresentações. A Broadway exige mais dos cantores, que sobem ao palco oito vezes por semana – contra três récitas semanais num teatro de ópera. South Pacific deve ficar em cartaz até janeiro de 2009. "É como se de repente eu tivesse passado a competir no decatlo", diz Szot. "Vou agüentar. Mas terei de treinar bastante."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3941068809795179234?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3941068809795179234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3941068809795179234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3941068809795179234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3941068809795179234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/na-trilha-de-carmen-miranda.html' title='Na trilha de Carmen Miranda'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7903477113710798566</id><published>2008-04-03T15:45:00.001-07:00</published><updated>2008-04-03T15:45:21.436-07:00</updated><title type='text'>O riso nosso de cada dia</title><content type='html'>Na terça-feira passada, o ator Marco Luque dava entrevista a VEJA no saguão do Avenida Club, uma casa de espetáculos de São Paulo, quando foi abordado por duas senhoras. "Hoje tem motoboy, né?", perguntaram. Luque respondeu que sim e duas horas depois estava no palco, devidamente trajado como o motoqueiro Jackson Five. Saudado com uma explosão de gritos e aplausos pela platéia lotada, Jackson expôs sua filosofia: "As avenidas são as artérias, as ruas são as veias e nóis é o quê? Nóis é lactobacilo vivo!". Ele é um dos grandes sucessos do Terça Insana, um dos mais longevos e aclamados espetáculos de humor do país. No mês passado, o Terça Insana deu início à sua sétima temporada. A trupe composta por Grace Gianoukas, Roberto Camargo, Agnes Zuliani, Guilherme Uzeda e Marco Luque estreou O Povo Brasileiro, show com catorze quadros inspirados – de maneira amalucada – nos escritos do antropólogo Darcy Ribeiro. Personagens já clássicos, como o boleiro aposentado Esquerdinha, se alternam com novos, como Cardeal &amp;amp; Arcoverde, dois japoneses que cantam sertanejo, e a princesa Carlota Joaquina.  O sucesso do Terça Insana não é difícil de explicar. Ele leva ao palco um certo "humor de caracterização", velho conhecido do público brasileiro. É a mesma comédia calcada numa galeria de tipos ou personagens que, na televisão, se pode ver em programas como Zorra Total ou A Praça É Nossa. A diferença está no texto – mais sutil e avesso a descambar para a piada chula. Grace Gianoukas dirige e cuida da redação final. Suas diretrizes estão registradas num texto que ela manda para atores que aspiram a tomar parte no espetáculo. Não são aceitas, por exemplo, imitações de famosos, piadas com minorias e novas versões de personagens que já passaram pelo show. "Octávio Mendes fazia uma freira ótima. Por que eu quereria outra?", diz, referindo-se à Irmã Selma, personagem que Mendes defendeu de 2001 a 2006, antes de se desligar do Terça Insana. A vigilância de Grace é exercida mesmo sobre quadros que já estão no palco há tempos, e com sucesso. A própria Irmã Selma teve de abandonar uma de suas tiradas. "Sempre defendi que o humor é a melhor arma contra o preconceito. Mas Grace achava uma certa anedota preconceituosa e insistiu até que eu a deixei de fora", conta Mendes.  O Terça Insana nasceu no fim de 2001. Grace, veterana do cenário alternativo na São Paulo da década de 80, foi convidada a ocupar o N.Ex.T. (Núcleo Experimental de Teatro), misto de clube e teatro localizado no centro da cidade. Ela chamou seus amigos mais próximos, os humoristas Marcelo Mansfield, Roberto Camargo, Octávio Mendes e ainda Marcelo Médici, um ator que vinha se destacando no cenário humorístico, e montou o Terça Insana. Muitos dos personagens eram conhecidos do público que acompanhava a carreira de Grace, Mansfield e Mendes – como Aline Dorel, musa do cinema viciada em Lexotan. Em 2003, a trupe se transferiu para o Avenida Club.  A formação atual vem de 2006. Grace pinçou o elenco em meio a dezenas de atores que atuaram como convidados especiais do espetáculo. Cada um tem sua peculiaridade. A paulistana Agnes Zuliani tem influências da stand-up comedy, um tipo de humor popular nos Estados Unidos, no qual o comediante enfrenta a platéia de pé, munido apenas de um microfone. Não por acaso, os melhores momentos de Agnes acontecem quando ela dá vazão a essa veia, como no A Mal Amada. Uzeda e Luque, por seu turno, tinham outras profissões antes de se descobrirem comediantes. O paulistano Uzeda trabalhou como psicólogo para manter a tradição familiar e de vez em quando atuava em peças infantis. Um dia, uma paciente o viu caracterizado como o caçador da Branca de Neve. "Eu fazia um caçador meio bronco e ela achou que não dava mais para ser analisada por mim", diz. Uzeda largou a psicologia e foi atuar em peças e humorísticos até ser descoberto por Grace. No Terça Insana, arranca gargalhadas do público na pele do palestrante Luis Otavio e do caipira Vicente, fã de heavy metal e contador de causos. O também paulistano Marco Luque é um ex-jogador de futebol. Foi centroavante do Santo André e atuou em duas equipes da segunda divisão do futebol espanhol. Hoje interpreta dois dos personagens mais populares do Terça Insana – Jackson Five e Silas Simplesmente, um taxista que só transporta pessoas famosas. No início de março, Luque levou os causos de Jackson para a Mix FM.  O clima nos bastidores do Terça Insana é alto-astral. Grace é hiperativa e lembra muito os tipos que leva para o palco. Uzeda e Luque são descontraídos, ao passo que Camargo e Agnes são mais caladões. O maquiador Eliseu Cabral é uma espécie de consultor informal da trupe. "Eu dou palpites sobre os personagens e ajudo a passar o texto", diz ele. Após cada quadro, é comum que os humoristas avaliem seu desempenho ao lado dos companheiros de elenco. "As piadas do índio agradaram, mas eu não posso rir quando ele diz que foi ao Parque Trianon e aceitou uma carona de um diretor de teatro", observou Camargo ao sair do palco na semana passada (o Trianon, à noite, é reduto de garotos de programa em São Paulo). O sucesso dos personagens rende convites de emissoras de TV e rádio. "Eu já fui convidado duas vezes para fazer o Zorra Total, mas a minha prioridade é o Terça Insana", diz Luque. Uzeda recusou um convite para estrelar uma série de comerciais de cartão de crédito. "Quero ser conhecido pelos meus quadros, não pelo cartão", afirma. É um bom negócio participar do Terça Insana. O elenco divide algo em torno de 30 000 reais por apresentação no Avenida Club e faz ao menos oito shows por mês em outros palcos, com idêntico cachê. Ainda neste ano, serão lançados dois DVDs com os melhores momentos da história do espetáculo. O grupo espera usá-los como cartão de visita para ampliar a agenda de compromissos – sobretudo em outros estados. É como diria Jackson Five: "Nóis se prolifera!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é quem&lt;br /&gt; 1 - Roberto Camargo Ao lado de Grace, é o único remanescente da formação original. Atua como mestre-de-cerimônias, embora tenha personagens que caíram no gosto do público. É o caso do Índio e do modernete Betina Botox   2 - Marco Luque Está há dois anos no elenco. Luque tem dois tipos bastante populares – Silas Simplesmente, um taxista que só transporta gente famosa, e o Motoboy  3 - Agnes Zuliani Especialista em stand-up comedy, arrasa nas personagens A Mal Amada e Senadora Biônica. Atualmente, interpreta Carlota Joaquina e uma brasileira que mora em Miami – e odeia brasileiros  4 - Guilherme Uzeda É outro novato do Terça Insana. Seus tipos mais engraçados são Cardeal &amp;amp; Arcoverde, dupla sertaneja japonesa (que faz ao lado de Luque), o pobretão Zildo e o palestrante Luis Otavio  5 - Grace Gianoukas Criou a atração em 2001 e hoje responde pelo roteiro e pela direção artística do espetáculo. Os personagens mais famosos de Grace são Cinderela, uma traficante de drogas, e Aline Dorel, musa do cinema viciada em Lexotan. Atualmente, interpreta uma professora e uma adolescente revoltada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira geração&lt;br /&gt; Dizer que o Terça Insana serviu de trampolim para veteranos como Marcelo Mansfield e Octávio Mendes seria exagero. Participar do espetáculo, contudo, certamente reforçou o cacife desses comediantes. Mansfield, que integrou o Terça Insana de 2001 a 2005, é a estrela de Nocaute, que estréia nesta semana em São Paulo. "É um show de stand-up comedy, bem diferente do Terça", diz ele. Mansfield também levou um de seus tipos para a televisão. Seu Merda, um maridão passivo, hoje marca presença no Zorra Total, da Rede Globo. Virou Seu Banana (e perdeu parte da graça). Octávio Mendes e Ângela Dip são outros pioneiros do Terça Insana que se lançaram em espetáculos-solo. Eles estrelam Humor de Quinta, ao lado do comediante Sérgio Rabello. Ali, Mendes encarna seus personagens mais famosos, como a Irmã Selma – freira um tanto perversa que trabalha como humorista para realizar o sonho (suspeito no seu caso) de fundar um orfanato. Mendes foi outro que levou um tipo para a televisão. Em A Praça É Nossa, ele é Walmir, um ex-gay. Mas quem aproveitou melhor sua passagem pelo elenco do Terça Insana foi Marcelo Médici, que interpretava o Mico Leão Dourado Gay. Ele saiu do espetáculo depois de uma temporada e, desde então, criou o show Cada um com Seus Pobrema e participou das novelas Belíssima e Sete Pecados, da Rede Globo. No segundo semestre, Médici vai atuar na nova versão de O Mistério de Irma Vap, um dos maiores sucessos de bilheteria da história do teatro no país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7903477113710798566?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7903477113710798566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7903477113710798566' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7903477113710798566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7903477113710798566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/o-riso-nosso-de-cada-dia.html' title='O riso nosso de cada dia'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1116849769845182146</id><published>2008-04-03T15:44:00.003-07:00</published><updated>2008-04-03T15:44:42.253-07:00</updated><title type='text'>Stones chapa-branca</title><content type='html'>Dois anos atrás, quando Martin Scorsese anunciou que faria um documentário sobre os Rolling Stones, a crítica se perguntou qual versão da banda chegaria às telas – se a do detalhista Scorsese, que não esconde a intimidade de seus biografados (como em No Direction Home, sobre Bob Dylan), ou a de Mick Jagger, conhecido por controlar a imagem de seu grupo com eficiência stalinista. The Rolling Stones Shine a Light (Estados Unidos/Inglaterra, 2008), que estréia nesta sexta-feira no país, mostra que Jagger venceu a disputa. E sem muito esforço. Fã confesso dos Stones, o diretor se deixou deslumbrar pelo carisma do quarteto e tratou de evitar tudo o que pudesse cheirar a polêmica. É verdade que poucas vezes os Stones foram tão bem filmados. Scorsese registrou duas apresentações da banda no Beacon Theatre de Nova York, em novembro de 2006, com dezesseis câmeras – que capturaram as rugas de Jagger, o rosto talhado a machado de Keith Richards e a eterna expressão de enfado do baterista Charlie Watts. Os fãs que se cansaram da mesmice do repertório dos últimos DVDs dos Stones, além disso, terão motivos para alento. O show inclui várias canções de Some Girls (1978), um dos discos mais saborosos da banda, e a participação especial de Jack White, do grupo White Stripes, da cantora Christina Aguilera e do bluesman Buddy Guy. O diretor também não maquia os defeitos da apresentação. Estão ali as derrapadas de Richards e Jagger – que a certa altura esquece a letra do clássico Sympathy for the Devil. Isso, porém, é o máximo de indiscrição que o filme se permite. Ex-integrantes da banda, como o baixista Bill Wyman e o guitarrista Mick Taylor, são ignorados – talvez porque teriam outras histórias a contar. Em sua defesa, os Stones podem alegar que não têm muita sorte com documentários. Gimme Shelter, de 1970, mostra uma apresentação desastrada do grupo, durante a qual um jovem foi assassinado por seguranças; C***sucker Blues, de 1972, tinha tantas cenas de sexo e drogas (e de baixarias causadas pelo excesso desses dois ingredientes) que foi vetado antes de chegar às telas. Comportadíssimo, Shine a Light não vai além das apresentações ao vivo e de uma ou outra entrevista de arquivo. O único sinal de rebeldia é o piti que Scorsese dá ao saber que o grupo não entregou a lista de canções do show. Para quem fez No Direction Home, é muito pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1116849769845182146?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1116849769845182146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1116849769845182146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1116849769845182146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1116849769845182146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/stones-chapa-branca.html' title='Stones chapa-branca'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8976319794487361631</id><published>2008-04-03T15:44:00.001-07:00</published><updated>2008-04-03T15:47:39.586-07:00</updated><title type='text'>Por que só dá ela ela ela...</title><content type='html'>Barbados está fazendo história na música. A ilha caribenha, cuja economia gira em torno do turismo e da exportação de cana-de-açúcar, é terra natal do fenômeno Rihanna. Nos últimos nove meses, a cantora de 20 anos emplacou três hits nas rádios do mundo inteiro: Hate that I Love You, dueto com o cantor Ne-Yo e atualmente a música internacional mais tocada nas FMs brasileiras; Don’t Stop the Music, pop dançante que remete aos melhores momentos de Michael Jackson e Madonna; e Umbrella, a música do guarda-chuva, que ficou em primeiro lugar nos Estados Unidos e na Europa e foi eleita pela crítica como uma das melhores canções de 2007 (certamente é a mais pegajosa, com o refrão "ella, ella, eh... eh... eh..."). Conseqüência natural do sucesso nas rádios, Rihanna também explodiu em vendagem. Seu terceiro CD bateu a marca de 4 milhões de cópias vendidas mundo afora. O título do disco, Good Girl Gone Bad (A Menina Boa Virou Má), não é muito encorajador. A divisão do mundo entre cantoras boazinhas e malvadas já se tornou enfadonha. Felizmente, Rihanna não parece muito inclinada a entrar nesse jogo. Limita-se a cantar o seu bom repertório, esbanjar beleza, divertir-se e divertir.  Cinco anos atrás, Evan Rogers, executivo da indústria musical e produtor de ‘NSync e Rod Stewart, passava férias em Barbados quando um amigo o alertou sobre o talento de uma cantora local. Rogers aceitou fazer um teste com a moça e pediu para ela cantar um sucesso do Destiny’s Child, trio americano de R&amp;amp;B. Rihanna cantou a música e agradou. Rogers gravou com ela um CD-teste e passou a oferecer o passe de sua protegida a diversas gravadoras americanas. Ela acabou sendo contratada pela Def Jam, presidida pelo rapper Jay-Z. A estratégia inicial de Rogers e da Def Jam foi vender Rihanna como uma típica artista caribenha. Seus dois primeiros álbuns são calcados na música daquela região, em especial o dancehall (uma mistura de reggae com eletrônica). Para o terceiro disco, Jay-Z optou por transformar Rihanna numa diva da música negra. Foi uma das decisões mais acertadas de sua carreira. Good Girl Gone Bad tem colaboração de nomes do primeiro escalão, como o produtor Timbaland, o cantor Justin Timberlake (que se contentou em fazer vocais de apoio) e o compositor The-Dream. Esse time não apenas compôs os hits radiofônicos como deu a Rihanna credibilidade no meio hip hop – que a via como uma artista fabricada. As outras canções do CD alternam um pop dançante com baladas românticas de letra convencional, que falam de como ela sofre quando briga com o namorado (tema de Hate that I Love You) ou de como apóia seu amor em todos os momentos (Umbrella). Rihanna já enfrentou chuva ácida: alguns boatos deram conta de um suposto caso com Jay-Z – seu patrão e marido da cantora Beyoncé. Certo mesmo é que ela já pôs os atores Josh Hartnett e Shia LaBeouf, felizardos, sob a sua umbrella.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8976319794487361631?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8976319794487361631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8976319794487361631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8976319794487361631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8976319794487361631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/por-que-s-d-ela-ela-ela.html' title='Por que só dá ela ela ela...'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4668388618551399072</id><published>2008-04-03T15:43:00.001-07:00</published><updated>2008-04-03T15:43:52.623-07:00</updated><title type='text'>Bob Dylan no palco</title><content type='html'>Bob Dylan, um dos maiores nomes da música popular do século XX, tem uma relação peculiar com o palco. Suas declarações sobre o assunto são ambíguas – o que não é novidade em se tratando de um artista que nunca fez questão de se justificar. Dylan já disse que cantar por dinheiro diante de uma audiência é uma profissão "apenas um degrau acima da de cafetão". Mas também afirmou que "em diversos momentos da vida só fui feliz no palco". Na falta de uma explicação cabal, resta observá-lo em ação. Vinte anos atrás, ele deu início ao que chama de Never Ending Tour (Turnê sem Fim). Até agora foram mais de 2.000 shows, cerca de 100 por ano, religiosamente. É difícil imaginar outro cantor ou banda de renome semelhante que repita esse padrão: o frenesi das turnês costuma ser intercalado com períodos de descanso. Dylan, além disso, se apresenta em locais inusitados. Nos Estados Unidos, em vez de limitar-se às casas de show consagradas, toca em feiras, cassinos, rodeios. A idéia de uma "turnê sem fim", contudo, não remete apenas ao volume de shows. Tem a ver também com a maneira como ele organiza seu repertório, misturando canções recentes com clássicos da própria lavra e composições alheias – como se todas as músicas fizessem parte de um continuum. Quando revisita seus sucessos, Dylan não é reverente, e com freqüência os subverte. Nesta semana, o cantor visita o Brasil para shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Não é má aposta esperar por surpresas.  Não será surpresa ver o músico passar a maior parte do tempo ao teclado, e não na guitarra. Em 1966, esse último instrumento ajudou a transformar Dylan num personagem notório – um ícone da cultura jovem. Sua turnê daquele ano às vezes acabava em pancadaria, quando fãs que esperavam um show acústico se viam apanhados em meio ao barulho elétrico. Durante um show em Manchester, na Inglaterra, Dylan foi chamado de Judas por um admirador xiita. A guitarra o acompanhou pela maior parte dos 45 anos de carreira, mas nos últimos tempos ele a empunha com menor freqüência – ao que parece, por causa de dores nas costas.  O grupo atual de Dylan é o melhor desde o tempo em que ele se apresentava com a The Band, que tinha brilho próprio e ocupa posição de destaque na história do country-rock americano. A parceria entre Dylan e a The Band durou oito anos e gerou um extraordinário disco ao vivo – Before the Flood, de 1974. O grupo que vem ao Brasil é formado por instrumentistas veteranos como Tony Garnier (baixo) e Denny Freeman (um virtuose da guitarra), que conhecem a fundo não apenas a obra de Dylan, mas também gêneros antigos de que ele sempre se alimentou – como o ragtime ou o blues de raiz. Recentemente, numa reportagem do jornal The New York Times, um guitarrista que já se desligou do grupo rememorou a experiência de acompanhar Dylan em sua Never Ending Tour: "Tocávamos clássicos, canções folk, canções da Guerra Civil Americana. Ele podia escolher qualquer coisa". O conhecimento enciclopédico, como se vê, é necessário para sobreviver ao contato com um bandleader implacável – e sempre inquieto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4668388618551399072?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4668388618551399072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4668388618551399072' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4668388618551399072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4668388618551399072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/bob-dylan-no-palco.html' title='Bob Dylan no palco'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8650655169588579860</id><published>2008-04-03T15:42:00.002-07:00</published><updated>2008-04-03T15:43:26.843-07:00</updated><title type='text'>A aposta de Claudia</title><content type='html'>Na semana passada, Claudia Leitte fez uma aposta de 3 milhões de reais. O valor pode até ser mais alto – a contabilidade ainda não foi fechada. "Vendi imóveis e quebrei o porquinho para realizar meu objetivo", diz a cantora. A aposta foi nela mesma. No domingo, dia 17, a ex-vocalista do grupo Babado Novo lançou-se em carreira-solo numa apresentação gratuita na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um público de 700 000 pessoas. O show será lançado em CD e DVD no início de maio, juntamente com um documentário biográfico – são 110 horas de gravação, entre lembranças da infância, depoimentos de amigos e cenas de palco. Na gravação do show carioca foram usadas 22 câmeras, duas a menos do que num concerto dos Rolling Stones realizado em 2006 no mesmo local. Houve também gastos com segurança, transporte e toda a parafernália que um evento desse porte requer. É preciso vender mais de 1 milhão de cópias do disco e do DVD para recuperar o investimento – feito raro no mercado fonográfico atual. Outra alternativa, mais provável, é usar o disco como cartão de visitas para agendar shows por um bom cachê. Mas não é a hipótese de prejuízo que mais preocupa. O espectro que realmente assusta é o de ver uma carreira em ascensão perder fôlego e entrar em declínio. Claudia acredita que tem chances de ingressar no primeiro escalão do showbiz brasileiro – um espaço rarefeito onde impera Ivete Sangalo, uma cantora com raízes e estilo muito semelhantes aos seus.  O Babado Novo foi um projeto criado pelos empresários Manoel Castro e Cal Adan – um dos mentores do É o Tchan!. Eles contrataram Claudia Leitte depois de assistir a uma apresentação dela ao lado de um grupo de pagode chamado Nata do Samba. A princípio, tudo correu como de praxe no mundo do axé: os donos da banda ficavam com a maior parte dos lucros e pagavam um cachê à loira. Mas Claudia se destacou tanto que passou a receber um porcentual de 30% sobre os lucros do Babado Novo. A fórmula do grupo, porém, se esgotou. Apesar da presença constante nas micaretas, os carnavais fora de época que pululam no país, Ver-Te Mar, seu último lançamento, não passou das 50.000 cópias. Surgiu então a idéia de lançar Claudia em carreira-solo. Castro e Cal Adan continuam na jogada. Os músicos do Babado Novo ainda dão apoio a Claudia. Enfim, boa parte dos ingredientes permanece igual. Mas a música ganhou um acento mais pop – o primeiro produto da nova fase é Exttravasa, canção dançante que lembra os funks de Ivete Sangalo.  Claudia diz que já respondeu "um milhão e quatrocentas mil vezes" sobre a semelhança entre o seu trabalho e o de Ivete. "Ela parece ter estudado cada movimento da rival", diz um empresário. Ao vivo, Claudia é uma entertainer tão eficiente quanto Ivete. Tem presença de espírito (no início da carreira, ela estava cantando num trio elétrico quando um folião morreu no meio do show – Claudia parou com o axé e passou a cantar hinos religiosos) e tem preparo físico para agüentar a maratona do Carnaval baiano. "Se ela não fosse talentosa, jamais conseguiria atrair 700.000 pessoas para uma apresentação na praia", diz Jesus Sangalo, empresário e irmão de Ivete. Mas ela nunca emplacou um sucesso à altura de Festa e Sorte Grande, músicas que, mesmo que involuntariamente, estão encravadas na memória de dez entre dez brasileiros. Também não é claro ainda o tamanho de seu carisma. Ivete é hoje cortejada não só pelo público, mas por artistas de toda espécie. Em sua estréia-solo, Claudia contou com convidados como Gabriel o   Claudia é linda. Tem pernas extraordinárias – que na adolescência lhe valeram o apelido "zagueiro do Bahia" – e um vozeirão grave. A cantora fala em Deus a todo instante e, mesmo quando rebola no palco, se preocupa em não parecer vulgar. "Uso shortinho para valorizar minhas curvas, mas sem desrespeitar a Deus." Diz que não freqüenta uma igreja específica, mas tem uma relação estreita com os evangélicos. Seu casamento com o empresário Márcio Pedreira, realizado em março de 2007, foi celebrado pelo pastor Ivo, da Comunidade Evangélica Artistas de Cristo. Momentos antes de subir ao palco montado na Praia de Copacabana, cantou um hino religioso da pastora Ludmila Ferber. Quando era pequena, Claudia viu sua família passar por dificuldades. "Comíamos arroz, feijão e ovo todos os dias. Mas não tenho do que reclamar: Carlinhos Brown, por exemplo, era tão pobre que almoçava jaca", diz. Hoje em dia, ela tem um padrão de vida confortável. O Babado Novo fazia dezesseis apresentações por mês a um cachê de 350.000 reais. Ela está construindo uma casa em Alphaville, condomínio de luxo em Salvador, onde uma casa não custa menos de 1 milhão de reais. Se a carreira-solo decolar, será só o começo. A aposta está lançada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8650655169588579860?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8650655169588579860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8650655169588579860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8650655169588579860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8650655169588579860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/aposta-de-claudia.html' title='A aposta de Claudia'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1967856275104883092</id><published>2008-04-03T15:42:00.001-07:00</published><updated>2008-04-03T15:42:31.811-07:00</updated><title type='text'>Uma trilha à altura do filme</title><content type='html'>Em cartaz no Brasil desde a semana passada, Sangue Negro, do cineasta americano Paul Thomas Anderson, golpeia sem trégua o espectador. Entre as muitas qualidades desse filme áspero, a trilha sonora merece uma menção à parte. Assinada pelo músico inglês Jonny Greenwood, mais conhecido como guitarrista do grupo de rock Radiohead, ela não se subordina às imagens, nem serve como "tema" para os personagens. Constitui, em vez disso, uma espécie de dimensão paralela em que a energia brutal que anima a história ganha tradução sonora. Na abertura do filme, um longo acorde dissonante tocado por instrumentos de corda apresenta um cenário de montanhas áridas e depois se fratura para revelar o anti-herói Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) trabalhando nas entranhas de uma mina de prata. Em outra seqüência, a luta para combater um incêndio é acompanhada por percussão desorientadora. Em passagens como essas, o som equivale a um soco no estômago. Fazia muito tempo não se via um uso tão peculiar e poderoso da música no cinema. É preciso dar crédito a Paul Thomas Anderson. Poucos diretores dedicam mais atenção à música do que ele. Em Magnólia (1999), Anderson praticamente inverteu a lógica de criação cinematográfica. Certos personagens entraram na trama como reflexo das composições da cantora pop Aimee Mann. Em Sangue Negro, ele usou duas criações anteriores de Greenwood – Popcorn Superhet Receiver, composta para a BBC Concert Orchestra em 2005, e Smear, que a London Sinfonietta gravou em 2006. O resto foi escrito a partir de trechos do filme vistos pelo músico. Na montagem final, contudo, Anderson redistribuiu as composições de acordo com seu gosto e intuição.  No Radiohead, Jonny Greenwood, de 36 anos, sempre deixou os holofotes para o vocalista Thom Yorke. Fica claro agora que o lado vanguardista da banda deve muito a ele. Greenwood tem formação erudita. É violista e estudou composição na Oxford Brookes University até 1991, quando o Radiohead foi contratado pela gravadora EMI. Quatro anos atrás, assumiu o posto de compositor residente da BBC Concert Orchestra. No mês passado, foi destaque da The Wordless Music Series, evento nova-iorquino que dedica sua programação ao melhor da música erudita atual. Greenwood é discípulo de compositores contemporâneos como Krzysztof Penderecki e Olivier Messiaen, que trabalharam o atonalismo e a dissonância. Não à toa, o parentesco mais próximo da trilha de Sangue Negro talvez seja com a de O Exorcista. Nesse clássico, o diretor William Friedkin explorou as obras de Anton Webern e sobretudo de Penderecki para forjar uma atmosfera de terror. A trilha de Sangue Negro não pôde concorrer ao Oscar porque, em boa parte, já não era inédita. Mas isso não deve ofuscar o seu brilho evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o rock indie chegou às paradas&lt;br /&gt; Antes do início das filmagens de Juno, o cineasta Jason Reitman perguntou a Ellen Page, atriz principal do filme, qual seria a música predileta da personagem. Ellen sugeriu Moldy Peaches, dupla de música folk cujos integrantes se vestiam de rato e de marinheiro e que tinha terminado em 2003. Reitman gostou do material e recrutou Kimya Dawson, ex-integrante do duo, para colaborar na trilha – ela é responsável por sete das dezenove canções. A aposta deu certo: lançado há pouco mais de um mês, o CD alcançou a primeira posição na parada americana e vendeu 500 000 cópias. Tão simpático e excêntrico quanto o filme, o disco, contudo, não deve seus pontos altos a Kimya, e sim a outra cantora jovem, Cat Power, e a veteranos como Mott the Hoople e The Velvet Underground.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1967856275104883092?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1967856275104883092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1967856275104883092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1967856275104883092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1967856275104883092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/uma-trilha-altura-do-filme.html' title='Uma trilha à altura do filme'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5648195570742153730</id><published>2008-04-03T15:41:00.001-07:00</published><updated>2008-04-03T15:41:53.519-07:00</updated><title type='text'>A anti-Britney</title><content type='html'>Lançado em abril de 2007, Dignity, o quarto disco de Hilary Duff, tem letras sobre amarguras e dilemas na vida de uma estrela jovem. Danger fala da tentação de envolver-se com um homem velho (o da música nasceu em 1974). Between You and Me e I Wish expiam o fim de um namoro. Quanto à faixa-título, ela manda um recado a meninas festeiras, que não se importam em "perder a dignidade nas colinas de Hollywood". Os sites de celebridades ajudam a decifrar o significado de algumas dessas letras. As desmioladas de Dignity são Britney Spears e Lindsay Lohan, amigas com quem Hilary rompeu. O namoro conturbado foi com Joel Madden, vocalista da banda de rock Good Charlotte. Porém, quem percorrer os tablóides à procura de registros de Hilary nas garras lascivas de algum trintão (como em Danger) não vai encontrar nada. Ela também nunca foi presa enquanto dirigia bêbada, nunca deu vexame em clubes e jamais permitiu que alguém vislumbrasse sua calcinha (flagrá-la sem roupa íntima, então, nem pensar). "Os paparazzi me odeiam, porque nunca lhes dou uma foto escandalosa", diz a cantora, em entrevista a VEJA. Hilary Duff, 20 anos, que se apresenta nesta semana em São Paulo e no Rio de Janeiro, é a anti-Britney Spears. Ou uma espécie de Sandy – meiga, contida, e com desejo real de cantar. Hilary Duff ganhou notoriedade ao estrelar Lizzie McGuire, seriado adolescente da Disney. A série durou de 2001 a 2004 e ainda faz sucesso em reprises na TV paga. Desde o fim do programa, Hilary enfrenta o desafio de seguir em carreira-solo sem perder a base de fãs que conquistou. Está numa posição incômoda, pois os produtos mais recentes da fábrica de celebridades Disney – as atrizes-cantoras de Hannah Montana e High School Musical – lhe impõem uma forte concorrência. Este é também um momento de decisões arriscadas. Uma das fórmulas possíveis neste período de transição é adotar o figurino de menina má. Britney Spears e Christina Aguilera seguiram por esse caminho. A primeira, com os resultados desastrosos sobejamente conhecidos. A segunda, de forma mais bem-sucedida, uma vez que hoje desfruta uma carreira estável. Outra fórmula é a de Justin Timberlake. Ela parece a mais provável para Hilary, pelo que se conhece de seu temperamento.  Justin Timberlake é hoje a maior estrela do pop americano. Além de ser um dançarino nato e um entertainer de primeira categoria, ele faz musicalmente o pop "negro", com elementos de hip hop e R&amp;amp;B, que está no centro absoluto da música jovem americana. O mais importante na história de Timberlake, contudo, é que ele jamais abandonou os ingredientes "família" de sua formação na Disney e na banda de garotos ‘NSync. Ele rebola, mas não exagera. Num show recente, despediu-se com Dick in a Box, canção-sátira cujo título, numa tradução "clínica", seria Pênis numa Caixa. Pouco depois voltou ao palco e desculpou-se, contrito, por ter cantado uma canção vulgar. O sucesso de Timberlake mostra que, hoje, os ventos sopram a favor de um pop malicioso, às vezes, mas nunca ultrajante (como podia ser o de Madonna em seus tempos áureos). Hilary Duff segue por essa rota. A artista que os brasileiros vão ver nesta semana ainda cumpre o seu rito de passagem, mas isso parece não ser detrimento algum para o seu show. Segundo o crítico Kelefa Sanneh, do New York Times, a apresentação de Hilary Duff é "muito melhor do que poderia e do que precisaria ser". Acompanhada por sete músicos e quatro bailarinos, sem grande parafernália cênica, ela canta o seu pop "branco" – uma forma branda de música eletrônica dançante que remete à new wave dos anos 80. Hilary, aliás, jura que canta mesmo. Quase sempre. No México, recentemente, ela foi flagrada usando playback. "Mas essa vez não valeu", diz. "O microfone havia pifado."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5648195570742153730?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5648195570742153730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5648195570742153730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5648195570742153730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5648195570742153730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/anti-britney.html' title='A anti-Britney'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-1689035174206579992</id><published>2008-04-03T15:40:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T15:41:26.419-07:00</updated><title type='text'>O lado B das C</title><content type='html'>Em 1989, a americana Jancee Dunn tinha 23 anos e poucas perspectivas profissionais quando uma amiga a convidou para fazer uma entrevista de emprego na revista Rolling Stone. Como seu currículo musical não era grande coisa – ela havia ido a uns poucos shows de Bruce Springsteen e do Hooters, grupo que acompanhou a cantora Cyndi Lauper –, Jancee fez o que os desesperados por um emprego às vezes fazem: mentiu descaradamente, a fim de parecer "descolada". Não apenas foi contratada como se transformou numa das principais entrevistadoras da revista (sua lista de perfilados vai de Madonna a Brad Pitt e Cameron Diaz). Boa parte dessas experiências é contada, com detalhes indiscretos e divertidos, em Chega de Falar de Mim... (tradução de Newton Padovani; Panda Books; 296 páginas; 39,90 reais), já nas livrarias do país. Chega de Falar de Mim... é parte autobiografia, parte narração de "causos" de bastidores e também um pouco manual de auto-ajuda, para os esperançosos em cobrir o mundo do showbiz. (Nunca diga a um artista que ele parece diferente em carne e osso, ensina Jancee: ele vai entender que você o achou feio.) Criada no provinciano estado de Nova Jersey, ela conta como "chegou lá" – ou seja, os caminhos que teve de percorrer para se impor na Rolling Stone e posteriormente na MTV2, onde trabalhou como apresentadora. A saga inclui passagens desabonadoras, como uma overdose de cocaína, percalço ocupacional típico desse meio. São os encontros com as celebridades, no entanto, que rendem os momentos mais deliciosos de Chega de Falar de Mim... E também os mais reveladores, já que mostram como o jornalista às vezes cruza a linha que o separa do fã. Jancee vasculhou o banheiro de Madonna, por exemplo, para satisfazer a curiosidade pessoal de saber quais cosméticos ela preferia (de excepcional, encontrou apenas um exemplar do Livro de Bolso do Hipocondríaco). Noutra ocasião, foi jantar com Mel Gibson e, claro, acabou sendo identificada como affair do astro. Gibson a alertou para não olhar para os paparazzi nem, muito menos, sorrir. "Mas, quando recebi as fotos, vi que aparecia nelas acenando para os fotógrafos como se estivesse num carro alegórico", diz ela, sobre seu ataque de deslumbramento. Chega de Falar de Mim... é, enfim, um bom livro para as férias de verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida de artista&lt;br /&gt;As impressões de Jancee Dunn sobre alguns dos famosos que entrevistou&lt;br /&gt; "Um dia, Ben Affleck quis mostrar como os paparazzi não deixam os atores em paz. Fomos a um restaurante e ele pediu para que eu o abraçasse. No dia seguinte, uma foto de nós dois juntos foi vendida por 12.000 dólares" "Madonna, tal qual um cachorro, fareja o medo nos jornalistas. Sua secretária me contou que um repórter ficou tão nervoso de entrevistá-la que desmaiou na sala de espera" "As irmãs Olsen são baixinhas, menos bonitas do que aparentam na tela e não têm nada para dizer. Passei dias entrevistando-as sem conseguir uma frase que não fosse um lugar-comum. Meu único momento de prazer foi quando fomos ao shopping torrar dinheiro em roupas novas"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-1689035174206579992?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/1689035174206579992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=1689035174206579992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1689035174206579992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/1689035174206579992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/o-lado-b-das-c.html' title='O lado B das C'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8947530263441132890</id><published>2008-04-03T15:38:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T15:46:51.903-07:00</updated><title type='text'>"Eu sou esférica"</title><content type='html'>No dia 18 de dezembro, Sandy &amp;amp; Junior se apresentam pela última vez como dupla. Depois de dezessete anos de parceria e mais de 15 milhões de discos vendidos, os irmãos decidirão, em 2008, o que fazer de suas carreiras-solo. Junior parece inclinado a se manter na trilha da música jovem. Enquanto isso, Sandy enfrenta alguns dilemas. Dúvida número 1 para o ano que vem: casar-se ou gravar um disco? Desde janeiro, a cantora está noiva do músico Lucas Lima, e não descarta juntar os trapinhos. Mas ela também está compondo, já tem três canções prontas. Notoriamente obcecada por controle, a ponto de padecer desde a infância de uma gastrite nervosa, não quer ficar por muito tempo numa zona de indefinição profissional. E daí vem a dúvida número 2: qual nicho ocupar no populoso universo das cantoras brasileiras? "Outro dia", conta ela, "minha mãe perguntou: ‘Filha, com quais cantoras você vai concorrer? Com a Céu? A Marina de la Riva?’." Sandy não tem uma resposta pronta. Nos últimos tempos, sente-se atraída pelo jazz e pelas vertentes tradicionais da MPB. Mas sabe que é preciso combinar o gosto pessoal a uma estratégia consistente de carreira. Sandy tem muito a seu favor. Com meros 24 anos, é uma artista veterana. Em suas próprias palavras, pertence à era do vinil, enquanto colegas da mesma idade pularam a era do CD para estrear diretamente na do iTunes. Também não será sua primeira mudança de roupagem. Ela e o irmão despontaram em 1991, esgoelando-se na música caipira, e se despedem como astros da música pop. Seu desafio é de outra ordem. Ao entoar alguns dos clássicos pelos quais se apaixonou, em shows de experiência feitos nos últimos anos, Sandy mostrou que comete erros crassos, como cantar as doloridas Retrato em Branco e Preto e Cry Me a River com um sorriso nos lábios. Falta-lhe, enfim, transformar-se numa intérprete de verdade. Algumas intérpretes são movidas pelo instinto, outras por uma compreensão "técnica" daquilo que cantam. Sandy não é, definitivamente, do primeiro time – o time, digamos, de Elis Regina. Poucas coisas a deixam mais enfadada do que a fama de menina certinha que a acompanha há anos. Aluna de um curso de letras na universidade, ela recorre ao vocabulário da crítica literária para se descrever como personalidade: "Gente, eu não sou plana, eu sou esférica". Tudo bem. Mas essa esfera está longe de abrigar um espírito naturalmente turbulento. Sandy também não teve razões biográficas para tornar-se rebelde. Quando nasceu, seu pai, o cantor sertanejo Xororó, já fazia sucesso. "Nós éramos de classe média", diz. Ela estudou em boas escolas, morou em casas confortáveis – e então começou a ganhar o próprio dinheiro. Estima-se que seu patrimônio pessoal seja de 30 milhões de reais, geridos de maneira cautelosa. Ela não sente culpa por ser rica num país de pobres, mas tampouco esbanja. Tem até uma certa fama de pão-dura. "Pão-dura não. Sou controlada", afirma. Uma palavra que a define bem, não só no campo financeiro. Também na música Sandy é controlada. Sabe que para evoluir precisa filiar-se à escola das cantoras "técnicas". Sua jazzista predileta é a americana Ella Fitzgerald. "Ela tinha um canto muito preciso", diz. No quesito precisão, Sandy não é das piores. Sua voz é pequena, porém afinada de uma maneira que divas da "nova MPB", como Vanessa da Mata, jamais sonharão em ter. Nos últimos tempos, abandonou seu pior vício, os trinados agudíssimos que herdou do sertanejo (com todo o respeito a papai, Sandy confessa que hoje em dia não tolera muito esse gênero de música). Ela canta até dois tons abaixo de seu registro anterior. "Não tenho mais vontade de gritar", diz. Esse tipo de abordagem pode levar a um show frio, contido demais. O trunfo de Sandy é sua longa experiência. "Quando eu tinha 13 anos, ia cantar em festas de rodeio e ouvia barbaridades do público masculino. Não tem muita coisa que me assuste no palco", afirma ela. Do currículo da artista constam várias apresentações para mais de 100 000 fãs, e uma para 250 000 pessoas no Rock in Rio de 2001. Isso significa traquejo não só para lidar com platéias dispersas ou mal-educadas, mas também para se equilibrar entre números românticos e animados. Talvez o maior legado de seus tempos de estrela adolescente, encantada com Celine Dion e Mariah Carey, seja a certeza de que um show precisa entreter, ser espetáculo. "Existe uma certa cultura na música brasileira de que tudo tem de ser pequenininho. É uma coisa humilde, minimalista. Eu não acho que tudo tem de ser pequeno. Não quero voltar a ser a Celine Dion, mas também não pretendo ser a Sandy bossa-nova", diz ela.  Às vésperas de anunciarem a gravação do Acústico MTV e, posteriormente, a dissolução da dupla, Sandy &amp;amp; Junior renovaram contrato com a gravadora Universal. O álbum ao vivo seria o primeiro de três discos a ser lançados pela companhia. Há boas chances de que os contratos das carreiras-solo sejam renegociados com a mesma gravadora. O novo vínculo não traria muitas diferenças em relação ao atual. Fazia tempo que Sandy &amp;amp; Junior tinham carta-branca para gravar o que quisessem, com os produtores de sua preferência. É o tipo de liberdade concedida apenas a artistas com uma base de fãs muito sólida – como Marisa Monte, que Sandy elogia. "Marisa sabe o que tem de fazer para se posicionar no mercado. Canta bem, compõe bem, tem uma pureza para compor que não é boba, mas sofisticada. Fui ao último show dela e fiquei bem impressionada", diz. Vinda de outra cantora de 24 anos, essa avaliação teria um toque de reverência. Não é o caso com Sandy. "O que eu e o Junior fizemos é único no cenário brasileiro. Eu tenho certeza disso", afirma a cantora. A ver se, como hoje falam de Marisa Monte, no futuro falarão de uma escola Sandy de interpretação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8947530263441132890?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8947530263441132890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8947530263441132890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8947530263441132890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8947530263441132890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2008/04/eu-sou-esfrica.html' title='&quot;Eu sou esférica&quot;'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-2486009968155127192</id><published>2007-11-27T06:18:00.000-08:00</published><updated>2007-11-27T06:20:03.014-08:00</updated><title type='text'>Como fugir do marasmo</title><content type='html'>Recentemente, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) anunciou sua temporada de concertos para 2008. O maestro carioca John Neschling, seu diretor artístico, qualificou a programação de "ambiciosa". No entanto, dos dezenove regentes convidados, só três são do primeiro escalão: o francês Michel Plasson, o polonês Antoni Wit e o alemão Helmuth Rilling. Também são poucos entre os visitantes os instrumentistas notáveis: destacam-se os violinistas Sarah Chang e Boris Belkin. No repertório, buscou-se uma equação já consagrada, que privilegia os compositores canônicos com pequenas incursões pelo contemporâneo e pela música brasileira. Assim, pode-se prever, para o público, uma temporada agradável, mas de forma nenhuma surpreendente. Quanto à própria orquestra, não há nada na programação que permita imaginar um passo adiante em sua evolução, e muito menos um salto de qualidade. Ela deve permanecer estacionada no patamar (respeitável) que alcançou. O que leva a uma indagação legítima: depois de dez anos sob a batuta de Neschling, teria a Osesp chegado a um ponto de estagnação?&lt;br /&gt;John Neschling assumiu uma Osesp decadente em 1997 e a transformou no melhor grupo sinfônico que o país já teve. Internamente, ele promoveu uma revolução. Afastou instrumentistas – e soube atrair novos talentos. Também foi hábil no campo político. Conseguiu que o governo paulista gastasse 44 milhões de reais na construção da Sala São Paulo, uma excelente sala de espetáculos. O mesmo governo destina à Osesp um orçamento anual polpudo, atualmente da ordem de 43 milhões de reais. Neschling recebe um salário de 100 000 reais por mês. Mas os músicos, sob sua administração, também viram subir seus rendimentos. O salário médio na orquestra é hoje de 8 000 reais.&lt;br /&gt;Neschling rege com segurança partituras de Beethoven ou Mahler, que compõem o repertório básico de qualquer orquestra. Mas não é um maestro brilhante. Suas limitações ficam evidentes na execução de peças de grande complexidade rítmica ou naquelas de arranjo intricado, que requerem clareza para que os detalhes não se percam. A explicação mais freqüente para essa deficiência é que o maestro não tem um gestual preciso. Faz movimentos circulares com a batuta – seus detratores o apelidaram de "o regente que rege redondo" – e não dá a entrada para os músicos no momento apropriado. Os defensores de Neschling o comparam a Wilhelm Furtwängler, lendário chefão da Filarmônica de Berlim, que também não tinha um gestual bonito. Só que ele deu à orquestra um padrão sonoro que nem seu sucessor, o egocêntrico Herbert von Karajan, ousou alterar. A Osesp não possui um padrão tão claro – ela apenas toca forte, e transmite vigor. Mas, quando é preciso modular esse vigor, os problemas sobressaem novamente. Em peças com filigranas, a Osesp soa empastelada, enquanto os músicos parecem disputar um troféu de força. Em março deste ano, a orquestra fez turnê pela Europa. Um dos atrativos do repertório era La Mer (O Mar), de Debussy. Neschling consultou um solista de renome sobre sua leitura da obra. "Soou como um bloco de concreto jogado no mar", foi a resposta.&lt;br /&gt;Além de talento artístico, o diretor de uma grande orquestra precisa ter habilidade nos bastidores. Neschling é um homem hábil e corajoso, mas dilapidou parte de seu patrimônio cultivando um estilo imperial. Nas coxias, já não conta com a simpatia incondicional dos músicos da orquestra. Que fique bem entendido: regentes não nasceram para ser simpáticos. Daniel Barenboim passa carraspanas ruidosas e Lorin Maazel surge nos ensaios da Filarmônica de Nova York com uma carranca de dar medo. Mas os músicos extraem uma recompensa estética do convívio com essas figuras difíceis. Na Osesp, há frustração. Nesch-ling grita demais e não mostra o tino de outrora para detectar e corrigir deficiências da orquestra. Um maestro europeu que comandou a Osesp em 2006 reclamou da afinação do naipe de sopros. Outro sentenciou: "Nunca vi músicos com tanto medo de se soltar".&lt;br /&gt;Neschling conta com o apoio do conselho da Osesp, instituição formada por notáveis como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o economista Persio Arida. Mas acumula polêmicas e trapalhadas políticas. Foi desastrosa sua condução da crise que, em 2006, maculou o Concurso Internacional de Piano Villa-Lobos (houve sinais de que a seleção dos concorrentes foi manipulada). Duas semanas atrás, ele teve de pedir desculpas formais ao governador de São Paulo, José Serra, a quem chamou de "mimado" e "autoritário" num momento de destempero (o discurso foi parar no site YouTube).&lt;br /&gt;Segundo músicos e ex-colaboradores, Neschling pro-pala a tese de que a orquestra correria risco caso ele saísse. Pensar assim é desconsiderar o fato de que, graças ao seu próprio trabalho, a Osesp é hoje uma instituição sólida. É também cultivar fantasias do tipo "depois de mim, o dilúvio". Faz parte da vida de grandes orquestras trocar de comando (veja quadro). Conduzir uma transição desse tipo acrescentaria uma estrela ao currículo de Neschling. O mundo da regência vive um bom momento. Há nomes que despontam, como o do finlandês Osmo Vanska, que opera milagres na limitada Orquestra Sinfônica de Minnesota, nos Estados Unidos, ou o do americano David Zinman, autor de uma revolucionária leitura das nove sinfonias de Beethoven. Talvez pudessem trazer um sopro de novidade à Osesp. E por salário equivalente ao de Neschling.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOI BOM ENQUANTO DUROU&lt;br /&gt;Maestros que souberam sair na hora certa&lt;br /&gt;Kurt Masur&lt;br /&gt;Orquestra: Gewandhaus, de Leipzig (1970-1996)&lt;br /&gt;Principais feitos: imprimiu sua personalidade na orquestra, que teve o compositor Mendelssohn entre seus diretores artísticos. Suas gravações das nove sinfonias de Beethoven com a Gewandhaus são históricas&lt;br /&gt;O que aconteceu com a orquestra: depois de Masur, trabalhou com os maestros Herbert Blomstedt e Riccardo Chailly e ainda é uma das grandes orquestras da Europa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claudio Abbado&lt;br /&gt;Orquestra: Filarmônica de Berlim (1989-2002)&lt;br /&gt;Principais feitos: provou ser um substituto à altura de Herbert von Karajan, uma lenda da regência. Suavizou a sonoridade da orquestra e fez gravações impecáveis das sinfonias de Beethoven e Mahler&lt;br /&gt;O que aconteceu com a orquestra: contratou o inglês Simon Rattle para a vaga de Claudio Abbado. Rattle tem mais carisma e potencial de vendas que seu antecessor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esa Pekka-Salonen&lt;br /&gt;Orquestra: Filarmônica de Los Angeles (1992-2009)&lt;br /&gt;Principais feitos: trouxe um público jovem para os concertos. O carisma dele foi fundamental para que a diretoria da filarmônica investisse 274 milhões de dólares na construção da Walt Disney Concert Hall&lt;br /&gt;O que aconteceu com a orquestra: escolheu para a vaga de Salonen o venezuelano Gustavo Dudamel, um jovem e promissor talento da regência&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-2486009968155127192?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/2486009968155127192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=2486009968155127192' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2486009968155127192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2486009968155127192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/11/como-fugir-do-marasmo.html' title='Como fugir do marasmo'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7665776520724289351</id><published>2007-10-16T10:46:00.001-07:00</published><updated>2007-10-16T10:46:48.277-07:00</updated><title type='text'>O samba voltou. Nada de novo no samba</title><content type='html'>Perto de completar 100 anos, o samba ressurge como um gênero dominante na música brasileira. O movimento começou há cerca de uma década, quando o bairro da Lapa, reduto tradicional da boemia carioca, passou a atrair, com seus bares de música ao vivo, um público jovem de classe média. “Era o que nós chamávamos de turma do chinelinho, uma rapaziada barbuda e com pouco dinheiro no bolso que ia nos ver para curtir sambas antigos”, diz o cantor Pedro Miranda, que se apresenta num dos espaços pioneiros. Dali, a cena se estendeu para São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Nas casas especializadas dessas cidades, desenvolveu-se um habitat semelhante ao da Lapa: garotos de classe média com visual de roqueiro — e ginga de sambista. O fenômeno cresceu de tal forma que chegou ao mercado de discos. Os cariocas Teresa Cristina e Diogo Nogueira e o grupo paulistano Quinteto em Branco e Preto são crias do circuito do samba que acabam de assinar contrato com grandes gravadoras. Em paralelo, cantoras em ascensão como Mariana Aydar ou Roberta Sá, que não são propriamente sambistas, incluem sambas em seu repertório — por gosto, mas também por terem consciência do seu poder de atração. Nisso elas se espelham em Marisa Monte, que há um bom tempo defende a causa, a ponto de haver lançado, por seu próprio selo, coletâneas da velha-guarda da Portela.  O samba nasceu em 1917, quando Donga e Mauro de Almeida compuseram Pelo Telefone. Do ponto de vista formal, era uma canção estranha, próxima do maxixe, que chegou a ser descrita até como tango. Mas, gravada em disco, registrada na Biblioteca Nacional e transformada em sucesso numa bem urdida campanha de divulgação, Pelo Telefone se tornou o marco zero de um novo gênero, que logo ocupou um espaço cultural único. Lá estava um tipo de música em que o Brasil marginal e o Brasil oficial, o do morro e o da gravadora, o dos malandros e o da classe média, se amalgamavam de maneira inédita. Nas duas décadas seguintes, o samba foi virando emblema da identidade nacional — até ganhar chancela do governo na era Vargas. Essa história talvez ajude a entender o apelo do samba hoje em dia. Ele tem a aura da “autenticidade” — uma palavra essencial no vocabulário da turma do chinelinho. Além disso, remete a uma marginalidade cordial e idealizada — em vez de falar de violência real, como o rap, por exemplo. O samba passou por diversas transformações musicais ao longo das décadas (veja o quadro). Um desvio recente, nos anos 90, desembocou na atrocidade do “pagode mauricinho”, que se inspirava na pior música negra americana. A atual onda do samba é o contrário disso. Seus artistas zelam pela tradição e se inspiram em Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho ou Paulinho da Viola (que lança em outubro um Acústico MTV). Sempre que possível, eles buscam o apadrinhamento de veteranos. Leci Brandão, por exemplo, despontou na década de 70, mas depois se eclipsou. Amargou um longo período de ostracismo, lançando seus discos por selos de menor expressão e fazendo apresentações na periferia das principais capitais do Brasil. No ano passado, foi surpreendida pelo telefonema da cantora Mariana Aydar, que pediu que Leci lhe cedesse a canção Zé do Caroço e a convidou para cantar em seu disco de estréia, Kavita 1. O lado anedótico desse apadrinhamento fica por conta da cantora Beth Carvalho. Uma das sambistas de maior sucesso comercial da história, Beth se especializou em “abraçar” novos talentos. Seu afã é tão grande que alguns se sentem incomodados com as investidas da madrinha. Há quem evite esbarrar com Beth — para não ser transformado compulsoriamente em pupilo. O perigo bastante real que ronda os jovens artistas do samba é eles se tornarem meros repetidores de canções de cinqüenta anos atrás. Alguns se dão conta dessa ameaça. “Muita gente está pecando pela reverência exagerada e pela preocupação com o que o pessoal da velha-guarda vai achar do seu trabalho”, diz o cantor e compositor Edu Krieger, de 33 anos. O cantor Marcos Sacramento também teme a repetição. “No samba, temos de ser hereges”, diz ele, que se esforça para dar roupagem diferente a canções de Baden Powell, Cartola ou Chico Buarque. Por uma via lateral, Marcelo D2 se aventura na mistura de samba e hip hop, mas ainda não produziu algo sólido. O samba voltou. Mas não há nada de novo no samba.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução do samba&lt;br /&gt; 1917 – O marco zero O compositor Donga (1890-1974) lança Pelo Telefone, canção que seria classificada como o primeiro samba da história. A música era na verdade um maxixe, um dos gêneros que ajudaram a criar o samba&lt;br /&gt; 1930 – Forma-se a tradição Surge a primeira leva de compositores tradicionais, como Noel Rosa, Ismael Silva e Geraldo Pereira. Eles dão o formato do gênero, com um andamento mais cadenciado e letras mais refinadas&lt;br /&gt; 1958 – A Bossa Nova João Gilberto lança Chega de Saudade, que inaugurou uma nova maneira de cantar samba. Ele mudou a batida do violão e abriu-se à influência do jazz. A princípio, a bossa nova foi bastante criticada pelos sambistas tradicionais&lt;br /&gt; 1963 – O samba-rock Com Samba Esquema Novo, Jorge Ben muda mais uma vez a batida do violão. Sua levada é rápida, como se fosse um rock. O estilo — que receberia o nome de sambarock — ainda faz sucesso em bailes de música black&lt;br /&gt; 1980 – O pagode O Fundo de Quintal inova ao usar instrumentos como banjo e repique de mão. As músicas ganham um andamento mais festivo. É o momento de ascensão de Jorge Aragão, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7665776520724289351?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7665776520724289351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7665776520724289351' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7665776520724289351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7665776520724289351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/10/o-samba-voltou-nada-de-novo-no-samba.html' title='O samba voltou. Nada de novo no samba'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-7955272254327408366</id><published>2007-08-10T10:17:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T10:23:12.740-07:00</updated><title type='text'>Clássicos na UTI</title><content type='html'>O crítico inglês Norman Lebrecht, 59 anos, é uma das personalidades mais temidas do mundo musical. Ele se destaca pelo retrato pouco romântico que faz dos bastidores da música erudita. Já contestou a importância do regente no livro O Mito do Maestro e ironizou as festividades em torno do aniversário de 250 anos do nascimento de Mozart. Sua obra mais recente, Maestros, Masterpieces and Madness (Maestros, Obras-Primas e Loucura), discorre sobre o desaparecimento iminente dos discos de música erudita e o impacto cultural desse acontecimento. O livro contém uma lista das 100 gravações mais influentes da história. O toque ácido fica por conta de um outro ranking, com os vinte piores discos de todos os tempos. "Até reuniões de gênios podem resultar em desastre", diz o autor. De sua casa, em Londres, Lebrecht falou sobre a decadência das grandes gravadoras, sobre o papel dos maestros e sobre os compositores eruditos que merecem atenção no presente.  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt; A música erudita está morrendo?  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. São as gravações de música erudita que estão morrendo. Mas o significado cultural dessa perda é enorme. É algo assim como se Veneza afundasse nas águas, no meu entendimento. As gravações são uma atividade artística muito especial, diferente de um recital ou concerto ao vivo. Elas pedem outro tipo de disciplina, uma busca mais obstinada pela perfeição, pois qualquer deslize ficará registrado para sempre, sem disfarce. A era das gravações começou em 1902, com um disco de árias pelo tenor italiano Enrico Caruso, e agora está chegando ao seu final melancólico. Nesse meio tempo, ela tornou possível duas coisas. Primeiro, fez com que uma parcela fundamental de nossa civilização - as criações de Bach, de Haydn ou de Beethoven - se tornasse acessível a qualquer um, em qualquer lugar do planeta. Em segundo lugar, permitiu que nossa tradição fosse esmiuçada e reinterpretada como nunca antes, fazendo e desfazendo reputações, alterando o gosto musical continuamente. Enfim, não é a música que está morrendo, mas a maneira como as pessoas descobriram a música e conviveram com ela ao longo do último século. Não é pouca coisa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que levou a essa situação? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dois fatores: o impacto causado pela música pop e o desaparecimento de um certo tipo de executivo ligado às gravadoras de música erudita. Bastam alguns números para se ter uma idéia do primeiro fenômeno. Em 1965, um em cada quatro discos vendidos era de música erudita. Oito anos depois, à medida que as gravações de rock e outros gêneros de música pop se popularizavam, a proporção já havia caído para um em 25. Um único grupo de rock, os Beatles, vendeu 1,3 bilhão de discos ao redor do mundo em cerca de quarenta anos. Isso equivale ao total de vendas da música erudita em quase um século. Em outras palavras, foi cada vez mais difícil para as gravadoras manter-se saudáveis e preservar sua fatia de mercado. Mas as pessoas ligadas a essas gravadoras também tiveram culpa. Os pioneiros da era das gravações foram pessoas extraordinárias. Estou falando de personagens históricos como Elsa Schiller, ex-prisioneira de um campo de concentração que ajudou a criar a Deutsche Grammophon, o mais famoso entre os selos eruditos. À medida que essas pessoas se aposentavam, profissionais despidos de sensibilidade e imaginação as substituíam. O que fez Goddard Lieberson, lendário presidente da gravadora Columbia, com o primeiro grande lucro que obteve nos anos 60? Ele reinvestiu todo o dinheiro em música. Contatou o compositor russo Igor Stravinski e o convenceu a gravar toda a sua obra na companhia. Da mesma forma John Culshaw, da Decca Records, era tão fanático pelo ciclo O Anel dos Nibelungos, de Richard Wagner, que financiou a gravação integral da obra pelo regente húngaro Georg Solti. Pois bem. Na década de 90, as companhias de discos viveram o boom do CD, quando todo mundo trocou sua coleção de vinis pelos compact discs. O que os novos diretores de gravadoras fizeram? Lançaram mais e mais do mesmo, sem pensar na inovação. Hoje existem 475 gravações de As Quatro Estações, de Vivaldi, e 275 Quintas Sinfonias, de Beethoven. Quem precisa de tudo isso?&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Na literatura, costuma-se dizer que cada geração precisa de uma nova tradução de Homero ou Shakespeare. Não é natural que os clássicos sejam sempre revisitados?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há uma diferença entre repetição e reinterpretação. Eu não critico a reinterpretação. Apreciar a evolução das interpretações da Quinta de Beethoven, do regente Arthur Nikisch, em 1913, a Gustavo Dudamel, em 2005, é sem dúvida uma experiência extraordinária. Meu problema é com a repetição indiscriminada. Num mesmo ano recente, foram lançados três discos contendo a Quinta Sinfonia, de Anton Bruckner, e dois contendo Tristão e Isolda, de Wagner. A indústria ficou sem idéias, perdeu o controle e partiu para lançamentos sem critério artístico.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há futuro para a música erudita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, na internet. Em quatro ou cinco anos, creio que vamos desfrutar apresentações transmitidas pelo computador. As gravações também poderão ser distribuídas em formato digital, sem a intermediação de gravadoras. Infelizmente, muita coisa vai se perder até lá. Por exemplo: o regente de ascendência italiana Antonio Pappano, titular da Royal Opera House, liderou recentemente quatro récitas de O Anel dos Nibelungos. Não houve gravação em CD, muito menos em DVD. Ficarão apenas na memória de quem teve o privilégio de assistir a elas em Londres.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu livro mais recente contém duas listas: uma com as 100 melhores e outra com as vinte piores gravações já feitas. Qual é seu propósito com essas listas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A primeira lista não é exatamente sobre as "melhores" gravações, mas sobre as mais significativas, aquelas que deixaram uma marca e fizeram com que os discos eruditos se tornassem, ao longo do século XX, um artefato cultural tão importante. Discuto menos as qualidades intrínsecas da música do que as circunstâncias da gravação do disco e o seu impacto. Por exemplo, quando o alemão Fritz Kreisler gravou o Concerto para Violino de Beethoven com a Berlin State Opera, em 1926, mudou para sempre a maneira como se tocava violino, pois acrescentou um vibrato às passagens mais suaves da música para compensar as inadequações da reprodução sonora. Da mesma forma, o registro das Sonatas e Partitas para Violino de Bach, feito em 1973 por Nathan Milstein, levou muitos violinistas eminentes a jurar nunca tocar aquela música, pois parece impossível superar a performance de Milstein. Quanto à lista dos vinte piores discos, ela foi sobretudo uma diversão. Eu poderia facilmente ter listado cinqüenta. Novamente, o propósito não era apontar música ruim feita por músicos sem talento. Pelo contrário, queria mostrar que mesmo uma reunião de gênios pode resultar num desastre. É o caso da célebre gravação do Concerto Triplo de Beethoven feita pelo trio de ouro Richter, Oistrakh e Rostropovich em 1969, com Herbert von Karajan na regência. Os músicos não se entenderam, Karajan pressionou todos com a agenda de gravação e o resultado é que nenhuma nota do disco tem significado musical verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se quisesse seduzir um novato para o mundo da música erudita, qual disco da sua lista de 100 recomendaria que ele ouvisse? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Concerto Duplo de Bach tocado por David e Igor Oistrakh, pai e filho. Você nunca encontrará um exemplo melhor da comunicação entre gerações do que nesse disco.&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;No livro O Mito do Maestro, o senhor diz que há muita mistificação em torno da figura do regente. O que faz um bom maestro? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Além de seus outros pecados, a indústria musical ajudou a "estragar" os regentes. Ela os mimou demais, e muitos se sentiram como semideuses. É o caso de Herbert von Karajan, um artista talentoso mas de uma vaidade absurda, que dominou o mercado por quase meio século. O bom regente, na minha opinião, é aquele que coloca a sua personalidade numa orquestra. Eu não percebo isso num Daniel Barenboim, que passou mais de uma década à frente da Sinfônica de Chicago e não avançou nenhum milímetro em relação à época em que a orquestra era comandada por Georg Solti. Em compensação, poucos têm a personalidade de Lorin Maazel. Certa vez, Mariss Jansons, outro regente que admiro, foi ao meu programa de rádio. Ele disse que demorou cinco anos para se livrar da sombra de Maazel, seu antecessor na Sinfônica de Pittsburgh. A isso chamamos personalidade. Entre os novos, creio que o venezuelano Gustavo Dudamel fará uma carreira brilhante. Eu o vi algumas vezes e fiquei impressionado. Um spalla de uma das maiores orquestras do mundo me mandou um dia desses um e-mail com a seguinte frase: "Não compare Dudamel com nenhum outro regente. Em 60 anos de vida, jamais me vi diante de um músico tão fenomenal".&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;No século XX, a música erudita fugiu da melodia em busca do atonalismo. Isso afastou o público? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O atonalismo foi inevitável. Ele ganhou corpo numa era de trauma e ruptura, o período da II Guerra Mundial, quando um grupo de compositores quis criar músicas que não tivessem relação com o passado. As platéias viram essa mudança como uma traição. Existia uma idéia de que artista e público tinham de andar lado a lado. Quando uma das partes muda de estilo e diz que não quer saber a opinião do público, cria-se um impasse. O atonalismo afugentou as platéias e essa rejeição atingiu muitos autores contemporâneos que faziam uma música menos atonal. Como o compositor checo Bohuslav Martinu, que sofreu uma rejeição sem precedentes sem de fato a merecer. Hoje em dia, acho que artistas e platéias estão menos radicais. Pode-se saborear as obras de um artista como o argentino Osvaldo Golijov, que tem uma música ousada, mas sem atonalismo.&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Qual é o papel desempenhado pela crítica na música erudita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a imprensa musical é parte da crise da música erudita. Ela se tornou pouco confiável ao longo dos anos e está comprometida com as gravadoras. Tomemos uma publicação respeitada como a Gramophone. Seu editor se orgulha de jamais ter publicado uma crítica negativa - e acho pouco provável que tenham sido lançados apenas discos sensacionais. Além disso, é comum que os editores mostrem as resenhas aos executivos das gravadoras antes de elas serem publicadas. É uma traição ao público.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É possível trazer os jovens de volta às platéias de concertos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seria necessário mostrar a eles que a música erudita pode ser tão vibrante quanto um concerto de rock - e nós sabemos que ela pode. Formou-se um círculo vicioso. Os jovens não querem ir a um local em que o público tem a mesma idade de seu pai ou de seu avô, e com isso se perpetua a idéia de que a música erudita é algo formal e envelhecido. É uma pena, porque o envelhecimento das platéias também se reflete nos artistas. Outro dia, a violinista Anne-Sophie Mutter declarou que pensa em se aposentar. Ela tem apenas 44 anos, poderia ter mais três décadas de atividade. Mas a decisão dela é compreensível se pensarmos que Anne-Sophie toca sempre o mesmo concerto para as mesmas pessoas. Perdeu a empolgação.&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;No ano passado, durante as comemorações dos 250 anos de nascimento de Mozart, o senhor causou polêmica ao afirmar que a obra dele não tem nada de inovador. Ainda pensa assim? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Você não precisa ler meus artigos para chegar à conclusão de que Mozart nunca foi um grande inovador. O maestro austríaco Nikolaus Harnoncourt, especialista na obra de Mozart, já defendeu a tese de que sua música não traz grandes inovações em relação ao que foi feito por Haydn - este, sim, um grande gênio. O que mais me irrita é a mozartmania, que dá origem a caça-níqueis como as gravações para bebês ouvirem quando ainda estão na barriga da mãe. No ano passado, praticamente todas as gravadoras lançaram discos dedicados a Mozart. Como se a obra dele fosse tão poderosa a ponto de trazer o público de volta para a música erudita. Isso aconteceu? Claro que não. Se eu fizesse uma comparação entre os autores eruditos e a gastronomia, Mozart seria no máximo um McDonald's.&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Algum maestro foi favorável ao seu artigo sobre Mozart?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Publicamente, não. Mas muitos deles me diziam que estavam cansados de reger as mesmas obras de Mozart. "Norman, estou sofrendo de mozartite. Por favor, me dê um pouco de atonalismo."&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Quais compositores clássicos mereceriam maior atenção do público atual?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;O ano de 2009 marcará o bicentenário da morte de Haydn. Quantas vezes foi possível apreciar as 104 sinfonias desse compositor, sem falar nas óperas que ele escreveu? Haydn criou o formato da sinfonia que anos mais tarde seria absorvido por Mozart. Ele não tem a mesma versatilidade de seu discípulo famoso, mas, por favor, vamos deixar Mozart de lado e ouvir mais Haydn. Eu digo o mesmo em relação a Mendelssohn, Schumann e Liszt. Eles deveriam estar bem mais presentes nas salas de concerto. São criaturas de uma era mais tardia, que empreenderam buscas musicais mais conscientes e significativas para o nosso tempo. Esses três compositores abordaram as grandes questões humanas em suas partituras. Mozart compunha por instinto, sem visar a nada muito mais elevado do que entreter e ganhar a vida.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A grande novidade da música erudita nos últimos tempos foi a Finlândia, país que se tornou exportador de grandes maestros. O que os finlandeses fizeram de certo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Finlândia tem se tornado uma potência não apenas na regência. Eles estão tendo avanços na tecnologia também. Qual é a marca do seu aparelho celular? Pois o meu é de uma empresa da Finlândia. E sabe por que a Finlândia será uma potência? Porque as crianças aprendem a ler música e a tocar um instrumento musical na mesma época em que aprendem a ler e escrever. Em suma, são orientadas a desenvolver o cérebro - e isso ajuda em outras atividades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-7955272254327408366?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/7955272254327408366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=7955272254327408366' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7955272254327408366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/7955272254327408366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/08/clssicos-na-uti.html' title='Clássicos na UTI'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5866713632138143650</id><published>2007-06-19T09:30:00.000-07:00</published><updated>2007-06-19T09:36:29.809-07:00</updated><title type='text'>Lobo bobo</title><content type='html'>O cantor Lobão, 49 anos, se notabilizou em defender os direitos dos fracos e dos oprimidos. Brigou com praticamente todas as gravadoras com as quais trabalhou e defendeu a tese de que os CDs deveriam ser numerados para que os artistas soubessem exatamente quantas cópias venderam. Na vida real, Lobão, esse paladino da justiça, não reza pela cartilha do bom artista. Vejam o email que eu recebi de um músico erudito que foi convidado para tocar no show do disco Acústico MTV:&lt;br /&gt;"Recebi um telefonema do produtor do Lobão um cara chamado Mauro me chamando pra tocar no lançamento do Acústico MTV deste gênio agora compreendido. Até aí tudo bem, mas olha só a proposta: tocar com um quinteto de cordas,  sendo que o quinteto se escuta nos retornos e o som que vai para o público é o que ele solta do computador. Dublagem na cara dura!&lt;br /&gt;Lobão paga 200 reais por show , um em São Paulo na sexta outro no sábado no Rio  de Janeiro (indo de ônibus) e outro na segunda numa festa fechada no Via funchal. Conclusão, ele  que sempre lutou pelos direitos dos fracos e oprimidos agora está explorando os músicos. Para piorar,  dubla as cordas de um show acústico porque não quer pagar direito!"&lt;br /&gt;E agora, Lobão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5866713632138143650?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5866713632138143650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5866713632138143650' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5866713632138143650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5866713632138143650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/06/lobo-bobo.html' title='Lobo bobo'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-3842982015849570954</id><published>2007-06-19T07:13:00.001-07:00</published><updated>2007-06-19T07:13:31.619-07:00</updated><title type='text'>Discos riscados</title><content type='html'>A regravação, às vezes, é resultado da busca de um músico pela perfeição. Ela pode ser inovadora. O regente austríaco Herbert von Karajan lançou seis versões das nove sinfonias de Beethoven porque queria registrar cada nova concepção que tinha desses clássicos. A cantora americana Ella Fitzgerald revisitou várias vezes o repertório de autores como Cole Porter e George Gershwin, renovando-se a cada gravação. No Brasil de hoje, porém, casos como esses são raros, muito embora o que não falte sejam regravações. Em todos os estilos os artistas se repetem, se repetem e se repetem, por falta de ousadia, oportunismo ou auto-indulgência. A lista inclui de veteranos como Erasmo Carlos, Lobão e Zeca Pagodinho, cujos dias de glória já vão longe, a artistas que, em teoria, estão vivendo o seu auge criativo. Nando Reis, Ivete Sangalo e Jota Quest são alguns dos que não cansam de regurgitar suas velhas músicas, sobretudo em CDs do gênero “ao vivo” (volume I e volume II).  A regravação é um sintoma da crise na indústria fonográfica. Buscar uma solução inovadora para as vendas declinantes dá trabalho, e é mais seguro investir em mais do mesmo. A festeira baiana Ivete Sangalo lançou três discos ao vivo em menos de dez anos. O mais recente foi gravado no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, diante de um público de mais de 50.000 pessoas — uma superprodução com repertório requentado. Em tempos idos, o sambista Zeca Pagodinho só lançava CDs de material inédito, com no máximo duas, três releituras. A partir de Ao Vivo, de 1999, Zeca afrouxou seus critérios. Nos últimos quatro anos, lançou dois CDs ao vivo. O mais recente, baseado em canções de gafieira, não teve o resultado comercial esperado — uma prova de que o público não aprovou a fórmula manjada. O disco ao vivo, que deveria captar a vibração do artista em contato direto com os fãs, transformou-se em veículo burocrático. É o que se constata nos registros de shows do Jota Quest. O maior sucesso do quinteto mineiro foi MTV ao Vivo, lançado em 2003, com mais de 500 000 cópias vendidas. Desde então, a banda não faz outra coisa senão gerar subprodutos desse projeto, com mais um CD ao vivo e um DVD de uma apresentação em Porto Alegre. Músicas como As Dores do Mundo e De Volta ao Planeta chegaram a ser gravadas quatro vezes. O único disco de estúdio recente traz, como música de trabalho, uma cover de Roberto Carlos — o fôlego para composições novas se esgotou. Nando Reis é outro que adora reprisar canções. Seu Luau MTV nada mais é que o registro de uma apresentação na praia, ao lado de convidados. A Letra "A", A Fila e Relicário são algumas das faixas que ganharam uma terceira releitura. Até Lobão largou a pose de “artista que não se vende” e topou a oferta da gravadora Sony BMG para lançar um Acústico MTV.  Nas entrevistas de divulgação desse disco preguiçoso (em grande parte feito de velharias dos anos 80), o cantor jacta-se de que a gravadora está pagando jabá, aquela verba que o radialista recebe para tocar certas canções. O artista que muda de gravadora às vezes utiliza a regravação como estratagema para transferir o melhor do seu repertório para a nova casa. Em dez anos, Erasmo Carlos gravou discos por três companhias, sempre com as mesmas composições dos tempos da carochinha. Seu último disco, Erasmo Convida II, é um “catadão” de algumas das canções mais significativas de quarenta anos de carreira, na companhia de convidados como Chico Buarque e Los Hermanos. “Eu queria mostrar músicas novas, mas o meu público prefere os sucessos antigos”, justifica Erasmo. E a praga das regravações continua a se espraiar. No mês passado, chegaram às lojas discos de artistas do segundo escalão da MPB com homenagens a Dorival Caymmi, Tom Jobim e Chico Buarque. São trabalhos modorrentos e sem critério artístico. Está na hora de os artistas brasileiros apresentarem novidades. Ou estarão condenados a confirmar o poeta russo Joseph Brodsky, para quem a repetição era a mãe do tédio.&lt;br /&gt; ERASMO CARLOS Composições inéditas entre 1995 e 2001 - 12 Regravações entre 1995 e 2001 - 13 Composições entre 2002 e 2007 - 12 Regravações entre 2002 e 2007 - 34&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do mesmo&lt;br /&gt;Como os artistas seespecializaram em reciclar canções antigas&lt;br /&gt; ZECA PAGODINHO Entre 1995 e 2001 Composições inéditas - 57 Regravações - 46&lt;br /&gt; Entre 2002 e 2007  Composições inéditas - 27 Regravações - 35&lt;br /&gt; IVETE SANGALO Entre 1995 e 2001 Composições inéditas - 70 Regravações - 18&lt;br /&gt; Entre 2002 e 2007 Composições inéditas - 30 Regravações - 31&lt;br /&gt; LOBÃO Entre 1995 e 2001 Composições inéditas - 36 Regravações - 11&lt;br /&gt; Entre 2002 e 2007  Composições inéditas - 13 Regravações - 15&lt;br /&gt; NANDO REIS Entre 1995 e 2001 Composições inéditas - 23 Regravações - 13&lt;br /&gt; Entre 2002 e 2007  Composições inéditas - 23 Regravações - 25&lt;br /&gt; JOTA QUEST Entre 1995 e 2001 Composições inéditas - 31 Regravações - 4&lt;br /&gt; Entre 2002 e 2007  Composições inéditas - 25 Regravações - 37&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-3842982015849570954?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/3842982015849570954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=3842982015849570954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3842982015849570954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/3842982015849570954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/06/discos-riscados.html' title='Discos riscados'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8563321058682342725</id><published>2007-06-18T14:52:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T15:19:56.039-07:00</updated><title type='text'>Decadência é triste</title><content type='html'>Não existe nada pior do que artista que se recusa a aceitar a decadência. Aliás, não existe nada pior do que artista que se recusa a aceitar a decadência e desembarca no Brasil a fim de enganar uns incautos. Estou falando de Lauryn Hill, artista de hip hop, que na semana passada tungou gaúchos, paulistas e cariocas.&lt;br /&gt;Dez anos atrás, Lauryn era a maior promessa da música negra norte-americana. Era vocalista dos Fugees, trio de rap que tinha letras espertas - falavam de amor ou política ao invés do discurso pró-bandidagem do gangsta rap - e influências de soul music e reggae. No ano de 1998, a cantora lançou seu primeiro disco solo, &lt;em&gt;The Miseducation of Lauryn Hill&lt;/em&gt;, um álbum que mostrou novos caminhos para o hip hop. Lauryn cruzou o gênero com soul music - vide Doop Wop (That Thing) primeiro single do disco - e o disco se transformou no item de cabeceira de moças como Beyoncé, Joss Stone &amp; cia.&lt;br /&gt;Mas lá se vão dez anos e a Lauryn Hill que lançou &lt;em&gt;Miseducation...&lt;/em&gt; nem de longe é a Lauryn Hill que assisti no Tom Brasil. Diva decadente, ela deu piti no hotel (que achou meio burguês), no trato com a imprensa (exigiu ser entrevistada por repórteres negros) e no público (entrou com mais de duas horas de atraso). Cantora de meia-pataca, entrou no palco afônica e desafinou sempre que teve oportunidade. Aliás, o tempo que gastou para colocar aqueles cílios postiços poderia ter sido gasto num bom otorrino. Artista equivocada, destruiu três clássicos do sogro, Bob Marley (Lauryn é casada com Rohan, um dos trocentos filhos do rei do reggae) ao cantá-las num andamento acelerado e acompanhada por uma banda horrorosa. &lt;em&gt;Heathen&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Natty Dread&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Zimbabwe&lt;/em&gt; (esta última, uma homenagem à independência do país africano, na década de 70 - e cujo libertador, Robert Mugabe, se transformou num tirano sanguinário) sofreram mais do que vítima de guera tribal no continente africano. A seu favor, Lauryn contou com a complacência do público, que pagou mais de 200 reais para assisti-la e achou tudo "muito foda". Os cariocas não se deixaram enganar tão fácil: sapecaram uma sonora vaia na folgada. Foda, meus caros, é ser enganado por uma artista metida a diva que não sabe o significado da palavra profissionalismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-8563321058682342725?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/8563321058682342725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=8563321058682342725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8563321058682342725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/8563321058682342725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/06/decadncia-triste.html' title='Decadência é triste'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-5826992827655084791</id><published>2007-06-18T11:44:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T14:52:04.780-07:00</updated><title type='text'>O mito do maestro</title><content type='html'>O crítico de música Norman Lebrecht, uma das poucas vozes dissonantes do oba-oba da música erudita, apregoa que o grande maestro não é aquele que rege as orquestras da moda ou lança discos por selos badalados. Bom regente é o que imprime sua marca sonora em cada grupo sinfônico que rege. Lebrecht citou como exemplo Lorin Maazel, que comandou a Sinfônica de Pittsburgh, a Ópera de Viena e atualmente responde pela direção da Filarmônica de Nova York. Sei bem do que Lebrecht está falando, porque cinco anos atrás vi Maazel reger de forma magistral a Orquestra Experimental de Repertório, grupo sinfônico formado por estudantes de música. No entanto, poucos regentes expressam melhor essa que o alemão Kurt Masur.&lt;br /&gt;Masur, que completa 80 anos em julho, é um senhor carrancudo, de poucas palavras - principalmente quando importunado por repórteres - e não abre mão de chacoalhar a orquestra quando sente que ela não corresponde ao seu comando. Também não possui um gestual dos mais bonitos. Alto e um tanto desengonçado, ele parece um boneco de pau a se equilibrar no pódio enquanto rege a orquestra. Porém, sabe como poucos liderar uma orquestra. Seja a Filarmônica de Nova York, com quem veio ao Brasil em 2002 - e executou uma Quarta Sinfonia, de Bruckner, capaz de levar o ogro mais grosso às lágrimas; seja a Osesp, que foi regida por ele em 2002 e 2004 - o repertório foi de aberturas das óperas de Wagner às sinfonias de Beethoven e Brahms ou a Orquestra Acadêmica do Festival de Inverno de Campos de Jordão (Barber e Mahler), Masur atinge a alma de cada peça que rege.&lt;br /&gt;No dia 30, de maio, Kurt Masur me proporcionou outros desses momentos mágicos. Ele comandou a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) no Teatro Alfa, em São Paulo. O repertório era constituído da abertura d'Os Mestres Cantores de Nuremberg, de Richard Wagner, a Sinfonia Inacabada, de Schubert, e a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak. Masur regeu num andamento mais lento do que o normal, como se quisesse dizer para a platéia: "Caros, saboreiem cada nota desta maravilha!" E foi um banquete e tanto e um prenúncio de uma nova era para a OSB. Depois de sofrer durante anos na mão de regentes de quinta categoria e administrações catastróficas, ela renasceu no ano passado sob a direção do maestro Roberto Minczuk. Os concertos de Masur são a prova da capacidade do grupo sinfônico.&lt;br /&gt;Abaixo, uma "palinha" de Masur e OSB na praia de Copabacana, Rio de Janeiro&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QcxVtIUWsso"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=QcxVtIUWsso&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-5826992827655084791?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/5826992827655084791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=5826992827655084791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5826992827655084791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/5826992827655084791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/06/o-mito-do-maestro.html' title='O mito do maestro'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-4114714877994011108</id><published>2007-05-29T14:57:00.000-07:00</published><updated>2007-05-29T15:38:14.102-07:00</updated><title type='text'>O efeito Morricone</title><content type='html'>Faz sete anos que fui abduzido pela música erudita. Em abril de 2000, fui para a Alemanha fazer uma reportagem sobre a Filarmônica de Berlim. O que eu vi e ouvi na Philharmonie, sede da orquestra, até hoje reside no meu cérebro e disputa lugar com as melhores lembranças dos meus quarenta anos de vida. Comandada pelo maestro austríaco Nikolaus Harnoncourt, a filarmônica atacou uma Oitava Sinfonia, de Anton Bruckner, com uma voracidade inédita - a introdução, em que os cellos, violinos e contrabaixos vão crescendo na sua frente, bota qualquer apresentação de thrash metal no chinelo. Fiquei tão obcecado que passei a colecionar diferentes versões da peça. De Harnoncourt, que tinha assistido em Berlim, a Pierre Boulez, que deu um ar mais moderno à peça e encurtou sua execução, a ponto de caber em apenas um CD. De Herbert von Karajan, cuja versão levou a Filarmônica de Viena aos céus, a Sergiu Celibidache. Famoso pela lentidão com que rege concertos e sinfonias, Celibidache me deu o prazer de saborear cada nota da obra de Bruckner. Minha experiência com a Filarmônica de Berlim me proporcionou a correr atrás de outros momentos inesquecíveis na música erudita. Me deliciei com a versão de Claudio Abbado e da Filarmônica de Berlim para a Sexta e Sétima sinfonias de Beethoven, pude conferir Daniel Barenboim preparar uma orquestra para a execução de obras de Mahler, Beethoven e Wagner. Entre os brasileiros, me recordo com carinho de From the Transmigration of Souls, réquiem para as vítimas do atentado de 11 de setembro, composta por John Adams e regida pelo paulistano Roberto Minczuk. A récita do compositor e maestro Ennio Morricone no dia 05 de maio no Theatro Municipal do Rio de Janeiro pertence a este clube seleto.&lt;br /&gt;Para quem não conhece, vamos a uma pequena introdução. Ennio Morricone, 79 anos, é um dos maiores compositores de trilhas sonoras em todos os tempos. Os cinéfilos o conhecem pelas parcerias com o cineasta Sergio Leone - que rendeu temas lindos como Era Uma Vez no Oeste e Era Uma Vez na América -, mas Morricone criou música para filmes de Rolland Joffé (A Missão), Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso) e Dario Argento. Ele também é dono de uma respeitável carreira no campo erudito. Para quem deseja conhecer mais dessa faceta, recomendo a audição da caixa Io, Ennio Morricone, em que os temas para o cinema dividem espaço com sinfonias, sonatas e concertos.&lt;br /&gt;Por incrível que pareça, a récita tinha tudo para dar errado. O público do Theatro Municipal suportou a apresentação de um ator da Globo de quinta categoria - escolhido apenas porque arranhava o italiano -, das bobagens proferidas por José Wilker e pelo discurso do ministro da Cultura Gilberto Gil, que a cada dia que passa se sente mais à vontade no posto de bobo da corte do governo Lula. Gil reduziu Morricone a "maestro tropicalista" e aproveitou o momento para fazer divulgação de Ó Paí Ó. Aliás, é incrível como todo artista da Tropicália considera a Bahia a mãe de todos os gêneros musicais - numa recente entrevista, Carlinhos Brown disse que os baianos foram os inventores da distorção na guitarra elétrica.&lt;br /&gt;Bem, vamos a Morricone. Ele é um excelente compositor e um maestro mediano. Um amigo meu, regente do primeiro time, me segredou que falta precisão aos movimentos de Morricone e que a Petrobrás Sinfônica - orquestra que o acompanhou naquela noite teve dificuldades em entender sua regência. Mas cá entre nós: isso importa quando temos a chance de ver um gênio em ação? Como não se emocionar com a melodia singela de Cinema Paradiso (que ele incluiu a pedidos do público brasileiro)? Como ignorar o cruzamento de música clássica, rock e western de Três Homens em Conflito? Ou então acreditar piamente na existência de Deus - sou católico não praticante, mas creio no homem de lá de cima - quando o tema principal de A Missão invadiu o Theatro Municipal? Pois naquela noite, as composições de Ennio Morricone passaram a morar no meu cérebro. Dividem a mesma cama com a Oitava Sinfonia, de Anton Bruckner. Ao lado, três grandes momentos de Morricone.&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=SQlKI0LM70I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=PldBiGCVjIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=qQ3u3fTG70Q&amp;mode=related&amp;search=&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-4114714877994011108?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/4114714877994011108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=4114714877994011108' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4114714877994011108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/4114714877994011108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/05/o-efeito-morricone.html' title='O efeito Morricone'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-6673671066566762256</id><published>2007-05-29T14:30:00.000-07:00</published><updated>2007-05-29T14:55:09.508-07:00</updated><title type='text'>Mariana Aydar</title><content type='html'>Por conta dos meus compromissos profissionais (leia-se a eterna procura de boas pautas num mercado que está cada vez mais escasso), não consegui atualizar este blog como ele merecia. Mas vamos ver se recupero o tempo perdido. Começo falando de Mariana Aydar, cuja apresentação eu assisti no dia 04 de maio, sexta-feira, no Auditório Ibirapuera.&lt;br /&gt;Para início de conversa, acho Mariana Aydar um dos melhores talentos da nova geração de cantoras que invadiu o mercado nos últimos anos. Primeiro, canta que é um absurdo. Tem voz grave, empostada, feita para deitar e rolar em sambas da velha guarda - o que ela faz muito bem, visto que seu disco de estréia, Kavita 1, tem composições de Leci Brandão (Zé do Caroço) e uma bela parceria de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro (Maior é Deus, cantada por Beth Carvalho, aquela senhora que tungou alguns milhares dos cofres públicos para gravar um DVD na Bahia). Segundo, Mariana não se tornou escrava da música eletrônica. Em seu disco, as programações são muito mais um acessório do que uma muleta - ao contrário do que acontece nos trabalhos de artistas como Céu, que se tornou refém do DJ e do computador. Kavita 1 tem um barulhinho aqui e acolá, mas não corre o risco de dominar o CD e torná-lo datado.&lt;br /&gt;Por fim, Mariana Aydar tem outro atrativo. Mas este só é perceptível ao vivo. Ela é um charme. Tem presença de palco, move-se com graça - e olhe que estou falando do Auditório Ibirapuera, um local que costuma deixar artistas intimidados - e sabe encantar uma platéia. Quem a assistiu desfiar as músicas de Kavita 1 ao lado de releituras para composições de Leci Brandão (Deixa o Menino) e Camilla (1,2,3) conferiu uma artista madura, pronta para o estrelato. O único senão fica por conta do excesso das declarações de amor a Duani, instrumentista e marido de Mariana Aydar. Pessoalmente, acho que deve existir uma divisão entre o lado pessoal e profissional. O amor é lindo, o rapaz é um músico excelente, porém não precisava repetir o dengo de cinco em cinco segundos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-6673671066566762256?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/6673671066566762256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=6673671066566762256' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/6673671066566762256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/6673671066566762256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/05/mariana-aydar.html' title='Mariana Aydar'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-2212945091530513141</id><published>2007-04-25T16:41:00.000-07:00</published><updated>2007-04-25T18:29:44.702-07:00</updated><title type='text'>De Budapeste a Kingston</title><content type='html'>Semana passada tive uma das muitas discussões musicais acaloradas - quer dizer, TODOS meus debates musicais são acalorados - com um dos meus companheiros de serviço. Em determinado momento, ele disparou: "Mas poxa, Sérgio, você gosta até de axé music!" Sim, eu gosto de axé. Quer dizer, acredito que em meio a quatrocentos quaquilhões de porcarias despejadas nos últimos vinte anos, existem pelo menos seis músicas boas, com letras acima da média e uma boa interpretação. É o caso, por exemplo, de &lt;em&gt;Vem Meu Amor&lt;/em&gt;, que fica bem seja na versão do Olodum ou na de Ivete Sangalo, e &lt;em&gt;Prefixo de Verão&lt;/em&gt; - que nem o refrão aê aê aê, que denota uma certa ausência de ligação neural, consegue estragar. Mais do que gostar de axé music, soul, dub, funk, música clássica etc, eu gosto de música. Sou daqueles que acreditam que existem apenas dois tipos de canções no mundo: as boas e as ruins. Por conta da minha crença, cometo loucuras. Como viajar de Budapeste a Kingston. Explicando melhor: na terça-feira, dia 17 de abril, fui conferir a Budapest Festival Orchestra na Sala São Paulo. Após o concerto, sai correndo para o Via Funchal a fim de assistir à apresentação do jamaicano Lee Perry - rei dos reis, pai do reggae, padrasto do dub e etc e tal.&lt;br /&gt;A Budapest foi criada em 1983 pelo maestro húngaro Iván Fischer e pelo pianista e compositor Zoltán Kocsis. Fischer, 56 anos, é quem dá as cartas. Três anos atrás, eu o assisti à frente da mesma Budapest no Teatro Cultura Artística e fiquei impressionado com seu estilo enérgico de reger e com o bom gosto na escolha do repertório - que foi de uma sinfonia manjada do romântico Schubert à intrincada &lt;em&gt;Jogo de Cartas&lt;/em&gt;, de Stravinsky. A minha admiração por Iván Fischer aumentou depois que o ouvi reger a &lt;em&gt;Segunda&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Sexta&lt;/em&gt; sinfonias de Mahler, em CDs que até hoje têm alta rotação na minha casa. São duas das melhores versões disponíveis no mercado, podem acreditar. Na Sala São Paulo, Fischer e a Budapest Festival Orchestra atacaram com Schumann e Beethoven - a famigerada &lt;em&gt;Quinta Sinfonia&lt;/em&gt;. A leitura de Fischer é muito diferente da de um Daniel Barenboim (cuja turnê eu tive o prazer de acompanhar dois anos atrás). Ao Barenboim carrega nos metais e destaca alguns instrumentos como o oboé e o contrabaixo. Já o húngaro é pouco afeito a detalhes. Porém, Fischer compensa essa falta de minúcia com uma energia de outro mundo. Os espaços entre os movimentos praticamente foram ignorados - para a infelicidade da "turma da tosse", aquele pessoal que freqüenta as salas de concerto especialmente para fazer barulho entre um intervalo e outro. No bis, Fischer e a Budapest tocaram um compositor "da casa": Bártok. Aqui, um tostão da performance de Fischer regendo Rachmaninoff&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pIVRvcLg9Xo"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=pIVRvcLg9Xo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E vamos a Lee Perry... Bem, existem dois Lee Perry. O primeiro é aquele que todo fã de reggae aprendeu a amar. O produtor Lee Perry, que criou o reggae ao desacelerar as canções jamaicanas da época. O homem que enterrava na areia os discos que produzia porque cria que a experiência resultaria num som de baixo mais abissal. O sujeito que pegou o dub, criação do engenheiro King Tubby, adicionou outra boa dose de loucura e experimentos de estúdio e influenciou uma geração inteira de produtores de música eletrônica. O gênio cuja banda tinha integrantes que foram brilhar nos Wailers, de Bob Marley (a sessão rítmica formada pelo baixista Aston "Family Man" Barrett e pelo baterista Carlton Barrett) e no grupo de Peter Tosh (Robbie Shakespeare e Sly Dunbar, o Coutinho e o Pelé do reggae). Pois é, esse Lee Perry não deu as caras.&lt;br /&gt;O Via Funchal assistiu ao outro Lee Perry. Um velhinho bacana, engraçado, munido de um turbante que o deixava parecido com um personagem de O Senhor dos Anéis. Perry tocou ao lado de uma banda competente e sua performance se limitou a acenos para platéia e letras mastigadas no estilo jamaicano - que dizer, eu poderia jurar que ele cantou em patois, o omelete verbal do pessoal da Jamaica. Mas vai saber... No repertório, poucos clássicos. &lt;em&gt;War in a Babylon&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;I Wish It Would Rain&lt;/em&gt; (clássico do grupo de soul Temptations), &lt;em&gt;One Drop&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Crazy Baldhead&lt;/em&gt; do bom e velho Marley... O baixista era bom, mas senti falta de tesão. Parecia que o bom velhinho estava mesmo atrás do nosso dinheiro... Veja aqui e confira se estou certo. Para mim, Lee Perry foi música ruim.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hKjOczawWK8"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=hKjOczawWK8&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6111412553067072032-2212945091530513141?l=tudoquesobra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/feeds/2212945091530513141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6111412553067072032&amp;postID=2212945091530513141' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2212945091530513141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6111412553067072032/posts/default/2212945091530513141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tudoquesobra.blogspot.com/2007/04/de-budapeste-kingston.html' title='De Budapeste a Kingston'/><author><name>Sergio Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15995524234870813000</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6111412553067072032.post-8685737399630253736</id><published>2007-04-09T15:23:00.000-07:00</published><updated>2007-04-09T15:26:53.085-07:00</updated><title type='text'>A Nação das Cantoras</title><content type='html'>Houve um tempo em que elas eram vistas com preconceito. Hoje, as intérpretes femininas dominam o mercado de discose comandam a tradição de canto da musica popular brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é a nação das cantoras. Observe-se a seguinte estatística: em 2006, mais de 100 discos de intérpretes femininas chegaram às lojas. No mesmo período, foram apenas 34 lançamentos de intérpretes homens. O exército das novatas é impressionante. Nas fotos desta reportagem, o leitor encontrará cinco delas em destaque – acompanhadas por várias outras igualmente promissoras, como Bruna Caram, Ana Krüger, Tatiana Parra, Karine Alexandrino ou Giana Viscardi. Mas a força da voz feminina é bem mais que uma questão de número. Há três razões para isso. Primeiro, o apuro técnico das cantoras vem aumentando. Elas querem que sua voz seja um instrumento versátil, e não apenas afinado. Algumas, inspirando-se num exemplo consagrado como o de Marisa Monte, até mesmo vão buscar apoio no estudo lírico. Em segundo lugar, as mulheres dedicam-se com maior afinco à tarefa de interpretar. Houve uma era em que cantores importantes faziam apenas isso: dar vida às canções de outros. Foi o tempo de Orlando Silva e Mário Reis. A partir dos anos 70, a MPB viu despontar o "cantautor" (como o batizaram alguns críticos): um compositor que também usa o microfone. A ascensão desse personagem r
